Quebradeira de coco

Autor Diêgo Nunes Boaes

Quebradeira de coco solteira, que cedo levanta, passa o café no velho bule, no fogareiro de barro, utilizando o carvão feito da casca do coco babaçu. Pega um pano, faz dele uma rodilha, uma proteção para a cabeça, pega sua “manchada”, sua “mancepa” e uma lata de meio quilo, este último era para medir a quantia de amêndoa de coco, colocava-os dentro do cofo e depois sobre sua cabeça, enrolava o vestido para ficar mais curto e colocava a mão na cintura para servir de contra-peso.

Segue para o mato para juntar coco. Junta um, dois, um aqui outro acolá, enche o cofo até transbordar, procura um local e os despeja, ficando um sobre o outro formando uma ruma. Ao terminar de juntar o coco, ela pega um tronco forte cortado ou raiz de mangueira ou de cajueiro, prega a “manchada” sobre o tronco com auxílio da “mancepa”, espécie de martelo de madeira, e assenta sobre o chão.

Começa a quebrar, em suas “mancepadas”, inicia uma de suas cantorias para ver o tempo passar ligeiro. Como passa-tempo aquelas cantigas de caixa eram as que se sobressaiam e lhe davam companhia naquele dia. Colocava as amêndoas dentro do cofo e as cascas do lado, estas iriam mais tarde para a caeira, um buraco feito para queimar as cascas transformando-as em carvão, que mais tarde também serviria, tanto para usar no preparo da alimentação, quanto para vender.

A quebradeira já de costas doídas daquele dia inteiro de batalho, chega em casa com seu cofo de amêndoas. Uma parte para venda, outra para alimentação das criações e  para a fabricação do azeite. Ela separa as da venda, soca no pilão as amêndoas que irá utilizar em casa, uma parte do bagaço serve de alimento para as galinhas caipiras, a outra vai para o caldeirão, que logo transformará em azeite.

O leite de coco serve para engrossar o caldo do peixe consertado em “tic tic” e também para ajudar na fabricação dos deliciosos bolos de tapioca. Das cascas ela retira o fubá para fazer mingau para as crianças menores da casa. E coloca na caeira o restante, ascende a caeira, cobre com as pindobas, palhas verdes de babaçu, e bastante terra, para abafar. E aguarda que o fogo faz sua parte.

No fim do dia ela retorna para tirar o carvão. Leva para casa os cofos fardos, e a casa enche de alegria. Prepara o mingau para os menores dormirem. E na ceia da noite prepara a mesa com aquele peixinho gostoso da água doce, e de sobremesa aquele café cheiroso, torrado com erva-doce, com o delicioso bolo de tapioca, digno de uma mulher guerreira. E assim é a história que se inicia dia após dia.

José e seus cofinhos

Autora Ana Creusa

José dos Santos era um contador de histórias, hábito que herdou de sua mãe Ricardina. Algumas histórias eram fruto da literatura infantil, outras oriundas de vivências de sua infância. A primeira história que lhes conto agora “aconteceu de verdade”, como se diz no linguajar popular. A história relata a experiência – que tinha tudo para ser traumática -, que José viveu para aprender a arte de tecer cofos.

Sua mãe era carinhosa, mas muito exigente no quesito transmissão de valores, como boas maneiras, estudo e trabalho, principalmente a preocupação que tinha para que seus filhos aprendessem um ofício.

A história relata o aprendizado do menino José na tarefa de tecer cofos, que é uma espécie de cesto para carregar e guardar vários mantimentos, são feitos da folha da palmeira de babaçu, típica da Baixada Maranhense.

Pois bem, mais ou menos aos oito anos de idade, os filhos daquela época eram chamados a aprender a fazer cofos. Chegou a vez de José e quem se encarregou dessa tarefa foi sua mãe, que chamou o filho e começou a ensinar-lhe. Ele, apesar de inteligente, não conseguia aprender a tarefa. Ricardina, já sem paciência e com uma “taca” nas mãos começou a ameaçar o filho que cada vez sabia menos, nem se lembrava mais como se segurava a palha nas mãos para fazer o traçado do cofo.

A mãe, irritada, resolveu “largar de mão” e disse aquilo que não se pode dizer a um filho:

– Vai, você nunca vai aprender!!

José, cabisbaixo, seguiu para a mata e voltou depois de várias horas. A mãe já estava preocupada com o sumiço do filho. O menino retornou com vários cofinhos, de admirável beleza. Com isso, ao longo de sua vida, José ficou conhecido como quem fazia os mais belos cofos do lugar e ainda abanos e mensabas.

Eu tinha meu cofinho, usado como mala, na qual guardava minhas roupas. Ele tinha o aroma dos trevos do campo, para perfumar as peças do meu singelo vestuário.

Com esta história de vida, aprende-se que nunca se deve pressionou os filhos para aprender. José somente aprendeu a fazer cofos na tranquilidade da natureza. Sua mãe feliz, não se cansava de elogiar a inteligência do filho amado.

FDBM e COAMEL discutem implementação de Cooperativa na Baixada Maranhense

Na manhã deste sábado, dia 15/08, no Povoado de Itans do Município de Matinha, encontraram-se o novo Presidente da Cooperativa Agroecológica dos Meliponicultores da Baixada Maranhense (COAMEL), Venceslau Pereira Júnior, e o Presidente e Vice-Presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), Expedito Nunes Moraes e Antônio Lobato Valente.

A comitiva da COAMEL, que partiu de Peri-Mirim para Matinha, além do presidente da entidade, foi formada pelo secretário Lourivaldo Diniz e por Ana Cléres, que também compõe o FDBM.

O assunto debatido pelas duas instituições foi a busca de apoio direcionado ao desenvolvimento da meliponicultura na Baixada Maranhense por meio de investimentos em equipamentos para a COAMEL, a fim de que ela possa entrar em funcionamento, para benefício direto de famílias de meliponicultores de seis municípios da Baixada Maranhense.

