Passagem dos Padres

Por Diêgo Nunes Boaes
Há lugares que pertencem aos mapas. Outros pertencem à memória do povo. A Passagem dos Padres, em Peri-Mirim, é um desses cenários onde a história, a natureza e o imaginário popular caminham lado a lado, formando um dos recantos mais belos e enigmáticos do município.

Muito antes da abertura de estradas e da facilidade dos transportes, quando os caminhos eram percorridos a pé, a cavalo ou em pequenas embarcações, a Passagem dos Padres servia como uma importante rota de deslocamento.

Ali existia apenas o curso natural do rio, margeado por uma floresta densa e praticamente intocada. Era por esse caminho que padres e missionários atravessavam para chegar às comunidades vizinhas, levando a Palavra de Deus, celebrando missas, administrando sacramentos e fortalecendo a presença da Igreja nas localidades mais distantes.

O rio sempre foi o grande protagonista dessa paisagem. Suas águas límpidas formam diversos pontos de banho, frequentados há gerações, por moradores e visitantes em busca de tranquilidade e contato com a natureza.

Entre esses atrativos destacam-se as famosas panelinhas, cavidades naturais esculpidas nas pedras pela força das águas ao longo de centenas, talvez milhares de anos. Algumas delas impressionam pela profundidade, sendo capazes de submergir completamente uma pessoa. Essas formações geológicas despertam curiosidade e admiração, tornando-se um dos elementos mais marcantes da beleza natural da Passagem dos Padres e reforçando a necessidade de que sejam apreciadas com respeito e os devidos cuidados.

O percurso, embora exigisse esforço físico, oferecia uma recompensa rara: o contato direto com uma natureza exuberante. A vegetação fechada formava um verdadeiro corredor verde, onde árvores centenárias protegiam o leito do rio, criando um ambiente de sombra, frescor e silêncio.

As águas cristalinas deslizavam entre pedras, raízes e pequenas corredeiras, compondo uma paisagem que parecia convidar à contemplação, ao descanso e à oração.

Conta a tradição que esse mesmo lugar também servia de refúgio para sacerdotes durante os períodos mais movimentados do calendário festivo de Peri-Mirim. Enquanto a cidade celebrava as tradicionais festas do dia 21 e, em outras ocasiões, vivia a intensa movimentação do carnaval, alguns padres buscavam na Passagem dos Padres um retiro temporário.

Ali encontravam aquilo que muitas vezes faltava no centro urbano: paz, silêncio e um ambiente propício à meditação, à leitura e ao fortalecimento espiritual. O som predominante era o canto dos pássaros, o vento entre as copas das árvores e o murmúrio constante das águas.

Mas a Passagem dos Padres guarda também um dos mistérios mais fascinantes da tradição oral perimiriense. Há muitas décadas circula entre os moradores a história de uma cachoeira escondida, localizada em algum ponto da mata. Muitos afirmam que ela existe. Outros dizem ter ouvido o barulho de suas águas durante caminhadas pela floresta. Há quem conte que antigos moradores chegaram a conhecê-la, mas que o caminho foi sendo perdido com o passar dos anos. Ninguém sabe ao certo onde ela está. Não há registros precisos nem trilhas oficialmente identificadas. Ainda assim, a narrativa permanece viva, alimentando a curiosidade dos aventureiros e reforçando o encanto que envolve esse lugar.

Outra lenda igualmente conhecida diz respeito às pedras do rio. Segundo os moradores mais antigos, a natureza da Passagem dos Padres deve permanecer exatamente como foi encontrada e ninguém deveria levar para casa pedras, galhos ou qualquer outro elemento retirado daquele ambiente. Conta a tradição que quem desrespeitasse essa regra seria acometido por uma forte febre, persistente e difícil de curar, que somente cessaria quando o objeto fosse devolvido ao local de origem. Alguns narradores afirmavam, inclusive, que a enfermidade poderia tornar-se tão grave a ponto de colocar a vida da pessoa em risco. Verdadeira ou não, essa crença foi transmitida de geração em geração e acabou contribuindo para fortalecer o respeito pela mata e pela preservação daquele patrimônio natural.

Se a cachoeira existe ou não, ou se a antiga lenda da febre faz parte apenas do imaginário popular, talvez seja menos importante do que o significado que essas narrativas adquiriram ao longo do tempo. Como acontece em tantas paisagens do interior maranhense, o mistério tornou-se parte da identidade do lugar. A floresta parece guardar seus próprios segredos, convidando cada visitante a caminhar com respeito, atenção e imaginação.

Além das histórias e lendas, a Passagem dos Padres representa um dos mais importantes patrimônios naturais de Peri-Mirim. Suas nascentes e cursos d’água contribuem para o equilíbrio ambiental da região. A mata preservada abriga diversas espécies de árvores nativas, plantas medicinais, aves, pequenos mamíferos, répteis e inúmeros outros animais que encontram naquele ambiente condições favoráveis para sobreviver. Essa riqueza transforma a área em um verdadeiro santuário ecológico e em um espaço de grande potencial para a educação ambiental, pesquisas científicas e práticas de turismo ecológico.

Durante muitos anos, a Passagem dos Padres despertou o interesse de visitantes vindos de diferentes municípios. Trilheiros, amantes da natureza, fotógrafos e aventureiros percorriam suas trilhas em busca das águas cristalinas, das panelinhas naturais, da vegetação preservada e do silêncio que somente a floresta é capaz de oferecer. Era comum encontrar grupos explorando os caminhos da mata, admirando a paisagem e registrando a exuberância desse cenário singular da Baixada Maranhense.

Com o passar do tempo, porém, o fluxo de visitantes diminuiu. Muitas trilhas deixaram de ser percorridas regularmente e parte desse patrimônio natural passou a ser menos conhecida pelas novas gerações. Ainda assim, a beleza da Passagem dos Padres permanece praticamente intacta, aguardando iniciativas que conciliem preservação ambiental, valorização histórica e desenvolvimento de um turismo sustentável capaz de gerar conhecimento, renda e conscientização.

Mais do que um antigo caminho percorrido por missionários, a Passagem dos Padres representa o encontro entre a fé, a história e a natureza. Ali convivem lembranças da evangelização do município, relatos transmitidos pela tradição oral e uma paisagem que continua despertando admiração em todos que a conhecem.

