Eni do Rosário Pereira Amorim

Ocupante da Cadeira nº 14 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), que tem como patrona Maria Isabel Martins Nunes. Nasceu em 08 de outubro de 1961 no povoado Santa Ana ou Sant’Ana, no Município de Peri-Mirim-MA. Filha de Jair Amorim e Inácia Rosa Pereira Amorim.

Profissão: Técnica em Segurança do Trabalho. Cursou o Antigo Magistério no Colégio Agripino Marques em Peri-Mirim com o anexo do quarto Ano adicional no Colégio Pinheirense em Pinheiro-MA; cursou Administração no Colégio Pinheirense; Técnico de Segurança do Trabalho no antigo CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão), hoje IFMA (Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Maranhão); Graduação Bacharelado em Serviço Social na Faculdade Anhanguera.

Tem 05 (cinco) irmãos: Laurijane Pereira Amorim, Silvia de Ribamar Pereira Amorim, Jair Amorim Filho, Evandro dos Santos Pereira Amorim e Cristina Maria Pereira Amorim, com os quais possui, além dos laços familiares, (com suas singularidades), vivem com as almas entrelaçadas, sendo apoio uns dos outros nos momentos difíceis ou de fragilidades, compartilhando o mesmo amor e a mesma admiração.

Seus pais eram exigentes com a formação humana e ética. Seu pai era um homem muito rústico, analfabeto, mas muito trabalhador. Era carpinteiro, lavrador, caçador, pescador; tinha múltiplas funções para cuidar da sua família. Sua mãe, era costureira, redeira, dava aulas de corte e costura, e ainda fazia pastéis, cocadas, bolos e suquinhos para vender e assim ajudar na manutenção das despesas da família. Seus pais tinham várias funções, o que hoje se chama de multidisciplinar.

O seus pais tinham a personalidade muito forte, não é atoa que os dois tinham o mesmo signo: Leão. Eles tinham uma “técnica psicológica” muito eficiente, chamada “taca” quando os filhos saíamos dos trilhos. Ás vezes faziam “estripulias” e, a mamãe os defendia das correções do papai, mãe é mãe…

A família morava em Santana, um povoado próximo do Município, local onde nasceu e viveu até os sete anos de idade, foi quando o pai recebeu uma proposta para ir tomar conta do Convento das freiras que tiveram que voltar para o seu país (Canadá). O pai aceitou e lá foi a família, de “mala e cuia”, e, então, iniciaram um novo capítulo da sua história na sede. Viveram cerca de 10 (dez) anos no casarão, que era enorme; foram tempos maravilhosos, tinham um quarteirão só para eles e muitas oportunidades para aprontarem mil e uma peripécias. Depois o casarão foi vendido para a prefeitura da cidade e mudaram para uma casa que o pai havia comprado com as economias dos seus trabalhos.

Lembra-se quando começou a estudar, o primeiro caderno, lápis, borracha, a primeira cartilha ilustrada de A a Z, a primeira professora, os primeiros coleguinhas… No primário estudou em uma cartilha intitulada “Eni e Mário” (eram dois irmãos), eu se sentia o personagem da cartilha, e seus colegas enchiam a sua paciência…  Tive uma professora que marcou muito a  sua vida, foi Dona Isabel, ela não era de Peri-Mirim, era de Goiânia, salvo engano. Ela era um amor de pessoa, e tinha um carinho especial por mim. Lembro-me muito bem do jeito calmo e paciente de Dona Jarinila que também foi sua professora.

Também teve uma professora particular que marcou muito, a chamavam de “Dona Santinha”, ela tinha uma palmatória com a qual metia o “pânico” nos alunos. Apanhou muitos bolos por não saber tabuada, apanhava dela, e da mamãe em casa.

Com 20 (vinte) anos foi estudar para Pinheiro o que a obrigou a sair literalmente de debaixo das asas de seus pais para morar em “casa alheia” e foram momentos muito difíceis e conflitivos, morar em casa alheia; a saudade dos laços: os pais,  irmãos, enfim, da família. Em Pinheiro, construiu novos amigos e aos poucos foi se adaptando.

Seu primeiro trabalho pode-se dizer que foi na Casa Paroquial com o Padre Gérard Gagnon, fazia os registros de Batistérios dos batismos realizados na Paróquia e ele lhe dava uma pequena contribuição pelos meus serviços, essa pequena contribuição que recebia, ajudava a comprar coisas para as suas necessidades pessoais e ajudava um pouco em casa. Também trabalhou dando aulas no Jardim de infância do Município. Trabalhou como Manicure, tudo para ajudar na sua manutenção e ajudar a família e assim foi ganhando experiência de trabalho na vida.

Com a sua ida para Pinheiro estudar (a mamãe ganhou uma bolsa de estudo no Colégio Pinheirense de uma amiga da Família que era Diretora da Escola na Época, Cici Amorim), construiu amizade com umas pessoas que foram como “anjos” na sua vida, a quem será grata eternamente; ajudaram a conseguir um emprego, na Diocese de Pinheiro; trabalhava com uma freira, ganhando um salário mínimo, foi um período de novos aprendizados, viajávam para as comunidades ministrando Formação para Catequistas, conviveu com muita gente simples, e conheceu também muita pobreza perpassando pelas comunidades no interior. Foi um período de grande fortalecimento da sua fé, e se sentia mais próxima de Deus, porque faziam muitos encontros de oração. Enquanto morava em Pinheiro, aprendeu a fazer pintura em tecidos e as técnicas de fazer cartões em papel vegetal, então, pintava paninhos de prato para vender e fazia cartões e convites em papel vegetal, os quais ajudavam muito a ter o seu dinheiro extra.

