A procissão

Autora Eni Amorim

O festejo de São Sebastião em Peri-Mirim este ano aconteceu de um modo atípico.

São Sebastião cuja imagem que do cume do outeiro da Currupira vigia a cidade e que pela sua história de vida é o protetor das pestes, da fome, das guerras e das calamidades.

Hoje a sua imagem desfilou ornamentada em flores vermelhas e brancas em cima de um carro de som, seguida por outros carros com alguns devotos.

Uma procissão meio solitária sem a alegria pujante dos filhos da cidade e visitantes que costumavam seguir em grande multidão misturando-se pelas ruas da cidade em cantos e orações.

Este ano poucos filhos do lugar visitaram suas famílias como costumeiramente faziam nesta data festiva.

As celebrações litúrgicas aconteceram com restrições seguindo rigorosamente regras para a prevenção da Covid-19.

Durante a procissão caía uma chuvinha fina como se fossem lágrimas dos filhos da nossa terra que não puderam aqui estar ou que partiram para outro plano levados pela pandemia ou por outros tipos de doenças.

E a procissão seguiu seu curso rumo ao encontro do Sacrário, Cristo Vivo que reluz para toda a humanidade aonde o povo clama por milagres com a fé de que somente Deus é capaz de fazer, pois se dependermos exclusivamente de mãos humanas nada acontecerá.

O Festejo religioso realizado na comunidade é a exemplificação de uma história cultural na qual há uma impregnação no universo cultural do Povo da Comunidade. Sendo assim, os rituais aparecem como manifestações marcadas por atividades coletivas, pelas inúmeras representações e pela celebração em torno da imagem do santo protetor. O festejo religioso ultrapassa a si mesmo como unidade temporal para religar o visível e o invisível, aquilo que está dentro e fora de um tempo, buscando estabelecer laços comunitários, de identidade étnica e tradição dentro das mais variadas relações de poder existentes na comunidade.

Peri-Mirim, 20 de janeiro de 2021.

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