Preservar esse lugar significa proteger não apenas uma floresta ou um rio, mas também uma parte essencial da memória de Peri-Mirim. Significa compreender que a história de um povo também se escreve em seus caminhos, em suas águas, em suas árvores, em suas lendas e nas experiências compartilhadas por gerações.

Talvez um dia alguém encontre a famosa cachoeira de que tanto falam os mais antigos. Talvez ela permaneça escondida para sempre, protegida pela mata e pelo encanto das narrativas populares. Enquanto isso, a Passagem dos Padres continua cumprindo seu papel: lembrar que algumas das maiores riquezas de um município não estão apenas nos livros, mas na natureza preservada, nas histórias contadas pelos mais velhos e nas memórias que resistem ao tempo. É esse conjunto de paisagem, tradição, fé e mistério que faz da Passagem dos Padres um dos mais valiosos patrimônios naturais e culturais de Peri-Mirim.

O Caminho da Frieza

Hoje, quem passa pela antiga Frieza talvez nem imagine a fama que aquele lugar já teve. O movimento da cidade, a iluminação pública e o passar dos anos fizeram desaparecer o silêncio que um dia dominou aquele caminho. As novas gerações atravessam a estrada sem sequer imaginar que, durante muito tempo, bastava ouvir seu nome para despertar um arrepio em quem precisava passar por ali à noite.
Naqueles tempos, a Frieza era praticamente a única passagem que ligava muitas comunidades ao centro de Peri-Mirim. Era por aquele caminho que seguiam moradores do Cametá e de outras localidades, fosse para trabalhar, participar das missas, ir ao hospital, resolver assuntos na cidade ou simplesmente retornar para casa depois de um longo dia. Também era a rota de muitos pescadores, que saíam ainda de madrugada ou voltavam ao anoitecer carregando suas redes, enfrentando não apenas a escuridão, mas também os medos alimentados pelas histórias que circulavam entre o povo.
A iluminação era inexistente. A lua, quando aparecia, era a única companheira dos viajantes. Nos dias nublados, a escuridão parecia engolir a estrada. O vento fazia as árvores balançarem, os galhos se chocavam uns contra os outros e qualquer ruído ganhava proporções assustadoras.
As histórias contadas pelos mais velhos alimentavam a imaginação. Falava-se de visagens, de almas penadas que vagavam pelo caminho, de sombras que pareciam acompanhar os viajantes e de assovios misteriosos que surgiam do nada. Havia quem jurasse ter ouvido um grito distante cortando o silêncio da noite. Outros diziam ter visto uma figura branca desaparecer entre a vegetação ou sentir uma presença invisível caminhando logo atrás.
Se eram fatos, ilusões provocadas pelo medo ou apenas narrativas transmitidas de geração em geração, pouco importava. Para quem precisava atravessar a Frieza, tudo parecia possível.
Cada sombra transformava-se em alguém escondido. Cada tronco de árvore parecia ganhar forma humana. O canto de uma ave noturna fazia o coração acelerar. O estalo de um galho seco podia ser confundido com passos se aproximando. Um animal cruzando rapidamente o caminho era suficiente para disparar uma corrida. Era medo em cima de medo.
Quem seguia a pé costumava apertar o passo. Muitos faziam orações em silêncio durante todo o percurso. Outros preferiam esperar companhia, porque enfrentar a Frieza sozinho exigia coragem. Aqueles que viajavam a cavalo também não escapavam do receio. Bastava o animal empacar, levantar as orelhas ou relinchar para que o coração do cavaleiro disparasse, imaginando que o cavalo havia percebido algo que os olhos humanos não conseguiam enxergar.
As conversas do dia seguinte quase sempre traziam novos relatos. Alguém dizia ter ouvido um assovio estranho. Outro contava que uma sombra atravessou a estrada. Havia quem jurasse que uma luz caminhava entre as árvores. Essas histórias percorriam as casas, os terreiros, as pescarias e as rodas de conversa, fortalecendo ainda mais o imaginário popular em torno da Frieza.
Com o passar dos anos, tudo mudou. A estrada foi melhorando, novas vias surgiram, a iluminação chegou, os veículos substituíram boa parte das caminhadas e a cidade cresceu. O caminho que antes era envolto pelo silêncio hoje já não provoca o mesmo temor. As antigas histórias foram cedendo espaço ao cotidiano moderno, e a Frieza deixou de ocupar o lugar de mistério que possuía no imaginário dos moradores.
Mesmo assim, basta reunir os mais antigos para que as lembranças reapareçam. Eles sorriem, contam casos, discordam dos detalhes, aumentam um pouco a narrativa, como toda boa história do interior, mas todos concordam em uma coisa: passar pela Frieza durante a noite exigia coragem.
Talvez as assombrações nunca tenham existido da forma como eram descritas. Talvez existissem apenas na imaginação alimentada pela escuridão, pelo silêncio e pelas histórias dos mais velhos. Mas o medo era absolutamente real. E esse medo faz parte da memória coletiva de Peri-Mirim.
Hoje, o Caminho da Frieza é apenas uma estrada. Ontem, porém, foi um dos lugares mais temidos da cidade. E enquanto houver alguém para contar essas histórias, a Frieza continuará viva, não como um lugar de fantasmas, mas como um capítulo inesquecível da tradição oral e da memória do povo perimiriense.

