Extensão e processo de ocupação de Peri-Mirim

Extensão
O município tem 405,3 km² sendo o 184° do Estado em extensão o que corresponde a 0,12%. Em termos regionais, é o 48º na Mesorregião Norte Maranhense com 0,77% e o 17º na Microrregião Geográfica da Baixada Maranhense correspondendo a 2,30%.

Processo de Ocupação
Os criadores de gado dos municípios próximos, presumivelmente de Alcântara e São Bento, no sentido de desenvolverem a pecuária extensiva própria da época e da necessidade de encontrar pastos novos e férteis, penetraram pelo interior e ao encontrar os pastos almejados, ali construíram suas casas, dando ao povoado o nome de Macapá, que
embora tivesse em áreas dos municípios de Alcântara e São Bento, foi anexado ao segundo pela Lei Provincial de nº 1.385, de 17 de maio de 1886.

Pela Lei nº 850 de 31 de março de 1919, o distrito foi transformado em município e 45 dias depois foi procedida à eleição para prefeito municipal, embora o município tenha sido oficial e solenemente fundado em 15 de julho de 1919. Onze anos depois, o município foi extinto por meio do Decreto Lei Nº 75, de 22 de abril de 1931, sendo reincorporado ao município São Bento, na condição de distrito.

Finalmente, o Decreto Lei nº 857, de 19 de junho de 1935, devolveu a Macapá a condição de município e elevando à condição de vila em 19 de julho do mesmo ano, considerando-a, no entanto, cidade a partir de 29 de março de 1938. Com a reforma administrativa do Estado, pelo Decreto Lei Nº 820 de 30 de dezembro de 1943, o município mudou a toponímia de Macapá para Peri-Mirim.

A palavra peri-mirim na língua tupi-guarani significa junco fino, tipo de vegetação que predomina nos campos alagados do município.

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Fonte: Enciclopédia dos Municípios Maranhenses: microrregião geográfica da Baixada Maranhense / Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos. – São Luís: IMESC, 2013.

ANTÔNIA MARTINS NUNES

Nascida em 13 de junho de 1928 no povoado Juçaral do Munícipio de Peri-Mirim-MA, Antônia Martins Nunes, filha de Benedito Martins Nunes e Domingas Maria Martins. Tinha 09 irmãos: Margarida Martins Silva, João Martins, José Raimundo Martins, Teresa Martins Melo, Inácia Elzamar Martins, Damiana Martins Pinheiro, Eloisa Martins, Maria Teresa Pereira Castro e Antônio Luís Martins Pereira.

Antônia Martins Nunes, seus pais lhe colocaram esse nome porque nasceu no dia de Santo Antônio, a mesma nunca frequentou a escola, veio aprender a fazer o próprio nome, anos depois que o filho mais velho Raimundo Martins Nunes, a ensinou.  Abdicou da sua infância para ajudar sua mãe no sustento da família, trabalhava na lavoura, com coco babaçu, confecção de rede artesanal, na pesca e tantos outros.

Ficou órfão de pai ainda pequena, passou por muitas dificuldades, como filha mais velha, teve que arregaçar as mangas e ir à luta junto com sua mãe e seus irmãos  para poder sobreviverem. Todos cresceram, construíram famílias  e tomaram seus rumos.

Recorda que na sua infância sempre estava com sua mãe, nunca a deixava trabalhar sozinha, era sua companheira, iam para o mato juntar coco babaçu, tirar juçara, pescar, fazer roça, levantava bem cedinho, primeiro que todos, para ajudar nos afazeres domésticos.

Sua família tinha tradições a serem seguidas, faziam festa de Santo Antônio no povoado Canaranas e Nossa Senhora das Graças no povoado de São Lourenço, comemoravam os feriados de Santo Antônio e Santa Luzia na casa de seu sogro Torquato Nunes ou da sua Mãe Domingas Maria Martins. A religião foi parte importante em sua vida, católica praticante, batizada no povoado Canaranas, teve como padrinhos Lourenço, que era irmão da sua mãe Domingas e Maria que era uma amiga da família.

Recorda que dava conselhos para os irmãos que não gostavam de trabalhar como: socar o arroz para todos comerem, pescar, cortar juçara no juçaral, às vezes até brigavam para não ajudar, mas a sua mãe sempre interferia e todos ajudavam.

