JAIR AMORIM

Nasceu em Santana – Peri-Mirim/MA em 08 de agosto de 1935, foi carpinteiro, lavrador, pescador, caçador, um homem do campo, um homem da terra, mãos e pés calejados adquiridos pelas labutas diárias. Dono de um sorriso largo, generoso como é o povo nordestino do interior do Brasil. Filho de Felomena Amorim (sua mãe era mãe solteira) e teve como irmão Luís Berto Amorim.

Aprendeu o ofício de carpintaria com o mestre Tácito Nunes, um grande carpinteiro do município, o custo da aprendizagem foi arcado por um amigo da sua mãe, o Sr. Martinho, conhecido como Cancão, pois a sua mãe não tinha condições para arcar com as despesas.

Casou-se com Inácia Rosa Pereira Amorim com a qual teve seis filhos: Eni do Rosario Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó); Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Teve  08 netos e 05  bisnetos.

Um homem de estatura mediana, personalidade forte. Jair era semiletrado e mal sabia rascunhar o nome. Desde muito cedo teve que trabalhar, mal frequentou a escola devido a carência que bate à porta e sem piedade tira a infância de tantos meninos neste país. Tinha que ajudar a mãe que fazia lavagem de roupa nas casas de família e fiava (fio da terra), além de realizar trabalhos em costura com caseados manualmente. A remuneração mal dava para comer, quiçá vestir-se.

Jair era um homem de muita garra e teve a força, a coragem e a esperança de sonhar com uma vida melhor. E vida melhor para pobre é ter, feijão, farinha e mistura na mesa e isso ele conseguiu com o suor do seu rosto, à custa do trabalho perseverante e de penosos sacrifícios. E assim, foi construindo a sua história.

Como hobby,  gostava de jogar pelada com os amigos e fazia bonito em campo defendendo o seu time, mas devido a um incidente em campo que ocasionou uma forte lesão em sua face, ele deixou de jogar.

Com a chegada dos missionários da missão de Sherbrook do Canadá que chegaram para executar missões no Município e como as freiras não se adaptaram no lugar  tendo que retornar ao Canadá, Jair foi solicitado para tomar conta do Convento das Freiras, mudando-se com a família da comunidade de Santana para a sede do Município. Montou sua carpintaria em um dos cômodos do convento onde realizava os seus trabalhos de carpintaria.  Trabalhava com madeira em estado bruto beneficiando-a para uso de móveis e tantas outras utilidades na construção civil. Trabalhou intensamente nas atividades da Paróquia São Sebastião na gestão de Padre Gérard Gagnon juntamente com Antonino Lobato.

Depois de 10 (dez) anos morando no convento, este foi adquirido pela prefeitura municipal e a família teve que se mudar para uma residência que Jair já havia comprado com o incentivo e a ajuda do Padre Gérard Gagnon.

Jair faleceu às 2:00h do dia  17 de julho de 2011 no Hospital Municipal Djalma Marques -Socorrão I, São Luís- MA, vitima de insuficiência respiratória não identificada, seu corpo encontra-se sepultado no cemitério no centro da cidade (Peri-Mirim).

Deixou para os seus ascendentes exemplo de trabalho, de compromisso, de honestidade e de esperança que seus netos não tenham o mesmo destino do avô, que a vida seja mais doce e que lhes garanta um futuro mais digno.

Te amaremos para além da eternidade! Teus filhos.

ADMINISTRADORES DE PERI-MIRIM

1) Ignácio de Sá Mendes – Intendente (1920 a 1921)

2) Antônio Raimundo Marques de Figueiredo – Intendente

3) Manoel Miranda – Interino

4) João Capistânio Gomes de Castro – Interino

5) Raimundo Botão Mendes – Interino

6) Vilásio Pires – Interino

7) Vicente Soares Silva – Interino

8) Secundino Furtado – Interino

9) Marcionílio Antônio Marques (1942 a 1945)

10) Agripino Álvares Marques (1946 a 1949)

11) Naisa Ferreira Amorim (1950 a 1952)

12) Agripino Álvares Marques (1953 a 1958)

13) Tarquínio Viana de Souza (1959 a 1961)

14) Agripino Álvares Marques (1962 a 1965)

15) Jorge Antônio Maia – Interino

16) José Ribamar Martins – Bacaba (1966 a 1969)

17) Clovis da Silva Ribeiro – Interino

18) Ademar Peixoto (1970 a 1972)

19) Deusdete Gamita Campos (1973 a 1976)

20) João França Pereira (1977 a 1982)

21) Benedito de Jesus Costa Serrão (1983 a 1988)

22) Carmen Martins (1989 a 1992)

23) Vilásio França Pereira (1993 a 1996)

24) Benedito de Jesus Costa Serrão (1997 a 2000)

25) José Geraldo Amorim Pereira (2001 a 2008)

26) Afonso Pereira Lopes (2009 a 2012)

27) João Felipe Lopes (2013 a 2016)

28) José Geraldo Amorim Pereira (2017 a 2020)

29) Heliezer de Jesus Soares (2021 a 2024)

MACAPÁ – MUNICÍPIO ENLUTADO

Por Vavá Melo*

Em plena ascensão e justificada euforia, o novo município foi abalado por dois hediondos crimes:

O primeiro ocorreu no engenho Itaquipé, com o bárbaro assassinato do senhor Antônio Avelino Pinheiro, praticado pela esposa e o amante conhecido por Pequapá. Pelo forte apreço que tenho aos amigos, descendentes dessa família, recuso-me a pormenorizar essa tragédia.