A Baixinha: o ponto de encontro de uma geração


Antes da chegada dos celulares, da internet e das redes sociais, os encontros aconteciam de verdade. Não existiam mensagens instantâneas, chamadas de vídeo ou grupos de conversa. Quem quisesse encontrar os amigos precisava sair de casa. Quem quisesse conquistar alguém precisava criar coragem para olhar nos olhos, iniciar uma conversa e esperar o momento certo para declarar seus sentimentos.
Foi nesse contexto que surgiu, para a juventude de Peri-Mirim, um lugar especial conhecido como A Baixinha.
Localizada na parte inferior do salão paroquial da Igreja Católica, a Baixinha era um espaço simples e discretamente iluminado, mas que se transformou em um dos maiores pontos de encontro da cidade durante as décadas passadas. Após as missas, novenas, festejos e eventos religiosos, era quase certo que dezenas de jovens descessem para aquele espaço, prolongando a noite em conversas, risadas e encontros que, muitas vezes, mudariam suas vidas.
Na ausência da tecnologia, a convivência era o principal entretenimento. As amizades eram fortalecidas pessoalmente, os grupos se reuniam para conversar durante horas e os romances nasciam de forma espontânea. Bastava um sorriso, um olhar discreto, uma caminhada ao lado de alguém ou uma conversa interrompida pela timidez para que começasse uma história de amor.
A Baixinha tornou-se um verdadeiro cenário da juventude perimiriense. Era ali que muitos aguardavam a chegada da pessoa de quem gostavam. Havia quem passasse a noite inteira apenas esperando a oportunidade de trocar algumas palavras ou caminhar alguns metros ao lado do grande amor. Outros preferiam permanecer entre os amigos, contando histórias, fazendo brincadeiras e planejando os próximos encontros.
As luzes fracas, o movimento constante de jovens e o clima de descontração davam ao lugar uma atmosfera única. Para muitos, aquele era o espaço onde se vivia a liberdade própria da juventude, sempre com respeito e convivência comunitária. A Baixinha não era apenas um ponto de encontro; era um espaço de socialização, onde laços de amizade eram fortalecidos e onde muitos casais iniciaram relacionamentos que, anos mais tarde, se transformariam em famílias.
Em uma época em que Peri-Mirim tinha poucas opções de lazer, a Baixinha cumpria um papel importante na vida social da cidade. Não era necessário pagar ingresso, nem havia grandes estruturas. Bastavam a presença dos amigos, a vontade de conversar e o desejo de aproveitar a noite. Era um tempo em que o lazer era construído pelas pessoas e não pela tecnologia.
Com a chegada dos celulares, da internet e das redes sociais, a forma de se relacionar mudou profundamente. Os encontros passaram a ser marcados por aplicativos, as conversas migraram para as telas e muitos dos espaços tradicionais de convivência perderam parte de sua importância. No entanto, para aqueles que viveram sua juventude nas décadas anteriores, a Baixinha permanece como um símbolo de uma geração que aprendeu a cultivar amizades e amores no contato direto, na conversa sincera e na presença física.
Mais do que um espaço localizado sob o salão paroquial, a Baixinha foi um capítulo importante da memória afetiva de Peri-Mirim. Ali nasceram amizades duradouras, romances inesquecíveis, histórias engraçadas e lembranças que atravessaram o tempo. Para muitos perimirienses, recordar a Baixinha é recordar uma época em que a felicidade cabia em uma boa conversa, um encontro inesperado e um simples olhar trocado sob a luz discreta das noites da cidade.
Hoje, ao olhar para trás, percebe-se que a Baixinha representou muito mais do que um local de encontro. Ela simbolizou uma geração que viveu intensamente o convívio humano, quando as melhores conexões não dependiam de sinal de internet, mas da presença, da amizade e da alegria de estar junto. Mesmo assim, um velho pé de amendoeira continua reinando naquela rua. Silencioso e resistente, permanece como testemunha de um tempo que não volta mais. Suas raízes guardam as lembranças das conversas intermináveis, dos risos da juventude, das serenatas improvisadas, dos primeiros namoros e das noites em que a Baixinha era o coração pulsante da convivência entre os jovens perimirienses.
Quem passa por ali talvez veja apenas uma árvore e uma rua iluminada. Mas quem viveu aquela época enxerga muito mais. Vê amigos que já partiram, reencontra o primeiro amor na memória, ouve novamente o barulho das conversas e sente a alegria de uma geração que aprendeu a construir amizades sem depender de uma tela.
A amendoeira permanece firme, desafiando o tempo, como um monumento vivo da memória de Peri-Mirim. Ela parece recordar, a cada estação, que houve um tempo em que a maior riqueza da juventude era estar presente. Um tempo em que as melhores conexões eram feitas de abraços, risadas, olhares e encontros. E, enquanto essa árvore continuar de pé, a Baixinha continuará existindo, não apenas como um lugar, mas como uma lembrança eterna no coração de todos que viveram aqueles anos inesquecíveis.