Apreciava os momentos que passava com o seu pai, principalmente quando ele vinha com o gado e gritava “lá vai eu”, abre a porteira…e ela corria para abrir a porteira morrendo de medo dos bois levá-la na frente ou pisá-la. Antônia era corajosa, amansava bois brabos, até mesmo dos fazendeiros vizinhos e quando caía dos animais, os irmãos sorriam e ela chorava, subia em pés de juçareira de todos os tamanhos, isso para ela era uma diversão especial! Conta que em meio às dificuldades, ela era feliz!

Tinha como maior desejo construir sua família e ter filhos… Conheceu seu marido em um baile de coureiro de caixa, duas colegas induziram-na a conversar com José Amorim Nunes (in memoriam), natural de Macapá, atual Peri-Mirim. Conversaram e se reencontraram dias depois em um outro tambor de caixa que aconteceu no povoado Juçaral, nesse momento firmaram o namoro e combinaram o dia para conversarem com a sua mãe Domingas, onde foi aceito e era de bom agrado da sua mãe tê-lo como genro. Ela namorou, noivou e casou-se com o mesmo.

O casamento foi em São Bento em 20/09/1947, na ocasião teve festa, bolo de tapioca com café, chocolate de fubá do coco babaçu, e a pinga para quem gostava. Teve forró de caixa a noite toda. União esta que tiveram três filhos legítimos: Raimundo Martins Nunes (Sipreto), Domingos Martins Nunes (Duro) e Ana Luíza Nunes Martins; e quatro adotivos: Manoel de Jesus Campos (Santiago), Raimundo Gabriel Amorim (Gabi), sua neta Rosangela Pereira Nunes e seu bisneto David Nunes Cunha.

Antônia Martins Nunes conviveu com seu cônjuge José Amorim Nunes por 55 anos. Seu esposo era um homem bom, um bom pai, fazia tudo o que podia por todos, amava todos, mas na hora do conselho tinha que ser escutado, quando um dos filhos fazia algo errado ou se intrometia em conversa de adultos, era só olhar de olhos tortos que já sabiam que mais tarde após a visita sair tinha o paredão dos conselhos.

A mesma lembra que junto com o marido saíam de madrugada para a roça no Tremedal, povoado de Peri-Mirim, umas 5 horas da manhã para chegarem mais cedo e voltavam de tardezinha quando o sol já estava se pondo. Iam montados em bois, eram tempos bons, assim afirma. Ali, enquanto uns trabalhavam na lavoura, outros iam pescar nos rios para comerem na roça. Relembra sua história de vida com sua família quando escutava a música “utopia” de Padre Zezinho.

No calar da noite sempre estava tirando fubá de coco para os porcos ou fazendo azeite da amêndoa do coco babaçu, enchendo grade de rede, tudo isto na luz de lamparina. Enquanto isso, seu esposo animava a criançada com suas lindas histórias de Camões, tia onça, tio lobo, macaco, reis, rainhas e tantos outros com valiosos ensinamentos que aprendeu com seus antepassados.

No povoado Canaranas deste município supracitado, foi construída sua primeira casa: de palha, porta de mensaba e chão batido; dormia em rede, depois obteve uma cama feita de jirau, colocado palha de bananeira e coberta com pano, tinha um par de mochos e alguns troncos de madeira que serviam para sentar, fogão a lenha, o armário era um caixote, um cofo bem feitinho da palha do tucum amarrado no teto da cozinha, servia como porta prato, porta colher e porta escova. Mesmo com as dificuldades que passavam eram felizes.  Naquele povoado, junto com o marido, edificou suas raízes, Antônia viu muitas crianças nascerem, era parteira praticante, sempre estava disposta em ajudar trazer vidas ao mundo, mesmo em povoados distantes ela ia a qualquer hora, enfrentando chuva ou sol.

Antônia, com o passar dos tempos, teve perdas de pessoas queridas da família, sua mãe Domingas, alguns irmãos e amigos. Mas, sua maior provação foi a perda do pai na infância, daí sentindo o desejo de lutar para viver junto da sua mãe e de seus irmãos menores.

Com a perda do seu cônjuge em 2002, Antônia continuou a residir até 2012 na mesma casa no povoado Canaranas, logo após mudou-se para o centro da cidade para a casa da sua filha Ana Luíza, onde viveu os seus últimos anos de vida.

Seu maior medo era perder seus filhos, de ficar longe dos mesmos, sonhava em estar com a família reunida novamente, sentia saudades de todos e dizia que é triste passar pela terra, viver bastante tempo e olhar seus entes queridos partindo e deixando saudade.

