Sete de setembro no Grupo Escolar Carneiro de Freitas

Na década de 1970, o dia 07 de setembro era dia de desfile obrigatório no Grupo Escolar “Carneiro de Freitas” em Peri-Mirim/MA, lembro-me da Professora de Ciências, Graça Diniz (in memoriam) que organizava e treinava os pelotões diferenciados, ensaiava acrobacias, danças e performances criativas.

Eu nunca soube onde aquela mulher esquia e brava aprendia essas técnicas. Quando eu cursava a 3.ª série, fui escolhida para sair no Pelotão do “Moinho”, treinei, sabia toda a coreografia. Mas tinha que comprar um tecido quadriculado em vermelho e branco.

Fui tirar as medidas da roupa com tia Rosa – esposa de Constantino -, que morava na sede. Na época eu não sabia o motivo, mas mamãe não comprou o tecido. No dia do desfile, como era obrigatório, tive que ir desfilar de farda.

Ainda bem que eu era a menor da turma e ficava no final do pelotão, assim ninguém podia me ver. Ouvia Graça Diniz gritar: “cadê a Ana Creusa??!!!, cadê Ana Creusa??!!”. Não sei se ela me viu, mas o desfile começou e eu podia ver a turma do “Moinho” com suas evoluções.

Senti o gosto amargo da decepção, na mesma hora compreendi que minha mãe não pôde comprar o tecido, pois a tia Rosa não cobraria pelo feitio da roupa.

Voltei para casa, não falei nada para minha mãe, não falei da minha decepção, nada! A professora discreta, que já tinha sido minha professora na 2ª série, também nunca falou sobre o assunto comigo, acho que ela também compreendeu que eu não tinha roupa para sair no pelotão especial.

Graça Diniz voltou a ser minha professora no Ginásio, na matéria Ciências. Quando eu a via, sempre lembrava do fato. Mas eu tinha uma forma de chamar a atenção daquela nobre professora: era estudar mais! Na 5ª série ginasial apenas três alunos passaram direto, sem fazer prova final, eu estava entre eles, com Gilberto Câmara e Delma Ribeiro.

Memórias de Ana Creusa

Peri-Mirim: Serra Velho

Autora: Eni Amorim

Não se pode afirmar como quando vieram para o Brasil as folias portuguesas da serração do velho. O que se sabe é que as crônicas coloniais do começo do século XVIII já falavam delas com entusiasmo (Mário Ferreira de Medeiros).

Eram festas de rua do povaléu (ralé). Segundo o site meussertões.com.br essa estranha brincadeira se espalhou pelo Brasil principalmente nas regiões norte e nordeste a partir do século XVIII. Constava no rito os motejos contra o velho, sua tortura e morte por meio da serração.

Em conversas com algumas pessoas da comunidade entre elas minha mãe (lnácia Amorim), ela me contou que na comunidade de Santana e Serra (povoado extinto), os moradores cultivavam a prática de realizar o folguedo.

Segundo os entrevistados essa brincadeira acontecia no período da quaresma: um grupo de pessoas da comunidade, na maioria jovens alegres que gostavam de se divertir e aprontar presepadas se reuniam e com alguns objetos, tambor, serra, tamborim, cuíca, latas, panelas o “diacho a quatro”, escolhiam sua vítima, de preferência um velho ranzinza da comunidade para ser “serrado”. Um dos critérios usados era que a vítima tinha que ser avô (ó), ou como dizemos: “estar no crepúsculo da vida”.

Então, à luz da meia-noite o grupo saía para fazer a serra na pessoa definida. Chegando na casa do dito cujo, chamavam o fulano de tal pelo nome, quando este respondia, diziam: -Levanta para vestir a camisa da verdade! Aí começava a zoeira, batiam nos tambores e latas, serravam gritavam, choravam como se o fulano de tal tivesse morrido e assim a brincadeira seguia noite a dentro nas casas das vítimas definidas.

Alguns moradores já suspeitando que podiam ser serrados não caiam na pegadinha, em contra partida, havia morador que entrava na brincadeira de bom humor enquanto que havia outros que não aceitava a brincadeira, ficavam bravos, xingavam os organizadores da brincadeira, enquanto quem estava de fora se divertia.

Nesse contexto do folguedo do “serra-velho”, mamãe me contou uma das presepadas que aconteceu com um morador da comunidade de Santana.

