Márcio Mateus Câmara

Márcio Mateus Câmara é filho de Peri Mirim–MA, nascido em 31 de agosto de 1999, e desde seu nascimento é morador do povoado Três Marias. É filho de Laurenir Ferreira Câmara, que assumiu o papel de mãe solo. Até atingir a maioridade, foi criado e educado sob a responsabilidade de seus avós maternos, Antônia Ferreira Câmara, quebradeira de coco, e Raimundo do Rosário de Souza Câmara, vaqueiro. Mesmo oriundos de uma realidade humilde e com baixa escolarização formal, seus avós sempre foram pilares fundamentais de incentivo à educação, transmitindo-lhe valores como esforço, responsabilidade e a compreensão da educação como principal instrumento de transformação social.

Cursou toda a sua educação básica na comunidade de Três Marias, iniciando no Jardim de Infância Balão Mágico, passando pela Escola Municipal São Benedito e pelo Anexo Arthur Teixeira de Carvalho, onde concluiu o Ensino Médio. Desde a educação básica, sempre demonstrou interesse pelos estudos, sendo frequentemente reconhecido por seus professores como um aluno dedicado e comprometido com o próprio processo de aprendizagem. A educação, desde cedo, apresentou-se como um campo de interesse e identificação pessoal, tendo como importante inspiração sua tia, Conceição de Maria Ferreira da Silva, professora e primeira integrante da família a alcançar formação em nível superior.

Após a conclusão do Ensino Médio, foi aprovado no curso Técnico em Administração ofertado pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Posteriormente, ingressou na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), no curso de Ciências Biológicas, área pela qual sempre demonstrou interesse, motivado especialmente pela relação entre ciência, natureza e meio ambiente. Essa formação consolidou sua compreensão sobre a importância da educação científica aliada à sustentabilidade e à valorização dos conhecimentos locais.

Sua monografia de conclusão de curso esteve relacionada à utilização do coco babaçu na produção de artesanato, trabalho desenvolvido em homenagem à sua avó, quebradeira de coco, e inspirado na realidade das famílias da zona rural. A pesquisa buscou evidenciar novas possibilidades de uso dessa matéria-prima, de forma sustentável, como alternativa para geração de renda por meio do artesanato, valorizando a cultura e fortalecendo o sustento das famílias que dependem dessa prática.

Possui formação complementar na área de metodologias ativas aplicadas à educação e, atualmente, é mestrando em Ciências da Educação pelo Instituto ILUSES, desenvolvendo estudos voltados à prática pedagógica, à gestão educacional e à qualificação da educação pública. Atua na rede pública municipal de educação de Peri Mirim desde 2021. Ao longo desse período, exerceu as funções de agente administrativo, professor alfabetizador e professor dos anos finais do Ensino Fundamental, construindo uma trajetória marcada pela diversidade de experiências pedagógicas e administrativas.

Atualmente, exerce o cargo de Coordenador Pedagógico da Escola Municipal São Benedito, instituição na qual realizou parte significativa de sua formação básica, atuando, inclusive, ao lado de algumas de suas antigas professoras, o que reforça seu compromisso com a educação pública e com a comunidade que contribuiu para sua formação. Integra, ainda, o Grupo Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) de Peri Mirim. Possui experiência como formador na área de Ciências da Natureza, contribuindo com ações formativas voltadas ao fortalecimento das práticas docentes. Paralelamente, atua como professor de Ciências nos anos finais do Ensino Fundamental no município de Pinheiro–MA, ampliando sua vivência profissional.

No campo acadêmico, possui produção científica, com destaque para o artigo “Práticas ecológicas educacionais no combate à poluição: uma revisão bibliográfica”, publicado na Brazilian Journal of Development. Participou também do Congresso Nacional de Ensino de Ciências e Biologia (online), apresentando, na modalidade resumo, o trabalho “Produção e utilização de materiais didáticos para o ensino aprendizagem de doenças parasitárias: amebíase”, na área temática de Ensino de Ciências e Biologia.