Deixa como maior legado suas experiências vividas, suas lutas e conquistas. Tem como aprendizado, que a cada dia precisamos reinventar o nosso sorriso, entender que tudo que acontece é para o nosso bem, até mesmo o “mal” nos torna fortes e que precisamos superar os obstáculos para que a esperança cresça e tenhamos mais fé. Faleceu no dia 31 de dezembro de 2021.

Biografia construída pela sua neta Antoniêta Márcia (Tatá).

Academia de Peri-Mirim inova no Amigo Secreto de Natal

Depois do sucesso da  I Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes que ocorreu durante a IV Ação de Graças na Jurema, promovida pela Família Santos, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) resolveu promover a troca de mudas de plantas durante a confraternização de Natal deste ano de 2021.

A brincadeira consiste na troca de mudas de plantas, ornamentais ou frutíferas, como presentes do Amigo Secreto entre confrades e amigos. Mais uma ação dentro Projeto Plantio Solidário “João de Deus Martins” mantido pela Academia.

Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes na Ação de Graças na Jurema

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense  (ALCAP) participou da IV Ação de Graças na Jurema, dia 20 de novembro de 2021, durante o evento promoveu, por meio do Projeto Plantio Solidário, a primeira Edição da Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes.

O objetivo da feira é preservar a biodiversidade, promover a educação ambiental e estimular a alimentação saudável e orgânica, que foi coordenada pro Jessythannya Santos. As mudas foram fornecidas pela UEMA, por meio do Prof. Dr. Gusmão Araújo e pela comunidade interessada na troca das mudas.

Além de mudas de hortaliças, legumes e vegetais, foram trocadas plantas ornamentais, como por exemplo, flores e cactos, bem como frutíferas e não-frutíferas, plantas medicinais, sementes e muito conhecimento. Contudo, por ser um evento gratuito e não possuir inscrição não foi registrada a quantidade de plantas disponíveis. Para participar, bastou levar uma muda e/ou sementes, para troca ou doação no local.

O evento deste ano não contou com a participação do engenheiro agrônomo ou outro especialista, Mas algumas orientações foram repassadas.

A feira, conforme relatou a coordenação, foi muito bem aceita pela comunidade, pois agregou conhecimentos sobre cultivo e ecologia, os quais foram compartilhados pelos participantes.

 

Vá, e entrega-te ao vício da embriaguez!

Por Ana Creusa

José dos Santos, meu pai, era um contador de histórias. Ele estudou apenas três meses. Depois desse período, a professora mandou comprar-lhe livro de 2º ano primário.

As aulas foram interrompidas e o menino ficou com seu livro, leu e releu, memorizou todas a lições, que depois contava a seus filhos. Memorizou todos os afluentes do Rio Amazonas, margem direita e esquerda; os números do Jogo do Bicho em verso e outras histórias memoráveis.

Uma história que me marcou muito e que me causava medo, mas que contém uma lição de vida que não pode passar despercebida, trata-se da história chamada “Vá, e entrega-te ao vício da embriaguez[1]

Era uma vez um menino chamado Antônio, o Toinho, muito educado e obediente aos pais, mas tinha a mania de chamar “nomes feios[2]”, apesar das advertências constantes de sua mãe que dizia que esses nomes são do Maligno.

 Certo dia, a mãe mandou Toinho que fosse à quitanda comprar açúcar para temperar o café que já estava quase pronto.

No caminho, o rapazinho deu uma topada em uma pedra que o levou ao chão, levantou e desfilou sua insatisfação proferindo todos os nomes do seu imenso vocabulário: mi, di, borra de café …[3]

Ao levantar-se, tomou um susto ao ver um homem com vestes estranhas, com um gorro na cabeça, um cajado e forte cheiro de enxofre que lhe falou em tom autoritário:

– Por que me chamas, menino!?

– Eu te chamo?

Me chamaste sim. Eu sou o Lucífer e atendo por todos esses nomes que você chamou. Uma vez me chamando, eu tenho que fazer meu serviço e disse:

– Vá, mate seu pai; bata na sua mãe e na sua irmã.

– Como posso fazer isso? Matar meu paizinho, bater na minha doce mãezinha e na minha irmãzinha? Não poderei fazer isso!! Me peça qualquer coisa, menos isso!

– Eu não vim aqui à toa, você me chama todos os dias!

– Já que não queres cumprir a minha ordem, então: vá, e entrega-te ao vício da embriaguez.

Antônio chegou à quitanda. Não comprou o açúcar. Com o dinheiro comprou uma garrafa de cachaça, bebeu todo o conteúdo, sob o olhar admirado dos fregueses do pequeno comércio.

