GRUPO ATUAL CAPOEIRA EM PERI-MIRIM-MA

Por Diêgo Nunes Boaes

A Atual Capoeira foi fundada em setembro de 2009 no município de Peri-Mirim, Maranhão, com o propósito de utilizar a capoeira como instrumento de transformação social, valorização da cultura afro-brasileira e promoção da cidadania. Desde o início de suas atividades, o grupo assumiu o compromisso de oferecer à comunidade um espaço de formação humana, esportiva e cultural, onde crianças, adolescentes, jovens e adultos pudessem desenvolver habilidades físicas, intelectuais e sociais por meio da prática da capoeira.
Ao longo de mais de quinze anos de atuação, a Atual Capoeira consolidou-se como uma das mais importantes iniciativas comunitárias do município. Sua história é marcada pela dedicação, pelo trabalho voluntário e pelo compromisso permanente com a inclusão social, atendendo, em média, cerca de sessenta participantes por período de atividades, número que, ao longo dos anos, representa centenas de pessoas beneficiadas direta e indiretamente. Além dos praticantes, o trabalho desenvolvido também alcançou familiares e a comunidade em geral, fortalecendo valores como respeito, solidariedade, responsabilidade, disciplina e convivência coletiva.
Desde sua fundação, a entidade compreendeu que a capoeira vai muito além de uma prática esportiva. Trata-se de uma manifestação cultural genuinamente brasileira, construída a partir da resistência dos povos africanos escravizados e transformada, ao longo da história, em símbolo de identidade, liberdade e preservação das tradições afro-brasileiras. Nesse sentido, cada roda de capoeira, cada toque de berimbau, cada canto e cada movimento realizados pela Atual Capoeira representaram um importante instrumento de preservação da memória, da cultura e da história do povo brasileiro.
Com o objetivo de ampliar o acesso à prática da capoeira, o grupo não restringiu suas atividades apenas à sede do município. Ao contrário, levou seu trabalho para diversas comunidades da zona rural, entre elas Igarapé Açu, Baianos, Meão, Capoeira Grande, Pedrinhas e Três Marias. Essa descentralização permitiu que crianças e jovens dessas localidades tivessem acesso gratuito a atividades culturais e esportivas que, muitas vezes, não estariam disponíveis em suas comunidades. A presença da Atual Capoeira nessas localidades fortaleceu os vínculos comunitários, incentivou a participação das famílias e aproximou diferentes gerações por meio da cultura popular.
Durante sua trajetória, a Atual Capoeira sempre buscou desenvolver ações pautadas na inclusão e na igualdade de oportunidades. Em suas atividades, nunca houve distinção de gênero, condição social, religião ou origem. Todos os participantes encontraram um ambiente acolhedor, onde aprenderam não apenas técnicas da capoeira, mas também importantes lições sobre ética, respeito ao próximo, trabalho em equipe, autocontrole, perseverança e valorização da diversidade cultural.
Um dos momentos mais significativos da história do grupo foi sua participação no Projeto Berimbau Cidadão, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social. A iniciativa fortaleceu o papel social da capoeira como ferramenta educativa, proporcionando atividades voltadas principalmente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O projeto integrou esporte, cultura, educação e assistência social, demonstrando que a capoeira é capaz de contribuir efetivamente para a formação cidadã, para o fortalecimento dos vínculos familiares e para a construção de perspectivas de vida mais positivas para seus participantes.
A atuação da Atual Capoeira também se destacou pela realização e participação em inúmeros eventos culturais, festivais, encontros, rodas de capoeira, batizados, trocas de graduação e competições esportivas. Em cada um desses momentos, o grupo representou o município de Peri-Mirim com dedicação e competência, conquistando diversas premiações, incluindo primeiros, segundos e terceiros lugares em diferentes categorias. Essas conquistas refletiram não apenas a qualidade técnica dos atletas, mas também o compromisso da entidade com a disciplina, o treinamento e a formação contínua de seus integrantes.