Além da produção científica formal, desenvolve produções pedagógicas informais, especialmente projetos voltados à recomposição das aprendizagens, com foco em leitura e fundamentos matemáticos, implementados na escola sob sua coordenação. Atua ainda na promoção de ações sociais, culturais e ambientais no contexto escolar, como o projeto “Dia de Rainha”, em homenagem ao Dia das Mães, torneios pais e filhos no Dia dos Pais e a Caminhada Ecológica, fortalecendo os vínculos entre escola, família e comunidade.

Reconhece-se como um jovem educador atuante em sua comunidade, comprometido com a valorização da educação pública, com a formação integral dos estudantes e com o desenvolvimento de práticas pedagógicas socialmente responsáveis, contextualizadas e alinhadas às demandas educacionais contemporâneas.

Ana Maria Corrêa Barbosa

Ana Maria Corrêa Barbosa, brasileira, nascida no dia 01 de abril de 1985, na comunidade Pericumã, no município de Peri Mirim-MA. Filha de pais lavradores, com cinco irmãos. Sendo o seu pai José Reis Barbosa e sua mãe Maria José Corrêa Barbosa.

Estudou em escolas públicas, cursando o Magistério no período do ensino médio, o que a levou a prestar alguns concursos da região para professora. Foi aprovada em três. Em 2008 recebeu a nomeação como professora no município de Bequimão-MA. Hoje, é professora efetiva do mencionado município. Graduada em Licenciatura em Filosofia e Pedagogia pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA e pós-graduada pela Faculdade Santa Fé em Docência da Educação Básica e Superior.

Atualmente, com uma carreira profissional na área da educação e membro do conselho fiscal da Associação dos Moradores Quilombolas da Comunidade Pericumã – AMQUIPE, contribui para melhorias na comunidade através de ações comunitárias e motivação para que as tradições e valores do povo quilombola seja lembrado e respeitado.

Sivaldo Melo Buais

Sivaldo Melo Buais, conhecido por Dr. Silvinho ou simplesmente Silvinho. Nasceu no município de Peri Mirim em 17 de novembro de 1971, sendo o segundo de uma prole de doze (12) filhos do casal Sebastião Latimberg Buais (Baco) e Santíssima da Trindade Melo Buais (Tasha e Santinha). Irmãs e irmãos: Fefinha, Chica, Lena, Tatá, Neide, Dacione, Sidinho, Tchuka, Baquinho, Bibico e Zé (em memória). Porém, foi criado e educado por sua avó materna Itelvina (em memória), a quem considerava como mãe.

Casado com a professora Maria Ribamar P. Buais (Sinoca), com quem convive desde 1989 e tem um casal de filhos, Samara Pereira Buais e Sanmuel Pereira Buais.

Estudou de 1ª à 4ª série na Escola Carneiro de Freitas localizada na Praça São Sebastião na sede deste município. Cursou o ensino fundamental em São Luís MA, (CEMA do Anjo da Guarda e Unidade Integrada Roseana Sarney Murad no São Francisco). Por gostar de estudar e por falta de oportunidades para o ensino superior, concluiu o ensino médio três vezes, as duas últimas em Peri Mirim onde contou com a orientação de vários Professores, inclusive, o saudoso professor Batista Martins.

Formou-se em Magistério no ano de 1999 pela Escola Cecília Botão.

Aos 12 anos aprendeu eletrônica e trabalhou como Radiotécnico de 1985 até 2012, tendo sido Técnico titular da TVC eletrônica (São Luís), Eletro-Sistem (São Luís) e Eletrônica Buais (Peri mirim) de 1994 a 2007, fez alguns projetos eletrônico, montagens de aparelhagens de som, circuitos elétricos e outros.

Embora tivesse vocação para o direito desde da infância, seu interesse pelo curso aumentou, após, ter sido injustiçado por desinteresse de um profissional da área criminal, contudo só conseguiu ingressar na faculdade de direito aos 41 anos de idade, sendo o mais velho e o menor da turma, pois, a idade de seus colegas era inferior a 25 anos. Apesar disso, com a benção de Deus, foi aprovado no exame de ordem ainda cursando a faculdade.