O segundo, que abalou toda a região com outras vítimas, verificou-se às 20 horas, da fatídica noite de 25 de outubro, na fazenda de lavoura em Teresópolis, com o cruel assassinato do proprietário Antônio Pedro de Sousa e de dois de seus empregados, praticado pelo cangaceiro Tito Reis Silva e bando dele que o acompanhou.

Esse crime, segundo alegou o facínora Tito, homem de péssimos antecedentes foi por motivo de vingança pela humilhante prisão sofrida pela esposa Marina.

Essa história por ser longa, com controvérsias, registro-a no livro São Bento dos Peris – água e vida.

TITO SILVA – Síntese

Depois da prisão de Marina, esposa de Tito Reis Silva, em Macapá, por dezoito dias, quando lhes rasgaram as vestes, deixando-a nua, o casal jurou vingança. Mudou-se em abril para Boa Vista Goiás. Foi morar perto da casa de Dionísio Alves Batista e de seus irmãos, de quem se tornou amigos, e às vezes falava que tinha uma dívida a receber no Maranhão, na fazenda Teresópolis e outra, na vila de Santo Antônio e Almas. Em junho começou convencer o próprio Dionísio, Raimundo Alves Batista, Waldevino, Pedro de Sousa Leal e João de Tal, vulgo João Mole. Dois seis apenas este recebeu um refle e uma caixa de balas.

Partiram de Boa Vista, há 3 de outubro, atravessaram o Rio Tocantins, caminharam por chapadas durante 6 dias, alcançaram ao povoado Presídio, em frente da cidade de Grajaú, chegaram a Penalva dia 18. No seguinte foram a Monção, dormiram perto de Viana. Dia 20, passaram distante dessa cidade, viajando sempre a pé, atingiram São Vicente Férrer. Dia 21, passaram em São Bento com destino a Pinheiro. Dia 22, pela manhã atravessaram campos imensos, com água pelos joelhos, barriga e peito. No dia seguinte foram dormir na casa da mãe de Tito e descansaram todo o dia 24. Dia 25, cerca de uma hora da tarde, viajando pelos campos, chegaram a Teresópolis, às 8 horas da noite. Na entrada da fazenda foi que Tito falou que as dívidas que ele vinha receber eram duas: matar o fazendeiro Antônio Pedro de Sousa, e em Santo Antônio e Almas – José Castro. Tito só não fez esta revelação a Pedro de Sousa Leal, porque este já sabia de suas intenções desde Boa Vista, que foi quem comprou a caixa de bala, vista está sem dinheiro. Na entrada da fazenda, jantaram ao grupo mais dois rapazes, um pardo e outro negro que estavam armados de faça e cacete. A fazenda de sobrado só com uma entrada pela frente. Entraram-na e encontraram o fazendeiro escrevendo sobre a mesa, iluminada por lamparina a querosene. Tito Silva acompanhado de João Mole subiram a escada, e os outros ficaram no pátio, fazendo guarda.

Falou Tito em voz alta, capitão! Sabe com quem está conversando? Atos contínuos Tito e João Mole disparam dois tiros. Na ocasião saíram dois pretos do interior da casa, aos quais disse Tito – saiam fora que não quero matar vocês. – Responderam: se o padrinho estava morto eles também podiam morrer. João Mole disparou um tiro matando-o. Como o refle de Tito engasgou, e o outro armado de faca, Tito sacou do terçado “colins”, cravou no adversário que com ele embebido no corpo, correu e despenhou-se atrás da casa.

Tito e João Mole na suposição de que ainda houvesse alguém dentro da casa, gritaram – não saiam. Quem tiver que se aquiete. Dispararam mais dois tiros, indo um destes, ao que parece ferir uma criança que estava no quarto, pois a criança gritava muito clamando por Jesus Cristo e Nossa Senhora. (Papai contava ser este o único arrependimento de Tito).

Feito isto, os dois, entraram na sala, apoderam-se de um baú coberto de couro, encheram de fazendas, roupas feitas, lençóis, colarinho, uma rede e dinheiro. Partiram levando um cavalo de sela apanhado na estrebaria por Pedro Leal, Valdivino e os dois rapazes chegaram a casa de um tio de Tito uma hora da manhã, duas ou três léguas, perto de Santo Antônio e Almas.

Lá Tito contou ao tio que matara Antônio Sousa e seu desejo era matar José Castro. O tio lhe fez ver que estava fazendo coisas impossíveis. Mas que, como lhe havia prendido a mulher e lhe tomado o que era seu, continuasse seu desígnio, se era que se atrevesse a tanto. (Depoimento do senhor Dionísio Alves Batista, 31 anos de idade, nascido em Bom Jesus da Gurgueia, prestado na Polícia, publicado no Diário Oficial).

