REINAUGURAÇÃO DE ESCOLA

Por Francisco Viegas Paz

No dia 29 de setembro de 2025, foi reinaugurada a Escola Professor João Garcia Furtado, no povoado de Tucunzal, município de Peri-Mirim – Maranhão. Mais do que um prédio de pintura nova e com possíveis ampliações, trata-se de um grande nome representativo de uma cultura educacional invejável. Professor Furtado, como era amplamente conhecido no meio da comunidade acadêmica, faz jus ao reconhecimento proposto e alardeado por músicas, discursos e palmas. Afinal de contas ele tem reconhecimento no campo das ciências linguísticas de notáveis saberes. E como me disse o advogado e escritor Alexandre Maia Lago: professor Furtado foi o homem mais inteligente que eu conheci, pois fui seu aluno.

Professor Furtado espalhava conhecimento em várias línguas: português, latim, francês, inglês, espanhol, italiano, etc. Porém, o seu forte estava na literatura e na língua portuguesa. Tanto que os seus alunos aprendiam de verdade, podendo, portanto, darem o devido testemunho da sua capacidade.

Espero que os professores e alunos do Tucunzal, ao exemplo do eminente professor, na medida do possível, possam seguir o seu exemplo de um grande educador

Peri-Mirim, 30 de setembro de 2025.

PROJETO PLANTIO SOLIDÁRIO DA ALCAP: Promoverá Troca de Mudas e Sementes durante a VIII Ação de Graças na Jurema

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense  (ALCAP) promoverá a quinta Edição da Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes, em parceria com a VIII Ação de Graças na Jurema, que será realizada no dia 20 de setembro de 2025, no Sítio Jurema, Povoado do Cametá, no município de Peri-Mirim-MA.

A referida feira será realizada por meio do Projeto Plantio Solidário “João de Deus Martins”, que tem como gestora, Ana Cléres Santos Ferreira, que sempre contou a colaboração de Maria do Carmo Pinheiro e sua filha Ana Sheila, as quais preparam um ambiente aprazível para receber a comunidade. A Ação de Graças na Jurema foi idealizada por José dos Santos, para promover a União em sua Comunidade.

Por iniciativa da acadêmica e atual presidente da ALCAP, Jessythannya Santos, o objetivo da feira é auxiliar na preservação da biodiversidade, promover a educação ambiental, bem como estimular a alimentação orgânica e saudável. As mudas serão fornecidas pelo Jardim Botânico da Vale S.A. Porém, a maioria das mudas são oriundas do Sítio Boa Vista, de propriedade da gestora do Projeto.

Além de mudas de hortaliças, legumes e outros vegetais, serão trocadas/disponibilizadas plantas ornamentais, mudas de árvores frutíferas e não frutíferas, plantas medicinais, sementes e muito conhecimento e diversão. Esperamos contar com a participação de engenheiro agrônomo ou outro especialista, para orientar as pessoas.

Clube de Leitura anuncia encontro inesquecível em setembro, na Jurema – Cametá

É com muita emoção que anunciamos mais um encontro inesquecível do nosso Projeto Clube de Leitura “Prof. João Garcia Furtado”, no dia 21 de setembro de 2025, que tem como gestora, a acadêmica Edna Jara Abreu Santos. Desta vez, o cenário escolhido será a comunidade da Jurema, localizada no povoado Cametá, lugar onde literatura, memória e coletividade se entrelaçam.

O projeto da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense – ALCAP mobiliza não só alunos das escolas públicas e particulares da cidade, mas também a comunidade em geral que aprecia este momento cultural. A experiência promete ser mais que um simples encontro: será uma celebração da leitura como espaço de resistência, reflexão e pertencimento.

Nesta edição, o destaque vai para a obra Cantos à Beira-Mar, de Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira e um dos nomes mais expressivos da literatura afro-brasileira. O livro, além de integrar a lista de leitura obrigatória para o Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior da UEMA em 2026, carrega em si a força de uma escrita engajada, lírica e profundamente crítica.

Maria Firmina, cuja voz atravessa séculos, é reconhecida como uma das mais potentes na denúncia e no combate às opressões sociais de sua época — entre elas, a escravidão. Sua obra ecoa como manifesto e inspiração, reafirmando a importância da literatura como arma contra as doenças sociais que ainda persistem.

Por isso, nosso encontro na Jurema será muito mais do que uma atividade escolar. Será um ritual coletivo, onde juventude e memória se entrelaçam; onde professores, alunos e comunidade poderão beber da mesma fonte literária e refletir sobre o Brasil que fomos e o Brasil que ainda podemos construir.

