Prestação de Contas dos Anos de 2018 a 2021

Os membros do Conselho Fiscal da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), tendo examinado o Planejamento Financeiro de 2018 a 2021, em conjunto com o Relatório Descritivo de Receitas e Despesas, Recibos e Notas Fiscais, dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2018 a 2021 e em consonância ao Art. 11 do Estatuto da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense opinam favoravelmente pela aprovação das contas do exercício pela Assembleia Geral Ordinária.

FINANCEIRO 2018 – ALCAP

FINANCEIRO 2019 – ALCAP

FINANCEIRO 2020 – ALCAP

FINANCEIRO 2021 – ALCAP

Resumo da Contribuições Mensais dos Acadêmicos

Resumo das Contribuições dos acadêmicos nos exercícios de 2018 a 2023, conforme abaixo:

Resumo de mensalidades ALCAP – 2018 a 2023

 

Criação Edna Jara

Academia Perimiriense promove campanha de Doação de Livros

Na nova metodologia adotada pelo Projeto Clube de Leitura da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), os leitores escolherão as obras a serem lidas; nesse sentido, é necessário que se tenha um acervo de livros de literatura em geral, a fim de que possamos efetivar o empréstimo da obra, mediante compromisso de devolução em um prazo determinado. Considerando-se que no município de Peri-Mirim temos poucas opções de biblioteca, a Coordenadora do Projeto, Tatá Martins, resolveu pedir apoio aos acadêmicos e amigos para fazer uma Campanha de Doção de Livros.

Os pontos de coleta, inicialmente, são as residências das acadêmicas Tatá Martins; Giselia; Edna Jara; no Farol de Educação e Escola Municipal Cecília Botão.

Conforme informaram a coordenadora do Projeto, Tatá Martins e a presidente da Academia, Ana Creusa, espera-se muito desse Projeto, pois a leitura abre as portas do conhecimento, capacitando as pessoas a se desenvolverem de forma integral e assim contribuírem para o desenvolvimento pessoal e da comunidade na qual estão inseridos os leitores.

Arte da Campanha criação de Edna Jara. #A ALCAP somos todos nós.

Clube de Leitura da Academia Perimiriense realiza reunião

Em 8 de junho de 2022 às 19:00 horas pela plataforma Google meet deu-se início à reunião do clube da leitura João Garcia Furtado da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP).
Presentes:
Ana Creusa Martins, Ataniêta Martins, Eni Amorim, Ana Cléres Santos, Cleonice Martins, Diego Nunes, Jailson, Jessythannya Santos, Maria do Carmo, Giselia Pinheiro Martins, Alda Ribeiro e Adelaide Mendes.

A presidente da Academia Ana Creusa Martins agradeceu a presença de todos e falou que o projeto é “a menina dos olhos da Academia de Letras Ciências e Artes Perimiriense – ALCAP.” Enfatizou que sempre seremos leitores e falou sobre o livro aprendendo inteligência que será disponibilizado para o grupo para ajudar no empoderamento de novas perspectivas para a realização das atividades propostas pelo projeto clube da leitura. Também falou da importância de não impormos ao leitor o que ele deve ler, mas sim que deve deixá-lo escolher aquilo que gostaria de ler, pois só lê muito quem lê com prazer. Será uma forma inovadora e que exigirá muitas parcerias e bastante trabalho.

A gestora do programa Antonieta Santos fez uma apresentação que infelizmente não teve muito êxito devido alguns aspectos da internet, frisou a importância do Poder do trabalho em equipe “crescer sozinho é possível mas juntos é muito melhor” Frisou também que o clube de leitura será uma conquista coletiva entre a Academia e seus parceiros.

Eni Amorim, fez a leitura do projeto que tem como mentora a acadêmica Jessythannya Santos , uma iniciativa que deu frutos, onde anteriormente foram trabalhados três livros: O Pequeno Príncipe, O Mágico de Oz e Meu Pé de Laranja Lima.

O projeto traz em seu bojo uma pequena biografia do nosso ilustre contemporâneo. João Garcia Furtado, a justificativa do projeto, objetivos geral e específicos, público-alvo, metodologia, divulgação, entre outros.

Ana Creuza falou sobre a reunião da academia no final do mês.
A acadêmica Giselia Pinheiro Martins falou das dificuldades de quem não sabe ler, falou do projeto macro da SEMED e colocou à disponibilização do mesmo para ajudar no clube da leitura.