Além de participar de eventos promovidos por outras instituições, a Atual Capoeira assumiu um papel protagonista na organização de campeonatos municipais, encontros intermunicipais e festivais culturais. Essas iniciativas reuniram grupos de diferentes cidades, proporcionando intercâmbio técnico, fortalecimento das amizades entre capoeiristas e valorização da cultura popular. Os eventos organizados pelo grupo também movimentaram a comunidade local, incentivando a participação das famílias, o turismo cultural e a integração entre municípios da Baixada Maranhense e de outras regiões do estado.
Outro aspecto relevante da história da Atual Capoeira foi sua capacidade de estabelecer intercâmbios com grupos de diversas regiões do Brasil. Ao longo dos anos, mestres, professores, contramestres e capoeiristas convidados participaram de eventos realizados em Peri-Mirim, compartilhando conhecimentos, experiências e diferentes estilos de capoeira. Em algumas ocasiões, o município também recebeu visitantes de outros países, proporcionando uma rica troca cultural e demonstrando que a capoeira ultrapassa fronteiras, sendo reconhecida mundialmente como patrimônio cultural da humanidade.
As atividades desenvolvidas pela Atual Capoeira contribuíram significativamente para o fortalecimento da autoestima de crianças e jovens, oferecendo oportunidades de crescimento pessoal e coletivo. Muitos participantes encontraram na capoeira um ambiente de acolhimento, amizade e incentivo aos estudos, afastando-se de situações de risco social e construindo projetos de vida pautados na educação, no respeito e na convivência pacífica. A disciplina exigida pela prática da capoeira refletiu positivamente no comportamento dos alunos, influenciando sua relação com a família, com a escola e com a comunidade.
Ao longo de sua história, o grupo também colaborou com escolas, órgãos públicos e instituições sociais, participando de apresentações em datas comemorativas, projetos educativos, campanhas de conscientização e eventos cívicos e culturais. Essas participações fortaleceram o reconhecimento da capoeira como importante ferramenta pedagógica e reafirmaram seu papel na formação integral dos cidadãos.
Todo esse trabalho foi conduzido sob a liderança do Professor José Ribamar, conhecido em toda a comunidade como Professor Caveira. Com dedicação, compromisso e espírito voluntário, ele construiu uma trajetória marcada pela perseverança e pelo amor à capoeira. Seu trabalho ultrapassou o ensino da técnica, formando cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, incentivando o respeito à cultura afro-brasileira e promovendo oportunidades para centenas de jovens que encontraram na capoeira um caminho de desenvolvimento pessoal e social.
A liderança exercida pelo Professor Caveira foi decisiva para consolidar a Atual Capoeira como referência cultural e esportiva no município de Peri-Mirim. Sua capacidade de mobilizar pessoas, organizar eventos, formar novos praticantes e estabelecer parcerias permitiu que o grupo permanecesse ativo durante todos esses anos, mesmo diante de desafios financeiros e estruturais. Sua atuação voluntária tornou-se exemplo de compromisso comunitário e de dedicação à juventude.
Após mais de quinze anos de atividades ininterruptas, a Atual Capoeira tornou-se parte da história de Peri-Mirim. Sua contribuição ultrapassa os limites da prática esportiva, alcançando dimensões culturais, educacionais e sociais que beneficiaram diretamente centenas de pessoas. O grupo ajudou a preservar tradições, promoveu a inclusão social, fortaleceu a identidade cultural do município e demonstrou que a capoeira é uma poderosa ferramenta de educação, cidadania e transformação social.
O legado construído pela Atual Capoeira permanece vivo nas comunidades onde atuou, na formação dos inúmeros alunos que passaram pelo grupo e no reconhecimento conquistado ao longo de sua trajetória. Sua história representa um patrimônio imaterial de grande relevância para o município de Peri-Mirim, evidenciando a importância da continuidade e do fortalecimento de iniciativas que unem cultura, esporte, educação e compromisso social em benefício das presentes e futuras gerações.