RELATÓRIO HISTÓRICO DO CONJUNTO MUSICAL: OS PANTAS

A história do conjunto musical Os Pantas confunde-se com a própria história da cultura popular de Peri-Mirim e de grande parte da Baixada Maranhense. Durante mais de quatro décadas, o grupo levou música, alegria e animação às comunidades rurais e urbanas da região, tornando-se uma das mais importantes referências da música popular no interior maranhense. Em uma época em que ainda não existiam equipamentos eletrônicos de sonorização, radiolas ou grandes estruturas de entretenimento, eram os conjuntos musicais que garantiam a animação das festas populares, desempenhando papel fundamental na preservação das tradições culturais e no fortalecimento da convivência comunitária.
A origem do grupo remonta aproximadamente ao ano de 1962, no município de Peri-Mirim, quando o senhor **Boa Ventura Leite**, carinhosamente conhecido como Panta, começou a reunir amigos para tocar músicas durante encontros e pequenas festividades. Homem simples, alegre e apaixonado pela música, Panta confeccionava sua própria flauta de bambu, instrumento que dominava com habilidade, mesmo sem possuir formação musical ou conhecimento técnico sobre leitura de partituras. Seu talento era resultado da sensibilidade, da prática e do ouvido apurado, características muito comuns entre os músicos populares da época.
Com espírito agregador, Panta incentivava constantemente seus amigos a formarem um conjunto musical que pudesse animar as festas da região. Esse sonho começou a ganhar forma quando os irmãos Gregório e Albertino retornaram para Peri-Mirim após passarem uma temporada em São Luís. Durante o período em que viveram na capital maranhense, trabalharam em padarias e aproveitaram a oportunidade para aprender música e aperfeiçoar o domínio de instrumentos de sopro.
Albertino destacou-se como excelente executante de pistão, enquanto Gregório tornou-se reconhecido pela habilidade no saxofone alto e no saxofone tenor. A experiência adquirida por ambos foi essencial para elevar o nível musical do grupo, permitindo a execução de repertórios mais elaborados e de grande aceitação popular.
À medida que o conjunto conquistava reconhecimento, novos músicos passaram a integrar sua formação. Entre eles estavam Brígido, responsável pelo banjo; Mariano, que tocava a tradicional cabaça; e **Januário**, encarregado do pandeiro, instrumento indispensável para marcar o ritmo das apresentações. Com a evolução do grupo, Panta deixou a flauta de bambu e passou a tocar clarinete, enriquecendo ainda mais a sonoridade da banda.
Restava apenas preencher uma função considerada essencial na época: a bateria. Diferentemente das bandas atuais, nas quais o teclado desempenha grande parte da base harmônica, os conjuntos musicais daquele período dependiam da bateria para manter o ritmo e dar sustentação às apresentações. Foi então que surgiu Ademar, irmão mais novo de Albertino e Gregório. Com apenas quatorze anos de idade, ele assumiu a bateria e rapidamente demonstrou talento, tornando-se um dos pilares do conjunto durante décadas.
Com sua formação consolidada, Os Pantas passaram a percorrer intensamente toda a Baixada Maranhense. Em pouco tempo, tornaram-se presença obrigatória nas principais festas de Peri-Mirim, Bequimão, Alcântara e de diversos outros municípios da região. O grupo animava bailes, aniversários, casamentos, festas religiosas, festejos juninos, comemorações comunitárias e eventos políticos, sendo frequentemente contratado por lideranças locais e organizadores de grandes celebrações.
Naquele período, a música ao vivo representava o principal entretenimento das comunidades interioranas. As festas eram verdadeiros encontros sociais, reunindo famílias inteiras para celebrar, dançar e fortalecer os laços de amizade. Nesse contexto, a presença dos Pantas era sinônimo de animação garantida. O público aguardava com entusiasmo o início das apresentações, embaladas principalmente pelos sons marcantes dos instrumentos de sopro, característica que se tornou a principal identidade musical do conjunto.
O repertório era composto predominantemente por baiões, xotes, arrasta-pés, sambas, boleros e outros ritmos populares brasileiros que dominavam os salões de dança nas décadas de 1960, 1970 e 1980. As apresentações frequentemente atravessavam a madrugada, reunindo dezenas e, por vezes, centenas de pessoas que dançavam até o amanhecer. Em uma época anterior à popularização das radiolas, os conjuntos musicais eram os grandes responsáveis pela animação dos eventos, e os Pantas ocupavam posição de destaque nesse cenário.
Entre as inúmeras participações do grupo, merece destaque sua atuação durante o tradicional Festejo do Divino Espírito Santo, no município de Alcântara. Durante dezessete anos consecutivos, os Pantas participaram das festividades religiosas, acompanhando solenidades como o levantamento do mastro, procissões e celebrações populares. A presença constante nesse importante evento religioso demonstra o prestígio conquistado pelo conjunto e sua contribuição para a preservação das manifestações culturais do Maranhão.
Além das festas religiosas, os músicos também abrilhantavam os tradicionais festejos juninos promovidos em Peri-Mirim, incluindo as quadrilhas organizadas por Galanchinho, que marcaram época no município. O conjunto também participou de inúmeros eventos políticos, animando comícios realizados pelo ex-prefeito Doutor Vilásio, prática bastante comum naquele período, quando a música desempenhava papel importante na mobilização popular.
A influência dos Pantas ultrapassou os limites de Peri-Mirim. O grupo teve participação decisiva na formação de um conjunto musical em Bequimão, compartilhando conhecimentos, incentivando novos músicos e contribuindo diretamente para o fortalecimento da cultura musical na região. Entre os pioneiros desse novo grupo destacavam-se Antônio “Sapo Boi”, no pistão; Joca “Mucura”, no saxofone; Oton, no saxofone tenor; e Lucas, no banjo. O apoio recebido dos Pantas permitiu que esses músicos desenvolvessem seu próprio trabalho artístico e ampliassem a tradição dos conjuntos musicais na Baixada Maranhense.
Com o passar dos anos, profundas transformações ocorreram no cenário musical regional. A partir das décadas de 1980 e 1990, começaram a surgir as primeiras radiolas de grande porte, inicialmente dedicadas à música brega, estilo que conquistou enorme popularidade no Maranhão. Artistas como Evaldo Braga tornaram-se referências desse período, enquanto empresários como Nestárbulo, Carne Seca e Luís Anízio introduziram modernos equipamentos de som e iluminação na região. As festas passaram a contar com luzes negras, grandes caixas acústicas e repertórios gravados, alterando significativamente os hábitos culturais da população.
Esse processo provocou uma redução gradual do espaço ocupado pelos conjuntos musicais tradicionais, que passaram a enfrentar dificuldades para competir com as novas tecnologias de entretenimento. Mesmo diante desse cenário, os Pantas permaneceram ativos durante vários anos, mantendo viva a tradição da música ao vivo e resistindo às mudanças impostas pelo mercado.
No ano de 1999, Ademar decidiu deixar o grupo para dedicar-se integralmente à sua missão religiosa. Sua saída representou uma perda significativa para o conjunto, que permaneceu em atividade por mais alguns anos, até encerrar definitivamente sua trajetória em 2003, concluindo um ciclo de mais de quarenta anos dedicados à cultura popular maranhense.
Durante toda sua existência, os integrantes dos Pantas enfrentaram longas jornadas de viagem para cumprir seus compromissos musicais. Era comum permanecerem até quinze dias percorrendo povoados da Baixada Maranhense, utilizando os meios de transporte disponíveis à época para levar música às comunidades mais distantes. Essas viagens fortaleceram amizades, aproximaram culturas e consolidaram o grupo como patrimônio afetivo de diversas gerações.
Entre os grandes admiradores do conjunto destacou-se Alcides Sodré, reconhecido incentivador da cultura local. Admirador declarado dos Pantas, realizou importantes gestos de reconhecimento ao trabalho do grupo, incluindo a doação de instrumentos musicais novos para todos os integrantes e a promoção de encontros de confraternização e homenagens aos músicos. Essas iniciativas demonstram o respeito e o carinho conquistados pelo conjunto junto à comunidade.
O legado deixado pelos Pantas ultrapassa o aspecto musical. O grupo contribuiu para preservar tradições, fortalecer a identidade cultural da Baixada Maranhense, incentivar novos músicos e promover momentos inesquecíveis de lazer e convivência social. Em uma época marcada pela simplicidade das relações comunitárias, suas apresentações representavam verdadeiros acontecimentos culturais, reunindo famílias inteiras em torno da música, da dança e da celebração da vida.
Ainda hoje, a história dos Pantas permanece viva na memória dos moradores de Peri-Mirim e dos municípios vizinhos. Suas músicas, suas apresentações e a alegria transmitida por seus integrantes continuam sendo lembradas com carinho por aqueles que tiveram o privilégio de vivenciar uma época em que os salões eram embalados pelo som dos instrumentos de sopro, do banjo, da bateria e da cabaça. Mais do que um conjunto musical, os Pantas constituem um importante patrimônio da memória cultural da Baixada Maranhense, cuja trajetória merece ser preservada e transmitida às futuras gerações como exemplo da riqueza artística e das tradições populares do Maranhão.