O Senhor Antônio Pedro Sousa é aquele já citado, várias vezes premiado na Exposição Nacional no Rio Janeiro, realizada na Praia do Botafogo, em 1908, alusiva ao 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil às Nações Unidas.

Com a prática desses crimes as comunidades macapaenses e dos municípios adjacentes alarmadas e amedrontadas, incapazes de oferecer resistência armada, apelaram pateticamente ao Governo do Estado, com estes telegramas: íntegra.

Macapá – 26. População alarmada esta vila pede vosso auxílio urgente, doze salteadores armados rifles saquearam fazenda Theresópolis depois terem morto proprietário e empregados, hontem 20 horas. Hoje 8 horas, atacaram município Santo Antônio e Almas, mataram e saquearam José Castro. Resto ignorado. Esperamos ser atendidos. Ignácio Mendes – Manoel Miranda.

Macapá – 26. População alarmada motivo doze bandidos armados rifles saquearam e mataram o proprietário fazenda Teresópolis, Sr. José Castro, chefe político município vizinho. Dizendo bandidos vier esta vila, peço garantia em nome população. Antônio Botão Mendes – 4º juiz suplente.

Macapá 30 – numero cento e cinquenta e dois. Lamento dizer nenhuma garantia ter recebido até agora de parte do governo, enquanto salteadores continuam exercendo ação criminosa. Depois caso Santo Antônio e Almas, foram atacados casa vivência e comercial Raimundo Argemiro e Pedro Teodoro, Luiz Peralico, Manoel Sousa, José Cândido, Francisco Amorim, João Viégas e muitos outros se acham refugiados nos matos. O assalto a três km donde estou recebendo constantes avisos de invasão. Sinto-me sem forças oferecer resistência e vinda salteadores, resolvido entregar repartição ao saque caso não me chegue auxílio com tempo a vir. Mandei abastecer víveres em Santo Antônio e Almas, não sendo possível por continuar deserta esta vila e população foragida. Indescritível se encontra população, em completa correria. Sem meios defesas mais uma vez apelo confio vosso criterioso governo. Saudações. Bezerra Cavalcante – Encarregado Cento Agrícola.

Para colaborar com o Corpo Policial, capitão Ulysses Cesar Marques, o 1º tenente Sebastião Cantanhede de Albuquerque e 2º tenente Antônio Henrique Dias, prefeito Inácio Mendes cedeu três cavalos. Contou, ainda o apoio do coronel Carneiro de Freitas que se encontrava em São Bento.

Aqui, com devida vênia, revelo um episódio contado pelo meu pai, André Martins Melo. “Aos oito anos de idade deu fuga a importante figura, levando-o à noite, montados em cavalos, para o lugarejo Borocotó. Em lá chegando o dito ficou escondido dentro de um poço, coberto de palhas”.

Muitas histórias foram inventadas, em desacordo com o relatório oficial o Tenente Sousa Coqueiro, no Imparcial Diário Oficial do Estado, 1920. Nesse mesmo ano, foi vítima da aftosa e a peste bubônica da alastrou-se na região.

* Álvaro Urubatan (Vavá Melo) é natural de São Bento, bancário aposentado. Pesquisador e historiógrafo. Membro fundador da Academia Sambentuense e da Academia Ludovicense de Letras.

O LEGADO DE KEILA ABREU MELO EM PERI-MIRIM/MA

Por Diêgo Nunes e Edna Jara

Keila Abreu Melo Diniz nasceu em Peri-Mirim em 18 de junho de 1969. Filha de Manoel Melo (In Memorian) e Javandira Abreu Melo, foi a quarta filha de um total de seis: Manoel (In Memorian), Jeisa, Nilson, Keila, Gisele e Kênnya). Filha muito dedicada, com sua mãe e seus familiares. Casou-se com Alan Fábio Pereira Diniz e tiveram dois filhos: Luiz Eduardo Melo Diniz e Alain Victor Melo Diniz.

Morou quatro anos em São Luís para estudar. Formou-se em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Iniciou sua vida profissional muito cedo. Apaixonada pela educação, Keila já sabia o que queria. Assim, serviu o município de Peri-Mirim como educadora há mais de uma década. O seu primeiro emprego nesta cidade foi por contrato do Estado.

Era uma pessoa que amava muito tudo o que fazia. Pessoa de caráter, sincera, lutadora, colaboradora, esportista, digna, alegre, enérgica, acolhedora, lecionava com dedicação…; Estes são só alguns dos atributos que descrevem quem a conheceu.

Todas estas características chamaram a atenção das autoridades políticas da época, que lhe ofereceram o importante cargo de Secretária Municipal de Educação. Ela, de bom grado, aceitou o desafio.

Sua família testemunhou as muitas noites, madrugadas, dias, fim de semana e até feriados que Keila dedicou a este serviço público. Não foi fácil, mas ela, mesmo com pouca idade que tinha exerceu a sua gestão com muita competência, dedicação e carinho.