Foi informado ao Presidente do FDBM que o desenvolvimento do projeto da COAMEL contou inicialmente com a parceira do SEBRAE e da Fundação Banco do Brasil. Atualmente já existe uma estrutura física, faltando a aquisição de maquinários e outros equipamentos para beneficiamento do mel de abelha e seus derivados.

Durante a rápida reunião, o presidente do FDBM mostrou-se bastante interessado em ajudar na construção das parcerias necessárias para que a COAMEL venha a funcionar de forma eficaz. Ao final, ficou combinado que haverá um novo encontro específico para tratar do assunto.

A Comitiva da COAMEL assistiu a uma abundante pesca no Povoado de Itans, onde funciona um centro de referência da cadeia produtiva de piscicultura que é modelo para o mercado nacional e internacional, que também foi construída com apoio do SEBRAE e Fundação Banco do Brasil, o qual funciona sob a forma de cooperativa – a grande esperança para pequenos produtores da Baixada Maranhense.

 

Peri-Mirim participará da Campanha de Prevenção ao Suicídio

Nesta manhã de 14 de agosto, a Secretária Municipal de Educação de Peri-Mirim/MA (SEMED), Alda Ribeiro, COMUNICOU aos gestores, supervisores e professores da rede municipal de ensino que recebeu uma missão do Ministério Público, por meio da Promotora de Justiça, Raquel Madeira Reis, titular da Comarca de Bequimão, da qual recebeu a missão para participação da Campanha do Setembro Amarelo no Combate ao Suicídio, intitulado REDE DO BEM: ESTAMOS AQUI PARA AJUDAR, que consiste na realização de um Concurso de Fotografias, com o tema “NATUREZA” do qual podem participar os alunos das escolas estaduais e municipais, com idade a partir de 12 (doze). Informou a secretária que a SEMED abraçou a causa e participará juntamente com o Ministério Público dessa importante campanha. Informou, ainda, a secretária que todos as orientações serão encaminhadas para as escolas, para que um maior número de alunos possam participar.

Confiram os editais abaixo e participem:

Evento Prev Suicídio 2020

Edital – Concurso de Fotografia – Rede do Bem

PLANTIO SOLIDÁRIO: Pau-Brasil de Helena Ribeiro

Autora Alda Ribeiro

O primeira etapa do projeto Plantio Solidário “João de Deus Martins” da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) tem como finalidade conscientizar cada acadêmico a plantar uma árvore duradora em homenagem ao seu patrono.

Acadêmica: Alda Regina Ribeiro Corrêa – cadeira n° 17

Patrona: Helena Ribeiro Corrêa

Planta escolhida: Pau-Brasil

Nome científicoPaubrasilia echinata

Pau-Brasil também chamado de arabutã, é uma árvore nativa das florestas tropicais brasileiras, presente no bioma mata atlântica. A espécie foi a primeira madeira a ser considerada lei no Brasil.

Desafio do Projeto: Recebi  a missão de homenagear minha patronesse, plantando uma árvore, missão esta que foi uma honra executar, visto que a patronesse é minha mãe, Helena Ribeiro Corrêa foi um exemplo de mulher, esposa, mãe e de profissional da educação, embora enfrentando lutas, sempre se mostrou forte, razão pela qual, escolhi a referida planta.

A muda do Pau Brasil, foi plantada no dia 16 de março de 2020, no terreno da residência de Ivaldo Ribeiro Lima, sobrinho da patronesse. A planta foi doação da amiga da ALCAP, Ana Cléres Santos, proprietária do Sítio Boa Vista em Peri-Mirim.

Rotina do acaso

Autor Francisco Viegas

Quando os raios de sol descortinam no horizonte e começam a bronzear as nuvens que se movimentam como fumaça levadas pelo vento é a anunciação de que o dia está chegando para cumprir o que de mais belo ocorre na rotina da natureza.

Os pássaros em revoadas brincam sem parar num vaivém de intensa alegria e cantam o prelúdio da vida em sintonia com o amanhecer.

A rotina que se desenha em cada alvorecer parece transbordar as medidas do possível que, em outros momentos, vão tomando forma e proclamam o que sempre acontece de um jeito ou de outro. Nada fica para trás sem que se cumpra o que tem de ser cumprido nos primeiros momentos da aurora. A natureza providencia tudo segundo a rotina da vida no espaço e no tempo. E a terra se entrega em produção e colore sua existência do que há de mais belo aos olhos das criaturas.

O fascinante impressionismo remete a todos a feitura do Grande Arquiteto do Universo, que não poupou esforços em criar o que de mais encantador existe debaixo do céu. Um pedacinho desse universo se chama de Baixada Maranhense. Nela foram colocadas, de formas ornamentais, ilhas, morros, rios, lagos, lagoas e uma infinidade de campos inundáveis a perder de vista.

Como é lindo olhar as graúnas e outros pássaros em voos miúdos e as japeçocas (japiaçocas) pousadas nas vitórias-régias, que dão um tom ornamental de uma beleza ímpar aos campos com centenas de outras flores. Na Amazônia as vitórias-régias chegam a medir um metro de diâmetro, com o aspecto de grandes sombreiros mexicanos, onde os peixes se abrigam da luz solar.

Peixes de pequenos portes praticam suas peripécias em saltos para abocanharem os insetos de seus interesses que estão descansando nos caules das plantas. E quando o pescador observa esse fato faz seu pesqueiro ali próximo para disputar, também, a sua sobrevivência com alguns pescados.

Os campos da Baixada Maranhense formam uma grande manjedoura que cria e acalanta a vida aquática a se repetir todos os anos enquanto a água perdura. Sem água, quebra-se a cadeia produtiva e o encanto da vida. E, se falta água, sobra sofrimento e desespero, que deixa a esperança do baixadeiro árida e prolongada até o próximo inverno.