O grupo de jovens da sua época, isso na década de 50, escolheu como vítima o Sr. Bertoldo, este era irmão de meu bisavô, Domingos do Rosário. Alguém dedurou o grupo contando antecipadamente para este que ele seria serrado, então o mesmo começou a guardar mijo no pinico para surpreender o grupo.

No dia definido para a serra, este subiu nu em um cajueiro que ficava na frente da sua casa munido com o mijo dormido em um recipiente. Como a noite estava escura não dava para vê-lo.

Quando o grupo chegou, na calada da noite, o líder do grupo o chamou mudando sua voz para não ser reconhecido:
– Eh Bertoldo, eh Bertoldo… não obtendo resposta prosseguiu:
– Acorda para vestir a camisa da verdade! E começou a barulheira, um serrava um pedaço de madeira, batiam nas panelas, latas e tambores.

Foi quando o Sr. Bertoldo jogou o mijo dormido em cima do grupo e pulou no meio deles peladinho e foi aquele alvoroço, eles sorriram muito da presepadas e foram para casa banhar pra tirar o cheiro de mijo.

Pessoas entrevistadas:
Inácia Amorim; Terezinha Nunes Pereira; Mara Nunes; Nani Sebastiana e Maria Rosa Gomes.

Nota da Autora: Aos poucos a brincadeira foi se extinguindo, já na década de 60 e com a migração de muitos jovens para estudar nas cidades não mais se viu a brincadeira vindo a se extinguir por completo.

Inácia Rosa Pereira Amorim

Nasceu em 31/07/1939. Filha de Calixto Pereira Nunes e de Joanita Nunes Pereira. Casou-se aos 21 anos com Jair Amorim, um homem do campo, mãos e pés calejados e rústico com o qual teve seis filhos tendo que enfrentar os conflitos inerentes a vida a dois.

Filhos: Eni do Rosário Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó, Jacolino, Jacó Bala) Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Tem 08 netos e 05 bisnetos

Uma mulher de estatura pequena, personalidade forte; desde muito pequena quando veio ao mundo teve que enfrentar os reveses da vida que marcaram seu destino.

Perdeu a mãe com apenas quarenta dias de vida, tendo sido criada pela sua avó materna, seu pai e suas tias em uma época aonde havia muitas dificuldades naquele dado momento histórico; se compararmos com os dias atuais.

Mas a sua garra e perseverança a impulsionaram a construir sua história.

Estudou até a quarta série que era oferecido na época, aprendeu a ler e a escrever e sabe a tabuada na ponta da língua. Estudou corte e costura em Pinheiro com uma costureira renomada Carmerina Amorim.

Inácia apesar das dificuldades da época e com seis filhos para criar, não se deixava abater, estava sempre se reinventando. Era costureira, artesã (tecia redes de fio têxtil), Foi professora de costura em um dos projetos da LBA (Legião Brasileira de Assistência) um dos projetos conseguidos pela Paróquia São Sebastião com a ajuda de Padre Gérard Gagnon e Ana Lúcia de Almeida; fazia, horta e vendia as hortaliças orgânicas produzidas, fazia pastéis, bolos, cocadas e suquinhos tudo para venda e assim ajudar o papai nas despesas da casa. Quando a escassez de recursos era grande, muitas vezes dormiu com a barriga vazia para alimentar os seus filhos.

Acalentou um sonho no seu coração de que colocaria todos os filhos para estudar porque ela apesar de não ter tido a oportunidade, em sua sabedoria, conseguia definir bem a importância do estudo para iluminar os nossos rumos; e assim, atropelou as dificuldades para que seus filhos conseguissem estudar e trilhar seus caminhos por este mundo às vezes um tanto inóspito.

E todos os dias Mamãe, nós teus filhos, só queremos te agradecer pela tua perseverança, por cada incentivo, por cada oração, pelas torrentes de amor que derramas a cada um de nós mesmo sabendo que algumas vezes ferimos teu coração com a espada da ingratidão.

Obrigada pelas gotas de amor que derramas todos os dias em nossas vidas.

TE AMAMOS! Teus filhos.

Biografia encaminhada ao Jornal O Resgate por Eni Amorim

O Cangaceiro Tito Silva

Autor Manoel Braga

Tito Silva era filho de Wenceslau Silva, que por sua vez era filho de João Silva. Todos eles nasceram na localidade Ilha do Veado pertencente ao hoje município de Peri-Mirim. Contam que Wenceslau passou 1 ano dormindo no cemitério do Souza na Malhada dos Pretos após ter cometido um assassinato.