Imagem da Internet

ALCAP realizará Encontro Acadêmico e Cultural com homenagens, premiações, lançamentos de livros e posse de novos acadêmicos

Evento acontecerá entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026 e reunirá importantes ações voltadas à valorização da cultura e da memória de Peri-Mirim.

Entre os dias 28 e 30 de agosto, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) realizará o Encontro Acadêmico e Cultural da ALCAP, uma programação que reunirá homenagens, premiações, lançamentos de livros e solenidades acadêmicas em celebração à história, à cultura e à memória de Peri-Mirim.

O evento acontecerá no Auditório do Sindicato dos Pescadores, no bairro Portinho, reunindo acadêmicos, escritores, estudantes, autoridades e convidados em três dias dedicados à valorização da produção cultural do município.

A abertura, na sexta-feira (28), às 16h, será marcada pela homenagem à patrona da Academia, Naisa Amorim, seguida da premiação da 3ª edição do Concurso Artístico e Literário – Prêmio ALCAP Naisa Amorim e do lançamento da Coletânea Comemorativa, obra que reúne poesias, crônicas e desenhos produzidos por estudantes participantes das três edições do prêmio.

O público também poderá visitar a Exposição de Desenhos de Alice Santos, artista perimiriense, e a Exposição de Bonecos da Companhia Beto Bittencourt, atrações que integram a programação cultural do encontro e ampliam o espaço dedicado às artes visuais.

No sábado (29), às 15h, a programação será dedicada ao lançamento de duas obras de escritores perimirienses e membros fundadores da ALCAP.

O acadêmico Francisco Viegas Paz apresentará o livro “Memórias de uma Trajetória”, obra de caráter memorialístico que reúne experiências, vivências e reflexões construídas ao longo de sua trajetória.

Na mesma ocasião, o acadêmico Diego Nunes Boaes lançará “Festejo de São Sebastião: Tradição e Identidade de Peri-Mirim – MA”, obra que documenta e valoriza uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais do município. A publicação contou com o apoio da Ação de Graças na Jurema, iniciativa que contribuiu para a concretização do projeto editorial.

Ainda no sábado, às 19h, será realizada a sessão solene de outorga da Comenda Padre Gérard Gagnon, homenagem destinada a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do município, seguida da posse dos Membros Honorários da Academia.

Encerrando o encontro, no domingo (30), às 18h, acontecerá a solenidade de posse dos novos Membros Efetivos da ALCAP, que passarão a ocupar cadeiras da Academia, assumindo o compromisso de preservar a memória de seus patronos e contribuir para a vida acadêmica da instituição.

Durante três dias, Peri-Mirim será palco de uma programação que reúne literatura, arte, história e memória, celebrando pessoas, obras e iniciativas que ajudam a preservar a identidade cultural do município.

ALCAP – História e Memória desde 2018.

DOUGLAS AIRTON FERREIRA AMORIM

Douglas Airton Ferreira Amorim nasceu em Peri-Mirim-MA, no dia 10 de dezembro de 1948. Filho de Antônio Lopes Amorim (Totó) e de Naisa Ferreira Amorim, casado com Sílvia Leide Amorim.

Estudou as primeiras letras na Escola Carneiro de Freitas em Peri-Mirim, depois mudou-se para São Luís em 1961, aos 13 anos, para estudar no Liceu Maranhense, após aprovação em uma concorrida seleção. Em 1969 mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Cursou Direito na Universidade Federal Fluminense.

Possui os seguintes filhos: Ayrton Douglas Delamare Amorim, Daniel Damasceno Amorim Douglas, Deborah Douglas Damasceno Amorim  e Eloah Naysa Ferreira Amorim.

Douglas logrou aprovação no concurso público para Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA) ocorreu em 1986.

Tomou posse como juiz em 12 de janeiro de 1987 e citou, dentre as comarcas do interior pelas quais passou, as de Tutóia, Rosário, várias que respondeu pelo juiz da comarca e, por último, a de Itapecuru Mirim, antes de chegar a São Luís.

O desembargador Douglas Airton Ferreira Amorim cresceu em um ambiente marcado pelos valores da educação, do trabalho e do compromisso com a sociedade. Ainda jovem, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde deu continuidade aos estudos e iniciou sua formação jurídica.

Graduou-se em Direito, cursando a Universidade Gama Filho e Universidade Federal Fluminense (UFF), consolidando uma sólida base acadêmica que serviria de alicerce para sua futura carreira na magistratura.

Ingressou na magistratura maranhense em 12 de janeiro de 1987, iniciando uma trajetória pautada pela dedicação ao Poder Judiciário e pela prestação jurisdicional célere e equilibrada. Ao longo de mais de três décadas como juiz de direito, exerceu suas funções em diversas comarcas do Maranhão, entre elas Tutóia, Rosário e Itapecuru-Mirim, respondendo ainda por outras unidades judiciais do interior do Estado. Em 14 de setembro de 2001, assumiu a titularidade da 3ª Vara Cível da Comarca da Ilha de São Luís, onde permaneceu por cerca de vinte anos.

Reconhecido pela experiência acumulada, pelo compromisso com a eficiência da Justiça e pelo cumprimento das metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça, foi promovido, pelo critério de antiguidade, ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, tomando posse em 10 de novembro de 2021. Na ocasião, assumiu a missão de continuar contribuindo para o fortalecimento do Judiciário maranhense, levando à segunda instância a mesma dedicação demonstrada durante toda a sua carreira como magistrado.

Como integrante da Corte do Tribunal de Justiça do Maranhão, passou a atuar no julgamento de recursos e processos de grande relevância, colaborando para a uniformização da jurisprudência e para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional no Estado. Sua atuação sempre foi marcada pela discrição, serenidade e profundo respeito aos princípios da legalidade, da imparcialidade e da Justiça.