Além de advogado, é professor, eletricista, técnico em eletrônica, serralheiro, soldador elétrico, pedreiro, carpinteiro, encanador, motorista, montador de antenas parabólicas, operador de ETA, operador de sistema, técnico em informática e etc.

Aprovado em diversos concursos públicos, trabalhou como vigia/porteiro e professor pelo município de Palmeirândia de 1997 à 2019, Instrutor e supervisor do IBGE no ano 2000 e na CAEMA como Operador de ETA desde 2007.

Formação acadêmica: Pedagogia, Magistério, Contabilidade, Direito, (Licenciatura em matemática e licenciatura em Música incompletos) e ainda cursos de extensão em Gestão Escolar, Inglês e Espanhol.

Especialista em Direito Criminal, Direito Eleitoral, Direito Trabalhista e Previdenciário. Cursando especialização em Investigação Forense e Perícias Criminais.

Mestrando em Direito pelo CEUMA. Atua desde 2018 como Defensor Dativo na área criminal.

É também, Conselheiro Ambiental representando a CAEMA no Comitê de Bacias(CBH) do Rio Turiaçu e vice-presidente da comissão provisória para criação do Comitê de Bacias(CBH) do Rio Pericumã, além de participar de outros projetos na área ambiental. Representante jurídico da igreja CCB com sede administrativa em Pinheiro MA.

Membro da coordenação territorial das associações quilombolas de Peri Mirim e assessor jurídico de outras instituições. Participante do movimento das pessoas com deficiência. Membro de algumas comissões da OAB, nas áreas de meio ambiente, criminal/direitos humanos, eleitoral, previdenciário e outros.

Laércio Lúcio de Oliveira

O Professor Laércio Lúcio de Oliveira é educador dedicado à formação de estudantes nas áreas de Matemática e Ciências da Natureza. Com ampla experiência no ensino fundamental, médio e superior atua com foco em metodologias ativas e no desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico dos alunos há mais de vinte oito anos. Nascido em 08 de abril de 1969 em São Luís -MA ´, é filho de Demerval Zacarias de Oliveira e Neide Pereira de Oliveira, ambos nascidos em Peri-Mirim MA, pai de dois filhos e torcedor do Maranhão Atlético Clube (MAC).

Bacharel e Licenciado em Matemática pela UFMA, possui especialização em Docência do Ensino Superior, Mestrado e é doutorando em Matemática. Professor ativo da Secretaria de Educação do Estado do Maranhão há vinte oito anos. Foi professor substituto da UEMA , UFMA, e contratado da FACAM, sempre ministrando disciplinas de Cálculo, Estatística e Matemática Financeira. Atualmente é professor da rede estadual de ensino e professor
formador na modalidade EAD da UFMA.

Reconhecido pelo compromisso com a aprendizagem significativa, o professor Laércio busca relacionar os conteúdos escolares ao cotidiano dos estudantes, promovendo aulas dinâmicas, contextualizadas e interdisciplinares. Sua missão é inspirar o gosto pelo conhecimento matemático, estimulando a curiosidade e o pensamento científico. Atualmente, dedica-se também a projetos voltados à estatística, educação financeira e formação continuada de professores.

Maria do Carmo Pereira Pinheiro

Maria do Carmo Pereira Pinheiro nasceu no povoado Ponta de São João, em Peri-Mirim. Em 1980, mudou-se com seus pais para São Luís, onde morou até 2013, no bairro do Coroadinho. Em 1982, seus pais retornaram para a cidade de Peri-Mirim. Nessa época, Maria do Carmo permaneceu em São Luís, morando no bairro Santo Antônio, na casa de um engenheiro e sua esposa, o que possibilitou a continuidade de seus estudos.

Posteriormente, residiu em diferentes bairros da capital maranhense, como Vera Cruz e Vila Palmeira. Em seguida, morou com Maria Dilma Duarte Nunes, mãe do ex-deputado José Carlos
Nunes, período em que conseguiu avançar ainda mais em sua formação escolar.