A confreira Alda Ribeiro, falou dos projetos da sua escola como o Banco do Saber e que sua escola abraça o projeto da Academia.
A confreira Jessythannya parabenizou a nova diretoria e se disponibilizou em ajudar a academia no que for possível e questionou a nova metodologia e análise da mesma.

Foi cogitado a inserção dos professores nas escolas como motivadores no projeto.
Ana Creuza ainda ressaltou que não pode haver espírito de concorrência entre os participantes.

Ataniêta solicitou os projetos da SEMED e da professora Alda Ribeiro, as duas se disponibilizaram em ajudar a coordenadora do projeto.

Adelaide falou sobre a importância do projeto para a comunidade e ainda compartilhou sua experiência como Educadora na escola em que trabalha.

Os acadêmicos Cleonice Martins, Diego Nunes e a amiga da Academia Ana Cléres Martins falaram que a metodologia do projeto é muito boa.

A coordenadora do projeto, Antonieta Santos concluiu a reunião falando da importância da leitura na vida das pessoa em todos os sentidos. Agradeceu a presença de todos e fez um apelo para fazermos o projeto acontecer e que seja um sucesso para a Academia e para a comunidade.

Sem nada mais a comunicar a reunião foi encerrada.

Peri-Mirim 08.Jun.2022

Eni Amorim
Secretária ALCAP

Jardim de Infância de Peri-Mirim visita ambiente ecológico na semana do Meio Ambiente

Em homenagem à Semana do Meio Ambiente, o Jardim de Infância O Pequeno Príncipe de Peri-Mirim visitou na manhã de hoje (03/06/2022) o Sítio Boa Vista, localizado no Povoado São Lourenço, distante 6 Km da sede do município, onde reside o casal Ana Cléres e Antônio Campos Sodré. A visita ocorreu sob a direção da professora  Célia Castro e promovida pela Secretaria Municipal de Educação.

As crianças participaram de várias atividades de vivências na área do sítio. O Sítio Boa Vista, além de guardar a história do tenente e herói da 2ª Guerra Floriano Mendes, ainda abriga várias espécies de plantas ornamentais, conhecidas como o Jardim de Ana Cléres, possui ainda várias espécies de árvores frutíferas; madeiras de lei como jatobá, cedro, mogno, ipês, Paricás e até o lendário Baobá. A criançada adorou.

Ana Cléres, que é gestora do Projeto Plantio Solidário da Academia de Letras, Ciências de Artes Perimiriense (ALCAP) demonstrou a sua satisfação ao receber as crianças em um dia ensolarado que exigiu resistência dos pequenos e muito amor de toda a equipe da escola que realizou várias atividades de vivência baseadas na experiência de campo.

Ana Cléres e seu esposo manifestaram sua gratidão pela presença ilustre do futuro do município, representado por crianças adoráveis. Despediram-se do grupo, com gratidão, deixando uma bela mensagem à equipe da Professora Célia Castro, que vai descrita abaixo:

Com o coração exultante de alegria quero agradecer a ilustre visita, em nosso sítio na Boa Vista, dos alunos e professoras e funcionários do Jardim de Infância Pequeno Príncipe. A visita se deu como trabalho interdisciplinar na semana do meio ambiente. Os alunos puderam conhecer, in loco, o trabalho para preservar o meio ambiente sustentável com atividades de cultivo de hortaliças e árvores frutíferas, bem como criação de pequenos animais, como galinhas, patos e paturis.

Tivemos o prazer de, neste dia, colocar em prática algumas ações do Projeto Plantio Solitário da Academia Perimiriense, do qual tenho o prazer de ser gestora.

Ficou acertado que, posteriormente, iremos realizar a permuta de mudas de espécies nativas da nossa região.

Nossa Gratidão pela confiança em nós depositada.

O casal de proprietários do sítio ficou impressionado ao assistir a tamanha competência e boa vontade demonstrada durante a visita ilustre dos alunos, professores e funcionários do Jardim Pequeno Príncipe ao sítio Boa Vista. Ficou acertado que, oportunamente, o Jardim de Infância será visitado por representantes do Projeto Plantio Solidário da ALCAP, a fim de proferir palestra e distribuir mudas de plantas. A amiga da Academia, Ducarmo, acompanhou e auxiliou em todas as atividades dos alunos.

Deixaram saudades, disse Ana Cléres, emocionada.