Quando chegou a casa estava totalmente embriagado. Seu pai veio ao seu encontro e o filho já lhe desferiu alguns golpes de fação que portava na cintura, o pai correu assustado. A mãe chegou e quis saber o que se passava, o filho lhe deu um tapa no rosto; a sua irmã também fora espancada.

Nesse momento a mãe, que era muito religiosa, percebeu que havia algo de errado com o filho e pôs a orar.

O filho caiu ao solo e dormiu. Ao despertar lembrou da ordem daquele sujeito estranho e percebeu que havia recebido ordem do Demônio para matar seu pai e bater na sua mãe e irmã e que ele havia se recusado, mas que a embriaguez possibilitou que o desejo do maligno se realizasse. Cansado, em gesto de gratidão, disse:

– Meu pai do céu, eu estava fazendo tudo que o Diabo mandou. Por pouco não mato meu pai e espanco minha mãe e minha irmã.

Antônio pediu perdão ao seu pai, mãe e irmã e lhes contou sobre a aparição e ordem que recebera do Satanás.

A partir daquele dia, o rapaz nunca mais chamou nome feio e voltou a ser o menino obediente de sempre. Aprendeu a lição de que o vício da embriaguez pode levar a pessoa a cometer qualquer desatino e até crimes.

[1] Papai contava que na história tinha a ilustração de um menino assustado com a aparição do demônio; [2] José detestava que os filhos chamassem nomes feios e [3] Mi (miserável); Di (desgraçado) e borra de café (porra).

Perdão Emília

Por Ana Creusa

Era uma vez um casal de jovens. Casamento marcado. Antes do casamento, uma dúvida atormentou o noivo:  se era, de fato, amado pela sua prometida.

Naquela época eram os pais que acertavam o enlace matrimonial dos seus filhos, sempre levando em consideração o dote e os laços de amizade entre familiares dos nubentes.

Para testar o amor da moça, chamada Emília; Manoel noiteceu, não amanheceu. Sumiu. Passada uma semana, nenhuma notícia do noivo. Ninguém viu em ouviu falar sobre o paradeiro de Maneco.

Emília que tinha profundo amor pelo noivo. Paixão que alimentava desde a puberdade, torceia para que seu pai a desse em casamento ao rapaz, aos olhos dela, mais o bonito e virtuoso do lugar.

Com o sumiço do noivo, Emília entrou em profunda depressão. Não conseguia mais se alimentar, depois, nem água conseguia mais tomar.

Passados quinze dias naquela situação. As famílias desesperadas. Emília não resistiu e veio a óbito. Depois do velório comovente da jovem. No dia seguinte, deu-se o sepultamento.

Era noite do dia do sepultamento, quando Manoel retornou da sua viagem. Para sua surpresa, antes de chegar a casa, soube do falecimento de Emília, de puro desgosto pelo sumiço do noivo.

Desesperado, foi ao Cemitério visitar o túmulo de Emília. Aos soluços cantou:

Já tudo dorme, vem a noite em meio
A turva lua vem surgindo além
Tudo é silêncio; só se vê nas campas
Piar o mocho no cruel desdém

Depois de um vulto de roupagem preta
No cemitério com vagar entrou
Junto ao sepulcro, se curvando a meio
Com triste frases nesta voz falou

Perdão, Emília, se roubei-te a vida
Se fui impuro, fui cruel, ousado
Perdão, Emília, se manchei teus lábios
Perdão, Emília, para um desgraçado

Monstro tirano, pra que vens agora
Lembrar-me as mágoas que por ti passei?
Lá nesse mundo em que vivi chorando
Desde o instante em que te vi e amei

Chegou a hora de tomar vingança
Mas tu, ingrato, não terás perdão
Deus não perdoa as tuas culpas todas
Castigo justo tu terás, então

Mas este vulto de roupagem preta
Tombou, de chofre, sobre a terra fria
E quando a aurora despontou, na lousa
Um corpo inerte a dormitar se via

Perdão, Emília, se roubei-te a vida
Se fui impuro, fui cruel, ousado
Perdão, Emília, se manchei teus lábios.

Esta pequena canção trata-se de parte de uma ópera, cantada por nossa avó Ricardina, nas noites de serão durante o trabalho na roca de fiar algodão, que papai José dos Santos sempre cantou para nós. Saudades eternas do nosso José.

Pesquisando na Internet, encontrei a música, que segue abaixo:

O cangaço na Baixada Maranhense: Pavor e sangue na noite em Teresópolis

Por Aymoré Alvim*

A fazenda Teresópolis fica em terras do município de Peri-Mirim, na borda do campo do Pericumã, distante alguns quilômetros, no sentido nordeste, da cidade de Pinheiro.