Mais tarde, ao lado de sua irmã, arrendou um mercadinho pertencente à senhora Ana Mariêta de Brito Freire e a seu esposo George Humberto Martins Miranda. A partir desse momento, sua vida começou a se estabilizar, possibilitando ajudar seus pais e irmãos. Também foi proprietária de uma lanchonete, conquista que contribuiu para a realização do sonho da casa própria. Com o
avanço da idade de seus pais, retornou à sua cidade natal, onde passou a residir novamente.
Filiação e família
Pais: Benedito dos Santos Pinheiro e Francelisia Pereira Pinheiro
Irmãos: Gracimeire Pereira Pinheiro; Sebastião de Jesus Pereira Pinheiro (in memoriam); José Domingos Pereira Pinheiro; Ijailson Pereira Pinheiro; Maria Domingas Pereira Pinheiro; Neilson
dos Santos Pereira Pinheiro
Filha: Ana Sheilla Pinheiro Pimentel, fruto de seu relacionamento com Marcos Reis Pimentel
Formação acadêmica
Maria do Carmo percorreu diversos colégios durante sua trajetória escolar, em razão das mudanças constantes de bairro:
– 1a série – Escola São José (1981)
– 2a e 3a séries – Instituto Farina (1982-1983)
– 4a série – Unidade Integrada José Assub (1984)
– 5a série – Unidade Integrada Coronel Lara Ribas / SESI (1985)
– 6a e 7a séries – Colégio Luís Viana (1986-1987)
– 8a série – Colégio Arruda Martins (1989)
– Magistério – Colégio Castro Alves (1990-1992)
– Científico – Liceu Maranhense (1998-2000)
Ensino superior e especializações
– Tecnólogo em Gestão Empresarial – Uniceuma (2002-2004)
– Licenciatura em Pedagogia – Faculdade de Teologia Hokemãh (2015)

– Especialização em Informática na Educação – Instituto Federal do Maranhão (IFMA), campus
São Raimundo das Mangabeiras (2022-2024)
– Pós-graduação em Psicopedagogia Institucional e Clínica – (2021-2022)

Trajetória profissional

Ingressou no serviço público como agente administrativo, após aprovação em concurso. Entretanto, foi na área da educação que encontrou sua verdadeira vocação. Atuou como professora, educadora inclusiva e, atualmente, exerce a função de psicopedagoga, sempre dedicada à formação e ao desenvolvimento de crianças e jovens.

Vida política e social
Participa ativamente de projetos educativos, ornamentais e esportivos, voltados ao desenvolvimento social e cultural de sua cidade.

Vida religiosa
De fé católica, mantém-se aberta à vivência e à espiritualidade em outras igrejas cristãs.
Frase de vida: “Gratidão por cada capítulo da minha história.”

Benedito de Jesus Costa Serrão

Por Cintia Cristina Martins Serrão Diêgo Nunes Boaes

Benedito de Jesus Costa Serrão nasceu no povoado Centro dos Coelhos, município de Palmeirândia, no dia 20 de dezembro de 1933. Filho de Frederico Alves Serrão e Celestina Costa, teve três irmãos: José Beijamim, Maria José e Onélio Costa.

Em 1965, Benedito de Jesus, conhecido como De Jesus Serrão, mudou-se para o povoado Três Marias para trabalhar como benfeitor do senhor Jaime Martins Corrêa (conhecido como Jair), um importante produtor de cana-de-açúcar da região, que possuía alambiques, engenho e fabricava cachaça e mel de cana.

Foi nesse período que De Jesus conheceu a senhora Carmem Martins, no povoado Tijuca. Juntos, decidiram viver em união e constituíram família, tendo três filhos: Cíntia, Benedito Filho e Weliton. Ele já tinha outros filhos de relacionamentos anteriores: Celico, Nazaré, Ana Lucia, Marileia, Laudilene Josely, Fideles, Suely, Helio, Heliezer, Ivanilde, Elisabethe e Francisco.

Após se estabelecer em Três Marias, De Jesus propôs a compra de um pedaço de terra ao senhor Durans, que aceitou a negociação. No terreno adquirido, localizado à direita da propriedade, construiu sua casa e fixou residência definitiva.