Deixou seu legado no município de forma positiva. Pois foi um exemplo de mulher guerreira, justa e transparente em seus relacionamentos e ações, sensível, empática, companheira e fiel em todos os momentos e para tudo. Além de gostar de fazer caridade, foi torcedora do Vasco da Gama, católica ativa e dizimista atuante.

Um problema cardíaco, até então desconhecido, tirou a vida de Keila através de um infarto fulminante aos trinta e dois anos, mais precisamente em: 03 de junho de 2002.

A lição que ela nos deixou foi viver a vida com disposição, alegria, dedicação, cultivar amizades e o amor em família.

Keila partiu muito cedo desta vida. Mas sua missão aqui na terra foi de grande relevância ao nosso município na área da Educação.

Em sua homenagem, o vigésimo quinto prefeito da cidade, José Geraldo Amorim Pereira, no seu segundo ano de administração (2001-2008) nomeou o prédio construído ao lado do antigo prédio da Câmara (atual prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social) como “Keila Abreu Melo”. Ainda no mandato de Afonso Pereira Lopes (2009-2012), assim, como uma parte da gestão do Prefeito João Felipe Lopes (2013-2016) funcionou o curso de informática para alunos da rede pública municipal e estadual ministrados por instrutores contratados.

Por interesse da gestão da época e em concessão com a Câmara Municipal, dezesseis anos após seu falecimento, o nome “Keila Abreu Melo” foi decretado permanentemente como nome oficial da escola municipal localizado no Bairro Campo de Pouso.

Seguindo o histórico da referida escola, o autor perimiriense Francisco Viegas Paz, em seu livro “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim (2014), relata que a Escola Municipal “Tarquínio Viana de Sousa”, localizada no bairro Campo de Pouso, foi construída na administração de Carmem Martins, entre 1989 e 1992. O nome homenageou o ex-prefeito e pai da executante da obra. Funcionava nos turnos matutino e vespertino o ensino fundamental, com a capacidade de abrigar por turno 200 alunos.

Durante seis anos (2003 – 2008) o prédio foi cedido ao Estado para alojar alunos do Centro de Ensino “Artur Teixeira de Carvalho” das séries finais do ensino médio.

Retomado para as atividades da gestão municipal, serviu como primeiro anexo da Escola Municipal “Cecília Botão”. A extensão se deu pelo número crescente de alunos advindos dos mais diversos povoados do município de Peri-Mirim. A escola matriz já necessitava de um espaço mais amplo que pudesse atender a esta nova realidade, porém, dado o aumento da demanda foi necessário adequar este novo espaço de atendimento.

Foi pelo Decreto nº 007/2018 de 11 de julho de 2018 que o nome da Escola Municipal “Cecília Botão” – Anexo I passou a ser oficialmente Escola Municipal “Keila Abreu Melo”. Localizada no Campo de Pouso, s/nº, Peri-Mirim. A escola se tornou uma entidade independente pela criação da sua inserção cadastral na Receita Federal do Brasil e cadastro no Ministério da Educação recebendo código do INEP próprio.

A escola é mantida pela Prefeitura Municipal de Peri-Mirim e administrada pela Secretaria Municipal de Educação – SEMED e PDDE, sob CNPJ nº 30.681.962/0001-14 e INEP nº 21274010 e está baseada na metodologia do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC. O nível de ensino é o Fundamental séries iniciais (1º ao 5º ano), podendo abrigar 240 alunos distribuídos em quatro turmas ativas nos dois turnos. Atualmente, os departamentos estão divididos assim: sala da direção, secretaria, cantina, banheiros, salas de aula e uma pequena biblioteca.

A instituição atende alunos provenientes das Comunidades/Povoados do município. As crianças e adolescentes dos quais constituem o corpo discente desta escola apresentam perfis socioeconômicos e culturais distintos pertencentes a diversas classes sociais, a maioria são de origem de famílias de trabalhadores rurais, pescadores e funcionários públicos. São beneficiados também por programas do Governo Federal como Bolsa Família, além de recursos diretos do FNDE: PDDE (novo Mais Educação), que contribuem diretamente para formação de um ser humano mais digno.

A Escola Municipal Keila Abreu Melo vem sendo administrada desde janeiro de 2021 pelas gestoras Darlene Nunes e Tereza Nunes as quais vêm realizando um trabalho em conjunto com sua equipe escolar voltado para o foco em projetos pedagógicos sincrônicos às competências da BNCC que envolvam alunos, famílias e a escola no processo de ensino-aprendizagem na atual modalidade: ERE – Ensino Remoto de Emergência.

A decisão de nomear a escola como Keila Abreu Melo veio do desejo popular de perdurar seu legado com honras e méritos de educadora excelente nos anos de atuação.  A escola por sua vez, honra a graça de poder cativar essa herdade com resultados satisfatórios de um ensino eficaz e sempre oferecendo uma educação melhor e de qualidade para as crianças e adolescentes do nosso município.