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Poder Judiciário, recebeu importantes homenagens institucionais, entre elas a Medalha dos Bons Serviços Bento Moreira Lima, concedida pelos mais de trinta anos dedicados à magistratura, e a Medalha Especial do Mérito Cândido Mendes, a mais alta comenda do Tribunal de Justiça do Maranhão, conferida aos desembargadores da Corte.

Ao longo de sua vida pública, Douglas Airton Ferreira Amorim construiu uma carreira pautada pela ética, pelo equilíbrio e pelo compromisso com a efetividade da Justiça, tornando-se referência para magistrados, servidores e operadores do Direito. Sua trajetória representa uma história de dedicação ao serviço público e de relevantes contribuições ao fortalecimento do Poder Judiciário maranhense.

 

Domingos Martins Nunes, Duro: Uma Vida de Trabalho, Família e Paixão pelo Esporte

Por Diêgo Nunes Boaes

Nas margens das lembranças mais bonitas de Canaranas, vive a história de um homem simples, trabalhador e profundamente ligado à sua terra e à sua gente. Domingos Martins Nunes, carinhosamente conhecido por todos como Duro, nasceu no povoado Enseada Santo Antônio, atual Canaranas, município de Peri Mirim, em 20 de junho de 1952. Filho de José Evaristo Amorim Nunes e Antônia Paula Martins Nunes, cresceu cercado pelos ensinamentos da família, pela força do trabalho e pelos valores que carregaria por toda a vida. Ao lado dos irmãos Raimundo Martins Nunes, o querido Sipreto, Ana Luíza Nunes Martins e Raimundo Gabriel Amorim, viveu uma infância marcada pela simplicidade e pelas experiências que moldaram seu caráter. Frequentou a escola até a 3ª série do ensino fundamental, tendo como professora Nazaré Serra Maia. Contudo, a necessidade e o compromisso com a família falaram mais alto. Ainda muito jovem, deixou os estudos para ajudar os pais na lavoura, dedicando seus dias ao cultivo da mandioca, do milho, do feijão e do arroz.
Uma das maiores alegrias daqueles tempos eram as viagens para o Tremedal, terra de sua avó paterna, Maria Amorim Nunes. Ali, entre roçados e encontros familiares, fortaleciam-se os laços com a família Gomes, os conhecidos “Tebas”. Foram anos de convivência, amizade e união que permanecem vivos na memória de todos que compartilharam aqueles momentos.
O destino lhe reservou também a felicidade de construir sua própria família. Em 10 de janeiro de 1973, uniu sua vida à de Maria Vitória Pereira Nunes. Dessa união nasceram seis filhos: Rosângela, Dourinelson, Dulcilene, Amilton, Dourilene e Deleone. Com o passar dos anos, a família cresceu e se multiplicou, transformando-se em um verdadeiro legado de amor que hoje inclui 15 netos e 12 bisnetos.
Mas Domingos não era apenas homem da terra. Herdou de seu pai, Zé Grande e de seu avô Cacáte, a habilidade de confeccionar tarrafas e socós. Aprendeu também a consertar bolas, chuteiras e calçados, uma necessidade que surgiu da paixão pelo futebol e das dificuldades encontradas nos campos da época. Foi então que guardou para sempre uma frase de seu pai, que se transformaria em uma lição para toda a vida:
“De tudo temos que aprender, porque não sabemos o que o futuro nos espera.”
Essa sabedoria o acompanhou em cada etapa de sua trajetória.
O apelido que o tornaria conhecido por toda a região surgiu ainda nos tempos de jogador. Sua tia e madrinha, Tereza Martins Melo, torcedora apaixonada, vibrava nas partidas e dizia orgulhosa que seu sobrinho era duro na queda. O apelido ficou. E o nome Domingos passou a dividir espaço com o carinhoso e respeitado Duro.
Aos 19 anos, iniciou sua caminhada no futebol. Rapidamente se destacou pela habilidade, determinação e espírito competitivo. Quando fala dessa época, os olhos se enchem de lágrimas e saudade. Foram anos de conquistas, amizades e histórias inesquecíveis. Duro não foi apenas jogador; foi um dos grandes nomes do futebol amador da região.