Que cada página lida, cada verso compartilhado e cada silêncio respeitado nesse encontro sejam também sementes plantadas em nossos corações. A obra pode ser acessada por meio do link abaixo:

https://literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=117651

 

Reunião da Diretoria ALCAP sobre Projeto Cultural

A Diretoria da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) reuniu-se aos vinte e sete de agosto de dois mil e vinte e cinco para tratar da possibilidade de participação da ALCAP em edital da Lei Roaunet Nordeste.

Assunto: Avaliação de projetos da ALCAP para inscrição no Edital Roaunet Nordeste.
Data: 27/08/2025

Horário: 17:30 horas, pela plataforma Google Meet

Presentes: Jessythannya, Ana Creusa, Ana Cléres, Alda Regina, Eni Amorim e Francisco Viegas. Edna Jana não conseguiu entrar na sala por problemas técnicos

A presidente Jessythannya abriu a reunião agradecendo a presença de todos.
Em seguida falou da importância de dialogar com os membros da academia sobre alguns pontos do edital e juntos definirmos uma boa proposta.

Comentou sobre particularidades dos critérios do projeto para alcançar o máximo de pontuação entre eles estaria tentar ampliar o alcance dos projetos da academia para outros municípios da região.

Dentro das propostas surgiram oficina de bonecos, biblioteca itinerante, inventário do tambor de crioula, oficina de escrita criativa. A confreira Alda sugeriu a possibilidade de o projeto escolhido alcançar as comunidades quilombolas da região.

A proposta do confrade Francisco Viegas da ALCAP é realizar um inventário dos tambores de crioula da região foi a proposta mais bem avaliada pelo grupo para o edital Rouanet Nordeste.

Todos concordaram que seja editado um livro como resultado da pesquisa, bem como que seja realizado um encontro regional do tambor de crioula e outras manifestações culturais da região. A presidente Jessythannya se comprometeu a elaborar o projeto e enviar para análise e avaliação dos acadêmicos.

Ainda durante a reunião surgiram sugestões para o nome do projeto:

  • No Ritmo da Crioula;
  • No Ritmo da Pungada;
  • Pungadas de São Benedito
  • Pungada Ancestral dos Quilombos e
  • No Sotaque do Tambor.

Sem mais nada a tratar, a reunião foi encerrada às 18:30 horas, conforme planejado.

Diretoria ALCAP

SAUDAÇÃO AO SOL

Por Ana Creusa

Papai era um exímio observador da natureza. Ele se guiava pelos planetas e estrelas. Venerava o Sol, contemplava-o todas as manhãs com uma saudação de louvor e admiração, recebendo dele a energia necessária para mais um dia de trabalho.

José Santos se conectava ao Universo de forma peculiar e poderosa. Ele, a cada dia se lapidava como uma pedra preciosa de alto quilate – José era um ser humano ímpar. Tinha sua forma própria de captar Sabedoria, como disse Sodrezinho no artigo Palavras ditas e não ditas: não se sabia o que ele não sabia.

Atribuo a sabedoria de meu pai à obediência às leis universais. Por meio dessa conexão habitual à natureza, ele alimentava o sentimento de amor e devoção a Deus.

Todas as manhãs, José dirigia sua atenção ao Sol nascente. O momento em que o Sol aparecia no horizonte, na direção leste, era sagrado para José. Ele não perdia esse momento mágico por nada neste mundo. Sempre lá estava ele, em posição de sentido aguardando para saudar o astro rei, em completo silêncio.

No inverno, as imagens do campo cheio misturavam-se à imensidão do céu que se espreguiçava do repouso da noite anterior. José era envolto àquela paisagem inédita a cada alvorecer.

No verão, a relva molhada da noite encontrava-se com as nuvens furta cor, formando um todo, incapaz de se estabelecer qualquer divisão. José era envolto àquela dança, flutuava no mesmo compasso. Ele fazia parte daquele Universo multicolorido. Sem perceber, fechava os olhos.

Naquele estado letárgico, ele permaneceria a eternidade. Quando, aos primeiros clarões ao leste, o canto e revoar das graúnas, fazia com que ele abrisse os olhos. Com espanto, via que o cenário era outro, tudo mudara. Nada do que via antes do estado letárgico existia mais.

Estabelecia-se uma nova harmonia, que se juntava a ele, desta feita ornamentando tudo com o brilho do Sol, para dizer que o dia chegou!

Sempre tive a curiosidade de saber qual a fonte de Sabedoria do meu pai, como ele aprendeu tantas coisas. Quem conheceu meu pai, sabe que ele tinha algo especial. Ele sabia de coisas que jamais tivera experiência.