Colaboradores: Família e amigos de Keila A. Melo.

Velho Casarão

Por Eni Amorim

Vendo-te definhar nas sombras das tuas ruínas,
Remonto-me para o período da tua aurora juventude, onde reinavas majestoso na imponência do tempo.
Guardas em tuas ruínas histórias e lendas de personagens que habitaram dentro de ti; Histórias de amores e desamores, esperanças, alegrias, tristezas, angústias, perdas e reencontros, chegadas e partidas…
Nas histórias do senso comum que brotam da imaginação de uma gente humilde surge a lenda da ’’Freira de chamató’’ (tamanco). (Eis que na calada da noite uma freira de chamató passeia pelas varandas do casarão com seu toc, toc irritante.) Lenda essa que fez o casarão tomar uma conotação de ‘’Casarão mal assombrado’’.
Guardastes no teu abrigo: religiosos, trabalhadores, viajantes, vendedores e moribundos…
Abrigas nas tuas entranhas histórias de muitos atores, cada qual com sua singularidade que lhe é peculiar.
Agora que a velhice chegou e que não tens mais o vigor de outrora,
Jazes esquecido ao relento e aos maus tratos, Não passas de escombros e de local para deposição de excrementos humanos e abrigo para os animais que perambulam pelas ruas da cidade.
E você, velho casarão, aguarda que o tempo complete o teu processo de oxidação, enquanto você figurará nos fragmentos de uma história nas névoas do tempo.

Peri-Mirim, 20 de junho de 2015

Anastácio Florêncio Corrêa

     Nasceu no dia 11 de março de 1939. Filho de Honório Pereira e Maria da Anunciação Correia, sendo o 3° dos onze filhos, seus irmãos são: Justino Corrêa, Valdemar Corrêa, João de Deus Corrêa, Maria José Pereira, Agostinho Corrêa, Valmir Corrêa, Dulcinete Corrêa, Maria Raimunda Corrêa, Raimunda Corrêa e Edvan Corrêa. Todos residiam na Serrinha – Pericumã. Avós Paternos: Joaquim Pereira e Plautila Pereira e avós Maternos: João da Paciência Andrade e Emília Correia, moravam no Povoado Conceição.

    Começou a estudar com dez anos de idade, na Escola Urbano Santos, com a professor Ciroca, com quem estudou a carta do ABC, Cartilha e o Livro do 1° ano. Sua segunda professora foi Maria de Crescencio, por 6 meses. Depois estudou a EJA, com 32 anos de idade, no CEMA, com a professora Maria da Conceição Corrêa.

     Com 12 anos já trabalhava na Lavoura, pescava e caçava na mata e no campo. Casou-se, com Helena Ribeiro no dia 20 de janeiro no ano de 1960, com quem teve 10 filhos, residindo no Barreiro.

      São eles:  José Reinaldo Ribeiro Corrêa, Reinivaldo Ribeiro Corrêa Rosângela Ribeiro Corrêa, Rosélia Ribeiro Corrêa, Ruben Ribeiro Corrêa, Rui Ribeiro Corrêa, Alda Regina Ribeiro Corrêa, Everaldo Ribeiro Corrêa, Roseane Ribeiro Corrêa e Herbeth Ribeiro Corrêa e mais dois com a senhora Claredite Nogueira, que são Júlio César Nogueira e Fernando Nogueira. Nos anos de 1965 e 1966, foi estudar no Município de Guimarães, na Escola da fé, seis meses em cada ano. Mudara-se, para a sede do Município no ano de 1970.

      O povoado Pericumã, tinha somente duas casas, uma de Honório e outra do seu pai. Depois, foi construída a de Rosico e a de Pedrinho Pereira e da Senhora Joaquina. Não havia estradas, só caminhos abatidos pelos moradores, dividido em quarteirões pelo prefeito. No ano de 1956, Clóvis Ribeiro abriu um comércio no Barreiro e falou com a professora Ciroca para ministrar aulas na casa de André Avelino. Após Ciroca a professora foi Helena Ribeiro, no ano de 1959. Ano no qual Clóvis Ribeiro falou com o prefeito da época, Agripino Marques para construir a Escola Urbano Santos. Sendo Helena Ribeiro a professora até o ano de 1970 e nesse mesmo ano chegou em Peri-Mirim o Padre Edmundo e por ele foi construída a igreja do Barreiro, próximo a Escola. Depois a professora passa ser Juscelina Pereira, por um período de 22 anos.

        No ano de 1970 passa a morar na sede do Município, na casa alugada de Jair Amorim e no dia 27 de fevereiro de 1978, através do Deputado Chiquitinho, ganhou uma nomeação do Estado, para trabalhar como vigia no CEMA, a diretora era Concita Pereira. Trabalhou nessa função por 33 anos. Em 1983, no mês de setembro se separou da esposa, Helena Ribeiro Corrêa. Depois morou com por 11 anos com Maria de Jesus Lopes, na entrada do povoado Porções, separa-se outra vez, e foi morar com Rosa Catarina Andrade por 12 anos na Travessa São José no Campo de Pouso.