O crime se deu por causa de uma brincadeira muito comum tempos atrás na Baixada. Era chamada de Serra. Consistia em fazer um ritual fúnebre de uma pessoa idosa que por ventura existisse na comunidade. Era um pouco macabro. Era feita a leitura de um suposto testamento do idoso em que suas coisas eram deixadas para os vivos.

Esse ritual era realizado tarde da noite acompanhado de muita zoada. Todo velho morria de medo de ser serrado. Tinha um instrumento confeccionado especialmente para essas ocasiões chamado de corrupião. Constituía-se de um pedaço de madeira onde era enfiado um fio que a pessoa segurava e rolava sobre a cabeça o que causava um barulho ensurdecedor. Muitas pessoas participavam da brincadeira.

Tinha uns que batiam em lata. Outros imitavam animais. Principalmente o acauã (rasga mortalha). Nesse ritual, o bode era muito comum também. Este geralmente se roçava na parede da casa feita de pindoba para criar o clima de despedida do idoso.

Uma determinada noite a “canalha” resolveu que era chegado o dia de rocar seu João Silva que já estava bem velho. Estava no ponto de ser serrado. Era tarde da noite, estava na hora de começar o ritual. Fizeram zoada. Leram o testamento. Distribuíram as coisas de seu João. Teve um que subiu em uma árvore e começou a imitar o rasga mortalha.

Seu Wenceslau, pai de Tito Silva, muito brabo pegou uma espingarda, esperou o rasga mortalha piar e largou chumbo. Foi só um tiro. O cabra caiu durinho. Acabou a brincadeira. A brincadeira acabou mesmo. Não fizeram mais esse ritual. Mandaram prender seu Wenceslau. Ele para não ser encontrado durante o dia se escondia no mato. À noite vinha dormir no cemitério onde sabia que não iam procurar por ele. E assim ele escapou muito tempo da prisão.

O primeiro prefeito de Bequimão, que nesse tempo ainda chamado de Santo Antônio e Almas foi o capitão José Mariano Gomes de Castro. Era um grande proprietário de terras, fazendeiro, comerciante e delegado. Certa ocasião o prefeito que, também, era o delegado mandou prender Tito Silva acusado de roubo de gado.

Durante a prisão, o denunciado foi muito torturado. Para completar, o delegado trouxe a mulher dele e na frente de Tito foi humilhada, teve suas vestes rasgadas e sofreu abuso sexual. Tito ficou injuriado. Prometeu que se vingaria.

Tito foi enviado para cumprir sentença na fazenda do senhor Antonio Sousa que era grande proprietário de terras na Tijuca. Tito ficou por lá um certo tempo, mas sempre esperando uma oportunidade para fugir. Durante esse tempo ele apresentou um bom comportamento. Ficou de confiança do fazendeiro.

Até que um dia o senhor Antonio chegou de viagem, apeou do cavalo e o entregou para Tito lavar e dá de comer. Era tudo que Tito tanto esperava. Tito aproveitou a oportunidade e deu no pé. Foi embora para o sertão.

Depois de um certo tempo ele voltou, já com um bando formado. Chegou à propriedade de seu Antonio num dia em que ele tinha encomendado uma missa. Tito com seu bando acabaram a festa. Fizeram zoada, deu tiro para cima e em todas as direções.

Dizem que o padre ficou tão assustado que se jogou do segundo pavimento da casa, só não morreu porque caiu dentro de um depósito de melaço. A mãe de seu Antonio, uma idosa, quase morre de susto. Contam que uma bala perdida pegou em uma garota que ficou se contorcendo de dor. Tito vendo aquilo pegou o seu punhal e enfiou na criança acabando com a sua agonia.

Depois dessa confusão toda que ele causou na casa do senhor Antonio Sousa, ele rumou para Bequimão para consumar sua vingança. Chegando lá, ele localizou o Coronel José de Castro. Ele o prendeu. Torturou o quanto pode. Furou os olhos e o castrou. Por último cortou as orelhas que levou para mostrar para a mulher como prova da sua vingança.