O poeta José Chagas no Soneto 3 do seu livro Colégio do Vento, com sua criatividade, dá uma dimensão do que tudo isso representa em beleza e preocupação para os baixadeiros, mesmo ele sendo sertanejo:

O campo era um continuar de vida

a se estender pelo horizonte a fora,

e a paisagem se dava repetida,

tanto em seu pôr do sol, como na aurora,

com a luz sendo uma cálida bebida

a embriagar a vastidão sonora,

onde as aves em voo na paz erguida

cobriam de asas o seu ir embora,

e o azul era uma longa despedida

do tempo a consumir-se todo em hora,

para, fugindo assim, dar a medida

de tudo o que era pressa na demora,

e o quanto fosse solidão já ida

não mais voltasse como volta agora”.

Os prometidos Diques da Baixada pelas autoridades governamentais parecem obra de ficção. Passada a filmagem nada se concretizou a não ser a promessa. E, novamente, no próximo pleito eleitoral renova-se tudo mais uma vez, e até colocam máquinas para garantir, como quem garantia antigamente com um fio do bigode, o trato acordado.

A Barragem dos Defuntos localizada ao sudeste de Peri-Mirim, construída com o objetivo de manter a água doce nos campos e evitar a contaminação pela água salgada, que vem do mar, por diversas vezes, durante a estação invernosa sofria a ação das intempéries do tempo e tinha que ser socorrida com o fim de evitar a evasão fulminante da água, que descia ao mar formando caudalosos rios.

Para solucionar o desperdício e o rompimento progressivo daquele anteparo, o prefeito de Peri-Mirim contratava um homem experiente que soubesse liderar uma boa equipe de trabalhadores com o objetivo de sanar as avarias causadas pelas fortes chuvas. Essa labuta exigia dos trabalhadores um condicionamento físico de boa qualidade e muita dedicação no enfrentamento da tarefa, inclusive em condições inesperadas, com animais peçonhentos de todas as espécies e tamanhos, muriçocas e maruins a perturbarem o desenvolvimento do serviço.

Por volta do ano de 1956, meu pai era o líder de uma equipe que recuperava a barragem em ocasiões de acentuado inverno, quando um dos seus comandados foi mordido por uma cascavel pequena, que os companheiros mataram. Levaram o acidentado juntamente com o réptil para o líder avaliar o que fazer, haja vista que não havia soro antiofídico no local. A solução encontrada pelo líder no momento foi dar um brado no trabalhador, argumentando que uma cobrinha daquele tamanho não teria como molestar um homem novo e forte do tipo do acidentado. E não é que deu certo! – Além disso, foi espremido o local ferido para expulsar o veneno inoculado no sangue e lavado com uma pinga, superficialmente.

Naquela época os habitantes do município, principalmente os criadores de gado, cobravam do prefeito da cidade que cuidasse de manter a barragem íntegra para o bem dos seus rebanhos e o povo, por sua vez, também fazia coro nesse sentido com o intuito de garantir o sustento de suas famílias com o pescado.

Havia, portanto, um entendimento saudável entre a população e o Poder Executivo. A cada inverno os canoeiros e pescadores se juntavam para limpar os igarapés com o incentivo do prefeito que, mesmo sem gastar dinheiro para isso, parecia ter em mente a satisfação de lidar com o problema mostrando a eficácia desse trabalho.

Com os igarapés limpos os canoeiros praticavam menos esforços na movimentação de suas embarcações e as piabas usavam o caminho limpo e com água corrente vinda do rio Aurá, para tentarem subir em piracema. Mas ao chegarem numa pequena barragem que une a sede do município ao bairro Portinho eram alcançadas pelas tarrafas dos pescadores que as esperavam com o fim de capturá-las. E assim a vida na Baixada vai seguindo seu curso na beleza enquanto tem água, enquanto tem alimento, e no sacrifício de décadas de espera por uma tomada de decisão que prolongue o tempo de cheias em nossa região.

Texto publicado no livro ECOS DA BAIXADA, páginas 167/171.

Precisa-se de funcionários

Autora Ana Creusa

Ao completarmos 18 anos, eu e meus irmãos, costumávamos andar com uma pasta, contendo nossos documentos pessoais e um curriculum vitae, para facilitar a procura de empregos.

Atualmente os currículos são enxutos, sendo desaconselhável anexação de documentos. Porém, naquela época, exigia-se cópia de documentos pessoais e dos diplomas mencionados. Com isso, um bom currículo costumava ser volumoso.

Além do imprescindível curso de datilografia, fiz vários cursos no SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e já havia concluído o segundo grau, de forma que estava pronta para conseguir um emprego, enquanto esperava passar em um concurso público.

Nas costumeiras viagens de ônibus coletivo, não raro avistava uma fila, descia do ônibus, para checar se era “fila de emprego”.

Um dia, já voltando para casa, passando pelo bairro Canto da Fabril em São Luís, eu e minha irmã, Maria do Nascimento, avistamos uma placa em que lemos: PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.

Descemos do ônibus para tentar concorrer a uma vaga. Tratava-se do prédio do Ministério da Fazenda em construção.

Fomos recebidas por umas pessoas que trabalhavam na obra. Alguém foi chamar o chefe, que era um homem alto, magro, louro de olhos azuis, que disse ser o engenheiro da obra.

Ele perguntou em que poderia nos servir. Eu tomei a palavra e disse:
– Estamos à procura de trabalho, como vimos a placa que vocês estão precisando de funcionários, viemos entregar nossos currículos.

O engenheiro, meio constrangido, falou:

– Sou da Construtora Guaratan de São Paulo. Aqui está sendo construído um prédio de um órgão muito importante, quem sabe quando terminarmos a obra, vocês consigam emprego nessa repartição! Porque aqui estamos precisando é de funileiros.

Pedimos desculpa e saímos, não sem antes ler a placa: PRECISA-SE DE FUNILEIROS que nossa mente reproduziu PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.