LUGAR ONDE EU VIVO

Autora Ataniêta Martins

LUGAR ONDE EU VIVO.

EM MINHAS MEMÓRIAS,

UMA SAUDADE, UMA VIAGEM

AOS TEMPOS DE OUTORA.

 

PERI-MIRIM, GRANDIOSA ÉS TU

COM TANTAS RIQUESAS

NA PECUARIA, NA LAVOURA

EM TODA A REDONDEZA

CIDADE LINDA, NASCI E SORRI,

ANDEI E CRESCI

PERI-MIRIM, EU TE ESCOLHI

QUERO FINDAR MEUS DIAS AQUI

E MINHA HISTÓRIA

AQUI CONSTRUIR.

 

 SUA NATURAL BELEZA

PODE SER COMPARADA

A UMA ENORME RIQUEZA

TEM ESCOLAS, ALUNOS E PROFESSORES

CANTORES, POETAS E DOUTORES

MÉDICOS,PESCADORES,

DENTISTAS E AGRICULTORES

PADRES, OVELHAS E PASTORES.

 

NA CALMARIA DA NOITE

PODEMOS APRECIAR

AS ESTRELAS DO CÉU

O E BELO LUAR

ESCUTA-SE DO SAPO AO GRILO

E OS VIZINHOS A CONVERSAR

ESTA É MINHA CIDADE

QUEM SAIU SENTE SAUDADES

E QUEM VEM VISITAR

APAIXONA-SE DE VERDADE.

 

E COMO ESTÁ AGORA?

SÓ PRECISA SER MAIS CUIDADA E AMADA

AS MATAS NÃO SAÓ PRESEVADAS

OS RIOS POLUIDOS, ALGUNS JÁ ENTUPIDOS

EFEITOS DA DEGENERAÇÃO

POR CAUSAS DOS MALES E VÍCIOS

AGREGOU-SE A CORRUPÇÃO

E NOSSAS CRIANÇAS?

SE A GENTE PRESERVAR

ELAS VÃO COLOBORAR

NÃO HAVERÁ DEGRADAÇÃO

DESSA FORMA

TERÁ MENOS POLUIÇÃO

OU CASO CONTRÁRIO

SÓ IRÃO OUVIR CONTAR

BELAS HISTÓRIAS

DA NOSSA GERAÇÃO.

 

ESTE MUNICÌPIO

TRAZ UMA TRAJETÓRIA

DE LUTAS E CONQUISTAS

CONTADA PELOS CENTENÁRIOS

QUE VIVENCIARAM (EM MEMORIA)

DE UM POVO LUTADOR

QUE RESPEITAM OS PRINCÍPIOS

DE HOMENS QUE AQUI PASSOU

TÃO PEQUENA, BONITA E FRÁGIL

LUGAR ONDE SE ENCONTRA BONDADE

VIVEMOS EM IRMANDADE

QUER VER OS MORADORES SE  SENSIBILIZAREM?

BASTA UM PRIMIRIENSE ESTÁ ENFERMIDADE

MAS, TAMBÉM SÃO JUSTIÇA

NÃO DEIXAM NADA, NIGUÉM

DENEGRIR A IMAGEM DA NOSSA CIDADE

ISSO QUE É AMOR DE VERDADE

COBRAM QUANDO É PRECISO

E RESPEITAM QUANDO HÁ NECESSIDADE.

 

MESMO EM TEMPOS DIFÍCEIS

TEMPO DE PANDÊMIA

VIVEMOS EM ALEGRIA…

A COVID-19, NOS SURPEENDEU

ENSINOU-NOS O QUE É A VIDA

PERDEMOS PESSOAS QUERIDAS

QUE NOS REENCONTRAREMOS UM DIA

POR  ISSO PEÇO A DEUS, O CRIADOR

PARA ALIVIAR NOSSA DOR

E CONTINUE SENDO NOSSO GUIA

QUE INTERCEDA POR NÓS, JESUS E A VIRGEM MARIA

PARA QUE NÃO PERCAMOS A ESPERAÇA

DE PROFETIZAR NOSSA FÉ

A CADA DIA DE NOSSAS VIDAS.

 

COM ESTA SIMPLES POESIA

PARABENIZO NOSSA CIDADE

103 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

E TAMANHA IRMANDADE

TU ÉS PERI-MIRIM

UMA RARIDADE

TERRA QUERIDA

COM SUAS BELEZAS

E SUAS REALIDADES.