Em 1970, iniciou seus próprios negócios, abrindo um comércio de compra e venda de arroz e babaçu, contando com o apoio da esposa Carmem e do sócio Cosme Duarte, apesar de continuar colaborando com o senhor Jair. Sua postura prestativa e a disposição em ajudar a comunidade fizeram com que De Jesus se tornasse conhecido em diversos povoados vizinhos.

Por morar próximo à estrada que ligava vários municípios, De Jesus conheceu Geraldino e Isaac Dias, importante político da cidade de São Bento. A amizade com Isaac cresceu a ponto de ele se tornar padrinho de um de seus filhos. Reconhecendo seu potencial, Isaac incentivou De Jesus a ingressar na política, convidando-o a filiar-se a um partido no município de Peri-Mirim.

Dessa forma, começou sua trajetória política. Em 1972, candidatou-se pela primeira vez ao cargo de vereador, ficando na suplência. A partir dessa data continuou persistente, não desistiu. A convite do prefeito João Pereira foi trabalhar na prefeitura de Peri-Mirim no ano de 1978, lá conheceu a Eloisa que é a sua atual companheira com quem teve dois filhos Salma e Yuri. e, em 1982, foi eleito prefeito de Peri-Mirim, exercendo um mandato de seis anos. Em 1988, a sua sucessora foi a senhora Carmem Martins, e em 1996, retornou ao cargo de prefeito, conquistando novamente a confiança da população.

Durante seus mandatos, realizou obras de grande impacto para o município, como a construção de postos de saúde, escolas, prefeitura, câmara municipal, mercado municipal e jardins de infância, além de trazer diversos outros benefícios para a população.

De jesus tem um grande legado na politica do município de Peri-Mirim, com pessoas da sua família à frente de algumas gestões, a sua ex companheira Carmem Martins, o seu filho Yury e o atual prefeito Heliezer.

De Jesus, como é carinhosamente conhecido, continua entre nós e é reconhecido como um dos grandes políticos que marcaram a história do município, deixando um legado de trabalho e dedicação ao povo de Peri-Mirim.

SEBASTIÃO ÁLVARES PINHEIRO

ENTREVISTA REALIZADA EM 07 DE SETEMBRO DE 2022

ENTREVISTADOR: Acadêmico Francisco Viegas Paz

Acompanharam a entrevista alternadamente: João Lopes (genro), Clóvis Martins Pinheiro (filho) e Rosa Amélia Pinheiro Lopes (filha).

Sebastião Álvares Pinheiro, nasceu em 19 de janeiro de 1931, (atualmente com 91 anos de idade), no povoado de Minas, município de Peri-Mirim, filho de Vicente Nunes Pinheiro e Ângela Álvares Pinheiro. Ele se considera lavrador, embora praticasse o comércio de compra e venda de bens de consumo alimentar e outros produtos.

Sebastião foi aluno da professora Cecília Botão, com quem estudou até a 5ª série do primeiro grau. Como foi bem alfabetizado, desenvolveu a técnica de pronunciar o alfabeto de trás para frente.

Sebastião foi casado com Damiana Francisca Martins Pinheiro, já falecida e com a qual teve os seguintes filhos:

01 – Antônia Martins Pinheiro;

02 – Sebastião Martins Pinheiro;

03 – Clóvis Martins Pinheiro;

04 – Fátima Martins Pinheiro;

05 – Rosa Maria Martins Pinheiro;

06 – Luiza Helena Martins Pinheiro;

07 – Rosa Amélia Pinheiro Lopes.

Sebastião é um homem dedicado à religião católica, que a pratica em prol da família e da comunidade. É de sua autoria entre outros a criação da comunidade J.J.M. (Juçaral, Jaburu e Minas).