No final ele perguntou ao Coronel: – sabe o que vim fazer? – Eu vim te matar. O coronel era homem duro disse para Tito: – homem se mata, não se maltrata. Nisso um dos homens de Tito, achando que o vexame do coronel já tinha sido muito deu um tiro e acabou com o sofrimento do velho.

Depois de consumada a vingança, os homens de Tito se dispersaram. Tito acabou sendo preso. Foi enviado para cumprir pena em uma fazenda do governador do estado que na época era Magalhães de Almeida e que tinha como vice Marcelino Machado. Dizem que os dois mantinham uma relação homo afetiva. Tito estava bem por lá. Bom comportamento e tudo.

Um certo dia, para azar de Tito ele viu os dois se amando. Tito se escondeu. Mas eles ficaram com a dúvida se Tito tinha olhado ou não. Eles tinham medo que a relação deles viesse a público acabando com a trajetória política deles.

Um dia, eles chamaram Tito e perguntaram o que ele tinha visto. Ele disse que não tinha visto nada. Mas eles não acreditaram. Eles botaram Tito para cavar um poço. Quando já estava com uma certa fundura eles perguntaram ao Tito: – tu sabe o que tu tá fazendo e ele respondeu: – estou cavando a minha sepultura. Então, deram-lhe um tiro e o enterraram. E assim acabou a trajetória de vida violenta que Tito levou.

Nota do Autor: Parte desta história deve ser tratada como lenda, pois, baseou-se em ditos dos mais antigos. Sabe-se que pessoas como Tito Silva têm em torno de si muitos mistérios.

PERI-MIRIM: Engenho e Poço de Pedras da Fazenda São José

Autora Ataniêta Martins

Nossas histórias são lembradas quando alguém se dedica a escrever ou contar sobre elas.

A Fazenda São José, localizada no Povoado Tapera em Peri-Mirim ainda exibe peças de um engenho antigo que funcionou naquele local que, segundo relatos, era bastante lucrativo aos fazendeiros que ali residiam.

Atualmente ainda podemos encontrar por lá, peças que foram deixadas para trás, fora do padrão das que são usadas hoje nos engenhos, o que denota que são peças de um engenho antigo. Pode-se observar que o local onde funcionava o engenho, foi escolhido por ser calmo e sereno, onde podiam trabalhar tranquilos e onde podiam ouvir os cantos dos pássaros.

As árvores antigas são testemunhas de quanto tempo essas peças do engenho estão ali enterradas. Embaixo das plantas entrelaçadas umas às outras, exibindo grossas e profundas raízes, que indica que estão ali por muitos e muitos anos e em estado de completo abandono.

Vendo aquelas peças, fico a imaginar se nossa Peri-Mirim tivesse um museu para expor essas peças, tanto a História seria preservada, como mais pessoas poderiam conhecer esse material de grande valor. Seria interessante fazer a catalogação para a nossa e as próximas gerações saberem que no nosso município existiram moinhos que funcionavam com mão de obra escrava.

Também pude verificar que na fazenda São José existe um poço, chamando de poço de pedras, construído por mãos talentosas e mágicas dos escravos que viveram naquela época; feito para saciar a sede do gado e para o trabalho no moinho. O interessante é que as pedras foram cortadas ou encontradas de um só tamanho e lá colocadas, tudo articulado com peculiar beleza.

Atualmente, o poço encontra-se entupido até certa profundidade, certamente por falta de cuidados. Com a abolição da escravatura e consequente fechamento do engenho, o poço passou a ser usado na pecuária, pois os futuros moradores dedicaram-se à criação de gado bovino.

Outro fato importantíssimo é que existem árvores centenárias, mangueiras e, em destaque, um bacurizeiro com mais de 130 anos.

Nota dos Editores: O livro Curiosidades Históricas de Peri-Mirim, de autoria de Francisco Viegas, destaca que houve a existência de 11 (onze) engenhos antigos em Peri-Mirim: 1) Rio da Prata; 2) Santa Filomena; 3) Engenheiro Queimado; 4) Engenho Tijuca; 5) Teresópolis; 6) Santa Cruz; 7) Santana; 8) São Luís Bacelar; 9) Itaquipé; 10) Palestina e 11) Engenho Santa Estela. Com a descoberta do Engenho São José, são em número de 12 (doze) os engenhos antigos de Peri-Mirim.