PARA SEMPRE VOU FICAR

PERI-MIRM,TERRA QUERIDA

MEU LUGAR!

 

Academia de Peri-Mirim inova no Amigo Secreto de Natal

Depois do sucesso da  I Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes que ocorreu durante a IV Ação de Graças na Jurema, promovida pela Família Santos, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) resolveu promover a troca de mudas de plantas durante a confraternização de Natal deste ano de 2021.

A brincadeira consiste na troca de mudas de plantas, ornamentais ou frutíferas, como presentes do Amigo Secreto entre confrades e amigos. Mais uma ação dentro Projeto Plantio Solidário “João de Deus Martins” mantido pela Academia.

Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes na Ação de Graças na Jurema

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense  (ALCAP) participou da IV Ação de Graças na Jurema, dia 20 de novembro de 2021, durante o evento promoveu, por meio do Projeto Plantio Solidário, a primeira Edição da Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes.

O objetivo da feira é preservar a biodiversidade, promover a educação ambiental e estimular a alimentação saudável e orgânica, que foi coordenada pro Jessythannya Santos. As mudas foram fornecidas pela UEMA, por meio do Prof. Dr. Gusmão Araújo e pela comunidade interessada na troca das mudas.

Além de mudas de hortaliças, legumes e vegetais, foram trocadas plantas ornamentais, como por exemplo, flores e cactos, bem como frutíferas e não-frutíferas, plantas medicinais, sementes e muito conhecimento. Contudo, por ser um evento gratuito e não possuir inscrição não foi registrada a quantidade de plantas disponíveis. Para participar, bastou levar uma muda e/ou sementes, para troca ou doação no local.

O evento deste ano não contou com a participação do engenheiro agrônomo ou outro especialista, Mas algumas orientações foram repassadas.

A feira, conforme relatou a coordenação, foi muito bem aceita pela comunidade, pois agregou conhecimentos sobre cultivo e ecologia, os quais foram compartilhados pelos participantes.

 

Vá, e entrega-te ao vício da embriaguez!

Por Ana Creusa

José dos Santos, meu pai, era um contador de histórias. Ele estudou apenas três meses. Depois desse período, a professora mandou comprar-lhe livro de 2º ano primário.

As aulas foram interrompidas e o menino ficou com seu livro, leu e releu, memorizou todas a lições, que depois contava a seus filhos. Memorizou todos os afluentes do Rio Amazonas, margem direita e esquerda; os números do Jogo do Bicho em verso e outras histórias memoráveis.

Uma história que me marcou muito e que me causava medo, mas que contém uma lição de vida que não pode passar despercebida, trata-se da história chamada “Vá, e entrega-te ao vício da embriaguez[1]

Era uma vez um menino chamado Antônio, o Toinho, muito educado e obediente aos pais, mas tinha a mania de chamar “nomes feios[2]”, apesar das advertências constantes de sua mãe que dizia que esses nomes são do Maligno.

 Certo dia, a mãe mandou Toinho que fosse à quitanda comprar açúcar para temperar o café que já estava quase pronto.

No caminho, o rapazinho deu uma topada em uma pedra que o levou ao chão, levantou e desfilou sua insatisfação proferindo todos os nomes do seu imenso vocabulário: mi, di, borra de café …[3]

Ao levantar-se, tomou um susto ao ver um homem com vestes estranhas, com um gorro na cabeça, um cajado e forte cheiro de enxofre que lhe falou em tom autoritário:

– Por que me chamas, menino!?

– Eu te chamo?

Me chamaste sim. Eu sou o Lucífer e atendo por todos esses nomes que você chamou. Uma vez me chamando, eu tenho que fazer meu serviço e disse:

– Vá, mate seu pai; bata na sua mãe e na sua irmã.

– Como posso fazer isso? Matar meu paizinho, bater na minha doce mãezinha e na minha irmãzinha? Não poderei fazer isso!! Me peça qualquer coisa, menos isso!

– Eu não vim aqui à toa, você me chama todos os dias!

– Já que não queres cumprir a minha ordem, então: vá, e entrega-te ao vício da embriaguez.

Antônio chegou à quitanda. Não comprou o açúcar. Com o dinheiro comprou uma garrafa de cachaça, bebeu todo o conteúdo, sob o olhar admirado dos fregueses do pequeno comércio.