Seu amor pelo esporte o levou a fundar, em 1976, o Vasco Esporte Clube dos Canaranas, ao lado de seu cunhado Valeriano Pereira, o Valico, e de Juarez Diniz. O time se tornou um orgulho para a comunidade. Jogadores de localidades vizinhas, como São Bento e Palmeirândia, enfrentavam longas viagens de canoa para participar das partidas. Cada jogo era uma festa, um acontecimento aguardado por todos. O time era composto por: Totó, Luís Carlos, Beto, João Carlos, Pindura, Boi de São Bento, Roque de Palmeirandia, Sipreto, Velho, Antônio Suca, Antônio Rosa, Ferrolho de São Bento, Santana de Zé Preto, Baró, Zé de Idália, Amaral de São Bento, Piquita de Bola, Gilmar de Palmeirandia, Antônio Neto e Nhogo.
A casa de Duro tornou-se ponto de encontro dos atletas, torcedores e amigos. Era um lugar sempre cheio de vida, de conversas animadas e de histórias que atravessaram gerações. Ao recordar aqueles dias, ele sorri emocionado, como quem revive os melhores capítulos da própria vida.
Em 1978, juntamente com seu irmão Sipreto, decidiu mudar o nome do time para Serraria Esporte Clube, em homenagem à serraria administrada pelo irmão, que naquela época representava prosperidade e desenvolvimento para a família.
Ao longo dos anos, também vestiu as camisas do Portinho e do Centrinho, participando de importantes torneios em Bequimão. Como atacante, conquistou respeito e admiração por onde passou. Os torcedores vibravam com suas jogadas, e seu nome ficou marcado entre os melhores atletas daquela geração. Foi no convívio com o tradicional Flamengo Esporte Clube do Portinho que nasceu outra paixão que o acompanharia por toda a vida. Embora tivesse fundado o Vasco Esporte Clube dos Canaranas, Duro criou uma forte ligação afetiva com o Flamengo. A convivência com os jogadores, as partidas memoráveis e a energia contagiante da torcida fizeram com que o clube rubro-negro conquistasse seu coração. Desde então, tornou-se um torcedor fervoroso do Flamengo, acompanhando o time com o mesmo entusiasmo que demonstrava nos campos de futebol, carregando essa paixão como parte inseparável de sua história. Um dos episódios que mais o emocionam aconteceu quando seu tio José Pereira Martins, o famoso Zé Coreiro, veio buscá-lo para servir ao Exército. Duro estava pronto para partir, cheio de esperança e entusiasmo. Mas sua mãe, movida pelo amor e pelo receio da distância, não permitiu. Já sentia a ausência do filho Sipreto, envolvido na missão católica em Guimarães, e não suportaria ver outro filho partir. Apesar da insistência do tio, prevaleceu a vontade materna. O sonho militar ficou para trás, mas a lembrança daquele momento permanece viva em sua memória.
Sua dedicação à comunidade também o levou à política. Foi candidato a vereador durante o segundo mandato de De Jesus, de quem era homem de confiança, assim como de Carmem Martins, casal este que ele sempre teve admiração e respeito. Embora nunca tenha conquistado um cargo eletivo, jamais deixou de servir à população. Continuou ajudando amigos, familiares e vizinhos, participando de ações comunitárias e incentivando o esporte local.
Em 1987, acompanhado da esposa e dos filhos, mudou-se para o centro da cidade. Era o início de uma nova fase, mas sem jamais abandonar suas raízes, suas amizades e o amor pela terra onde construiu sua história.
A trajetória de Domingos Martins Nunes é a história de um homem que venceu pela simplicidade, pela honestidade e pelo trabalho. Um homem que plantou na terra, ensinou pelo exemplo, construiu amizades verdadeiras, formou uma grande família e ajudou a escrever importantes páginas da história de Canaranas.
Mais do que um jogador, um líder comunitário ou um pai de família, Duro tornou-se um símbolo de perseverança e dedicação. Sua história permanece viva não apenas nas lembranças daqueles que caminharam ao seu lado, mas também nas gerações que vieram depois e que continuam colhendo os frutos de seu legado.
E assim, entre os campos de futebol, os roçados, as canoas, as amizades e os laços familiares, segue a memória de Domingos Martins Nunes: um homem simples, mas dono de uma vida extraordinária.

NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DE CARLOS PEREIRA OLIVEIRA, O CARLOS PIQUE

Os membros da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Casa de Naisa Amorim, manifestam, com profundo pesar, o falecimento do acadêmico Carlos Pereira Oliveira, carinhosamente conhecido como Carlos Pique, ocupante da Cadeira nº 02, ocorrido no dia 23 de junho de 2026 em sua residência, em Peri-Mirim.