Inicialmente, foi ali desenvolvida pelo seu proprietário, Sr. Antônio Souza, uma próspera agroindústria com ênfase na produção de açúcar de cana. Depois, passou por alguns outros donos e, atualmente, é apenas uma fazenda de criação de gado.

O destaque histórico que lhe vem sendo dado pela curiosidade popular, desde as primeiras décadas do século passado, é devido ao fato de ter sido palco de uma das mais violentas incursões do banditismo que proliferou, nessa época, na Baixada Maranhense.

Desafiando a segurança pública, na Região, bandos armados apavoravam fazendeiros e moradores, invadindo suas propriedades, saqueando-as e matando com extrema crueldade quem se interpusesse às suas ações.

Destes grupos, o mais temido era o do perigoso e violento Tito Silva. Naquela fatídica noite que se perde, nos últimos meses de 1921, um pesado silêncio caia sobre a fazenda Teresópolis. Calmo ninguém estava, pois o dono era um dos desafetos do facínora que lhe jurara vingança.

Após o jantar, alguns vaqueiros e outros serviçais trocavam um dedo de prosa, na sala do andar térreo da casa principal da fazenda. O assunto, como sempre, girava em torno dos crimes que grupos de bandoleiros armados vinham praticando, na região.

Relatos dessa época deixados, principalmente, pelo Tenente Francisco de Araújo Castro, o Chico Castro, então Delegado de Polícia de Pinheiro, e pelo Juiz de Direito local, Dr. Elizabetho Barbosa de Carvalho, contam que por volta das nove horas daquela noite os bandidos invadiram a casa grande, atirando para todos os lados. Os empregados apavorados se dispersaram buscando proteção contra as balas. Um deles ao tentar subir as escadas foi, mortalmente, baleado.

Outros, no entanto, escaparam e correram até Pinheiro, chegando à casa do delegado lá pelas vinte e três horas. Muito cansados, tentaram relatar o que presenciaram, sem contudo saber o que realmente havia acontecido. De imediato, com o delegado Chico Castro, todos rumaram para a casa do Juiz. Ali, as duas autoridades planejaram algumas medidas que pela urgência o caso exigia.

Na primeira hora da madrugada, o delegado à frente de soldados e de vários voluntários em armas, reunidos à ultima hora, chegaram a Teresópolis.

Chico Castro entrou e logo, no andar térreo, foi encontrando alguns corpos. Subiu ao andar superior e se deparou com o corpo do fazendeiro Antônio Souza ainda na rede onde antes repousava. Mais adiante, no mesmo andar, estavam os corpos de uma criança e de uma senhora paralítica, já avançada em idade, que moravam na casa.

Ruídos, em um quarto ao lado, chamaram a atenção do delegado. Pela janela, retirou o filho do proprietário, o jovem Lauro Souza e um amigo seminarista de nome Pitágoras que ali se encontrava a passeio. Disseram não ter visto nada.

Assim que ouviram os tiros, pularam a janela e se esconderam no telhado. Os primeiros depoimentos ali tomados dos sobreviventes que, pouco a pouco, iam chegando, dão conta de que o bando era do Tito Silva e que a motivação era vingança. O delegado deu, então, ordens para que fossem recolhidos os corpos e levados para Pinheiro para serem sepultados.

Pela manhã, ainda sob o impacto emocional da noite passada, chegou a notícia de que o bando, logo após a chacina, rumara para Cabeceiras, hoje, Bequimão, onde Tito Silva foi ajustar contas com um comerciante e delegado do local por nome José Castro. Após haver sido acordado juntamente com a família, foi levado para a via pública e ali assassinado. Por fim, dizem que o Tito Silva cortou-lhe uma das orelhas e a levou consigo.

Esse foi mais um problema, no complicado ambiente político-social da Região, naquela época, que exigia solução imediata por parte das autoridades.

Rixas, ambições, rancores e mágoas foram os fortes ingredientes que alimentaram as atividades desses facínoras que espalharam, naquelas populações, pavor e ódio, em cujo epicentro está Teresópolis, pela frieza e covardia com que manifestaram sua agressividade e expressaram toda a sua violência.

Tempos depois, chegou a Pinheiro a notícia de que outro bando, comandado por João Mole, prendeu Tito e o entregou às autoridades.

Transferido para São Luís, o mesmo foi recolhido à Penitenciária e, pelo que falam os mais antigos, ninguém mais soube do seu paradeiro.