     De 02 de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2012, trabalhou para a Prefeitura Municipal de Peri-Mirim, na função de Fiscal Geral.

    Teve 12 filhos, 24 netos, 11 bisnetos. E morava sozinho, na Rua Desembargador Pereira Junior. Peri-Mirim/MA. Aos 82 anos, faleceu no Hospital do Servidor em São Luís, no dia 15 de maio de 2021, às 18:00 horas. E foi sepultado no dia seguinte no Cemitério do Povoado Pericumã, Povoado onde nasceu e se criou.

Biografia enviada ao Jornal O Resgate por Alda Ribeiro

Sete de setembro no Grupo Escolar Carneiro de Freitas

Na década de 1970, o dia 07 de setembro era dia de desfile obrigatório no Grupo Escolar “Carneiro de Freitas” em Peri-Mirim/MA, lembro-me da Professora de Ciências, Graça Diniz (in memoriam) que organizava e treinava os pelotões diferenciados, ensaiava acrobacias, danças e performances criativas.

Eu nunca soube onde aquela mulher esquia e brava aprendia essas técnicas. Quando eu cursava a 3.ª série, fui escolhida para sair no Pelotão do “Moinho”, treinei, sabia toda a coreografia. Mas tinha que comprar um tecido quadriculado em vermelho e branco.

Fui tirar as medidas da roupa com tia Rosa – esposa de Constantino -, que morava na sede. Na época eu não sabia o motivo, mas mamãe não comprou o tecido. No dia do desfile, como era obrigatório, tive que ir desfilar de farda.

Ainda bem que eu era a menor da turma e ficava no final do pelotão, assim ninguém podia me ver. Ouvia Graça Diniz gritar: “cadê a Ana Creusa??!!!, cadê Ana Creusa??!!”. Não sei se ela me viu, mas o desfile começou e eu podia ver a turma do “Moinho” com suas evoluções.

Senti o gosto amargo da decepção, na mesma hora compreendi que minha mãe não pôde comprar o tecido, pois a tia Rosa não cobraria pelo feitio da roupa.

Voltei para casa, não falei nada para minha mãe, não falei da minha decepção, nada! A professora discreta, que já tinha sido minha professora na 2ª série, também nunca falou sobre o assunto comigo, acho que ela também compreendeu que eu não tinha roupa para sair no pelotão especial.

Graça Diniz voltou a ser minha professora no Ginásio, na matéria Ciências. Quando eu a via, sempre lembrava do fato. Mas eu tinha uma forma de chamar a atenção daquela nobre professora: era estudar mais! Na 5ª série ginasial apenas três alunos passaram direto, sem fazer prova final, eu estava entre eles, com Gilberto Câmara e Delma Ribeiro.

Memórias de Ana Creusa

Peri-Mirim: Serra Velho

Autora: Eni Amorim

Não se pode afirmar como quando vieram para o Brasil as folias portuguesas da serração do velho. O que se sabe é que as crônicas coloniais do começo do século XVIII já falavam delas com entusiasmo (Mário Ferreira de Medeiros).

Eram festas de rua do povaléu (ralé). Segundo o site meussertões.com.br essa estranha brincadeira se espalhou pelo Brasil principalmente nas regiões norte e nordeste a partir do século XVIII. Constava no rito os motejos contra o velho, sua tortura e morte por meio da serração.

Em conversas com algumas pessoas da comunidade entre elas minha mãe (lnácia Amorim), ela me contou que na comunidade de Santana e Serra (povoado extinto), os moradores cultivavam a prática de realizar o folguedo.

Segundo os entrevistados essa brincadeira acontecia no período da quaresma: um grupo de pessoas da comunidade, na maioria jovens alegres que gostavam de se divertir e aprontar presepadas se reuniam e com alguns objetos, tambor, serra, tamborim, cuíca, latas, panelas o “diacho a quatro”, escolhiam sua vítima, de preferência um velho ranzinza da comunidade para ser “serrado”. Um dos critérios usados era que a vítima tinha que ser avô (ó), ou como dizemos: “estar no crepúsculo da vida”.

Então, à luz da meia-noite o grupo saía para fazer a serra na pessoa definida. Chegando na casa do dito cujo, chamavam o fulano de tal pelo nome, quando este respondia, diziam: -Levanta para vestir a camisa da verdade! Aí começava a zoeira, batiam nos tambores e latas, serravam gritavam, choravam como se o fulano de tal tivesse morrido e assim a brincadeira seguia noite a dentro nas casas das vítimas definidas.

Alguns moradores já suspeitando que podiam ser serrados não caiam na pegadinha, em contra partida, havia morador que entrava na brincadeira de bom humor enquanto que havia outros que não aceitava a brincadeira, ficavam bravos, xingavam os organizadores da brincadeira, enquanto quem estava de fora se divertia.

Nesse contexto do folguedo do “serra-velho”, mamãe me contou uma das presepadas que aconteceu com um morador da comunidade de Santana.