O tempo passou e aquela história permaneceu como um tabu, não contávamos a ninguém – passamos um vexame daqueles! Até brincamos: como procurar emprego, se não sabemos nem ler?

Aquele episódio veio à minha mente no dia que assumi o cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal naquele mesmo prédio do Ministério da Fazenda, outrora em construção.

Tive vontade de contar a história na solenidade de posse, mas não tive coragem.

Entre risos e aplausos no dia 11 de setembro de 2013, em uma festinha de bota-fora pela minha aposentadoria, finalmente contei o episódio, talvez estimulada pela leitura do texto de Joãozinho Ribeiro sobre mim, que denominou: “Ana: de Peri-Mirim para o mundo”, em que contou até sobre a minha asma, que minha mãe não me deixava contar, por nada neste mundo!

O compadecido engenheiro teria feito uma profecia?

Texto publicado no livro ECOS DA BAIXADA, páginas 160/162.

Raimundo João Santos

Patrono da Cadeira nº 28 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), ocupada por Jaílson de Jesus Alves Sousa.  Nasceu no povoado Cametá, do município de Peri-Mirim, MA, no 07 de dezembro de 1946, foi servidor público estadual, professor, político, e esportista.

Era filho dos lavradores Raimundo João Pinheiro Martins (Santinho) e Maria dos Remédios Santos. Tinha 11 irmãos, dentre os quais, foi o terceiro. Fez os primeiros estudos na Ilha Grande, Cametá, na casa da professora Maria de Lourdes Pinheiro Martins.

Visando continuar os estudos, foi morar na casa de Dico de Álvaro, no centro da cidade, onde trabalhou cortando capim e lavando cavalos.  Cursou até a 5° série na Escola Carneiro de Freitas, tendo como professora a senhora Miriam Costa Pereira, sob a Direção da professora Cecília Botão.

Em 1966 foi para o Seminário São José na Cidade de Guimarães, onde continuou os estudos. No final desse mesmo ano, com o fechamento do seminário, foi transferido para o Seminário Santo Antônio em São Luis, MA, permanecendo como interno até o fechamento deste seminário em 1969, por problemas financeiros. Durante os períodos das férias, juntamente com alguns companheiros de seminário, realizou a missão de alfabetizar jovens e adultos nos povoados de Poções e Feijoal, em Peri-Mirim.

Deixando a vocação religiosa, permaneceu em São Luís e foi morar com a família do irmão mais velho, José João Santos,  tornando-se coordenador do clube de jovens da Igreja São Paulo no bairro João Paulo.

Em 1970 concluiu o 1.º ano científico no Colégio Marista e diante das dificuldades financeiras foi transferido para o Colégio Estadual Nina Rodrigues, onde concluiu o colegial científico em 1972. Ainda no 2.º ano científico teve seu primeiro contrato de trabalho, tendo sido vendedor de livros pela Livraria Editora Pilar S.A. em São Luís, MA, até 1972.

Em 1973 foi aprovado no seletivo para operador de raio-x pela Secretaria de Saúde Pública de São Luís-MA, estagiando no Hospital Universitário Presidente Dutra. Nesse mesmo ano, por intermédio do ex-deputado estadual Dr. Sebastião (in memoriam),  foi transferido para a cidade de Chapadinha, trabalhando no Hospital Antônio Pontes Aguiar. Em 1974 contraiu matrimônio com Domingas Ramos Maciel Nascimento, tendo dois filhos, Franklin Wander Nascimento Santos (1974) e Wanya Maria Nascimento Cardoso (1976). Nessa cidade, cursou o 4.º ano adicional; foi professor de Matemática na Escola Estadual Manoel Viera Passos e diretor e proprietário da escola Raimundo Bacelar.

Em 1977 contraiu união estável com Maria de Jesus Cardoso Carvalho, tendo três filhas, Athannya Santos Melo (1978), Thannyjôse Carvalho Santos (1979) e Jessythannya Carvalho Santos (1981).

Em 1982 retornou a Peri-Mirim, especialmente pela vida política, candidatando-se à prefeito, ao lado do candidato à vice-prefeito, Zacarias França Pereira (Botilho), a convite do ex-prefeito João Pereira. Apesar de não obter êxito, fixou moradia na cidade natal, exercendo a função de chefe de gabinete e transporte durante o governo de Benedito de Jesus Costa Serrão até 1988.

Em 1989 passou a integrar o quadro de cargos e funções estatutárias do Estado do Maranhão como técnico em radiologia.

No governo de Carmem Martins (1989 a 1992) exerceu a função de secretário de administração, tendo sido também diretor e professor da Escola Comunitária Colégio “Cenecista Agripino Marques” por dez anos (1983-1993).

Amante do esporte, Taninho teve participação marcante no meio esportivo de Peri-Mirim como atleta, dirigente e organizador. Foi atleta de várias equipes de futebol, sendo fundador do Blumenau Esporte Clube, atleta e dirigente do Gelol, clube que se consagrou bi-Campeão de FUTSAL do município.

Foi Presidente da Liga de Desportos Perimiriense (LDP), tendo organizado vários campeonatos e levado a seleção de futebol a disputar torneios intermunicipais, inclusive em São Luís, MA. Foi presidente da Liga Perimiriense de Futebol de Salão (LPFS), sendo diretamente responsável pelos primeiros e mais bem organizados campeonatos de FUTSAL do município.

Taninho, sempre motivado pela pública, nas eleições de 1992 candidatou-se novamente a prefeito de Peri-Mirim,  ao lado da candidata à vice-prefeita Maria José Campos Ferreira, e em 1996, candidatou-se a vereador. Apesar de não obter êxito nessas disputas políticas, continuou exercendo função de confiança na gestão municipal, sendo admirado pela competência, dedicação e transparência.