Peças do Engenho
Peças do Engenho
Poço de Pedras
Poço de Pedras

PERI-MIRIM: Fazenda São José – Século XIX

Autora Ataniêta Martins

Essa fazenda tem uma grande história para ser explorada e contada.

A Fazenda São José fica localizada no Povoado Tapera, município de Peri-Mirim. Construída no século XIX, por mãos talentosas e mágicas de escravos que viveram naquela época. A fazenda encontra-se intacta atualmente, sem nenhuma modificação, tudo feito com materiais bem resistentes.

No centro da cozinha, encontra-se até hoje um poço, com águas cristalinas que serve para saciar a sede dos moradores daquele lugar.

Na época de sua construção, a fazenda era iluminada por candeeiros que funcionavam a querosene, depois a motor e atualmente com energia elétrica.

Várias famílias residiram na fazenda São José: incialmente morou a família do coronel Joaquim Sousa (fazendeiro rico, prestativo com sua comunidade); Dr. Viera Fontes que, em relatos do senhor Antônio Brígido Ribeiro, o Dr. Vierira Fontes, era desembargador, homem mais rico da redondeza, tinha uma caneta era de ouro, era respeitado por quem o conhecia, foi um dos primeiro a trazer helicópteros ao município.

Posteriormente residiu o coronel Altiberto Francisco Câmara, que possuía o título honorário de Soldado da Borracha, por ter sido dono de seringal em Porto Velho – Rondônia. Um de seus filhos, Ney Câmara, relatou-me que ele, era homem de caráter, valorizava a família sendo o bem mais precioso, deixou saudades à família e à comunidade. Tive o prazer de conhecer sua amável esposa, a Srª Maria do Rosário Câmara, com a qual passava horas conversando, devido meu amor pelos estudos das raízes históricas do seu município.

A Fazenda também pertenceu ao senhor José Domingues Pinheiro, dono de muitas fazendas na Baixada, das quais conservara os detalhes históricos.

Atualmente a fazenda tem como proprietário, o Sr. Sérgio, que é advogado, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Maranhão. O Dr. Sérgio tem por meta restaurar a fazenda e garantir a preservação da fauna e flora, com intuito de deixar para as futuras gerações um património Histórico-Ambiental preservado.

Peri-Mirim, 13 de maio de 2020. PS: A fazenda já passou por reformas.

Revivendo os tempos do açúcar em Peri-Mirim na década de 1950

Autora Clarice Pinheiro Almeida*

Algumas pessoas que viveram durante a existência dos engenhos de Peri-Mirim, e que trabalharam neles, ou tiveram parentes que neles trabalharam, ainda vivem, por isso, entendemos que é possível escrever sobre o tema, a partir dessas memórias e assim recuperar aspectos fundamentais da História de Peri-Mirim que ainda não foram explorados.

O município de Peri-Mirim guarda ainda hoje muitos vestígios da atividade açucareira, tanto material (ruínas de antigos engenhos e outros ainda em funcionamento) quanto imaterial (lembranças de homens e mulheres ligados de uma ou outra forma a essa atividade), como podemos perceber na fala de Bernardino Araújo de Almeida de 83 anos (in memoria), o qual inclui em suas lembranças de infância, diga-se de passagem, uma infância de muito trabalho, o cotidiano do engenho Teresópolis:

… e nós aqui, levantava… nós … morava…aquele magote de mulecote e juntava cofinho e socó e tocava. Nós encostava lá em Teresope … ele, assim que começava, o engenho, moer a cana, ele enchia aquela lata de garapa encostava lá. Aí nós ia chegando, criança, entrava, tudinho, já era mesmo que ser boi no bebedouro…tudinho encostado, criança, nós tudinho, cada qual… criança é bicho mau! (risos). Nós tumava cuiada de garapa… Ele tava por lá (o proprietário), não ligava… Nós tumava tudinho, todo mundo, saía, ia embora pro campo.

 

Segundo Paz (2014), Peri-Mirim contava com 10 unidades de engenhos assim distribuídos: Engenho Rio da Prata de propriedade de João Bertold; Engenho Santa Filomena de propriedade de Jomar Rodrigues; Engenho Queimado de propriedade de Raimundo Rodrigues; Engenho “Tijuca” de propriedade de Tarquínio Viana Sousa; Engenho “Teresópolis” de Francisco Viana de Sousa; Engenho “Santa Cruz” de propriedade da família Sousa; Engenho “Santana” de propriedade da família Bacelar, Engenho do “Itaquipé” de propriedade da família Pinheiro e; Engenho “Palestina” de propriedade de Timóteo Sousa.