O grupo de jovens da sua época, isso na década de 50, escolheu como vítima o Sr. Bertoldo, este era irmão de meu bisavô, Domingos do Rosário. Alguém dedurou o grupo contando antecipadamente para este que ele seria serrado, então o mesmo começou a guardar mijo no pinico para surpreender o grupo.

No dia definido para a serra, este subiu nu em um cajueiro que ficava na frente da sua casa munido com o mijo dormido em um recipiente. Como a noite estava escura não dava para vê-lo.

Quando o grupo chegou, na calada da noite, o líder do grupo o chamou mudando sua voz para não ser reconhecido:
– Eh Bertoldo, eh Bertoldo… não obtendo resposta prosseguiu:
– Acorda para vestir a camisa da verdade! E começou a barulheira, um serrava um pedaço de madeira, batiam nas panelas, latas e tambores.

Foi quando o Sr. Bertoldo jogou o mijo dormido em cima do grupo e pulou no meio deles peladinho e foi aquele alvoroço, eles sorriram muito da presepadas e foram para casa banhar pra tirar o cheiro de mijo.

Pessoas entrevistadas:
Inácia Amorim; Terezinha Nunes Pereira; Mara Nunes; Nani Sebastiana e Maria Rosa Gomes.

Nota da Autora: Aos poucos a brincadeira foi se extinguindo, já na década de 60 e com a migração de muitos jovens para estudar nas cidades não mais se viu a brincadeira vindo a se extinguir por completo.

Inácia Rosa Pereira Amorim

Nasceu em 31/07/1939. Filha de Calixto Pereira Nunes e de Joanita Nunes Pereira. Casou-se aos 21 anos com Jair Amorim, um homem do campo, mãos e pés calejados e rústico com o qual teve seis filhos tendo que enfrentar os conflitos inerentes a vida a dois.

Filhos: Eni do Rosário Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó, Jacolino, Jacó Bala) Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Tem 08 netos e 05 bisnetos

Uma mulher de estatura pequena, personalidade forte; desde muito pequena quando veio ao mundo teve que enfrentar os reveses da vida que marcaram seu destino.

Perdeu a mãe com apenas quarenta dias de vida, tendo sido criada pela sua avó materna, seu pai e suas tias em uma época aonde havia muitas dificuldades naquele dado momento histórico; se compararmos com os dias atuais.

Mas a sua garra e perseverança a impulsionaram a construir sua história.

Estudou até a quarta série que era oferecido na época, aprendeu a ler e a escrever e sabe a tabuada na ponta da língua. Estudou corte e costura em Pinheiro com uma costureira renomada Carmerina Amorim.

Inácia apesar das dificuldades da época e com seis filhos para criar, não se deixava abater, estava sempre se reinventando. Era costureira, artesã (tecia redes de fio têxtil), Foi professora de costura em um dos projetos da LBA (Legião Brasileira de Assistência) um dos projetos conseguidos pela Paróquia São Sebastião com a ajuda de Padre Gérard Gagnon e Ana Lúcia de Almeida; fazia, horta e vendia as hortaliças orgânicas produzidas, fazia pastéis, bolos, cocadas e suquinhos tudo para venda e assim ajudar o papai nas despesas da casa. Quando a escassez de recursos era grande, muitas vezes dormiu com a barriga vazia para alimentar os seus filhos.

Acalentou um sonho no seu coração de que colocaria todos os filhos para estudar porque ela apesar de não ter tido a oportunidade, em sua sabedoria, conseguia definir bem a importância do estudo para iluminar os nossos rumos; e assim, atropelou as dificuldades para que seus filhos conseguissem estudar e trilhar seus caminhos por este mundo às vezes um tanto inóspito.

E todos os dias Mamãe, nós teus filhos, só queremos te agradecer pela tua perseverança, por cada incentivo, por cada oração, pelas torrentes de amor que derramas a cada um de nós mesmo sabendo que algumas vezes ferimos teu coração com a espada da ingratidão.

Obrigada pelas gotas de amor que derramas todos os dias em nossas vidas.

TE AMAMOS! Teus filhos.

Biografia encaminhada ao Jornal O Resgate por Eni Amorim

O Cangaceiro Tito Silva

Autor Manoel Braga

Tito Silva era filho de Wenceslau Silva, que por sua vez era filho de João Silva. Todos eles nasceram na localidade Ilha do Veado pertencente ao hoje município de Peri-Mirim. Contam que Wenceslau passou 1 ano dormindo no cemitério do Souza na Malhada dos Pretos após ter cometido um assassinato.

O crime se deu por causa de uma brincadeira muito comum tempos atrás na Baixada. Era chamada de Serra. Consistia em fazer um ritual fúnebre de uma pessoa idosa que por ventura existisse na comunidade. Era um pouco macabro. Era feita a leitura de um suposto testamento do idoso em que suas coisas eram deixadas para os vivos.

Esse ritual era realizado tarde da noite acompanhado de muita zoada. Todo velho morria de medo de ser serrado. Tinha um instrumento confeccionado especialmente para essas ocasiões chamado de corrupião. Constituía-se de um pedaço de madeira onde era enfiado um fio que a pessoa segurava e rolava sobre a cabeça o que causava um barulho ensurdecedor. Muitas pessoas participavam da brincadeira.