No segundo governo de Benedito de Jesus Costa Serrão (1997 a 2000), exerceu novamente a função de secretário de administração, foi técnico de raio-x no hospital São Sebastião e foi secretário do Diretório do PMDB.

Taninho, enquanto secretário de administração, organizou várias festividades no município, como a festa do padroeiro da cidade, São Sebastião, e as festividades de São João.

Em 1998 organizou a primeira corrida de cavalos de Peri-Mirim, realizada no povoado Cametá. Ainda no povoado onde nascera, construiu o campo de bola,  que após seu falecimento, foi homenageado com a fixação de uma placa intitulada Estádio Raimundo João Santos (Taninho).

 Faleceu em Três Marias, povoado de Peri-Mirim, MA, no dia 12 de maio de 2005. No ano do seu falecimento (2005) era atleta do Veterano Clube de Futebol de Três Marias e co-organizador do Campeonato de Futebol juntamente com a Liga Esportiva Independente de Três Marias; exercia a função de tesoureiro da Câmara de Vereadores do município e trabalhava na Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão – Aged/MA.

Raymond Roger Gérard Gagnon

Biografia cedida à Academia Perimiriense pelo Prof. Carlos Antonio de Almeida (todos os direitos autorais a ele reservados).

Padre Gérard Gagnon, filho de Henri Gagnon e de Eva Thibeault, nasceu no dia 26 de novembro de 1928, em Wotton, Província de Québec/Canadá, e, faleceu no dia 23 de fevereiro de 1992, no Instituto do Coração, em São Paulo. Seu corpo encontra-se sepultado na Igreja de São Sebastião, em Peri-Mirim/MA, onde sempre desejou ficar. O funeral foi dirigido pelo Bispo da Diocese de Pinheiro, Dom Ricardo Pedro Paglia, além de contar com a presença de vários padres canadenses de outras Dioceses do Canadá, e também de outras paróquias e da grande multidão perimiriense.

Padre Gérard chegou ao Brasil, vindo do Canadá, no dia 13 de agosto de 1962, e, já no dia 15 de agosto deste mesmo ano chegou em Peri-Mirim. Ainda, em 1962, foi nomeado Padre Superior da Missão de Sherbrooke no Brasil. Em Peri-Mirim, inicialmente, foi Vigário Coadjutor onde permaneceu até janeiro de 1968, quando foi nomeado Vigário da Paróquia de São Sebastião, até janeiro de 1988, quando, por problemas de saúde pediu seu afastamento, uma vez que a doença o enfraquecia, cada vez mais, desde 1982.

Padre Gérard era graduado em Teologia e Filosofia, além de possuir os cursos de Língua Francesa, Língua Grega, Língua Portuguesa, Catequese, entre outros, incluindo-se aí, cursos de âmbito social. Ordenou-se padre em 03 de abril de 1954 e celebrou sua primeira Missa no dia 04 de abril de 1954, na Igreja Matriz da cidade de Wotton, local de seu nascimento. Foi professor de Francês, Grego e Capelão dos Escoteiros, no Seminário de St. Charles. No Brasil, foi Superior dos Padres Missionários da Diocese de Sherbrooke, compreendendo as Paróquias de São Luís (bairro do João Paulo), Bequimão e Peri-Mirim.

Serviços prestados em Peri-Mirim
Pode-se dizer, sem nenhuma demagogia, que ele foi uma das pessoas que mais trabalhou para que esta terra fosse o que é hoje. Lutou contra a incompreensão de alguns e enfrentou grandes obstáculos.

1963 – Iniciou o projeto de “forno” para casa de farinha a fim de facilitar o trabalho do lavrador e procurou contratar médico para dar assistência à saúde, que na época, era “zero”.

1964 – Começou a ajudar os estudantes para que fossem para Guimarães/MA, a fim de estudar com as Irmãs Canadenses de Nicolet (foi o primeiro passo para Peri-Mirim ter hoje muitos doutores).

1966 – Os padres canadenses organizaram o “Dispensário” – Posto de Saúde/Ambulatório Santa Thereza, recebendo medicação oriunda do Canadá. Neste Posto de Saúde, trabalhava Raimundo Martins Campelo tendo o apoio de uma religiosa canadense que logo foi embora. Os problemas de saúde eram muitos, além de ter um índice elevado de óbitos entre os homens pela esquistossomose (barriga d’água), e, as crianças, muitas morriam de desidratação, seguida pelas verminoses.

Padre Gérard, após decisão com os outros dois padres da Paróquia de Peri-Mirim (Padre Edmond e Padre Bertrand) pediram ajuda ao prefeito José Ribamar França (Bacaba) para pagar uma enfermeira com nível superior para vir trabalhar no município, que após relutar bastante, terminou por concordar. A partir daí, Padre Gérard que se encontrava no Rio de Janeiro, foi até a Universidade do Brasil – Faculdade de Enfermagem Ana Néri e contratou duas enfermeiras: Silvia Alves Barbosa e Ana Lúcia de Almeida, que chegaram para trabalhar em Peri-Mirim no dia 24 de janeiro de 1967.

O ambulatório era mantido exclusivamente com recursos vindos do Canadá, sendo a maior parte destes, oriundos do fundo particular de Padre Gérard, que pagava funcionários, financiava treinamentos para auxiliares de enfermagem, de laboratório e de parteiras leigas. Providenciou vindas de vacinas específicas para crianças e adultos, comprava medicação de rotina para complementar as que vinham do Canadá, além de comprar medicação de urgência e equipamentos básicos para determinadas urgências. É bom ressaltar que o Ambulatório era tão bem equipado e constituído por uma equipe profissional competente, como Dr. Manoel Sebastião, médico e filho da terra, que realizou várias cirurgias, dentre elas: cesarianas, apendicectomia e até miomectomia (retirada de mioma).