Quando chegou a casa estava totalmente embriagado. Seu pai veio ao seu encontro e o filho já lhe desferiu alguns golpes de fação que portava na cintura, o pai correu assustado. A mãe chegou e quis saber o que se passava, o filho lhe deu um tapa no rosto; a sua irmã também fora espancada.

Nesse momento a mãe, que era muito religiosa, percebeu que havia algo de errado com o filho e pôs a orar.

O filho caiu ao solo e dormiu. Ao despertar lembrou da ordem daquele sujeito estranho e percebeu que havia recebido ordem do Demônio para matar seu pai e bater na sua mãe e irmã e que ele havia se recusado, mas que a embriaguez possibilitou que o desejo do maligno se realizasse. Cansado, em gesto de gratidão, disse:

– Meu pai do céu, eu estava fazendo tudo que o Diabo mandou. Por pouco não mato meu pai e espanco minha mãe e minha irmã.

Antônio pediu perdão ao seu pai, mãe e irmã e lhes contou sobre a aparição e ordem que recebera do Satanás.

A partir daquele dia, o rapaz nunca mais chamou nome feio e voltou a ser o menino obediente de sempre. Aprendeu a lição de que o vício da embriaguez pode levar a pessoa a cometer qualquer desatino e até crimes.

[1] Papai contava que na história tinha a ilustração de um menino assustado com a aparição do demônio; [2] José detestava que os filhos chamassem nomes feios e [3] Mi (miserável); Di (desgraçado) e borra de café (porra).

Perdão Emília

Por Ana Creusa

Era uma vez um casal de jovens. Casamento marcado. Antes do casamento, uma dúvida atormentou o noivo:  se era, de fato, amado pela sua prometida.

Naquela época eram os pais que acertavam o enlace matrimonial dos seus filhos, sempre levando em consideração o dote e os laços de amizade entre familiares dos nubentes.

Para testar o amor da moça, chamada Emília; Manoel noiteceu, não amanheceu. Sumiu. Passada uma semana, nenhuma notícia do noivo. Ninguém viu em ouviu falar sobre o paradeiro de Maneco.

Emília que tinha profundo amor pelo noivo. Paixão que alimentava desde a puberdade, torceia para que seu pai a desse em casamento ao rapaz, aos olhos dela, mais o bonito e virtuoso do lugar.

Com o sumiço do noivo, Emília entrou em profunda depressão. Não conseguia mais se alimentar, depois, nem água conseguia mais tomar.

Passados quinze dias naquela situação. As famílias desesperadas. Emília não resistiu e veio a óbito. Depois do velório comovente da jovem. No dia seguinte, deu-se o sepultamento.

Era noite do dia do sepultamento, quando Manoel retornou da sua viagem. Para sua surpresa, antes de chegar a casa, soube do falecimento de Emília, de puro desgosto pelo sumiço do noivo.

Desesperado, foi ao Cemitério visitar o túmulo de Emília. Aos soluços cantou:

Já tudo dorme, vem a noite em meio
A turva lua vem surgindo além
Tudo é silêncio; só se vê nas campas
Piar o mocho no cruel desdém

Depois de um vulto de roupagem preta
No cemitério com vagar entrou
Junto ao sepulcro, se curvando a meio
Com triste frases nesta voz falou

Perdão, Emília, se roubei-te a vida
Se fui impuro, fui cruel, ousado
Perdão, Emília, se manchei teus lábios
Perdão, Emília, para um desgraçado

Monstro tirano, pra que vens agora
Lembrar-me as mágoas que por ti passei?
Lá nesse mundo em que vivi chorando
Desde o instante em que te vi e amei

Chegou a hora de tomar vingança
Mas tu, ingrato, não terás perdão
Deus não perdoa as tuas culpas todas
Castigo justo tu terás, então

Mas este vulto de roupagem preta
Tombou, de chofre, sobre a terra fria
E quando a aurora despontou, na lousa
Um corpo inerte a dormitar se via

Perdão, Emília, se roubei-te a vida
Se fui impuro, fui cruel, ousado
Perdão, Emília, se manchei teus lábios.

Esta pequena canção trata-se de parte de uma ópera, cantada por nossa avó Ricardina, nas noites de serão durante o trabalho na roca de fiar algodão, que papai José dos Santos sempre cantou para nós. Saudades eternas do nosso José.

Pesquisando na Internet, encontrei a música, que segue abaixo: