Maria Madalena Nunes Corrêa

Por Alda Regina Ribeiro Corrêa

Patrona da Cadeira nº 35 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Maria Madalena Nunes Corrêa foi uma educadora dedicada, cuja paixão pelo ensino moldou a vida de inúmeras pessoas na cidade de Peri-Mirim, Maranhão. Mais do que uma professora, foi uma referência para gerações de alunos, inspirando com seu compromisso, simplicidade e amor pelo conhecimento.

Nascida em 8 de maio de 1938, no povoado Miruíras, era filha de Leonílio Antônio Nunes e Maria Raimunda França Nunes. Sua infância foi marcada por desafios, pois perdeu a mãe quando tinha apenas dois anos. Diante das dificuldades, seus avós, que enfrentavam condições de extrema pobreza, confiaram seus cuidados à tia Eunice Oliveira. Posteriormente, passou a viver com outra tia, Ana Oliveira, e, mais tarde, com seu tio Francisco Oliveira, onde permaneceu dos seis aos dez anos.

Aos 11 anos, determinada a ter uma educação, Madalena pediu permissão ao pai para ser alfabetizada. Com a autorização concedida, buscou a professora Cecília Botão, que a matriculou na turma de crianças de sete anos. Seu desempenho escolar sempre foi exemplar: nunca repetiu um ano e manteve excelentes notas. Aos 15 anos, prestou o exame de admissão para o ginásio e, nesse período, recebeu um convite da professora Cecília para auxiliá-la em sala de aula, o que pode ter despertado sua vocação para o ensino.

Durante essa fase da vida, mudou-se para a casa da prima Marita Oliveira e, pouco tempo depois, passou a morar e trabalhar com a tia Clara Oliveira. Juntas, fabricavam bolos de tapioca e os vendiam de porta em porta. A rotina era árdua: começavam a trabalhar às 4h da manhã, às 6h, os bolos já estavam prontos para entrega, e às 7h ela seguia para a escola. No dia 30 de novembro de 1957, Madalena concluiu o ensino primário na Unidade Escolar Carneiro de Freitas.

Aos 17 anos, Madalena convenceu o pai a construir uma casa para que pudessem morar juntos, junto com sua primeira madrasta, Miriam. No entanto, após três anos, o casal se separou. Pouco tempo depois, seu pai iniciou um novo relacionamento com Domingas Pereira França, e, dessa união, nasceram seus cinco irmãos: José Ribamar França, Lucineide França, Diomar de Jesus França, Cleide Domingas França e João Carlos França.

Foi nesse período que Maria Madalena conheceu Valdemar Corrêa, um jovem do povoado Pericumã. Decidiram se casar, mas, ao dar início aos trâmites, Madalena descobriu que não possuía certidão de nascimento. Após resolver essa pendência e obter os documentos necessários, foi oficialmente registrada. Em 20 de janeiro de 1962, casou-se com Valdemar Corrêa.

Nos primeiros anos de casamento, Madalena e Valdemar viveram com o pai e a madrasta de Madalena. Mais tarde, quando conquistaram sua casa própria, decidiram morar perto da família de Madalena, fortalecendo os laços familiares. O casal teve quatro filhos: Jucilei Nunes Corrêa, Lenivalda Nunes Corrêa, Valdemar Corrêa Júnior e Vera Silvia Nunes Corrêa.

Devido às responsabilidades domésticas e à chegada dos filhos, Madalena precisou interromper seus estudos temporariamente. Entretanto, nunca se afastou do ensino. Anos depois, quando sua filha mais velha iniciou o ensino médio, ambas se matricularam na mesma escola e concluíram juntas o magistério, em 29 de maio de 1983.

Sua trajetória profissional teve início oficialmente em 1º de fevereiro de 1966, quando foi nomeada professora das Escolas Reunidas Municipais pelo prefeito José Ribamar Martins França. Em 7 de maio de 1986, recebeu uma nomeação estadual do governador Epitácio Cafeteira e passou a atuar na Unidade Escolar Carneiro de Freitas.

Além disso, lecionou no Colégio Cenecista Agripino Marques, a convite de Raimundo João Santos. Como diretora adjunta, ao lado do professor João Batista Pinheiro Martins, desempenhou um papel essencial na implantação do ensino fundamental maior (5ª a 8ª séries) na Escola Municipal Cecília Botão. Ao lado do primeiro diretor da escola, trabalhou incansavelmente para transformar o projeto em realidade, garantindo uma educação de qualidade para a comunidade local e durante mais de 25 anos, dedicou-se ao ensino com compromisso e amor.

Maria Madalena Nunes Corrêa deixou um legado inestimável na cidade de Peri Mirim. Como professora, marcou gerações, transmitindo não apenas conhecimento, mas também valores de dedicação e carinho para seus alunos. Sua jornada foi interrompida em 13 de junho de 1991, mas suas lições seguem vivas na memória de seus alunos, amigos e colegas de trabalho. Seu impacto na educação permanece na Escola Municipal Cecília Botão e na história de Peri Mirim, inspirando novas gerações a valorizar o conhecimento e a transformação que a educação pode proporcionar.

Fernando Ribamar Lobato Viana

Por Francisco Viegas Paz

Patrono da Cadeira nº 38 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Em 26 de agosto de 2016, entrevistei o escritor Waldemiro Antônio Bacelar Viana, membro da Academia Maranhense de Letras e filho do Dr. Fernando Ribamar Lobato Viana que, gentilmente, forneceu alguns dados sobre o seu pai.

Antes, porém, busquei na mente a agradável lembrança do Dr. Fernando Viana, quando o via passar pelas ruas da cidade de Peri-Mirim, saudando as pessoas com amabilidade, simpatia e afeto. Com esse jeito carismático participava, efetivamente, da vida dos peri-mirienses, aos quais colocava os seus préstimos de médico a serviço deste povo. A lembrança é das décadas de 50 e 60, com muita saudade e admiração.

Segundo o entrevistado, Dr. Fernando Viana, nasceu em São José de Ribamar no dia 31 de outubro de 1904 e faleceu em São Luís em 10 de setembro de 1983. Ele foi criado em São Bento, onde iniciou os estudos até sair para cursar Medicina. E, à medida que prosperava nos estudos vislumbrava ser útil aos menos favorecidos e de pouco alcance nos serviços médicos daquela época. Objetivo que culminou após a especialização na área médica.

A formação não sucumbiu da mente o gosto pela poesia e pelas letras. De vez em quando, o receituário virava uma página de poesia, ou de um livro. Suas poesias ficaram soltas, aqui e ali, ou publicadas em algumas páginas dos jornais, por serem muito engraçadas. Elas continham um quê de sofisticada rima e humor, que proporcionavam alegria aos leitores. Como esta onde ele referia a si próprio, talvez por achar melhor falar de si do que dos outros, pois sua decência não lhe permitia ofender ao seu próximo, mesmo que poeticamente.

Os anos se vão passando

Com preguiça, no desleixo,

E o nariz se aproximando

Da ponta curva do queixo.

Dr. Fernando desenvolveu um pouco mais a parte literária, pondo em prática o ideal de escritor, que lhe facultou a possibilidade de escrever e publicar dois livros: Folhas Soltas e Seara, os quais por serem interessantes tiveram as tiragens esgotadas, o que dificulta encontrá-los pelas livrarias de São Luís.

Dr. Fernando Viana, também tinha gosto pela política e terminou por conquistar um mandato de deputado estadual. Mas, decepcionou-se com ela e não pretendeu mais enveredar por esse caminho sinuoso, deixando-a definitivamente.

Ele sofreu muito com o falecimento do filho caçula, Fernando Ribamar Viana Filho, em 1953, cujo episódio mexeu demais com o seu coração e a forma de vida. E, diante do acontecimento que o consumia resolveu mudar-se para a Fazenda Canaã no município de Peri-Mirim, a procura de uma vida mais salutar, onde a convivência familiar e a natureza fossem as maiores aliadas na terapia de suporte à perda do filho e na modelagem de uma vida espiritual saudável.

Quando coroinha fui com o padre Edmond Pouliot à Fazenda Canaã ajudar na celebração da Santa Missa, que era realizada em sua casa, mensalmente. A fazenda estava situada num local muito agradável e que impressionava pela tranquilidade e paz. Dentro do ambiente residencial havia uma capela, numa inequívoca demonstração de fé dos habitantes e, segundo o entrevistado, as nove pessoas da família, que lá residiam, eram todas católicas.

Próximo à fazenda, havia uma pista de pouso utilizada para servir às famílias, Viana e Bacelar, no transporte aéreo entre a Fazenda Canaã e a capital São Luís. Naquela época, a empresa de aviação Táxi Aéreo Aliança interligava a Baixada Maranhense à capital São Luís, diariamente, com modernas aeronaves.

Dr. Fernando, não só tratava as pessoas carinhosamente, como também atendia, gratuitamente, a quem buscava seus préstimos na área médica. Muitas vezes chegava a residência algum pai de família levando consigo uma peça de roupa de um filho, para, dali, obter um diagnóstico da esperada cura. Semelhante ao que acontecia, normalmente, com as benzedeiras do interior. Mas Dr. Fernando tirava de letra, pois, pelo tamanho da peça e com a experiência de médico sabia mais ou menos a idade e o peso que aquela criança poderia ter, e o resto vinha na conversa com o pai. O certo é que ele explicava tudo ao portador e entregava-lhe um medicamento, gratuitamente, a ser ministrado na criança que, daí para à frente, passava a ser sua paciente, assim que fosse necessário.

O medicamento ele conseguia também, gratuitamente, com o representante de medicamentos Mário Lameira, em São Luís.

Às vezes Dr. Fernando achava graça da esperança e crença que as pessoas tinham em procurá-lo para curar os entes queridos à distância. Mas quase sempre dava certo, pelo fato de o atendimento ter uma significativa dose de fé dos familiares e a boa vontade do prestativo e solidário médico.

Apesar de ter abandonado a política após o término do mandato de deputado estadual e, por residir há tempo no município de Peri-Mirim, foi convidado para compor uma chapa à prefeitura local, que tinha como candidato majoritário Tarquino Viana Sousa e Dr. Fernando Viana, como vice. A chapa foi vitoriosa e eles assumiram a Prefeitura Municipal de Peri-Mirim, para um mandato de quatro anos, que teve início a partir de 1958 e término em 1961. O município foi agraciado e administrado por dois senhores ilustres e de ilibada conduta moral.

Dr. Fernando voltou para São Luís em 1967 por motivo de doença, ocupando novamente a residência localizada na Rua do Egito, em frente ao Colégio Santa Teresa, onde permaneceu até os dias finais de sua existência.

A fazenda Canaã, hoje reformada e totalmente descaracterizada pertence ao Dr. Remi Trinta, que não conservou a pista de pouso, em virtude das Rodovias Estaduais 014 e 106, oferecerem condições de trafegabilidade adequadas, para ir e vir a São Luís e a outros municípios da baixada maranhense.

Prestar esta simples homenagem ao Dr. Fernando me trouxe muita felicidade e reconhecimento, pelo que ele representou aos conterrâneos de Peri-Mirim.

Floriano Pereira Mendes

Por Francisco Viegas Paz

Floriano Pereira Mendes é Patrono da Cadeira nº 40 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Entrevistei José Gutemberg Mendes, o Zé de Floriano, que aceitou contar a história do seu pai – um expedicionário da segunda guerra mundial, com todo prazer.

Floriano Pereira Mendes, filho de José Álvares Mendes e Alchimena Pereira Mendes, nasceu em São Luís no dia 20 de setembro de 1925 e, ao completar a idade de alistamento militar foi servir ao Exército, momento em que a segunda guerra mundial, comandada pelo nazista alemão Hitler, que sonhava em dominar o mundo, estava em plena atividade de destruição dos países contrários ao seu regime.

O Exército brasileiro, na ocasião, estava recrutando militares para a guerra e o jovem Floriano não pensou duas vezes em colocar o nome como voluntário da Pátria, embora em total desacordo dos pais. Mas a sua inspiração o impulsionava para aquela missão de perigo. E, já que os pais não concordavam com a atitude do filho, ele encontrou um meio de satisfazer o chamamento do Exército Brasileiro e realizar o idealismo de bravura: fugiu e foi se alistar no 6º Regimento de Infantaria de São Paulo, de onde sairia para a Itália. Com os últimos acertos do regimento no Brasil, a Força Expedicionária Brasileira – FEB partiu e chegou à Itália em 16 de julho de 1944, conforme já dito anteriormente.