Padre Gérard também fez convênio com a Caritas Diocesana e recebia alimentos, como: feijão, arroz, trigo, manteiga, queijo, açúcar, e outros, que eram destinados às famílias cujos chefes trabalhavam como voluntários na abertura e manutenção de estradas e barragens, como as que foram feitas em Santana, Feijoal, Poções, Meão, Minas, entre outras. Construiu pontes com recursos próprios em Pericumã, Meão, Serra, Santana, etc. Também fez convênio com o Governo do Estado e recebia, mensalmente, para o Ambulatório Santa Thereza, leite, açúcar, feijão, arroz e farinha que eram distribuídos para ajudar na alimentação das crianças, gestantes, idosos e doentes crônicos.

Quando a Previdência Social criou o FURURAL – Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, Padre Gérard legalizou o Ambulatório Santa Thereza junto aos órgãos competentes, com CNPJ, e assim, mensalmente, recebia uma pequena quantia que ajudava na manutenção do Ambulatório. Porém, após três anos, o Governo Federal suspendeu os recursos porque no País havia sido criado um novo sistema de saúde: era o preparativo para o SUS.

Retrocedendo um pouco no tempo, quando o Governo iniciou a aposentadoria para o trabalhador rural e aos “inválidos”, Padre Gérard foi buscar a lei que amparava, sobretudo os portadores de hanseníase (lepra), já que, naquela época, início dos anos 1970, dentre a população de Peri-Mirim, foram diagnosticadas 33 pessoas com hanseníase, as quais viviam em condições sub-humanas, isoladas em pequenos quartos de tetos bem baixos, chão batido, sem fossa, sem poder sair do quarto, não tocavam em dinheiro e nem podiam se misturar com os outros e, sobretudo, nem na igreja podiam entrar.

Diante dessa situação, Padre Gérard localizou todos e com a ajuda das enfermeiras os levou para aposentá-los. Levava-os para São Bento, em um jeep da Paróquia, entrando com eles pela parte dos fundos da Unidade de Saúde para o médico fazer a perícia e dar o laudo para eles receberem uma pensão mensal. Muitas vezes, alguns chegaram a dormir na Casa Paroquial por morarem em área de difícil acesso, pois, pela manhã tinham que estar em São Bento, onde, até o médico ajudava a levar os mutilados (sem pés, sem mãos) para o exame. Este foi o passo inicial no nosso município para a reintegração dos hansenianos na sociedade, pois, a partir daí, eles saíam mais, entravam no ambulatório (o povo fugia um pouco), já não ficavam fora da igreja principalmente quando batizavam o filho. Foi, sem dúvida, um avanço da equipe de saúde local que trabalhava para mudar e acabar com o estigma, entretanto, a Paróquia foi fundamental, especialmente na pessoa de Padre Gérard, para a transformação e a realidade de hoje. Também foram aposentados outros doentes portadores do mal da barriga d’água, consequência da esquistossomose, que ainda hoje, em menor incidência, acomete à população. Eis algumas pessoas que foram beneficiadas pela aposentadoria, com problemas de hanseníase: João Pindova (Meão), Maria Pindova (irmã de João – Meão), Chico (das Minas), Maria José (Juçaral), Curujinha (Portinho) e muitos outros, em sua maioria do Meão. Também teve um do Poço Dantas (irmão de João), outros do Rio da Prata e também da Sede.

Da mesma forma, levou alguns jovens e adultos para Teresina/Pl, em seu carro próprio, a fim de consultar e operar, quando necessário, com Dr. Mansueto Martins Magalhães, oftalmologista e cirurgião oftalmologista, especialista glaucoma e catarata, pagando hospedagem com alimentação, inclusive para acompanhantes quando havia cirurgia para algumas pessoas. Dentre essas pessoas, citam-se Inácia de Jair, Herbelino Pereira, Aluísio Pereira, dois primos jovens do Centrinho cujos nomes não são lembrados, mas há fotos deles, que fizeram cirurgia e ficaram curados, entre outras pessoas.

Procurou, juntamente com um agrônomo que contratou, introduzir a agricultura rotativa, para evitar as queimadas e mudança de local para as roças, usando um trator da Paróquia para destocar e arar as terras, mas não avançou muito. Também introduziu as hortas comunitárias, com campo experimental em Santana e que foi um sucesso, pois abastecia todas as famílias do local. Todavia, pela falta de estradas para escoamento, não teve continuidade. Portanto, procurou implantar várias fontes de renda para melhorar a vida de todos de Peri-Mirim.

Na Festa da Fraternidade reunia todas as comunidades (27). Era um dia de brincadeiras (cada comunidade apresentava alguma coisa) e também ocorriam orações, abraços, almoço partilhado, procissão, culminando com a Santa Missa que quase sempre contava com a participação do Bispo da Diocese, em algumas ocasiões, pelo Bispo do Canadá, além de vários padres e amigos convidados.

A Casa Paroquial, Salão Paroquial e todo terreno do Ambulatório Santa Thereza, com o fechamento da Diocese de Sharbrooke em Peri-Mirim, ficaram para o Padre Gérard, por decisão e recompensa do Canadá, mas que diferente dos demais padres de outras Paróquias não vendeu nem doou a terceiros, deixando tudo para a Diocese de Pinheiro. Do mesmo modo, durante os anos de permanência dos Padres canadenses em Peri-Mirim, a Paróquia foi mantida exclusivamente com recursos do Canadá, e, no final, com recursos próprios de Padre Gérard.

Padre Gérard fundou as Comunidades Eclesiais de Base, que em princípio eram poucas, mas ele conseguiu elevar para vinte e sete. Abaixo a relação das comunidades. As que têm asteriscos eram visitadas mensalmente, usando sempre os sábados e domingos, fazendo sempre três em cada um desses dias. Durante a semana celebrava a Missa às 6:15 horas (de segunda a sábado). Também pregou e incentivou a devoção a Virgem Maria e incentivou a vocação sacerdotal e religiosa.
Eis a relação das vinte e sete comunidades:
*Sede / *Portinho / Minas / *Jaburu / Sacoanha / Meão / *Santa Maria / *Igarapé-Açu / *Centro dos Câmaras / Canaranas / *São Lourenço / Poções / Feijoal / *Ilha Grande / *Taocal / *Inambu / Ponta de Baixo / *Santana / *Torna — Rio Grande / *Miruíras / *Baiano / *Pericumã / *Conceição / *Poço Dantas / *Rio da Prata / *Tijuca / *Três Marias.