Tinha uns que batiam em lata. Outros imitavam animais. Principalmente o acauã (rasga mortalha). Nesse ritual, o bode era muito comum também. Este geralmente se roçava na parede da casa feita de pindoba para criar o clima de despedida do idoso.

Uma determinada noite a “canalha” resolveu que era chegado o dia de rocar seu João Silva que já estava bem velho. Estava no ponto de ser serrado. Era tarde da noite, estava na hora de começar o ritual. Fizeram zoada. Leram o testamento. Distribuíram as coisas de seu João. Teve um que subiu em uma árvore e começou a imitar o rasga mortalha.

Seu Wenceslau, pai de Tito Silva, muito brabo pegou uma espingarda, esperou o rasga mortalha piar e largou chumbo. Foi só um tiro. O cabra caiu durinho. Acabou a brincadeira. A brincadeira acabou mesmo. Não fizeram mais esse ritual. Mandaram prender seu Wenceslau. Ele para não ser encontrado durante o dia se escondia no mato. À noite vinha dormir no cemitério onde sabia que não iam procurar por ele. E assim ele escapou muito tempo da prisão.

O primeiro prefeito de Bequimão, que nesse tempo ainda chamado de Santo Antônio e Almas foi o capitão José Mariano Gomes de Castro. Era um grande proprietário de terras, fazendeiro, comerciante e delegado. Certa ocasião o prefeito que, também, era o delegado mandou prender Tito Silva acusado de roubo de gado.

Durante a prisão, o denunciado foi muito torturado. Para completar, o delegado trouxe a mulher dele e na frente de Tito foi humilhada, teve suas vestes rasgadas e sofreu abuso sexual. Tito ficou injuriado. Prometeu que se vingaria.

Tito foi enviado para cumprir sentença na fazenda do senhor Antonio Sousa que era grande proprietário de terras na Tijuca. Tito ficou por lá um certo tempo, mas sempre esperando uma oportunidade para fugir. Durante esse tempo ele apresentou um bom comportamento. Ficou de confiança do fazendeiro.

Até que um dia o senhor Antonio chegou de viagem, apeou do cavalo e o entregou para Tito lavar e dá de comer. Era tudo que Tito tanto esperava. Tito aproveitou a oportunidade e deu no pé. Foi embora para o sertão.

Depois de um certo tempo ele voltou, já com um bando formado. Chegou à propriedade de seu Antonio num dia em que ele tinha encomendado uma missa. Tito com seu bando acabaram a festa. Fizeram zoada, deu tiro para cima e em todas as direções.

Dizem que o padre ficou tão assustado que se jogou do segundo pavimento da casa, só não morreu porque caiu dentro de um depósito de melaço. A mãe de seu Antonio, uma idosa, quase morre de susto. Contam que uma bala perdida pegou em uma garota que ficou se contorcendo de dor. Tito vendo aquilo pegou o seu punhal e enfiou na criança acabando com a sua agonia.

Depois dessa confusão toda que ele causou na casa do senhor Antonio Sousa, ele rumou para Bequimão para consumar sua vingança. Chegando lá, ele localizou o Coronel José de Castro. Ele o prendeu. Torturou o quanto pode. Furou os olhos e o castrou. Por último cortou as orelhas que levou para mostrar para a mulher como prova da sua vingança.

No final ele perguntou ao Coronel: – sabe o que vim fazer? – Eu vim te matar. O coronel era homem duro disse para Tito: – homem se mata, não se maltrata. Nisso um dos homens de Tito, achando que o vexame do coronel já tinha sido muito deu um tiro e acabou com o sofrimento do velho.

Depois de consumada a vingança, os homens de Tito se dispersaram. Tito acabou sendo preso. Foi enviado para cumprir pena em uma fazenda do governador do estado que na época era Magalhães de Almeida e que tinha como vice Marcelino Machado. Dizem que os dois mantinham uma relação homo afetiva. Tito estava bem por lá. Bom comportamento e tudo.

Um certo dia, para azar de Tito ele viu os dois se amando. Tito se escondeu. Mas eles ficaram com a dúvida se Tito tinha olhado ou não. Eles tinham medo que a relação deles viesse a público acabando com a trajetória política deles.

Um dia, eles chamaram Tito e perguntaram o que ele tinha visto. Ele disse que não tinha visto nada. Mas eles não acreditaram. Eles botaram Tito para cavar um poço. Quando já estava com uma certa fundura eles perguntaram ao Tito: – tu sabe o que tu tá fazendo e ele respondeu: – estou cavando a minha sepultura. Então, deram-lhe um tiro e o enterraram. E assim acabou a trajetória de vida violenta que Tito levou.

Nota do Autor: Parte desta história deve ser tratada como lenda, pois, baseou-se em ditos dos mais antigos. Sabe-se que pessoas como Tito Silva têm em torno de si muitos mistérios.