RELATÓRIO HISTÓRICO DA ATUAL CAPOEIRA EM PERI-MIRIM-MA

A Atual Capoeira foi fundada em setembro de 2009 no município de Peri-Mirim, Maranhão, com o propósito de utilizar a capoeira como instrumento de transformação social, valorização da cultura afro-brasileira e promoção da cidadania. Desde o início de suas atividades, o grupo assumiu o compromisso de oferecer à comunidade um espaço de formação humana, esportiva e cultural, onde crianças, adolescentes, jovens e adultos pudessem desenvolver habilidades físicas, intelectuais e sociais por meio da prática da capoeira.
Ao longo de mais de quinze anos de atuação, a Atual Capoeira consolidou-se como uma das mais importantes iniciativas comunitárias do município. Sua história é marcada pela dedicação, pelo trabalho voluntário e pelo compromisso permanente com a inclusão social, atendendo, em média, cerca de sessenta participantes por período de atividades, número que, ao longo dos anos, representa centenas de pessoas beneficiadas direta e indiretamente. Além dos praticantes, o trabalho desenvolvido também alcançou familiares e a comunidade em geral, fortalecendo valores como respeito, solidariedade, responsabilidade, disciplina e convivência coletiva.
Desde sua fundação, a entidade compreendeu que a capoeira vai muito além de uma prática esportiva. Trata-se de uma manifestação cultural genuinamente brasileira, construída a partir da resistência dos povos africanos escravizados e transformada, ao longo da história, em símbolo de identidade, liberdade e preservação das tradições afro-brasileiras. Nesse sentido, cada roda de capoeira, cada toque de berimbau, cada canto e cada movimento realizados pela Atual Capoeira representaram um importante instrumento de preservação da memória, da cultura e da história do povo brasileiro.
Com o objetivo de ampliar o acesso à prática da capoeira, o grupo não restringiu suas atividades apenas à sede do município. Ao contrário, levou seu trabalho para diversas comunidades da zona rural, entre elas Igarapé Açu, Baianos, Meão, Capoeira Grande, Pedrinhas e Três Marias. Essa descentralização permitiu que crianças e jovens dessas localidades tivessem acesso gratuito a atividades culturais e esportivas que, muitas vezes, não estariam disponíveis em suas comunidades. A presença da Atual Capoeira nessas localidades fortaleceu os vínculos comunitários, incentivou a participação das famílias e aproximou diferentes gerações por meio da cultura popular.
Durante sua trajetória, a Atual Capoeira sempre buscou desenvolver ações pautadas na inclusão e na igualdade de oportunidades. Em suas atividades, nunca houve distinção de gênero, condição social, religião ou origem. Todos os participantes encontraram um ambiente acolhedor, onde aprenderam não apenas técnicas da capoeira, mas também importantes lições sobre ética, respeito ao próximo, trabalho em equipe, autocontrole, perseverança e valorização da diversidade cultural.
Um dos momentos mais significativos da história do grupo foi sua participação no Projeto Berimbau Cidadão, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social. A iniciativa fortaleceu o papel social da capoeira como ferramenta educativa, proporcionando atividades voltadas principalmente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O projeto integrou esporte, cultura, educação e assistência social, demonstrando que a capoeira é capaz de contribuir efetivamente para a formação cidadã, para o fortalecimento dos vínculos familiares e para a construção de perspectivas de vida mais positivas para seus participantes.
A atuação da Atual Capoeira também se destacou pela realização e participação em inúmeros eventos culturais, festivais, encontros, rodas de capoeira, batizados, trocas de graduação e competições esportivas. Em cada um desses momentos, o grupo representou o município de Peri-Mirim com dedicação e competência, conquistando diversas premiações, incluindo primeiros, segundos e terceiros lugares em diferentes categorias. Essas conquistas refletiram não apenas a qualidade técnica dos atletas, mas também o compromisso da entidade com a disciplina, o treinamento e a formação contínua de seus integrantes.
Além de participar de eventos promovidos por outras instituições, a Atual Capoeira assumiu um papel protagonista na organização de campeonatos municipais, encontros intermunicipais e festivais culturais. Essas iniciativas reuniram grupos de diferentes cidades, proporcionando intercâmbio técnico, fortalecimento das amizades entre capoeiristas e valorização da cultura popular. Os eventos organizados pelo grupo também movimentaram a comunidade local, incentivando a participação das famílias, o turismo cultural e a integração entre municípios da Baixada Maranhense e de outras regiões do estado.
Outro aspecto relevante da história da Atual Capoeira foi sua capacidade de estabelecer intercâmbios com grupos de diversas regiões do Brasil. Ao longo dos anos, mestres, professores, contramestres e capoeiristas convidados participaram de eventos realizados em Peri-Mirim, compartilhando conhecimentos, experiências e diferentes estilos de capoeira. Em algumas ocasiões, o município também recebeu visitantes de outros países, proporcionando uma rica troca cultural e demonstrando que a capoeira ultrapassa fronteiras, sendo reconhecida mundialmente como patrimônio cultural da humanidade.
As atividades desenvolvidas pela Atual Capoeira contribuíram significativamente para o fortalecimento da autoestima de crianças e jovens, oferecendo oportunidades de crescimento pessoal e coletivo. Muitos participantes encontraram na capoeira um ambiente de acolhimento, amizade e incentivo aos estudos, afastando-se de situações de risco social e construindo projetos de vida pautados na educação, no respeito e na convivência pacífica. A disciplina exigida pela prática da capoeira refletiu positivamente no comportamento dos alunos, influenciando sua relação com a família, com a escola e com a comunidade.
Ao longo de sua história, o grupo também colaborou com escolas, órgãos públicos e instituições sociais, participando de apresentações em datas comemorativas, projetos educativos, campanhas de conscientização e eventos cívicos e culturais. Essas participações fortaleceram o reconhecimento da capoeira como importante ferramenta pedagógica e reafirmaram seu papel na formação integral dos cidadãos.
Todo esse trabalho foi conduzido sob a liderança do Professor José Ribamar, conhecido em toda a comunidade como Professor Caveira. Com dedicação, compromisso e espírito voluntário, ele construiu uma trajetória marcada pela perseverança e pelo amor à capoeira. Seu trabalho ultrapassou o ensino da técnica, formando cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, incentivando o respeito à cultura afro-brasileira e promovendo oportunidades para centenas de jovens que encontraram na capoeira um caminho de desenvolvimento pessoal e social.
A liderança exercida pelo Professor Caveira foi decisiva para consolidar a Atual Capoeira como referência cultural e esportiva no município de Peri-Mirim. Sua capacidade de mobilizar pessoas, organizar eventos, formar novos praticantes e estabelecer parcerias permitiu que o grupo permanecesse ativo durante todos esses anos, mesmo diante de desafios financeiros e estruturais. Sua atuação voluntária tornou-se exemplo de compromisso comunitário e de dedicação à juventude.
Após mais de quinze anos de atividades ininterruptas, a Atual Capoeira tornou-se parte da história de Peri-Mirim. Sua contribuição ultrapassa os limites da prática esportiva, alcançando dimensões culturais, educacionais e sociais que beneficiaram diretamente centenas de pessoas. O grupo ajudou a preservar tradições, promoveu a inclusão social, fortaleceu a identidade cultural do município e demonstrou que a capoeira é uma poderosa ferramenta de educação, cidadania e transformação social.
O legado construído pela Atual Capoeira permanece vivo nas comunidades onde atuou, na formação dos inúmeros alunos que passaram pelo grupo e no reconhecimento conquistado ao longo de sua trajetória. Sua história representa um patrimônio imaterial de grande relevância para o município de Peri-Mirim, evidenciando a importância da continuidade e do fortalecimento de iniciativas que unem cultura, esporte, educação e compromisso social em benefício das presentes e futuras gerações.