Outros serviços prestados
Fundou e organizou escola para adultos em várias comunidades;
Fundou a Cooperativa, começando pela Comunidade de Santana, e, em 1969, criou a Cooperativa Agro-Pecuária de Peri-Mirim Ltda., com sede própria, onde, atualmente funciona o Sindicato dos Produtores Rurais, (também teve uma filial da Cooperativa em Pericumã – casa do Sr. João Dias);
Comprava redes das rendeiras, coco de babaçu, apenas para ajudar essas pessoas;
Beneficiava arroz para vender mais barato, com máquinas próprias, em sede própria, no prédio onde funcionou a Central da Telma, atualmente, funcionando o Conselho Tutelar;
Comprou búfalos e uma ilha (Ilha das Pedras) mandando cercá-la com mourões e arame (entretanto, tudo que compunha à Cooperativa, foi repartido igualmente com os associados no momento da dissolução da mesma, que aconteceu por causa de sua saúde que não permitia tamanha responsabilidade).
Construção de estradas com participação da comunidade, como: Meão, Centro dos Câmaras, Santana, entre outras;
Construção de pontes no Meão, Pericumã (perto da casa de Sr. Honório), Santana, etc. Construção de barragem no Feijoal e em Santana;
Ambulatório: fundou e equipou com material básico e medicamentos; contratou duas enfermeiras formadas para assumir a parte da saúde;
Colégio Bandeirantes: primeiro ginásio, ou seja, curso secundário de Peri-Mirim, que só foi implantado porque Padre Gérard aceitou ser Diretor, em 1967, já que, naquela época, nenhum professor tinha curso para desempenhar essa função. Portanto, Padre Gérard, de certa maneira, abriu as portas para a educação e para a cultura do município;
Pagou para alguns filhos de Peri-Mirim o curso secundário (alguns até a faculdade), como foi o caso do ex-prefeito João França Pereira.

Eis a relação dos cidadãos de Peri-Mirim que foram para Guimarães/MA ou para São Luís/MA, para estudar na Escola Normal, na Escola da Fé (Guimarães/MA) ou no Seminário São José ou Santo Antonio (São Luís/MA). Todos com bolsa de estudo integral (maioria) ou parcial, pagas por Padre Gérard Gagnon (uma pequena ajuda do Canadá): Itapoã França Santos, Maria Campos Botão, Francisco Viegas Paz, Izidoro Ferreira Nunes, Regina Braga, Raimundo Martins Campelo, Graça de Maria França, Antonio João Pereira, Esdras Serra Maia, Maria das Graças Serra Maia, Vital Boás (catequese), Anastácio Florêncio Corrêa (catequese), José de Jesus Câmara, Miriam Costa Pereira, José Carlos Durans (catequese), João Amorim Pereira, Ednaldo Pereira (catequese), Lilázia Ribeiro, João Garcia Câmara, José João Lopes, Raimundo João Santos , Raimundo Martins dos Santos Filho, Nadir Alves Nunes, Terezinha Botão Melo, Maria de Lourdes Santos, Torquato Leandro Santos (catequese), Francisco Antonio Câmara, Ana Maria Câmara, Rosevelt Silva Ferreira, Maria Botão Melo, Luís Martins, João Garcia Furtado, Waltemar Braga, João França Melo, João França Pereira (até a Faculdade, ex-prefeito), José de Ribamar Silva, Ione Serra Maia, Pedro Alfredo Câmara (catequese), Manoel Lopes (Nhozinho – catequese), Manoel Azevêdo Martins, Pedro Pinheiro Martins (catequese), José Dias Pinheiro (catequese), João Ferreira (catequese), Raul Mendes Filho, Luzinete França Pereira, Cloves Ribeiro Filho, Maria Pinto Pinheiro, Antonio Lima, José Raimundo Pinheiro, Irene Cecília Nunes, José Mariano da Silva (catequese), Raimundo Martins Nunes, Afonso Pereira Lopes (catequese, ex-prefeito), Francisca Maria Câmara e Conceição de Maria Botão.
Observação: outros jovens ou adultos também foram beneficiados com bolsa de estudos mas, infelizmente, não foram relacionados. Também, alguns dos nomes mencionados poderão ter seus nomes incorretos, a quem se pede desculpas.

Semana Escolar: quatro dias por semana, nas férias dos estudantes, custeava despesas para que eles pudessem dar sua colaboração às comunidades com culinária, artesanato, aulas de português e matemática (à noite);

Clube das Mães: incentivou e colaborou na construção de sua sede;
Escola da Fé: curso de preparação para catequistas em Guimarães/MA, para onde enviava representantes de nossa comunidade, sendo custeadas pela Paróquia as despesas de viagem e hospedagem, sem contar a ajuda que dava aos familiares que aqui ficavam, como por exemplo: Anastácio Corrêa, José Silva, José Dias, João Silva Ferreira, entre outros que também participaram.
Legião de Maria: fundou várias capelas para incentivar e cultuar a devoção à Virgem Maria, sua Santa preferida, chegando a fundar em 1967 a Consagração da Paróquia a Ela.
Além disto tudo, sua maior preocupação foi sempre a pessoa humana voltada para Deus. Por isso, manteve sempre as comunidades com Missas regulares, os casamentos para todos, cursos bíblicos, cursos para Batismo, para Crismas e para Casais. Foi padre, “pai” e amigo, pois, sua maior alegria era ver seus paroquianos tementes a Deus e devotos de Maria, deixando como legado para todos nós, que é a oração: “Ó Maria, minha mãe, / Oferecei por mim a Deus Pai, / O Sangue de Jesus.”