Lendo Deepreck Chopra, não tive dúvidas: era nesse encontro com o Sol que ele acessava a Sabedoria Infinita.

O sol nasce para todos. Mas nem todos... Ely Santos - Pensador

 

ALCAP Lança o III Prêmio Naisa Amorim com Foco na Cultura Popular do Brasil e do Maranhão

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), lança a terceira edição do Prêmio ALCAP Naisa Amorim, consolidando-se como uma das principais ações de incentivo à arte, à leitura e à escrita no município de Peri-Mirim. As inscrições estarão abertas de 27 a 30 de outubro de 2025, com premiações em dinheiro, certificados e placas de reconhecimento.

Com o tema “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão”, o concurso busca valorizar as manifestações culturais que compõem a identidade do povo brasileiro, especialmente do Maranhão. Alunos da rede pública e particular de ensino do município poderão participar em quatro modalidades: Desenho, Poesia, Crônica e Escola Criativa.

MODALIDADES E PÚBLICO-ALVO:

Desenho: para estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Poesia: para estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e EJA.

Crônica: para estudantes do 1º ao 3º ano do Ensino Médio e EJA.

Escola Criativa: voltada para instituições que desenvolverem ações de mobilização para o concurso.

As escolas participantes devem promover oficinas de produção artística e literária, realizar a seleção dos trabalhos e efetuar as inscrições presencialmente na Biblioteca ALCAP Prof. Taninho, localizada no prédio do SINDPROESPEM, nos turnos da manhã e tarde.

PREMIAÇÃO

Os primeiros, segundos e terceiros colocados de cada categoria receberão prêmios em dinheiro, que variam de R$ 150,00 a R$ 500,00 além de certificados e placas de reconhecimento. Também serão homenageados os professores orientadores e as escolas envolvidas.

Como forma de promoção da equidade, pelo menos uma das vagas premiadas de cada categoria será destinada a estudantes das escolas da zona rural.

EVENTOS DA PREMIAÇÃO

Os trabalhos premiados serão apresentados publicamente em um evento cultural a ser anunciado em breve, com a presença dos autores e professores. A participação nesse momento é obrigatória para recebimento do prêmio.


O III Prêmio Naisa Amorim é uma homenagem à educadora perimiriense que marcou gerações com seu amor pela educação e pela cultura. A ALCAP reforça o convite a todas as escolas para se engajarem nessa iniciativa que fortalece os laços entre educação, arte e identidade cultural.

Inscrições: 27 a 30 de outubro de 2025
Local: Biblioteca ALCAP Prof. Taninho – Rua Desembargador Pereira Júnior, s/n – Prédio do SINDPROESPEM
📩 Dúvidas: academiaperimiriense@gmail.com | (98) 98123-5629

Confira o Edital nos Links abaixo:

EDITAL III PRÊMIO

RESUMO

ALCAP entrega comunicados aos familiares dos patronos das cadeiras 30 a 40

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) realizou a entrega oficial dos comunicados aos familiares dos novos patronos eleitos para ocupar as cadeiras de número 30 a 40 da instituição. A ação representa um marco na preservação da memória e da identidade cultural do município de Peri-Mirim, além de ser um gesto de reconhecimento público àqueles que deixaram um legado de contribuição à sociedade perimiriense.

Os patronos eleitos são:

Cadeira 30: Carmem Martins

Cadeira 31: J. Campos

Cadeira 32: Dedeco Mendes

Cadeira 33: Dona Morena

Cadeira 34: Sipreto

Cadeira 35: Madalena Corrêa

Cadeira 36: João Batista

Cadeira 37: Lobato Viana

Cadeira 38: Pe. Helder (MSC)

Cadeira 39: Raul Mendes

Cadeira 40: Floriano Mendes

Os comunicados foram entregues diretamente às famílias dos homenageados, em visitas realizadas por membros da ALCAP. Os momentos foram marcados por emoção, gratidão e partilha de memórias. Em cada entrega, reviveu-se a trajetória de vidas que contribuíram de maneira significativa com a história do município.

A cerimônia de posse dos patronos será realizada em breve, em data a ser anunciada pela Academia. Na ocasião, os novos patronos serão reverenciados publicamente em solenidade oficial.

Confira alguns registros da entrega dos comunicados:

Clube de Leitura da ALCAP realiza encontro especial com roda de conversa sobre cultura popular

No último sábado, 25 de maio de 2025, o Clube de Leitura da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) promoveu um encontro marcante no auditório do SINDPROESPEM, em Peri-Mirim. A atividade integra a programação anual do Clube, cujo tema de 2025 é “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão”.