Algumas outras diligências levaram as autoridades de Pinheiro a desmantelar os últimos grupamentos de bandidos que operavam, nas proximidades do Bom Viver, fazendo, assim, que a paz e a tranquilidade voltassem à cidade e ao seu povo.

*Aymoré de Castro Alvim, Natural de Pinheiro-MA, formado em Medicina, Aymoré é professor adjunto IV do Departamento de Patologia da Universidade Federal do Maranhão, aposentado. Ele tem especialização em Biologia Parasitária, membro da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (Aplac), autor do livro Contos e Crônicas de um Pinheirense.

JAIR AMORIM

Nasceu em Santana – Peri-Mirim/MA em 08 de agosto de 1935, foi carpinteiro, lavrador, pescador, caçador, um homem do campo, um homem da terra, mãos e pés calejados adquiridos pelas labutas diárias. Dono de um sorriso largo, generoso como é o povo nordestino do interior do Brasil. Filho de Felomena Amorim (sua mãe era mãe solteira) e teve como irmão Luís Berto Amorim.

Aprendeu o ofício de carpintaria com o mestre Tácito Nunes, um grande carpinteiro do município, o custo da aprendizagem foi arcado por um amigo da sua mãe, o Sr. Martinho, conhecido como Cancão, pois a sua mãe não tinha condições para arcar com as despesas.

Casou-se com Inácia Rosa Pereira Amorim com a qual teve seis filhos: Eni do Rosario Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó); Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Teve  08 netos e 05  bisnetos.

Um homem de estatura mediana, personalidade forte. Jair era semiletrado e mal sabia rascunhar o nome. Desde muito cedo teve que trabalhar, mal frequentou a escola devido a carência que bate à porta e sem piedade tira a infância de tantos meninos neste país. Tinha que ajudar a mãe que fazia lavagem de roupa nas casas de família e fiava (fio da terra), além de realizar trabalhos em costura com caseados manualmente. A remuneração mal dava para comer, quiçá vestir-se.

Jair era um homem de muita garra e teve a força, a coragem e a esperança de sonhar com uma vida melhor. E vida melhor para pobre é ter, feijão, farinha e mistura na mesa e isso ele conseguiu com o suor do seu rosto, à custa do trabalho perseverante e de penosos sacrifícios. E assim, foi construindo a sua história.

Como hobby,  gostava de jogar pelada com os amigos e fazia bonito em campo defendendo o seu time, mas devido a um incidente em campo que ocasionou uma forte lesão em sua face, ele deixou de jogar.

Com a chegada dos missionários da missão de Sherbrook do Canadá que chegaram para executar missões no Município e como as freiras não se adaptaram no lugar  tendo que retornar ao Canadá, Jair foi solicitado para tomar conta do Convento das Freiras, mudando-se com a família da comunidade de Santana para a sede do Município. Montou sua carpintaria em um dos cômodos do convento onde realizava os seus trabalhos de carpintaria.  Trabalhava com madeira em estado bruto beneficiando-a para uso de móveis e tantas outras utilidades na construção civil. Trabalhou intensamente nas atividades da Paróquia São Sebastião na gestão de Padre Gérard Gagnon juntamente com Antonino Lobato.

Depois de 10 (dez) anos morando no convento, este foi adquirido pela prefeitura municipal e a família teve que se mudar para uma residência que Jair já havia comprado com o incentivo e a ajuda do Padre Gérard Gagnon.

Jair faleceu às 2:00h do dia  17 de julho de 2011 no Hospital Municipal Djalma Marques -Socorrão I, São Luís- MA, vitima de insuficiência respiratória não identificada, seu corpo encontra-se sepultado no cemitério no centro da cidade (Peri-Mirim).

Deixou para os seus ascendentes exemplo de trabalho, de compromisso, de honestidade e de esperança que seus netos não tenham o mesmo destino do avô, que a vida seja mais doce e que lhes garanta um futuro mais digno.

Te amaremos para além da eternidade! Teus filhos.