Durante muitos anos Sebastião conviveu com uma doença que dificultava o seu deslocamento e o fazia andar com passos trôpegos. Em função disso frequentava constantemente consultórios médicos. De tantas idas e voltas, os profissionais de saúde formaram uma junta médica com o intuito de estudarem a sua patologia e tentarem reverter o quadro clínico ora apresentado. E deu certo. Sebastião foi medicado e encaminhado para o Sara em Brasília. O remédio milagroso, até hoje, o mantém literalmente de pé.

Com todas as dificuldades que a vida lhe impôs por muitos anos, ele não se entregava a convalescência e trabalhava na lavoura e principalmente comercializando todo tipo de mercadoria, levando umas de Peri-Mirim para São Luís e trazendo outras de São Luís para Peri-Mirim, em barco a vela, na época da sua militância.

Sebastião criava um pequeno rebanho de gado para a subsistência da família, conforme relatou sua filha Rosa Amélia.

O entrevistador agradeceu em nome da ALCAP e encerrou a entrevista.

JOÃO BATISTA LIMA

Por Ana Creusa e Ana Cléres

João Batista Lima nasceu em 15 de março de 1931, no Bairro de Portinho, no município de Peri-Mirim/MA. Filho de Raimundo Lima e Raimunda França Lima. Afirmou que teve 16 (dezesseis) irmãos e que ainda tem uma irmã viva que mora em Brasília.

Estudou até o 4º ano com a professora Santinha Miranda. Vinha caminhando do Portinho até a sede para estudar. O ensino era na palmatória. A professora batia nas pernas. No dia do “Argumento” ele sentava-se no final da sala para dar bolo nos colegas que erravam a Tabuada ou na leitura.

Vereador na época de Zé Bacaba. Conviveu com Agripino Marques. Conheceu Ignácio de Sá Mendes, que morava na esquina, onde hoje funcionou Centro de Ensino Médio Escolar Artur Carvalho (antigo CEMA).

Lembra que a Igreja de São João Batista do Portinho foi fundada por Secundino Pereira, cujo barco também homenageava o Santo.

João Lima casou-se com Maria Celeste Martins Lima. Tiveram 10 (dez) filhos, todos vivos: Maria do Sacramento Lima; Dulcineia Lima Barros, José Ribamar Lima, João Lima Filho, Jaime Martins Lima, José de Jesus Lima, Assunção de Maria Lima, Doralice Lima Nunes, Jadilson Martins Lima e Maria do Livramento Lima.

Foi vereador por vários mandatos, informou que as reuniões eram marcadas pelo Prefeito e que não existia remuneração para os vereadores. Foi empregado do Estado do Maranhão, vigia do CEMA, nomeado pelo Governador João Castelo.

João Lima foi responsável por várias obras, como a estrada do Portinho. Lembra que o prédio antigo da prefeitura fora construído por Marcionílio, que era do Povoado Santana e morava na Rua do CEMA. Teve conhecimento que Marcionílio era juiz. Lembra que a 1ª professora da Escola São João Batista foi Irani, filha de Luís Escovado, que casou com a filha de Ignácio de Sá Mendes.

Quanto à rivalidade entre as pessoas residentes da sede e os moradores do Portinho, diz que existia essa contenda, mas, que nunca se envolveu, pois, “não era de briga”.

Diz que conheceu José dos Santos, que era conhecido por ser forte, que amassava barro para fazer telhas e tijolos e era amigo de todos e que brincava Bumba Boi, que João Lima também era apreciador. Recorda que existia uma grande competição para ver quem se vestia melhor na festa de São Sebastião.

Disse que o Padre Edmundo ficou muito tempo na paróquia de Peri-Mirim, tem fortes recordações do Casarão das Freiras, as quais trabalhavam na área da Saúde. Também lembrou das parteiras: Rosa, mãe de Severino; Nharinha, mãe de Albertina, irmã de Rita de Osmar, as quais prestaram relevantes serviços à comunidade em uma época que os partos eram feitos de forma rudimentar e na casa da parturiente.

Recorda que a Cooperativa dos Produtores Rurais de Peri-Mirim foi fundada pelo Padre Gerard Gagnon e foi muito importante para os trabalhadores que tinham onde vender seus produtos a preços justos.

