ALCAP em Movimento Transforma Povoado Santana com Ação Inédita, sob as Bênçãos da Chuva na Baixada

Por Portal O Resgate

Na manhã ensolarada do último dia 28 de março de 2026, o Povoado Santana, em Peri-Mirim/MA, vivenciou um marco histórico. O projeto “ALCAP em Movimento”, promovido pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), rompeu os muros institucionais e levou literatura, cultura e preservação ambiental diretamente para o coração da comunidade.

A acolhida, marcada pela oração do Pai Nosso e pela alegria contagiante da cantiga “Vou fazer uma farinhada”, deu o tom de comunhão que guiaria todo o encontro. Sob a liderança visionária da Presidente da ALCAP, Jessythannya, a abertura institucional reforçou o principal objetivo do projeto: descentralizar o acesso à cultura e fazer da Academia uma entidade viva e caminhante. A Presidente destacou que a força das letras ganha seu verdadeiro sentido quando dialoga com as raízes do povo.

Uma Força-Tarefa de Gestores pela Cultura e Educação

O sucesso do “ALCAP em Movimento” só foi possível graças à atuação brilhante e dedicada dos Gestores de Projetos, que transformaram a manhã em uma verdadeira imersão cultural e ambiental:

  • Biblioteca Itinerante: A gestora Ana Creusa abriu as portas do conhecimento ao apresentar o rico acervo disponível, incentivando crianças e adultos a mergulharem no universo da leitura de forma acessível e afetuosa.
  • Clube de Leitura: Em sintonia com a difusão literária, a gestora Edna Jara destacou a importância do hábito de ler, plantando a semente para o compartilhamento de experiências nos próximos encontros.
  • Festival ALCAP de Cultura: A economia criativa e os talentos locais ganham voz e espaço através do gestor Manoel Braga, valorizando as riquezas produzidas pelas próprias mãos da comunidade.
  • Prêmio ALCAP Naisa Amorim: A gestora Liliene apresentou a iniciativa que incentiva a produção textual focada no meio ambiente, convidando os moradores a escreverem sobre o chão que habitam.
  • Plantio Solidário: Trazendo a urgência da consciência ecológica, a gestora Ana Cléres reforçou o compromisso coletivo com o futuro, a preservação ambiental e a importância sagrada das árvores para a nossa sobrevivência.

O evento também se destacou como um verdadeiro espaço de convivência e fomento à cultura local. Durante a programação, o público pôde prestigiar e apoiar os talentos da região por meio da exposição de produtos da economia criativa, enquanto a movimentação em torno da leitura ganhou vida prática com a doação e o empréstimo de livros, garantindo que novas histórias chegassem diretamente às mãos dos moradores. Consolidando esse clima de união e acolhimento, um farto lanche coletivo reuniu os presentes, celebrando não apenas o legado do patrono, mas também os laços de afeto, partilha e comunidade que tornaram o encontro inesquecível.

A Memória Onde Ela Nasce: Homenagem Inédita ao Patrono

O ápice da manhã foi marcado por uma quebra de paradigmas. Em uma ação inédita, que rompe com o costume secular das academias literárias de realizar o Elogio de Patrono restrito a auditórios fechados, a acadêmica Maria Nasaré Silva declamou o tributo a José Mariano da Silva (Zé Silva), Patrono da Cadeira nº 15.

A homenagem aconteceu exatamente no chão onde o homenageado viveu, plantou suas raízes e serviu à sua gente como lavrador, catequista e líder comunitário. Com a presença emocionada de seus descendentes, que também fizeram uso da palavra, a família recebeu uma muda simbólica, representando a vida e a continuidade do legado do patriarca.

Um Legado que Retorna às Suas Raízes – e Floresce

O coroamento da solenidade se deu com a distribuição de mudas nativas, incluindo uma árvore de Pau-Brasil dedicada à memória de José Silva. E foi exatamente neste momento que a própria natureza pareceu abençoar o ineditismo da ação.

Na Baixada Maranhense, a chuva é celebrada como sinônimo de vida, a força generosa que enche os campos e traz abundância. Como se o Universo concedesse uma trégua luminosa, a manhã se manteve ensolarada durante todo o evento, permitindo que a homenagem acontecesse em sua plenitude. Logo após o plantio, no entanto, os céus se abriram e caiu uma chuva generosa.

Essa água chegou como um prêmio e um verdadeiro batismo, regando o Pau-Brasil recém-plantado naquele solo. Homens de raízes profundas merecem ser celebrados no palco de suas próprias vidas. E assim como essa árvore crescerá forte e alimentada pelas águas da Baixada, o trabalho da ALCAP e a memória de seus homenageados continuarão vivos, mostrando que a verdadeira grandeza não termina com a vida; ela se transforma em semente, raiz e legado, conforme bem lembrou a acadêmica que proferiu o elogio a José Silva. 🌿