Adepto da PAZ, quando havia desunião dentre os membros da comunidade, inicialmente não rezava a Missa, porém, realizava encontros comunitários com os desafetos, em particular, e, no final, rezava a Missa da Reconciliação, com celebração festiva.

Quando ainda era capaz de trabalhar, mas dependia dos amigos para que os sinais de sua doença não aparecessem, muito sofria em ser mal interpretado. Porém, antes de morrer, balbuciando disse que “foi feliz com o povo de sua terra, Peri-Mirim”.
Diagnosticado com o “Mal de Alzheimer” desde 1973, em Belém/PA, corria contra sua perda de memória para trabalhar pela evangelização e pelo bem dos mais pobres. Peri-Mirim tem motivo demais para agradecer a Missão Canadense, em especial a Padre Gérard Gagnon, que com sua visão de um futuro melhor, concedeu a inúmeras pessoas uma formação humana e cristã. Muito do que temos hoje, deve-se à iniciativa e ao esforço deste grande homem e padre. Ao longo de seus vinte e cinco anos à frente da Paróquia São Sebastião deixou a lembrança para muitas famílias que foram abençoadas por meio do batismo, casamentos, missas, comunhão, reflexões, ajuda espiritual, moral, financeira e material. Foram inúmeras as maneiras de ajuda que a população perimiriense recebeu gratuitamente pelas suas simples e humildes mãos, mesmo sentindo diminuírem sua memória e suas forças em virtude da doença que a cada dia só progredia, jamais os abandonou.

Finalmente, aquele que deu tudo, precisava receber tudo (orações) para continuar vivendo até o dia em que faleceu: 23 de fevereiro de 1992, às 19:45 horas, um domingo que poderia ser de alegria, mas terminou triste e saudoso, no Instituto do Coração, em São Paulo. O corpo de Padre Gérard foi trazido para Peri-Mirim e sepultado no dia 25 de fevereiro de 1992, onde sempre desejou ficar: “sua casa” como costumava chamar a Igreja de São Sebastião.

Manoel Sebastião Pinheiro

Patrono da Cadeira nº 04 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), ocupada por José Ribamar Martins Bordalo. Nasceu em Peri-Mirim- Maranhão, em 21 de novembro de 1929, filho de Claudino Paulo Pinheiro e Maria de Fátima Cunha. Teve dois filhos: Alexandre e Georgina. Depois desposou com a Sr.a Maria José Sales com quem teve dois filhos chamados Felipe Manoel e Catarina.

Em meados dos anos de 1935, com seis anos de idade, o garoto Manoel Sebastião, via em sua terra natal, as mulheres davam a luz, morrerem de trabalho de parto.

Sua vocação de tornar-se médico, advém desta data. Filho de família de classe média, Manoel disse ao pai que iria ser médico como propósito primordial de vida.

Sua trajetória de estudante passou pelo município de São Bento, onde cursou o primeiro grau maior, no Grupo Escolar Mota Júnior, tendo se transferido, ao final do 1.0 grau, para São Luís, estudou no Colégio Liceu Maranhense, onde com muito brilho, colou grau indo atrás de seu propósito na capital da Bahia, Salvador, na Universidade Federal de Medicina da Bahia, onde colou Grau em Medicina em 15 de dezembro de 1962.

Tendo em vista que a ajuda que lhe era dado por seus pais não cobria suas despesas para custear seus estudos, engajou-se no corpo de bombeiros daquela cidade, que foi uma forma de complementar sua bolsa de estudos e concluir o tão sonhado mérito de médico.

Ao formar-se, em dezembro do ano de 1962, fez de imediato especialização em ginecologia obstetrícia e cirurgia geral, dando baixa então, na corporação do Corpo de bombeiro.

Ao voltar para São Luís, fixou residência e ingressou no sistema Público de Saúde do Estado, tendo sido aprovado em concurso público para o quadro de médicos do Instituto Nacional de Seguro Social — INSS e, paralelamente, desempenhou a função de Diretor Geral do Hospital Djalma Marques.

Em Peri-Mirim desempenhou vários papéis de vital relevância, como Secretário de Saúde do Município em 1993, indicado pelo vice-prefeito daquela cidade, o senhor José Ribamar Bordalo, tendo sido também, diretor do Centro Médico Maranhense, e Secretário de Saúde da cidade de Chapadinha.

Chegou a Chapadinha no ano de 1969, por ocasião da inauguração do Hospital Antônio Pontes de Aguiar — HAPA.

Ingressou na política em 1974 ficando na suplência de deputado estadual e assumindo o mandato em 1976. Reelegeu-se deputado em 1978 e ocupou uma cadeira da Assembleia Legislativa até 1982. No mesmo ano, foi agraciado com o Título de Cidadão Chapadinhense pela Câmara Municipal.

Participou ativamente da vida política sendo candidato a prefeito por duas vezes. Também foi secretário de Saúde em Vargem Grande no início da década de 90.

Doutor Manoel Sebastião Pinheiro dedicou 47 anos de sua vida à saúde do povo de Chapadinha e nos deixa, mas também deixa um legado não só na medicina, com a sua capacidade científica, mas também com seus critérios de humanidade e cristandade, pois mesmo depois desta jornada em chapadinha não esqueceu sua cidade natal, onde ainda elegia uma casa de amigo, para receber seus fieis pacientes.

Faleceu no dia 27 de abril de 2017, aos 87 anos, depois que prestou excelentes serviços prestados às comunidades por onde percorria.

Registre-se neste momento, esta homenagem àquele que deixou um marco muito importante em nossas vidas. Esta é, portanto, uma singela, mas sincera homenagem da Família Bardalo e da ALCAP.