Acompanhou vários melhoramentos no município de Peri-Mirim, como a instalação da energia elétrica. Andou de avião teco-teco a partir do Campo de Pouso, com destino a São Luís, levando a sua esposa doente.

João Lima é muito querido em sua comunidade, tem vários afilhados, goza de boa saúde, trabalha no comércio, ainda faz contas e tira prova. É apreciador da cultura popular e mantém viva algumas superstições. Por exemplo, recebeu as entrevistadoras com a camisa do lado do avesso, para não “pegar mal olhado”.

 

OSVALDO ALVES

Por Ana Creusa e Ana Cléres

Osvaldo Alves, conhecido como Brigador, nasceu na sede de Peri-Mirim, em 19 de agosto de 1932. Filho de Mundico Castro e Juliana Maria Lopes Alves. Trabalhava com agricultura e pesca, mas, sua atividade principal era trabalhar com o gado de propriedade de Vadico, irmão de Cotinha de Osmar. Estudou até o 1º ano primário na Casa de Santinha Miranda, a educação era “na palmatória”. Teve que parar de estudar para poder trabalhar e ajudar sua mãe.

Perguntado sobre a sua alcunha de Brigador, Osvaldo falou que morava com sua mãe no local onde depois residiu Sipreto, saía escondido de casa e ia lutar com os amigos no Bairro Campo de Pouso, onde era conhecido como bom de briga.

Casou-se com Nelci, com quem teve 09 (nove) filhos: José Luís Lopes Alves (in memoriam); João Pedro; Osvaldo Alves Filho; Nilton; Francite; Marinete; Lucinete; Carlos Alberto e Josuel.

A casa de Osvaldo e Nelci, localizada na entrada da cidade, era utilizada para abrigar alunos da zona rural, especialmente dos povoados: Poções, Ponta D´Poço, Cametá e Ilha Grande. Os filhos de Zé Santos, Santinho, Dico Nunes e outros, sempre tomavam banho e trocavam roupas para irem à Escola. A criançada eram bem tratada pelo casal.

Perguntado sobre as suas lembranças sobre os prefeitos de Peri-Mirim, Osvaldo respondeu que lembra de Tarquínio de Souza, que morava na Tijuca, tinha engenho, onde um macaco de ferro era utilizado como ferramenta. Muita gente trabalhava nos engenhos do Rio da Prata, Teresópolis e do Engenho Queimado que, segundo Osvaldo, ainda existe.

Também mantém fortes lembranças de Agripino Marques, Ademar Peixoto e Zé Bacaba. Ele destaca que Agripino construiu o Cemitério, a Delegacia, o Colégio Carneiro de Freitas e a Barragem do Defunto (hoje Maria Rita) em regime de mutirão, onde ele participou dos trabalhos como voluntário, assim com Zé Santos e outros. No mutirão ganhavam apenas comida e cachaça. A comida era servida em folha de bananeira. Contou que Agripino indicou a hora exata de fazer a tapagem da barragem. O barro ficou todo acumulado ao lado do canal e foi colocado todo de uma vez, segurando a maresia. Sobre Zé Bacaba, Osvaldo destaca que no seu governo foi instalado o motor de luz elétrica que funcionava somente até as dez horas da noite.

Quanto às tradições, recorda Osvaldo, com saudade, que era brincador de Bumba Boi, que nas apresentações sempre era chamado a participar de lutas como diversão para os presentes, mas para ele era sério, pois, não admitia perder e assim mantinha a sua fama de brigador. Também gostava de brincar Carnaval e do festejo de São Sebastião, cujas roupas eram compradas em São Bento, sempre feitas no capricho pelo alfaiate Antônio Porca e os sapatos, por Antônio de Coió e Chico Putuca. No Festejo de São Sebastião sempre caprichava no paletó.

Conta que era compadre de Jacinto Pinto, padrinho do seu filho Carlos Alberto. Seu compadre foi morto no Povoado Xavi na véspera de ano novo. O corpo passou em sua porta, foi motivo de muita tristeza e comoção.