Floriano foi atingido por uma granada e um estilhaço se alojou na nuca que permaneceu por toda a vida. Além disso, uma rajada de metralhadora perfurou o intestino e estilhaçou o osso da perna. Socorrido, Floriano foi levado para um hospital de base, onde se submeteu a várias cirurgias. As vísceras destruídas foram recompostas por outras de carneiro, as quais se mantiveram compatíveis e sem rejeição pelo organismo do bravo guerrilheiro. E, no osso da perna, utilizaram o implante de uma platina, para ajudar a recompor a tíbia, que se refez de acordo com os princípios da medicina.

No hospital italiano ele ficou sob os cuidados da enfermeira Soraya, que o tratou com muito profissionalismo e carinho, fazendo com que o paciente tivesse uma excelente recuperação, como de fato ocorreu.

Por ter sobrevivido à guerra e voltado para casa, o Exército o promoveu a tenente e o governador do Maranhão, José Sarney, reconhecendo a bravura do maranhense, o patenteou como capitão. Entretanto, ele não chegou a usufruir da promoção de capitão, pois veio a óbito 45 dias depois que tomou conhecimento da justa ascensão. Neste caso, o benefício, de acordo com a lei, ficou a cargo da família.

Quando Floriano voltou para o Maranhão e, ainda solteiro, demonstrava muito nervosismo no dia a dia, com o reflexo dos tiros da guerra e a zoada infernal da artilharia aérea. O pai, que o acompanhava de perto, resolveu mandá-lo para sua fazenda no Agostinho, em Peri-Mirim, com o intuito de tranquilizá-lo. Na região encontrou uma moça de nome Josefa Leite Gutemberg, com a qual começou a namorar e depois ataram o compromisso matrimonial. E assim ele foi gostando cada vez mais do ambiente e terminou fixando residência no local conhecido por Boa Vista no mesmo município, onde o casal teve seus filhos e prosperou como comerciante e fazendeiro.

Boa Vista é um local calmo, que possui os encantos da natureza e muita harmonia, portanto, propício para acalmar até mesmo as tristes lembranças da guerra. Lá, a família se desenvolveu e os filhos tiveram o privilégio de estudar na capital São Luís, levados de avião pelos préstimos do avô que era sócio da Empresa Táxi Aéreo Aliança. A fazenda onde a família Mendes residia tinha um aeroporto de uso exclusivo.

Floriano pode ser considerado um peri-miriense de coração, pois nesta cidade da Baixada constituiu família e colaborou na saúde, na evolução do município, inclusive como partícipe da política local, pela qual tinha certa paixão.

Floriano Mendes era enfermeiro prático, na ausência de médicos, exercia os seus préstimos para curar quem o procurava. Era estudioso do assunto e por isso, pôde ajudar a curar muitas pessoas. Com gratidão, lembro que fui curado por ele quando tinha a idade de 12 anos. Faleceu em 21 de fevereiro de 1993 em São Luís.

Participe do Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado” e embarque em uma viagem pela cultura popular!

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) convida todos os amantes da literatura para o Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado”, um espaço dedicado à leitura, ao debate e à valorização do patrimônio cultural brasileiro. Com encontros bimestrais, o clube abordará o tema “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão“, promovendo uma imersão nas lendas, mitos, religiosidades e manifestações culturais do nosso país.
📖 Como funciona?
O clube é aberto a estudantes, professores, membros da ALCAP e toda a comunidade, incluindo crianças, jovens e adultos. Os encontros acontecerão de forma presencial e virtual, promovendo discussões guiadas sobre as obras selecionadas e incentivando a produção literária e artística dos participantes, finalizando com um momento cultural.
Como incentivo, as melhores produções serão apresentadas durante os encontros e serão publicadas em um livro digital e/ou impresso.

Local dos encontros: Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM)
📅 Cronograma de Atividades:
📌 1º Encontro – 30 de março de 2025 (15h às 18h)
Tema: Introdução às Lendas Maranhenses
Livro: “Passeios pela história e cultura do Maranhão”, de Wilson Marques.