A Academia de Peri-Mirim entrega projetos ao Prefeito do município

A Academia de Letras Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), entidade que atua na promoção da cultura, literatura, artes e ciência; de grande expressão na formação das pessoas, no interesse da comunidade perimiriense., entregou, por meio de Ofício dirigido ao Excelentíssimo Senhor Prefeito de Peri-Mirim, HELIÉZER DE JESUS SOARES, 04 (quatro) projetos, idealizados pela ALCAP,  para que sejam incluídos no Plano Plurianual e na Lei Orçamentária Anual do município, os projetos são os seguintes:

1) II Concurso Artístico e Literário “Prêmio ALCAP Naisa Amorim”, premiação de alunos da rede municipal, nas categorias Desenho, Poesia, Crônica e Escola Criativa, com o tema “Os valores essenciais para a construção de um mundo melhor”;

2)  Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado” é um projeto de incentivo à leitura, que objetiva fomentar a leitura na comunidade perimiriense como uma prática social, bem como contribuir para a formação de uma nova geração de leitores;

3) Festival ALCAP de Cultura é um grande encontro de manifestações culturais que surge com o objetivo promover um evento democrático de ampla participação popular que incentive a prática e vivência da cultura como expressão artística, contribuindo para a difusão cultural e o desenvolvimento regional por meio da cultura tradicional e

4) Plantio Solidário considerando a crescente degradação ambiental e poluição dos rios do município de Peri-Mirim, como forma de colaborar com a preservação do meio ambiente, o projeto busca atuar no plantio de árvores nativas em áreas de degradação ambiental e preservação das espécies ainda existentes.

Os referidos projetos também foram encaminhados aos secretários de Educação, GISELIA PINHEIRO MARTINS; de Administração, PAULO SÉRGIO CORRÊA; de Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, LUÍS EDUARDO FRANÇA TUPINAMBÁ e de Cultura, FRANK WDSON DOS SANTOS.

A ALCAP sente-se honrada em colaborar com o Poder Público no interesse da comunidade perimiriense. A execução dos projetos contam com a mão de obra e expertise dos acadêmicos da entidade, necessitando apenas de pequeno aporte financeiro, para consecução dos seus objetivos. A ALCAP agradece a recepção dos projetos que se deu em clima de confiança mútua.

A saga filosófica da turma de Peri-Mirim

Por Nasaré Silva

Amigos e companheiros

Chegou a vez de narrar,

Nossa saga filosófica,

Para entender e apreciar

Como estudar filosofia

É labor no dia a dia

Foram 5 anos sem parar.

Tudo começou em um dia

Na SEMED de João Batista

Reunido com Heráclio

Professor, conferencista,

Klaus, gigante no saber,

Todos juntos no empreender

Sei que são cientistas.

O sonho do perimiriense

É uma educação de ponta.

Muitos já tinham tentado,

Porém, não deram conta

Mas eis em que um belo dia

Batista, Heráclio e companhia

E a filosofia desponta.

Nunca foi fácil, acreditem

Estudar em Peri-Mirim.

Muitos foram os percalços

Tivemos o bom e o ruim.

Porém, enfim, vencemos

Aos professores enaltecemos

O saber é um querubim.

Em 30 de abril de 2016

Foi nossa aula inaugural.

Que momento emocionante!

Palestrantes, no plural!

Doutores e pós-doutores

Ensinando novos valores

Tudo de forma maestral.

Por quarenta e nove alunos

Nossa turma foi composta,

Alguns desistiram, no entanto

Outros continuaram a aposta

Com a ajuda de tanta gente

Não paramos, fomos em frente

Em busca de uma resposta.

A primeira professora

É viva em nossa memória

Rita de Cássia, o nome dela,

Filósofa cheia de vitória.

Doutora em filosofia

Docente com maestria

Faz parte da trajetória.

Muitos outros professores

Do curso são partes inerente:

Lindalva, Castro, Fernandes

Luciano, quanta gente!

Marly a coordenadora

Nossa mãezona, preceptora

Nos incentivou: “sigam em frente”.

Como não falar de Plínio

Sempre a reger a orquestra?

Do estágio I, ao II

Na arte, em grandes palestras.

Ensinando-nos novas lições

Enternece nossos corações,

Onde se apresenta, tem festa.

Professor Flávio chegou

Parecia meio durão

Qual nada, meus amigos

Conosco dividiu o pão,

Acendeu a luz da caverna

Iluminou nossa parte interna

O professor é só emoção.

Preciso falar de Lindalva

Linda como uma flor

Sempre gentil e amorosa

Sua alma irradia calor

Fez-nos perceber enfim,

Que sem ajuda tudo é ruim

Precisamos plantar o amor.

Diogo chegou aqui

E nos fez estremecer.

Trouxe no pescoço crachá

Nossa força a esmaecer.

Na campanha de vice-reitor

A todos ele encantou

Nos unimos para Façanha vencer.

Portela e a sua Lógica

Chegou e arrebentou,

Uma perna de seus óculos

Nossa cabeça pirou.