Osvaldo, com sua memória prodigiosa, falou sobre o carpinteiro Antoninho Lobato, dos marceneiros Jair Amorim e Albino, seus colegas de festas. Afirmou que conheceu Naísa Amorim, que era professora, morava no mesmo local onde posteriormente viveu Paulo Dentista, em frente à casa de Dedeco Mendes. Disse, ainda que conheceu os filhos de João de Deus do Feijoal, especialmente: Manoel Martins, Procório, Benvindo e Isabel Nunes. Conheceu também o Coronel Carneiro de Freitas, que quando vinha a Peri-Mirim, sempre se hospedava na casa de José Gomes, que era irmão de Miguel Gomes que, por sua vez, era marido de Mundica Gomes, mãe de Chiquinho e Borges Gomes.

Recorda com carinho da sua mãe que educava os filhos com rigor, mas não costumava bater. Ele é o 2º filho. Sua mãe os colocava nos trabalhos da roça, tinha muita fartura, fazia farinha na casa de Zé Barreira.

A convite da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), no dia  25/01/2024, Osvaldo Alves participou da Expedição com acadêmicos, professores, alunos e idosos, participou das visitas às obras da Barragem Maria Rita. Osvaldo, visivelmente emocionado, comentava cada momento marcante que o fez voltar ao tempo em que participou da construção da barragem, que àquela época levava o nome de Barragem de Defunto.

UMA LEMBRANÇA EMOCIONANTE

Albina Alves nasceu em 31 de março de 1934 no Povoado Enseada do Tanque. Filha de Antônia Alves e Raimundo Amorim. Sua mãe era de Palmeirândia. Albina residiu por muitos anos na casa da família de Jacintho e Mercês Bordalo e guarda lembranças dignas de registro de José Ribamar Martins Bordalo.

Albina tinha apenas 11 anos de idade, estava na varanda da casa dos Bordalos em São Bento quando ouviu o choro de nascimento de José Ribamar. Ele era um menino saudável. A partir daí ocupou-se dos cuidados com o menino. Acompanhou os primeiros passos, o nascimento dos primeiros dentinho e o balbuciar das primeiras palavras daquela criança que aprendeu a amar e que jamais se separou.

Lembra que a família de Bordalo tinha posses, era um dos maiores comerciantes de São Bento. Mas que o filho Francisco foi acometido de uma doença grave e, por conselho de Dr. Fenando Viana do São José, levaram o menino de avião para tratar em São Luís – venderam todas as suas posses para curar o menino enfermo. O Casal Jacintho e Mercês viajaram para São Luís com Francisco e deixaram as outras crianças nas casas de parentes. José Ribamar ficou na casa do irmão da sua mãe Benvindo Mariano Martins, que recebeu os ensinamentos para cuidar do gado com José de Jesus (Zozoca).

Na volta de São Luís, o casal sem a posses que tinha antes, foram morar no Feijoal nas terras de João de Deus, pai da mãe de Bordalo. Lá com muito trabalho e apoio da Família, voltaram a adquirir posse, dessa feita com a pecuária – paixão que acompanhou José Ribamar até os últimos dias da sua vida.

Albina conta que teve 10 filhos com João José Martins, filho da parteira Tibúrcia. Ela morava no Feijoal – nas terras dos Martins, até seu marido ser assassinado. Ela sempre trabalhava na casa dos pais de José Ribamar, mas com a tragédia foi morar próximo à casa da sua sogra. Porém, nunca perdeu o contato com a família.

Recorda com carinho que foi José Ribamar que a levou para Peri-Mirim e providenciou uma casa para ela morar com a família. Fala com carinho do “menino Bordalo”. Que na fase adulta nunca a abandonou, que a visitava. Sempre atencioso. Diz Albina que ainda não se recuperou da perda de uma das pessoas que mais amou na vida.

Com lágrimas nos olhos, Albina lembra com admiração e Gratidão do menino que viu nasceu e que depois sempre cuidou para que ela ficasse bem, que não lhe faltasse nada! Elevando as mãos ao Céu, ela pede a Deus que acolha José Ribamar Martins Bordalo na Luz da Vossa Face!