ALCAP realizará Encontro Acadêmico e Cultural com homenagens, premiações, lançamentos de livros e posse de novos acadêmicos

Evento acontecerá entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026 e reunirá importantes ações voltadas à valorização da cultura e da memória de Peri-Mirim.

Entre os dias 28 e 30 de agosto, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) realizará o Encontro Acadêmico e Cultural da ALCAP, uma programação que reunirá homenagens, premiações, lançamentos de livros e solenidades acadêmicas em celebração à história, à cultura e à memória de Peri-Mirim.

O evento acontecerá no Auditório do Sindicato dos Pescadores, no bairro Portinho, reunindo acadêmicos, escritores, estudantes, autoridades e convidados em três dias dedicados à valorização da produção cultural do município.

A abertura, na sexta-feira (28), às 16h, será marcada pela homenagem à patrona da Academia, Naisa Amorim, seguida da premiação da 3ª edição do Concurso Artístico e Literário – Prêmio ALCAP Naisa Amorim e do lançamento da Coletânea Comemorativa, obra que reúne poesias, crônicas e desenhos produzidos por estudantes participantes das três edições do prêmio.

O público também poderá visitar a Exposição de Desenhos de Alice Santos, artista perimiriense, e a Exposição de Bonecos da Companhia Beto Bittencourt, atrações que integram a programação cultural do encontro e ampliam o espaço dedicado às artes visuais.

No sábado (29), às 15h, a programação será dedicada ao lançamento de duas obras de escritores perimirienses e membros fundadores da ALCAP.

O acadêmico Francisco Viegas Paz apresentará o livro “Memórias de uma Trajetória”, obra de caráter memorialístico que reúne experiências, vivências e reflexões construídas ao longo de sua trajetória.

Na mesma ocasião, o acadêmico Diego Nunes Boaes lançará “Festejo de São Sebastião: Tradição e Identidade de Peri-Mirim – MA”, obra que documenta e valoriza uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais do município. A publicação contou com o apoio da Ação de Graças na Jurema, iniciativa que contribuiu para a concretização do projeto editorial.

Ainda no sábado, às 19h, será realizada a sessão solene de outorga da Comenda Padre Gérard Gagnon, homenagem destinada a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do município, seguida da posse dos Membros Honorários da Academia.

Encerrando o encontro, no domingo (30), às 18h, acontecerá a solenidade de posse dos novos Membros Efetivos da ALCAP, que passarão a ocupar cadeiras da Academia, assumindo o compromisso de preservar a memória de seus patronos e contribuir para a vida acadêmica da instituição.

Durante três dias, Peri-Mirim será palco de uma programação que reúne literatura, arte, história e memória, celebrando pessoas, obras e iniciativas que ajudam a preservar a identidade cultural do município.

ALCAP – História e Memória desde 2018.

DOUGLAS AIRTON FERREIRA AMORIM

Douglas Airton Ferreira Amorim nasceu em Peri-Mirim-MA, no dia 10 de dezembro de 1948. Filho de Antônio Lopes Amorim (Totó) e de Naisa Ferreira Amorim, casado com Sílvia Leide Amorim.

Estudou as primeiras letras na Escola Carneiro de Freitas em Peri-Mirim, depois mudou-se para São Luís em 1961, aos 13 anos, para estudar no Liceu Maranhense, após aprovação em uma concorrida seleção. Em 1969 mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Cursou Direito na Universidade Federal Fluminense.

Possui os seguintes filhos: Ayrton Douglas Delamare Amorim, Daniel Damasceno Amorim Douglas, Deborah Douglas Damasceno Amorim  e Eloah Naysa Ferreira Amorim.

Douglas logrou aprovação no concurso público para Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA) ocorreu em 1986.

Tomou posse como juiz em 12 de janeiro de 1987 e citou, dentre as comarcas do interior pelas quais passou, as de Tutóia, Rosário, várias que respondeu pelo juiz da comarca e, por último, a de Itapecuru Mirim, antes de chegar a São Luís.

O desembargador Douglas Airton Ferreira Amorim cresceu em um ambiente marcado pelos valores da educação, do trabalho e do compromisso com a sociedade. Ainda jovem, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde deu continuidade aos estudos e iniciou sua formação jurídica.