O encontro foi enriquecido por uma roda de conversa especial com a participação de convidados que representam diferentes vozes da cultura local e maranhense. Estiveram presentes o escritor Francisco Viegas, considerado uma das vozes ativas da memória perimiriense; Dona Nicinha, guardiã da tradicional Festa do Divino em Peri-Mirim; Rodrigo Quintanilha, educador, artista e coordenador da Associação Cultural Casa Angola; e Ricon, reconhecido como guardião das tradições quilombolas e do Tambor de Crioula.

A mediação foi conduzida pela acadêmica Edna Jara Abreu Santos.

Além dos debates, o encontro contou com a discussão de dois livros: Arte e Devoção, de Joana Bittencourt, e Curiosidades Históricas de Peri-Mirim, de Francisco Viegas. Ambos os títulos dialogam diretamente com os saberes, as práticas e a história da região.

Um dos momentos mais aguardados foi a apresentação cultural do Tambor de Crioula do Magueiral, que emocionou o público com a força de sua ancestralidade e sua energia contagiante, reafirmando a importância da preservação das manifestações tradicionais.

A ALCAP reforça, com essa iniciativa, seu compromisso com a valorização da identidade cultural da Baixada Maranhense, promovendo encontros que conectam literatura, memória e tradição.

 

CLUBE DE LEITURA ALCAP PROMOVE RODA DE CONVERSA SOBRE CULTURA POPULAR

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) convida toda a comunidade para o próximo encontro do Clube de Leitura Prof. João Garcia Furtado, que acontecerá no dia 25 de maio de 2025, às 15h, no auditório do Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM), localizado na Rua Desembargador Pereira Júnior, nº 85, Centro. Peri-Mirim-MA. A reunião  terá transmissão simultânea via Google Meet.

Com o tema: “Cultura Popular – Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão“, o encontro contará com uma enriquecedora roda de conversa com convidados especiais que são referências em suas áreas de atuação:

  • Francisco Viegas – escritor convidado e voz ativa da memória perimiriense, autor dos livros: Seminarista Graças a Deus, Curiosidades Históricas de Peri-Mirim e Peri-Mirim: cem anos de emancipação;
  • Dona Nicinha – guardiã da tradicional Festa do Divino Espírito Santo em Peri-Mirim e
  • Rodrigo Quintanilha – educador físico, artista da cultura popular e tradicional com as manifestações da Capoeira Angola, Samba de Roda, Tambor de Crioula e Bumba Meu Boi e coordenador da Associação Cultural Casa Angola.

Os participantes terão a oportunidade de dialogar sobre os livros “Arte e Devoção”, de Joana Bittencourt e “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim”, de Francisco Viegas, obras que celebram a memória, a fé e a identidade da região.

A mediação será feita pela acadêmica Edna Jara Abreu Santos, coordenadora do projeto.

Segundo a presidente da ALCAP, Jessythannya Carvalho Santos: “Este será mais um momento de valorização das tradições locais e de fortalecimento dos laços entre literatura, cultura e comunidade”.

🔗 Inscreva-se agora!
Garanta sua participação acessando o link: https://forms.gle/MPvTLnWKV1KmyZ8r9

Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá

Por Edna Jara Abreu Santos

Fragmento da Crônica: Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá (2018)

[…]

Na década de 50, a crença em criaturas do nosso folclore era bem mais presente. As pessoas temiam e muitos tinham o “desprivilegio” de vê-los frente a frente. Há relatos de pessoas que ficaram diante do mula-sem-cabeça, mãe d’água e curacanga, mas era o curupira que mais atormentava os animais e os poucos moradores da cidade, levando-os a abandonar suas casas e até à morte, em muitos casos. Acredita-se que quando a região de mata densa é pouco habitada por seres humanos é possível que exista as tais assombrações. Dizem os mais velhos que quando o assovio do Curupira é ouvido bem perto, ele/eles já está/estão longe, agora quando o assovio está longe, com certeza à criatura está bem próximo da pessoa. E ademais, quando os trabalhadores entravam no matagal e se dividiam, o (s) curupira (s) fazia (m) o mesmo assovio dos homens e eles se perdiam no mato à dentro, passavam horas para enfim se encontrarem.