📌 2º Encontro – 18 de maio de 2025 (15h às 18h)
Tema: Arte e Devoção na Cultura Maranhense
Livro: “Arte e Devoção”, de Joana Bittencourt.

📌 3º Encontro – 13 de julho de 2025 (15h às 18h)
Tema: A Literatura Maranhense: Entre o Real e o Mítico
Livro: “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis.

🎭 Atividade Prática – 25/07/2025
Roteiro cultural em São Luís e bate-papo com autor
🔗 Inscreva-se agora!
Garanta sua participação acessando o https://forms.gle/i7Xt64yXNksgPWMs8

Venha fazer parte deste encontro enriquecedor e fortaleça sua conexão com a literatura e a cultura do Maranhão!

Mais sugestões de leitura disponível para empréstimo na Biblioteca ALCAP Prof. Taninho:
Literatura em minha casa: quatro mitos brasileiros – Mônica Stahel
Um saci no meu quintal: mitos brasileiros – Mônica Stahel
A história do boizinho de brinquedo – Joana Bittencourt
Literatura em minha casa: bazar do folclore – Ricardo Azevedo
Brincando de folclore – Maurício de Sousa
📩 Para mais informações, visite nosso Instagram@bibliotecaalcap ou entre em contato pelo e-mail: academiaperimiriense@gmail.com

Pesquisa de Opinião – Prêmio ALCAP Naísa Amorim

Visando aperfeiçoar o projeto do III Prêmio ALCAP Naísa Amorim, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) resolveu promover uma Pesquisa de Opinião.

Segundo a presidente da ALCAP, Jessythannya Carvalho Santos e a gestora do projeto, Liliene da Glória Costa Ferreira, o concurso desta edição, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Peri-Mirim (SEMED), abordará o tema “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão“, incentivando os participantes a pesquisarem e refletirem sobre as diversas manifestações culturais do país. O objetivo é promover o conhecimento e a valorização das tradições populares de diferentes regiões, destacando sua importância na identidade nacional.

Ajudem respondendo e divulgando essa pesquisa sobre o Projeto da ALCAP “Prêmio Naisa Amorim”, por meio do link abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScA6orB6jEKahH2XW_5gQLXdW2XKBVWhu53_FMl6-VkM-LaBA/viewform

PLANTIO SOLIDÁRIO: Ipê Roxo de Agripino Marques

Por Jessythannya Carvalho Santos

No dia 02 de fevereiro de 2025, foi plantada uma muda de Ipê Roxo em homenagem ao patrono da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP),Agripino Marques, patrono da Cadeira nº 23, ocupada  por Jessythannya Carvalho Santos.

A referida muda foi plantada na entrada da cidade de Peri-Mirim, na Praça  Simpatia,  cujo nome foi dado em homenagem a Domingos Raimundo Gonçalves (in memoriam), vulgo simpatia. Participaram do plantio: a Presidente da ALCAP, Jessythannya, e pelos acadêmicos Diêgo NunesEdna JaraNani, Raimundo Campêlo e pela Gestora do Projeto, Ana Cléres Santos Ferreira.

Lembrando que a ALCAP lançou o projeto intitulado: Plantio Solidário “João de Deus Martins”. A primeira etapa do projeto prevê que cada membro da ALCAP deverá plantar uma árvore duradoura em homenagear ao seu patrono. A árvore escolhida por Jessythannya foi o Ipê Roxo.

O ipê roxo (Handroanthus impetiginosus) é uma das árvores mais representativas da floresta brasileira, para os índios ela é chamada de “Árvore Divina”, pesquisadores acreditam que a árvore tem muito mais a oferecer do que apenas uma madeira forte e resistente é a segunda madeira mais cara só perdendo para o mogno.

Conforme informações veiculadas no site do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), o Ipê Roxo tem as seguintes características:

Nome Científico: Handroanthus avellanedae (Bignoniaceae), Ipê Roxo.

Características: O Ipê Roxo é uma espécie com 20-35 m de altura e tronco com 60-80 cm de diâmetro. As folhas são compostas palmadas, 5-folioladas e os folíolos, quase glabros, possuem de 5-13 cm de comprimento por 3-4 cm de largura. As flores são reunidas em inflorescências terminais, com coloração roxa e, raramente, branca. Os frutos são vagens que contêm sementes aladas, próprias para a dispersão pelo vento.

Locais de Ocorrência: Ocorre naturalmente do Maranhão até o Rio Grande do Sul. É particularmente frequente nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo até o Rio Grande do Sul, na floresta latifoliada semidecídua da bacia do Paraná.

Madeira: Pesada, dura, difícil de serrar, muito resistente, superfície pouco brilhante, rica em cristais verdes de lapachol, de grande durabilidade mesmo sob condições favoráveis ao apodrecimento.

Aspectos Ecológicos: Planta decídua característica de formações abertas da floresta pluvial do alto da encosta atlântica. Floresce durante os meses de agosto e setembro, e a maturação dos frutos ocorre a partir do final de setembro até meados de outubro. Além disso, produz, anualmente, grande quantidade de sementes. Entre agosto e outubro ocorre a queda das folhas, a floração e após alguns dias as folhas voltam a brotar. O IBF recomenda uma adubação (adubo orgânico ou químico) para fortalecer a muda.

Fonte: https://www.ibflorestas.org.br/lista-de-especies-nativas/

AS ACADEMIAS DE LETRAS

Por Francisco Viegas

As Academias de Letras são despertadoras da cultura, das letras e das artes. A tempestade do movimento literário, ora em ação, provocou uma eclosão para a glória dos Municípios e do Estado, primordialmente os da Baixada Maranhense, que entenderam com altivez o movimento.

Escritores, poetas, trovadores, pintores, entre outros, encontraram irrestrito apoio dos que haviam largado na frente. E, assim, abriu-se o caminho para os demais que, expondo suas criatividades, brindaram e continuam brindando a população com as pérolas lapidadas por esses maravilhosos operários das artes e das letras.

Contar história da terra natal e dos habitantes tem sido um resgate envolvente, carismático e de significado orgulho para todos os seguidores e apoiadores deste brioso momento da revolução literária.

O escritor se inspira nos acontecimentos faz a sua narrativa e cria outras tantas, de modo que seja apreciada e torne visível aos demais. Os poetas e trovadores dão significativa beleza aos versos da sua lavra com o intuito de sensibilizar e encantar os seguidores através das suas maravilhas. E os pintores combinam a tinta com emoção e talento para fixar na retina dos apreciadores a beleza expressa na tela.

Os acadêmicos fazem do seu mister um prazer a mais, em descobrir através de pesquisas, tudo que seja interessante aos leitores. Como, aliás, vem acontecendo em todas as academias. Por isso, elas são queridas e respeitadas pelos seus confrades, confreiras e os cidadãos e cidadãs que as conhecem.

E, no palmilhar da vida, não haverá de faltar fôlego para quem quiser compartilhar ou apreciar a didática do cotidiano e o alvorecer das manhãs, que fazem da existência o comprometimento com a beleza da criação Divina.

PLANTIO SOLIDÁRIO: Sumaúma de Naisa Amorim

Por Ana Cléres Santos Ferreira

Hoje, 02 de fevereiro de 2025, foi plantada uma muda de Sumaúma na entrada da cidade de Peri-Mirim, na Praça  Simpatia,  cujo nome foi dado em homenagem a Domingos Raimundo Gonçalves (in memoriam), vulgo simpatia. A muda foi plantada pela gestora do Projeto, Ana Cléres Santos Ferreira, a semente foi coletada de uma árvore localizada no bairro do Outeiro da Cruz em São Luís, que já é tombada pelo município.

Compareceram ao evento, além da gestora do Projeto, a Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Jessythannya, dos acadêmicos Diêgo Nunes, Edna Jara, Nani e Raimundo Campêlo. Lembrando que a ALCAP lançou o projeto intitulado: Plantio Solidário “João de Deus Martins”. A primeira etapa do projeto prevê que cada membro da ALCAP deverá plantar uma árvore duradoura em homenagear ao seu patrono.