O número significativo de engenhos em Peri-Mirim indica uma dinâmica econômica do município, baseada na produção de açúcar, cachaça e mel, pois, de acordo com relatos de antigos trabalhadores desses engenhos todos eles produziam esses três produtos.

O açúcar era o principal produto dos engenhos do município de Peri-Mirim, pois a cachaça e o mel eram obtidos dos resíduos do processo de depuração desse açúcar. Roberval Pinheiro de 72 anos conta que entre os 13 e 14 anos trabalhava no Engenho Teresópolis ajudando seu pai: “trabalhei muito ainda engarrafando cachaça pra meu pai”, e completa dizendo que nesse engenho era “produzido açúcar, mel e cachaça”. Analisando sua idade atual com o período em que “ajudava seu pai” no Engenho Teresópolis, constatamos que esse engenho estava em plena atividade por volta de 1958, dentro do marco temporal da nossa pesquisa.

O Engenho Teresópolis conforme mostra Paz (2014) pertencia a Francisco Viana de Sousa, que pelo sobrenome “Sousa” pode ter alguma relação de parentesco com Francisco Joaquim de Sousa, antigo chefe do Partido Liberal em Pinheiro, citado por Jerônimo de Viveiros pelo seu envolvimento numa disputa política com o coronel Guilherme de Araújo e Sousa, chefe do Partido Conservador em Pinheiro. O autor ao mencionar a disputa política entre os dois coronéis relata que: “os amigos de Francisco Sousa viviam nas redondezas de seu Engenho “Tijuca” (grifo do autor) […] Era um eleitorado pé de boi, que não faltava, mas que pertencia à freguesia de São Bento, onde não estavam os interesses políticos do chefe liberal” (VIVEIROS, 2014).

O engenho “Tijuca”, localizado no município de São Bento em 1885, ao que tudo indica, é o mesmo arrolado por Paz (2014) de propriedade de Tarquínio Sousa. Em 1885 Peri Mirim pertencia a São Bento. Francisco Viana de Sousa era proprietário do engenho “Teresópolis”, que formava um só território com “Tijuca”, tanto que o mesmo teria doado ao filho que estudava na Europa e por ocasião da Guerra de 1914 voltou ao Brasil e se instalou como proprietário de engenho como mostra a fala do senhor Jerônimo Costa, conhecido como “Coreiro”, de 88 anos, residente na atual comunidade quilombola “Tijuca”/Peri Mirim:

Esse camarada foi estudar…Tarquinio Viana de Sousa, era filho de Chico Sousa que era dono de Teresope, aí…o camarada que tinha eles lá, era muito amigo de Chico Sousa, esse tempo era barão dendo mato, e..rebentou a guerra de quatorze e lá, encaixotaro ele e colocaro no fundo do navio e ele veio embora pra São Luís, de São Luís ele veio bater no Teresope…Ele diz, meu filho eu vou arrumar umas área de terra pra vocês trabalhar […] Vieram no Santana, de Santana Eles vieram aqui […] e fundaram um engenho aqui. Então lá tinha um lugar chamado Tijuca. Tarquínio sabia tudo[…] então apelido daqui é Tijuca.

 

O relato que o Sr. Jerônimo faz sobre o engenho de “Teresópolis” e “Tijuca” deve ter chegado a ele por seus familiares ou outras pessoas mais velhas, pois o mesmo nasceu quinze anos após o início da Primeira Guerra Mundial (1914) que ele já menciona em sua fala. Portanto, é possível a existência de outras versões para o nome dado ao lugar. Porém, é fato que esse lugar pertencia a São Bento tanto em 1885, como assegura Viveiros quanto em 1914 como diz Sr. Jerônimo.

A longa vida do engenho “Teresópolis” pode ser observada também nas lembranças que o Sr. Bernardino guarda de sua infância. Em seu relato, já anotado neste trabalho, ele narra que passava nesse engenho quando ia pescar. Nesse período ele já utilizava o socó como instrumento de pesca. Embora ele não tenha precisado sua idade, deveria ter entre dez e doze anos, haja vista que por não ser tão leve, a criança para manejar um socó teria que ter mais ou menos essa idade. Levando em consideração que o mesmo nasceu em 1928, sua convivência no cotidiano de “Teresópolis” teria ocorrido lá pela década de 1930. Queremos com isso demonstrar que engenhos em Peri-Mirim existiram desde antes da abolição do trabalho escravo e que esses mesmos engenhos não se extinguiram totalmente com o fim oficial da escravidão.