Depois de seis anos, trabalhando na Diocese, apareceu uma oportunidade para trabalhar na Construtora Lagoa Santa, um consórcio entre a Andrade Gutierrez e a Mendes Júnior, na implantação da Base Espacial de Alcântara, e decidiu encarar os novos desafios, com um certo frio na barriga. Foi realmente uma mudança “radical”, o ambiente era um pouco inóspito do ambiente ao qual ela estava acostumada, havia muitos homens e poucas mulheres na obra, e nem imaginava a magnitude da mudança que seria na sua vida profissional, mas sempre colocava os seus projetos, a tua caminhada nas mãos do Senhor. No setor em que trabalhava, só tinha ela era mulher, se sentia “um peixe fora d‘água”, mas aos poucos fui conquistando o seu espaço e se ambientando com suas salvaguardas; fingia não ouvir certas coisas e se mantinha na sua, respeitando a todos, recebia o mesmo respeito e até me sentia protegida por eles.

Quando a Obra foi sendo entregue e foi começando as demissões, ela já havia conquistado o seu espaço profissional e o Engenheiro da Andrade Gutierres, Rogério Pollati, o qual nós já tínhamos construído além do laço profissional, um laço “quase” que familiar, (ele tinha muito carinho por mim, porque quando os filhos vinham para a obra eu também ajudava a cuidar deles), me deixou na obra até o finalzinho e quando o canteiro fechou as portas, abriu uma frente de trabalho em Pinheiro e eu fui contratada para a nova obra de reconstrução de vias da cidade, que não durou muito tempo. Depois da Obra, ainda por intermédio de Rogério Polatti que tinha vínculos políticos com o Prefeito da cidade, Filuca Mendes, foi conseguido um emprego na Prefeitura, para ganhar um salário mínimo e passar muitas raivas com a estrutura do serviço que era muito mal estruturado, diga-se de passagem. O emprego teve uma curta duração. Desempregada, e sem muitas expectativas, resolveu viajar para São Luis, nessa altura do campeonato, já tinha seu cantinho, se desvencilhando de casa alheia, morava em casa alugada juntamente com uma irmã que levou para estudar em Pinheiro.

Em São Luis, e sem emprego, precisei voltar a morar em casa alheia e comecei a procurar emprego, foi então que viu uma vaga para fazer um teste em um Escritório de Comunicação, fiz o teste e foi chamada pra trabalhar, concorreu com outras pessoas, lamentavelmente o dono da empresa era um grande enrrolão, e nunca assinou sua carteira de trabalho, então saiu da empresa e foi trabalhar em uma Distribuidora, mas não se deu bem devido a minha liderança que gostava de humilhar os seus empregados. Foi então que um primo seu começou a lhe incentivar para fazer o Curso de Segurança do Trabalho, não tinha ideia o que era ser um Técnico de Segurança do trabalho, resistiu um pouco, mas resolveu fazer a prova de Seleção para o CEFET, e passei na seleção, comecei a fazer o curso e foi muito difícil, estudar e trabalhar, ainda morando em casa alheia, era a última que deitava, e era a primeira que levantava, foi bastante difícil essa fase, mas conseguiu superá-la..

Conhecendo novas pessoas, fez amizade com uma garota que trabalhava no SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), que ficou sensibilizada com a sua história e falou que haveria um concurso para a entidade, e lhe deu a maior força para fazer o concurso. Fez o concurso, foi aprovada, a amiga lhe deu altas dicas, que foram significativas para eu passar na prova escrita, depois veio a de datilografia e a entrevista, passou em todas, acha que o seu eu curriculum ajudou, um pouco pela experiência que já tinha (e com certeza a amiga deu um “empurrãozinho”…). Quando terminou o Cursar o Técnico de Segurança do Trabalho, tinha que fazer o estágio, do contrário, não receberia o Diploma, tentou estagiar no SENAC, mas não conseguiu, então, teve que pedir as contas para poder investir na área de Segurança do Trabalho, que segundo os colegas que já haviam ingressado a área, era bem mais rentável.

Estagiou na Atlântica Serviços Gerais no Contrato da ALUMAR, uma verdadeira faculdade na área de Segurança do Trabalho, saúde e meio ambiente, na qual foi se aperfeiçoando e apaixonando pela profissão. Depois do estágio, como a empresa gostou do seu perfil, foi efetivada, prestou serviço no contrato de Serviços Gerais e Segurança Patrimonial, em partes. Depois apareceu uma oportunidade para trabalhar na Arclima, empresa de instalação e manutenção em ar condicionado, oferecendo melhor salário e outros benefícios. Foi efetivada na Arclima, até aparecer uma oportunidade para uma outra empresa que trabalhava com a Gestão e a e fiscalizações das contratadas da ALUMAR, fez a seleção e passou, foi uma seleção bastante concorrida por vários técnicos de segurança do Trabalho; o nome da empresa é RG CONSULTORIA (PROATIVA) onde trabalhou na Gestão de Segurança, Saúde e Meio Ambiente contribuindo na prevenção de incidentes e acidentes, na promoção da saúde do trabalhador e Proteção do Meio Ambiente.

Atualmente está afastada do trabalho em virtude de um problema de saúde e aguardando os trâmites legais para investir no processo de Aposentadoria.

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