Deu sete para todo lado

Mas por fim, fomos aprovados

Glória a jesus Salvador

Não posso esquecer de Hamilton

Teoria do Conhecimento

Fiquei roxa, indignada

Quase a turma se arrebenta

Pensei logo em desistir

Mas Deus me fez insistir

Ufa, acabou o tormento.

Ticiane nos fez brincar

Com a vassoura na mão.

Eita disciplina boa

Brincávamos a rolar no chão.

A prova não foi legal

Nos enganamos, afinal,

deixou aluno na contramão.

 

O professor de Hermenêutica

Era lindo pra chuchu

Teve aluna caidinha

Brilhava que só abajur

Ensinava maestralmente

Era muito bom de mente

Wandeilson era só glamour

 

O meu amado professor

Que jamais posso esquecer

Lincoln é o seu nome

Deu logo seu parecer

Arendt me apresentou

Foi à primeira vista, amor

Sinto a alma enternecer.

 

Nosso professor Almir

Deu show de capacidade

Trabalhou com disciplinas

Ressaltando “humanidade”

Miniolimpíada um sucesso

Peri-Mirim é só progresso

Nessa contextualidade.

 

Nosso querido Gastão

Gerou em nós simpatia

Nos unimos mais e mais

No campo da analogia

Por não ser a nossa praia

Um cigarrinho de palha

Nos causou certa apatia.

 

Itanielson ajudou

A compor a trajetória

Do curso de Filosofia

Nosso momento é de glória

Foram tantos professores

Quase sempre eram doutores

Rumamos para a vitória.

 

Conceição e Ana Zilda

Conosco também somaram.

José Ribamar, Deus me livre

Alunos, zero tomaram

Cinco desistiram num dia,

Era aquela gritaria

Nem todos se conformaram.

 

E assim fomos seguindo

Uns tristes, outros contente.

Tinha professor bem bonito

Que nos irradiava a mente

Outros sem alteridade

Distribuíam temeridade

Mesmo assim, fomos em frente.

 

Chegou professor Façanha

E a todos nós encantou

Com seu sorriso sereno,

Ensinou sobre Rousseau

Voltaire e D’Alambert

Tudo era só mister

Que até Naiara assustou.

 

A nossa turma formou

Cinco equipes bem valentes.

Cada uma tinha um nome

Não os guardei na mente

Lembro apenas da minha

“Esmagai a infame” tinha

Cinco alunos competentes.

 

Walterlino, meu amigo

Por toda a turma amado.

Naiara escrevia tanto

O que ditava Agnaldo.

Kelisson brigava comigo

Querendo invalidar o meu dito

Era um arranca rabo danado.

 

A equipe “Ousar Saber”

É de júnior de Butilho

Trabalho árduo, sua meta

No almoço, éramos seus filhos

Saboreando ‘arroz de bicha’

Nossa barriga espicha

Não achávamos empecilho

 

Adelaide e Minervina

Sua equipe é de Rousseau

Falaram tanto do filósofo

A turma até decorou.

Sandra, filósofa porreta

Conceição fazia careta

Maria Ribamar se enturmou.

 

A equipe de Darlene

É o “Existencialismo”

Cintia e Rosilândia

Não usam de conformismo

Kerla e Antônia, são

Pensadoras de Platão.

Em busca do academismo.

 

Jucinalva, Ieda e Ely

São de uma outra estirpe

O grupo não sei o nome

Porque ninguém no zap disse

Mas Rosinete fez parte

O outro nome é uma arte

Mas todos formaram equipe.

 

Peço desculpas aos alunos

Se aqui não foram citados

Porém são todos importantes

Deixo bem ressaltado”.

Vamos nos unir sempre mais

Vejam os exemplos, os sinais

Do sucesso conquistado.

 

Diante de tudo isso,

Gostaria de frisar

A coordenadora Marly

Vive a nos prestigiar.

Sua presença é sublime

Nossa turma é o seu time

Está na aula a desfrutar.

 

Nosso muito obrigado

Aos professores presentes

Também aos nossos amigos

Sempre estiveram com a gente

Nossas famílias, então,

Elas são o nosso chão

O baluarte, de Deus o presente.

 

Flávio Luiz e Lindalva

Quanta honra tê-los aqui.

Nesta aula da saudade,

A nossa mestra Marly.

“Coração de estudante”

Nossa música cativante

Lembraremos sempre de ti.

 

Encerremos estes versos

Que ficarão há história.

Lembramos de muitas coisas

Guardadas na memória

Sem luta jamais vencemos

Vamos em frente e lutemos

Em busca de mais vitória.