Para representar a patrona da Academia e da Cadeira 01 da ALCAP, Naisa Amorim, foi escolhida a Sumaúma ou Samaúma (Ceiba pentranda), árvore conhecida pela sua grandiosidade e beleza. A árvore foi plantada na entrada da cidade, na Praça Simpatia. A senhora Marcelina Amorim é a madrinha da planta, que destinará os cuidados necessários para que ela cresça e floresça naquele lugar especial.

Árvore rainha da Amazônia, gigantesca e sagrada para os maias e povos indígenas. Pode chegar a 50 metros de altura e viver cerca de 120 anos.

É das famílias das Malvaceae, encontrada em florestas pluviais da América Central, da África ocidental, do sudeste asiático e da América do Sul. No Brasil, ela ocorre na região da Amazônia, onde existe também uma ilha denominada Sumaúma, no rio Tapajós. Suas gigantescas raízes, são chamadas de sapopemas (palavra do tupi que significa raiz chata).  Conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu“. Os indígenas consideram “a mãe de todas as árvores“.

Curiosidades sobre a Sumaúma

Seus frutos são cápsulas amareladas de 5 a 7 centímetros de diâmetro, por 8 a 16 cm de comprimento, onde cada uma pode conter de 120 a 175 sementes, envoltas em uma paina (fibra natural semelhante ao algodão), de características leves, brancas e sedosas.

Das sementes também pode se extrair o óleo que, além do uso alimentar, é usado também na produção de sabões, lubrificantes e em iluminação, além de ser eficiente no combate à ferrugem. Rica em proteínas, óleo e carboidratos, a torta das sementes serve de ração para animais e como adubo.

A fibra natural que envolve os seus frutos, é utilizada como alternativa do algodão, usada para encher almofadas, isolamentos e até colchões.

A samaúma também possui propriedades medicinais Da seiva da sumaúma é produzido medicamento para o tratamento da conjuntivite. A casca tem propriedades diuréticas e é ingerido na forma de chá, indicado para o tratamento de hidropisia do abdômen e malária. Certas substâncias químicas extraídas da casca das raízes combatem algumas bactérias e fungos. Em margens de riachos secos, as raízes descobertas da sumaúma fornecem água potável no verão.

Quanto à sua veneração, de acordo com a sabedoria da floresta, na base da sumaúma há um portal, invisível aos olhos humanos que conecta esta realidade com o universo espiritual. Os seres mitológicos das matas entram e saem por esse portal.

PLANTIO SOLIDÁRIO: Sumaúma de José dos Santos

Por Ana Cléres Santos Ferreira

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) lançou o projeto intitulado: Plantio Solidário “João de Deus Martins”. A primeira etapa do projeto prevê que cada membro da ALCAP deverá plantar uma árvore duradoura em homenagear ao seu patrono.

Para representar o patrona da Cadeira nº 24 da Academia, José dos Santos, o acadêmico ocupante da referida cadeira, José Sodré Ferreira Neto escolheu a Sumaúma ou Samaúma (Ceiba pentranda), árvore conhecida pela sua grandiosidade e beleza. A árvore foi plantada nas terras do Sítio Boa Vista, localizado no Povoado São Lourenço.

Árvore rainha da Amazônia, gigantesca e sagrada para os maias e povos indígenas. Pode chegar a 50 metros de altura e viver cerca de 120 anos.

É das famílias das Malvaceae, encontrada em florestas pluviais da América Central, da África ocidental, do sudeste asiático e da América do Sul. No Brasil, ela ocorre na região da Amazônia, onde existe também uma ilha denominada Sumaúma, no rio Tapajós. Suas gigantescas raízes, são chamadas de sapopemas (palavra do tupi que significa raiz chata).  Conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu“. Os indígenas consideram “a mãe de todas as árvores“.

Curiosidades sobre a Sumaúma

Seus frutos são cápsulas amareladas de 5 a 7 centímetros de diâmetro, por 8 a 16 cm de comprimento, onde cada uma pode conter de 120 a 175 sementes, envoltas em uma paina (fibra natural semelhante ao algodão), de características leves, brancas e sedosas.

Das sementes também pode se extrair o óleo que, além do uso alimentar, é usado também na produção de sabões, lubrificantes e em iluminação, além de ser eficiente no combate à ferrugem. Rica em proteínas, óleo e carboidratos, a torta das sementes serve de ração para animais e como adubo.