Graduou-se em Direito, cursando a Universidade Gama Filho e Universidade Federal Fluminense (UFF), consolidando uma sólida base acadêmica que serviria de alicerce para sua futura carreira na magistratura.

Ingressou na magistratura maranhense em 12 de janeiro de 1987, iniciando uma trajetória pautada pela dedicação ao Poder Judiciário e pela prestação jurisdicional célere e equilibrada. Ao longo de mais de três décadas como juiz de direito, exerceu suas funções em diversas comarcas do Maranhão, entre elas Tutóia, Rosário e Itapecuru-Mirim, respondendo ainda por outras unidades judiciais do interior do Estado. Em 14 de setembro de 2001, assumiu a titularidade da 3ª Vara Cível da Comarca da Ilha de São Luís, onde permaneceu por cerca de vinte anos.

Reconhecido pela experiência acumulada, pelo compromisso com a eficiência da Justiça e pelo cumprimento das metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça, foi promovido, pelo critério de antiguidade, ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, tomando posse em 10 de novembro de 2021. Na ocasião, assumiu a missão de continuar contribuindo para o fortalecimento do Judiciário maranhense, levando à segunda instância a mesma dedicação demonstrada durante toda a sua carreira como magistrado.

Como integrante da Corte do Tribunal de Justiça do Maranhão, passou a atuar no julgamento de recursos e processos de grande relevância, colaborando para a uniformização da jurisprudência e para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional no Estado. Sua atuação sempre foi marcada pela discrição, serenidade e profundo respeito aos princípios da legalidade, da imparcialidade e da Justiça.

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Poder Judiciário, recebeu importantes homenagens institucionais, entre elas a Medalha dos Bons Serviços Bento Moreira Lima, concedida pelos mais de trinta anos dedicados à magistratura, e a Medalha Especial do Mérito Cândido Mendes, a mais alta comenda do Tribunal de Justiça do Maranhão, conferida aos desembargadores da Corte.

Ao longo de sua vida pública, Douglas Airton Ferreira Amorim construiu uma carreira pautada pela ética, pelo equilíbrio e pelo compromisso com a efetividade da Justiça, tornando-se referência para magistrados, servidores e operadores do Direito. Sua trajetória representa uma história de dedicação ao serviço público e de relevantes contribuições ao fortalecimento do Poder Judiciário maranhense.

 

Domingos Martins Nunes, Duro: Uma Vida de Trabalho, Família e Paixão pelo Esporte

Nas margens das lembranças mais bonitas de Canaranas, vive a história de um homem simples, trabalhador e profundamente ligado à sua terra e à sua gente. Domingos Martins Nunes, carinhosamente conhecido por todos como Duro, nasceu no povoado Enseada Santo Antônio, atual Canaranas, município de Peri Mirim, em 20 de junho de 1952. Filho de José Evaristo Amorim Nunes e Antônia Paula Martins Nunes, cresceu cercado pelos ensinamentos da família, pela força do trabalho e pelos valores que carregaria por toda a vida. Ao lado dos irmãos Raimundo Martins Nunes, o querido Sipreto, Ana Luíza Nunes Martins e Raimundo Gabriel Amorim, viveu uma infância marcada pela simplicidade e pelas experiências que moldaram seu caráter. Frequentou a escola até a 3ª série do ensino fundamental, tendo como professora Nazaré Serra Maia. Contudo, a necessidade e o compromisso com a família falaram mais alto. Ainda muito jovem, deixou os estudos para ajudar os pais na lavoura, dedicando seus dias ao cultivo da mandioca, do milho, do feijão e do arroz.
Uma das maiores alegrias daqueles tempos eram as viagens para o Tremedal, terra de sua avó paterna, Maria Amorim Nunes. Ali, entre roçados e encontros familiares, fortaleciam-se os laços com a família Gomes, os conhecidos “Tebas”. Foram anos de convivência, amizade e união que permanecem vivos na memória de todos que compartilharam aqueles momentos.
O destino lhe reservou também a felicidade de construir sua própria família. Em 10 de janeiro de 1973, uniu sua vida à de Maria Vitória Pereira Nunes. Dessa união nasceram seis filhos: Rosângela, Dourinelson, Dulcilene, Amilton, Dourilene e Deleone. Com o passar dos anos, a família cresceu e se multiplicou, transformando-se em um verdadeiro legado de amor que hoje inclui 15 netos e 12 bisnetos.
Mas Domingos não era apenas homem da terra. Herdou de seu pai, Zé Grande e de seu avô Cacáte, a habilidade de confeccionar tarrafas e socós. Aprendeu também a consertar bolas, chuteiras e calçados, uma necessidade que surgiu da paixão pelo futebol e das dificuldades encontradas nos campos da época. Foi então que guardou para sempre uma frase de seu pai, que se transformaria em uma lição para toda a vida:
“De tudo temos que aprender, porque não sabemos o que o futuro nos espera.”
Essa sabedoria o acompanhou em cada etapa de sua trajetória.
O apelido que o tornaria conhecido por toda a região surgiu ainda nos tempos de jogador. Sua tia e madrinha, Tereza Martins Melo, torcedora apaixonada, vibrava nas partidas e dizia orgulhosa que seu sobrinho era duro na queda. O apelido ficou. E o nome Domingos passou a dividir espaço com o carinhoso e respeitado Duro.
Aos 19 anos, iniciou sua caminhada no futebol. Rapidamente se destacou pela habilidade, determinação e espírito competitivo. Quando fala dessa época, os olhos se enchem de lágrimas e saudade. Foram anos de conquistas, amizades e histórias inesquecíveis. Duro não foi apenas jogador; foi um dos grandes nomes do futebol amador da região.
Seu amor pelo esporte o levou a fundar, em 1976, o Vasco Esporte Clube dos Canaranas, ao lado de seu cunhado Valeriano Pereira, o Valico, e de Juarez Diniz. O time se tornou um orgulho para a comunidade. Jogadores de localidades vizinhas, como São Bento e Palmeirândia, enfrentavam longas viagens de canoa para participar das partidas. Cada jogo era uma festa, um acontecimento aguardado por todos. O time era composto por: Totó, Luís Carlos, Beto, João Carlos, Pindura, Boi de São Bento, Roque de Palmeirandia, Sipreto, Velho, Antônio Suca, Antônio Rosa, Ferrolho de São Bento, Santana de Zé Preto, Baró, Zé de Idália, Amaral de São Bento, Piquita de Bola, Gilmar de Palmeirandia, Antônio Neto e Nhogo.
A casa de Duro tornou-se ponto de encontro dos atletas, torcedores e amigos. Era um lugar sempre cheio de vida, de conversas animadas e de histórias que atravessaram gerações. Ao recordar aqueles dias, ele sorri emocionado, como quem revive os melhores capítulos da própria vida.
Em 1978, juntamente com seu irmão Sipreto, decidiu mudar o nome do time para Serraria Esporte Clube, em homenagem à serraria administrada pelo irmão, que naquela época representava prosperidade e desenvolvimento para a família.
Ao longo dos anos, também vestiu as camisas do Portinho e do Centrinho, participando de importantes torneios em Bequimão. Como atacante, conquistou respeito e admiração por onde passou. Os torcedores vibravam com suas jogadas, e seu nome ficou marcado entre os melhores atletas daquela geração. Foi no convívio com o tradicional Flamengo Esporte Clube do Portinho que nasceu outra paixão que o acompanharia por toda a vida. Embora tivesse fundado o Vasco Esporte Clube dos Canaranas, Duro criou uma forte ligação afetiva com o Flamengo. A convivência com os jogadores, as partidas memoráveis e a energia contagiante da torcida fizeram com que o clube rubro-negro conquistasse seu coração. Desde então, tornou-se um torcedor fervoroso do Flamengo, acompanhando o time com o mesmo entusiasmo que demonstrava nos campos de futebol, carregando essa paixão como parte inseparável de sua história. Um dos episódios que mais o emocionam aconteceu quando seu tio José Pereira Martins, o famoso Zé Coreiro, veio buscá-lo para servir ao Exército. Duro estava pronto para partir, cheio de esperança e entusiasmo. Mas sua mãe, movida pelo amor e pelo receio da distância, não permitiu. Já sentia a ausência do filho Sipreto, envolvido na missão católica em Guimarães, e não suportaria ver outro filho partir. Apesar da insistência do tio, prevaleceu a vontade materna. O sonho militar ficou para trás, mas a lembrança daquele momento permanece viva em sua memória.
Sua dedicação à comunidade também o levou à política. Foi candidato a vereador durante o segundo mandato de De Jesus, de quem era homem de confiança, assim como de Carmem Martins, casal este que ele sempre teve admiração e respeito. Embora nunca tenha conquistado um cargo eletivo, jamais deixou de servir à população. Continuou ajudando amigos, familiares e vizinhos, participando de ações comunitárias e incentivando o esporte local.
Em 1987, acompanhado da esposa e dos filhos, mudou-se para o centro da cidade. Era o início de uma nova fase, mas sem jamais abandonar suas raízes, suas amizades e o amor pela terra onde construiu sua história.
A trajetória de Domingos Martins Nunes é a história de um homem que venceu pela simplicidade, pela honestidade e pelo trabalho. Um homem que plantou na terra, ensinou pelo exemplo, construiu amizades verdadeiras, formou uma grande família e ajudou a escrever importantes páginas da história de Canaranas.
Mais do que um jogador, um líder comunitário ou um pai de família, Duro tornou-se um símbolo de perseverança e dedicação. Sua história permanece viva não apenas nas lembranças daqueles que caminharam ao seu lado, mas também nas gerações que vieram depois e que continuam colhendo os frutos de seu legado.
E assim, entre os campos de futebol, os roçados, as canoas, as amizades e os laços familiares, segue a memória de Domingos Martins Nunes: um homem simples, mas dono de uma vida extraordinária.

NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DE CARLOS PEREIRA OLIVEIRA, O CARLOS PIQUE

Os membros da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Casa de Naisa Amorim, manifestam, com profundo pesar, o falecimento do acadêmico Carlos Pereira Oliveira, carinhosamente conhecido como Carlos Pique, ocupante da Cadeira nº 02, ocorrido no dia 23 de junho de 2026 em sua residência, em Peri-Mirim.

Carlos Pique foi um dos grandes guardiões da cultura popular perimiriense. Com sua simplicidade, sabedoria, memória viva e suas inesquecíveis toadas, dedicou sua vida à valorização das tradições, da identidade e da história de Peri-Mirim, deixando um legado imensurável que continuará inspirando as presentes e futuras gerações.

Sua trajetória foi marcada pelo amor à cultura, pelo compromisso com as manifestações populares e pelo respeito às raízes de nosso povo. Sua contribuição à Academia e à cultura maranhense permanecerá eternizada na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo e aprender com seus ensinamentos.

Neste momento de dor, a ALCAP solidariza-se com seus familiares e amigos, especialmente seus filhos, netos e toda a geração que o admirava, rogando a Deus que conceda conforto aos corações enlutados e receba sua alma em Sua infinita paz.

Carlos Pique parte para a eternidade, mas sua voz, sua história e seu exemplo permanecerão vivos no patrimônio cultural de Peri-Mirim.

ALCAP participa das comemorações do centenário de nascimento do Patrono Djalma dos Santos Frazão

No dia 27 de junho de 2026, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) participou da solenidade em comemoração ao Centenário de Nascimento do Patrono Djalma dos Santos Frazão, patrono da Academia Cururupuense de Letras.

Representando a ALCAP, estiveram presentes a presidente, Jessythannya Carvalho Santos, e os acadêmicos: Edna Jara dos Santos Abreu, e Diêgo Nunes Boaes.

O homenageado da noite destacou-se pelos inúmeros e relevantes serviços prestados à comunidade cururupuense nos mais diversos segmentos sociais. Sua notável trajetória intelectual, cultural e humana permanece como um legado de grande valor, servindo de inspiração para as presentes e futuras gerações.

A ACL – Academia Cururupuense de Letras, em seu segundo ano de fundação realiza uma grande homenagem ao patrono, reunindo familiares, amigos, representantes dos poderes executivo e legislativo do município, e também acadêmicos de outras a academias.

A participação da ALCAP reafirma seu compromisso com a valorização da cultura, da literatura e da preservação da memória daqueles que contribuíram significativamente para o desenvolvimento intelectual e social da região.