Carlos Pique foi um dos grandes guardiões da cultura popular perimiriense. Com sua simplicidade, sabedoria, memória viva e suas inesquecíveis toadas, dedicou sua vida à valorização das tradições, da identidade e da história de Peri-Mirim, deixando um legado imensurável que continuará inspirando as presentes e futuras gerações.

Sua trajetória foi marcada pelo amor à cultura, pelo compromisso com as manifestações populares e pelo respeito às raízes de nosso povo. Sua contribuição à Academia e à cultura maranhense permanecerá eternizada na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo e aprender com seus ensinamentos.

Neste momento de dor, a ALCAP solidariza-se com seus familiares e amigos, especialmente seus filhos, netos e toda a geração que o admirava, rogando a Deus que conceda conforto aos corações enlutados e receba sua alma em Sua infinita paz.

Carlos Pique parte para a eternidade, mas sua voz, sua história e seu exemplo permanecerão vivos no patrimônio cultural de Peri-Mirim.

ALCAP participa das comemorações do centenário de nascimento do Patrono Djalma dos Santos Frazão

No dia 27 de junho de 2026, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) participou da solenidade em comemoração ao Centenário de Nascimento do Patrono Djalma dos Santos Frazão, patrono da Academia Cururupuense de Letras.

Representando a ALCAP, estiveram presentes a presidente, Jessythannya Carvalho Santos, e os acadêmicos: Edna Jara dos Santos Abreu, e Diêgo Nunes Boaes.

O homenageado da noite destacou-se pelos inúmeros e relevantes serviços prestados à comunidade cururupuense nos mais diversos segmentos sociais. Sua notável trajetória intelectual, cultural e humana permanece como um legado de grande valor, servindo de inspiração para as presentes e futuras gerações.

A ACL – Academia Cururupuense de Letras, em seu segundo ano de fundação realiza uma grande homenagem ao patrono, reunindo familiares, amigos, representantes dos poderes executivo e legislativo do município, e também acadêmicos de outras a academias.

A participação da ALCAP reafirma seu compromisso com a valorização da cultura, da literatura e da preservação da memória daqueles que contribuíram significativamente para o desenvolvimento intelectual e social da região.

Um Dia de Aventura e Encantamento em Peri-Mirim promovido pela ALCAP e Turismo Campestre

Por Diêgo Nunes Boaes

A Turismo Campestre, em parceria com o Projeto ALCAP Itinerante, promoveu, no dia 21 de junho de 2026, um passeio que ficará marcado em nossa memória como um dia de aventura, descobertas e encantamento. Enquanto a agência organizou a expedição, o Projeto ALCAP Itinerante mobilizou membros da Academia e integrantes da comunidade para participarem da experiência, que teve como propósito incentivar o conhecimento e a valorização das riquezas naturais de Peri-Mirim. Foram quase três horas de percurso, entre ida e volta, em uma jornada que nos permitiu contemplar as belezas ambientais e culturais de nossa terra.

Nossa jornada começou no Sítio Campestre, propriedade do confrade Mundinho Campelo, um lugar admirável, repleto de belezas naturais e muito bem conservado. Com entusiasmo, o confrade fez questão de nos apresentar cada detalhe de seu sítio, mostrando seus investimentos em plantações, sistemas de irrigação e iniciativas que demonstram amor e dedicação ao campo.

Em seguida, partimos até o Sítio Boa Vista para buscar nossa companheira de aventura, Ana Cléres, cuja presença era indispensável. Aproveitamos a breve parada para degustar uma saborosa piaba, enquanto os apreciadores de um bom licor de jenipapo, não perderam a oportunidade de saborear a tradicional bebida feita pela amiga Nita.

De lá, partimos rumo ao porto do Aperital. Em três canoas, acomodando quatro pessoas em cada uma, incluindo os canoeiros, iniciamos nossa travessia. O percurso foi um verdadeiro espetáculo da natureza. Navegamos com as águas tranquilas refletindo a beleza do ambiente ao redor. Durante horas, registramos cada detalhe dessa paisagem encantadora.

Ao longo do caminho, observamos diversas espécies de aves, enriquecendo ainda mais a experiência. Nosso destino era a Barragem Maria Rita, local que nos surpreendeu pela sua preservação. O que mais chamou nossa atenção foi a ausência de lixo sobre o campo e a impressionante limpeza das águas, cristalinas e transparentes, que escorriam pelo local.

O retorno, ao entardecer, fomos presenteados por um magnífico pôr do sol. Ainda durante a viagem de volta, já começávamos a planejar a próxima aventura: uma expedição até a Salina, com saída prevista para a madrugada.