A fibra natural que envolve os seus frutos, é utilizada como alternativa do algodão, usada para encher almofadas, isolamentos e até colchões.

A samaúma também possui propriedades medicinais Da seiva da sumaúma é produzido medicamento para o tratamento da conjuntivite. A casca tem propriedades diuréticas e é ingerido na forma de chá, indicado para o tratamento de hidropisia do abdômen e malária. Certas substâncias químicas extraídas da casca das raízes combatem algumas bactérias e fungos. Em margens de riachos secos, as raízes descobertas da sumaúma fornecem água potável no verão.

Quanto à sua veneração, de acordo com a sabedoria da floresta, na base da sumaúma há um portal, invisível aos olhos humanos que conecta esta realidade com o universo espiritual. Os seres mitológicos das matas entram e saem por esse portal.

A muda de Sumaúma foi plantada em 2023 pela gestora do Projeto, Ana Cléres Santos Ferreira, a semente foi coletada de uma árvore localizada no bairro do Outeiro da Cruz em São Luís, esta árvore que já é tombada pelo município.

O SABOR NOSTÁLGICO DA BOLACHA FOGOSA

Por Edna Jara Abreu Santos

A cidade de Peri-Mirim é o berço de grandes artistas, fabricantes, fornecedores de serviços e produtos. Procório José Lopes nasceu em 07/09/1945, no povoado Feijoal. Ilustre padeiro e comerciante perimiriense. Filho de Manoel Lopes e Maria José Martins Lopes, teve 11 irmãos e todos eles, desde crianças, ajudavam no comércio dos pais embrulhando temperos naturais.

Sempre teve visão de empreendedor. Com seus 18 anos estabeleceu seu próprio comércio na zona rural do município e até pequena fábrica de cigarros já teve. Com trinta anos, casou-se e veio morar no centro da cidade, firmou sociedade com o saudoso Deosdete Gamita Campos em um comércio, depois de um tempo, resolveu findar a sociedade e colocar uma padaria para si.

Hoje, há quase cinquenta anos de padaria, fornece diversos produtos alimentícios, como: bolinha de coco, roscas, bolacha fogosa, pães e outros mais. Lembra-se que a comercialização da bolacha fogosa iniciou com Gregório Panta, depois passou para Rui Barros e por último, o ajudante do Rui, Seu Ademar.

Procório, como é conhecido por todos, aprovou a produção da bolacha por Seu Ademar, do povoado Tucunzal, que o auxiliava na produção e apresentou a ele a receita na sua pequena padaria. Hoje, há mais de quatro décadas, a mesma receita é reproduzida por seus três padeiros. Vende cerca de 5.000 unidades de bolacha, sendo 200 pacotes (25unid. Cada) por mês, onde tira ótimos lucros.

A bolacha fogosa é muito procurada, principalmente no período do inverno, pois com a dificuldade das famílias residentes de povoados locomoverem-se por conta das estradas, é uma ótima forma de saciar a fome das crianças e adultos. Procório tem uma prazerosa tarefa de fornecer a sua bolacha fogosa crocante e fofinha, em diversos comércios de povoados da cidade de Peri-Mirim, Pinheiro, Alcântara, Bequimão, Cujupe, Palmeirândia, São Bento e até São Luis.

Em vários lugares do Brasil, a bolacha fogosa recebe nomes diferentes, como: “bolacha fofa”, “bolacha mata-fome”, “bolacha de água” e “bolacha de pobre”. Presume-se que a receita perpassou longas gerações, com uma composição pouco modificada com o tempo, onde entra o açúcar, farinha de trigo, manteiga e amoníaco. Com validade de até dois meses, ela é ótima com um cafezinho para iniciar o dia e/ou finalizar a tarde.

A bolacha fogosa traz um sabor nostálgico de infância, onde os pais não deixavam faltar em casa, lembra o convívio familiar e os tempos difíceis. Ela é símbolo de resistência de um povo maltratado pela fome e hoje continua em nossas mesas como um patrimônio da nossa cidade, celebrando a família e memorando os bons momentos com as pessoas que amamos.