Francisca do Carmo França Abreu, perimiriense de 71 anos, relata lendas e crendices sobre a aparição destes seres mitológicos. Recorda-se da vida e morte de um dos seus irmãos. Ele era fascinado por borboletas, a ponto de segui-las em seus mais longos voos, esquecia a hora e nem via o local que adentrava. Muitas vezes era resgatado dentro da mata, por conta desse deslumbre. Até um dia que ficou muito doente, na época sem hospitais e remédios para cura do sarampo, foi definhando dentro de uma rede. E pela sua aparência, todos atestavam que o mesmo estava assombrado. Ouviam com muita frequência assovios de curupiras todos as noites nas proximidades da casa, durante todo o tempo que passou dentro da rede doente, quando morreu, aquele barulho sessou.

O tão temido e conhecido “Caminho da frieza”, localizado no povoado Poções (antes do Chavi), recebeu esse nome por conta dessas aparições e o ambiente ficava uma geleira, mesmo em dias ou noites calorosas. Desde assustar cavalos ou deixá-los cansados na travessia (como se de repente um peso os rebaixava deixando quase rastejando), dor de cabeça no (s) viajante (s), febre e até morte dos mais valentes que queriam medir forças com a tal visagem, quem por algum motivo ou circunstância fizesse a travessia ao meio dia, doze horas, seis horas da tarde e à meia noite, certamente teria um acompanhante desagradável na viagem. Conta que certa vez, quando criança, ela e sua mãe precisaram atravessar esse caminho, e na volta já tarde, passaram por um “igarapezinho”, quando de repente sua mãe, ao olhar para trás avistou bem perto um cavalo enorme, alvo e sem cabeça. Ele passou bem perto e sua mãe assustada puxava-a pelo braço, para saírem daquele lugar.

A “mãe-d’água” era outro ser mitológico que causava terror aos banhistas que adentravam os rios ou que se serviam da água dos poços principalmente ao meio dia, e a partir de seis horas da noite. Para tanto, os banhistas deveriam sempre recorrer ao respeito pedindo permissão para adentrar aquele espaço e usar daquela água. Geralmente, nesse tempo os poços eram bem distantes das casas habitadas e quando iam sozinhos quase sempre chegavam em casa contando as aflições presenciadas.

É provável que um dos motivos que hoje não é possível ouvir sobre estas criaturas com mais intensidade, seja pelo fato do crescimento populacional. Onde antes era só vegetação, hoje tem casas e moradores e, cada vez mais, as pessoas estão devastando áreas para fazer roças e construção de propriedades. Outro possível motivo pode ser o advento da iluminação pública, onde antes havia muitas trevas, hoje há luz.

Nesse sentido, há diversas linhas que correm sobre a veracidade dos fatos: o medo que tem o poder de fazer a mente criar situações apavorantes; os contos engabelados dos antepassados transmitidos a gerações… ou então, devemos acreditar que de fato existiam todos esses personagens fabulosos que um dia dominaram o espaço que ocupamos hoje?

Em meados do século XX, Peri-Mirim era constituída de vegetação em quase toda sua totalidade, por exemplo, o Campo de Pouso era mata fechada com apenas um caminho estreito no meio. Na oportunidade, destaca-se os primeiros padres que aqui chegaram e que tiveram importância significativa na qualidade de vida do Município, bem como na proteção e conhecimento sobre os mitos, foram eles: Monsenhor Gerard Cambron e os padres, Leonel, Edmundo, Paulo, Gil e Gerard Gagnon. A chegada Oficial dos padres na cidade foi em 15 de agosto de 1958, data que marcou também a Fundação da Paróquia São Sebastião. Eles abriram estradas, construíram capelas nas comunidades locais e também em beiras de estradas, incentivavam as famílias a participarem das reuniões, missas, a comungar-se, batizar os filhos, doavam e ensinavam diversos usos de plantas e ervas medicinais.

Em suma, a dona Francisca nostálgica, conta ainda que as crenças religiosas e costumes eram respeitados nas datas comemorativas, por exemplo, no carnaval (fevereiro) se tinha os aqueles dias de festas, mas quando se aproximava a Quaresma, as mulheres não podiam usar nenhum tipo de pintura, como batons, pintar unhas e nenhum tipo de diversão: os dias eram sagrados. Se a Semana Santa (março/abril) começasse em uma quarta-feira, até terça-feira as pessoas limpavam suas casas, torravam café, socavam arroz no pilão, estocavam comida, rachavam lenhas e guardavam. Enfim, faziam tudo antes da “Quarta-feira Santa”, pois a partir desse dia as pessoas nem podiam sair de suas casas, muito menos bater nos filhos ou falar palavrões. Eles também soltavam as galinhas, porcos e os demais animais presos; até os meliantes que se encontravam nas celas da delegacia era dado a eles o direito de ficarem soltos esses dias.