De volta ao Sítio Campestre, encerramos o dia com uma deliciosa piaba frita com farinha de Santana e aproveitamos para adquirir alguns dos produtos oferecidos no local, como pimentas, quiabos e doces artesanais.

Mais do que um simples passeio, esta experiência nos trouxe uma importante reflexão. Precisamos despertar em nossa comunidade perimiriense o sentimento de pertencimento e valorização de nosso território. Vivemos em uma terra rica em história, cultura e meio ambiente, tesouros que muitas vezes passam despercebidos aos nossos próprios olhos.

Que possamos conhecer mais, preservar mais e amar ainda mais o lugar que chamamos de lar. Afinal, valorizar nossas riquezas é também fortalecer nossa identidade e garantir que as futuras gerações possam desfrutar de tudo aquilo que hoje nos encanta.

A experiência também evidenciou a importância de iniciativas voltadas à valorização do turismo local. O trabalho desenvolvido por Cidecley, à frente da Campestre Turismo, demonstra que conhecer o próprio território é um passo fundamental para preservá-lo. Ao promover vivências em espaços de grande beleza natural, contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o olhar dos perimirienses sobre as riquezas de seu município.

O colorido e a força do Tambor de Crioula encantaram os moradores no Povoado Santana

Por Ana Cléres Santos Ferreira

O Povoado de Santana viveu um sábado inesquecível de celebração à identidade maranhense. Neste dia 20 de junho, a comunidade recebeu o aguardado retorno do projeto ALCAP em Movimento, uma iniciativa da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Mais do que um evento institucional, a 2ª edição do projeto transformou-se em um manifesto de resistência e valorização da cultura ancestral da Baixada Maranhense.

O grande destaque do encontro foi a presença marcante do Grupo de Tambor de Crioula do Povoado Mangueiral. O grupo atendeu ao meu convite especial aos meus vizinhos do Povoado Mangueiral. A união entre a literatura e a tradição do tambor reforçou o papel da cultura como ferramenta de união e fortalecimento comunitário em Peri-Mirim.

O Poder do Tambor em Peri-Mirim

Em uma região onde a ancestralidade pulsa forte, o Tambor de Crioula não é apenas entretenimento; é um elo com a história, uma dança de devoção e a expressão máxima da alma do povo perimiriense. No Povoado Santana, o som dos couros ecoou como um lembrete da importância de preservar essas raízes para as próximas gerações.

O encerramento do evento foi um verdadeiro espetáculo de ritmo e cores. No comando dos tambores e da animação, os artistas: Rincon, Banquinho, Luís de João Chico, Fernando, Miúdo e Rui ditaram o compasso que contagiou o público.

O terreiro ganhou vida com o colorido das saias rodadas e a força do pungado. As brincantes: Alcilene, Juliene, Lulu e Maria comandaram a dança com a graciosidade e a energia características da manifestação. A sinergia foi tanta que o público não resistiu: eu e minhas confreiras da ALCAP também caímos na dança, com destaque para o ritmo e alegria de Nasaré, Ana Cléres e Nita, que celebraram a cultura da forma mais autêntica possível – dançando junto com o povo.

Literatura e Tradição de mãos dadas

O sucesso desta edição do ALCAP em Movimento no Povoado Santana deixa um recado claro: a literatura, a ciência e as artes de Peri-Mirim só caminham e se desenvolvem se estiverem de mãos dadas com as tradições populares. Eventos como este mostram que o Tambor de Crioula e a união comunitária são o verdadeiro combustível que mantém viva a identidade cultural do município.

À frente desse trabalho de resgate e valorização cultural está a presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Jessythannya Carvalho Santos. Sob sua liderança visionária e sensível, a instituição tem rompido as barreiras dos espaços formais para se consolidar como uma verdadeira guardiã da identidade local. Ao abraçar manifestações tradicionais como o Tambor de Crioula e integrá-las às ações da ALCAP, a gestão da presidente não apenas descentraliza o acesso à cultura, mas também valida a importância de cada comunidade rural na construção do patrimônio histórico de Peri-Mirim, demonstrando que a verdadeira erudição nasce do respeito e da celebração das raízes populares.

O retorno da ALCAP ao Povoado de Santana volta a movimentar a economia criativa com feira de produtos locais

Povoado Santana recebeu, no dia de hoje (20 de junho), o aguardado retorno do projeto ALCAP em Movimento. A iniciativa promovida pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), convocou os empreendedores locais para expor seus produtos à venda, com o tema “Sabores e talentos de Santana”, a fim de impulsionar a economia criativa com feira de produtos locais, a fim de ocupar o espaço público para celebrar a identidade cultural, a gastronomia e o empreendedorismo da comunidade.

Após o sucesso da edição anterior, o projeto retorna com o objetivo renovado de fortalecer a economia criativa local. A feira serve como uma vitrine viva para os produtores, artesãos e microempreendedores do povoado, permitindo que moradores e visitantes tenham acesso direto ao que Santana produz de melhor: desde a culinária tradicional e doces típicos até o artesanato feito à mão.

Mais do que um espaço de comercialização, o “ALCAP em Movimento” se consolida neste sábado como um ponto de encontro cultural. Além de impulsionar a geração de renda imediata para as famílias locais, o evento promove o resgate das tradições e valoriza o potencial criativo da comunidade, mostrando que a cultura e o desenvolvimento econômico caminham lado a lado.

A programação de hoje reforça o compromisso da ALCAP em descentralizar as ações culturais e apoiar diretamente as comunidades periféricas e rurais, transformando o Povoado Santana no epicentro da valorização da cultura e dos talentos locais neste fim de semana.

Elogio à patronesse Maria Isabel Martins Nunes

Por Eni do Rosario Pereira Amorim

Excelentíssima Senhora Presidente da ALCAP Jessythannya Carvalho Santos, ilustres acadêmicos, (autoridades aqui presentes), comunidade, caros amigos e familiares.

É com profunda admiração e respeito que nos reunimos hoje para render homenagens a uma figura cuja trajetória se confunde com os próprios valores que buscamos honrar, nossa estimada patronesse Maria Isabel Martins Nunes representada pela cadeira número 14 desta Casa de “Naisa Amorim”.

Escolher um patrono ou uma patronesse não é apenas um ato de reconhecimento mas a busca por um farol e em Maria Isabel encontramos a síntese da dedicação e da integridade, ela era uma mulher destemida e ética, sua palavra era lei.

Sua história é marcada pelo serviço ao próximo, pela generosidade e solidariedade na comunidade de Santana e arredores.

Uma marca forte em Maria Isabel era a partilha. Tudo o que tinha partilhava com o próximo, talvez por isso nunca faltava nada em sua casa, principalmente gêneros alimentícios. Maria Isabel Martins Nunes é símbolo de inspiração para todos nós que seguimos os seus passos.

Maria Isabel Martins Nunes não ofereceu apenas seu nome a esta cadeira da academia mas emprestou-nos a sua essência. Seu exemplo nos ensina que o verdadeiro sucesso não reside apenas nos títulos alcançados mas na marca positiva que deixamos na vida daqueles que cruzam o nosso caminho.

Dessa forma expressamos nossa eterna gratidão, que possamos honrar seu legado com a mesma ética, paixão e compromisso que ela demonstrou ao longo de sua vida a todos que necessitavam de uma oração, de um benzimento de um remédio de uma acolhida.

Ela foi uma líder importante para implantação da comunidade de Santana e para o surgimento dos festejos de Santa Ana um dos melhores festejos do Município. Muito religiosa, podemos dizer que ela tinha uma fé inabalável.

Boas lembranças guardadas na memória de Maria Isabel:
Sua fidelidade nas orações, ao raiar do dia, meio-dia e à noite.

O cafezal que havia no sitio de onde se colhiam e faziam o melhor café artesanal com erva doce;

Os bolos que eram feitos no fogão de barro com os vizinhos e as brincadeiras das crianças enquanto aguardávamos o bolo assar, eram bolos modelados de coelhinhos, macaquinhos e outros bichinhos;

O chocolate de castanha e os filhoses de tapioca fritos no azeite de coco;

Ela brigando com os macacos que derrubavam as mangas, os sapotis e comiam todas as ingás do seu terreiro;

Ao amanhecer ela se aquecendo na beirada do fogão de lenha enquanto fumava seu cachimbo, com o olhar imerso em suas lembranças;

O seu baú de estimação onde guardava tudo que lhe era “especial” algo assim como a canastrinha da Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo e a cada visita que recebia sempre tinha algo a oferecer, algum mínimo tirava de seu precioso baú: frutas, ovos, bombons, chocolates, biscoitos farinha, bolos e etc…

Enfim foram tantas lembranças que resolvi contá-las no livro Retalhos de uma história.

À nossa patronesse Maria Isabel Martins Nunes, os nossos mais sinceros e calorosos aplausos.

Muito obrigada!