Sobre o engenho “Tijuca”, resguardadas as questões envolvendo o seu surgimento, colocadas neste artigo, partiremos da fala do Sr. Jerônimo Costa (Coreiro). Esse engenho teria sido doado para Tarquínio Viana Sousa, filho de “Chico Sousa”, proprietário do engenho “Teresópolis”. De acordo com a fala do Sr. Coreiro, Tarquínio estudava na Europa, quando por ocasião da explosão da Primeira Guerra Mundial (1914) “encaixotaro ele no fundo de um navio e veio simbora pra São Luís, de São Luís veio bater em Teresópolis”. Esse engenho, como os demais, produzia mel, açúcar e cachaça.

O Sr. Coreiro informa que trabalhou no engenho “Tijuca” desde os dez anos de idade “bateno crivo e coano a garapa, tirano o cisco…”. A partir dos 15 anos passou para temperador de dorna pra fazer cachaça, com mel. Essa atividade era bastante cansativa como mostra o mesmo. “Era duzentos e setenta lata d’água que eu batia numa bomba pra depois carregar pra subir numa altura assim…pra encher uma dorna do tamanho dessa porta, de três em três dias”.

A dinâmica da produção de açúcar no engenho “Tijuca”, segundo o Sr. Coreiro, compreendia plantação da cana por terceiros em terras do Sr. Tarquínio, posteriormente a cana era moída no engenho. Geralmente, eram produzidos 2000 quilos de açúcar bruto por safra que ia de setembro a dezembro. O açúcar era divido ao meio com o lavrador. Porém, a cachaça e o mel ficavam para o proprietário. A metade do açúcar reservada para o lavrador muitas vezes era comprada pelo proprietário do engenho, embora, segundo conta Sr. Coreiro, esse poderia vendê-la para outras pessoas.

O açúcar do engenho “Tijuca” era distribuído para o mercado local e para outros municípios vizinhos como por exemplo, Bequimão e Pinheiro, segundo Coreiro.

Tarquínio Viana Sousa foi prefeito de Peri-Mirim no período de 1959 a 1961. De acordo com Paz (2014, p. 51), “pela sua experiência empresarial e seriedade, administrou o município com austeridade e fez o que estava ao seu alcance”. Para o Sr. Coreiro, no entanto, “…ele trabalhou quatro ano lá em Peri-Mirim, não fez nada”.

Não conseguimos dados quanto à época que o engenho deixa de produzir açúcar, cachaça e mel, mas ao que tudo indica, quando ele é transferido para outro dono, Ribamar Bacelar, essa produção começa a perder força. Ribamar Bacelar transfere o engenho para os irmãos Gonçalves de Pinheiro que mais tarde vão transferi-lo para os irmãos pernambucanos. Segundo Paz (2014) esses não demonstraram interesse em continuar produzindo açúcar.

Outro engenho que funcionou em Peri-Mirim foi o “Rio da Prata”, de propriedade do Sr. João Bertoldo Ferreira, que segundo Paz (2014), produzia açúcar, cachaça e mel. O engenho “Rio da Prata” encontra-se registrado na memória da Senhora Dioneia Paula de Almeida, com 94 anos por ocasião de nossa entrevista com ela.

O envolvimento dela com esse engenho era como pequena plantadora de cana de açúcar, ao lado do seu esposo, já falecido. Entrevistamos a Sra. Dioneia em 25 de maio de 2014 e ela confirmou a existência de “engenhos de cana de açúcar em Rio da Prata, Santa Filomena, Itaquipé e Tijuca”.

Dona Dioneia contou que plantou um canavial que ao final produziu 2000kg de açúcar, sendo que, seguindo a regra geral, foi dividido ao meio com o proprietário do engenho Rio da Prata. “O restante ficou armazenado em casa e foi sendo vendido aos poucos, sendo que até a década de 1980 ainda tinha açúcar em casa”. Ela fala também que o açúcar era vendido, pelo menos na época em que comercializou o seu produto, a 300 reis que equivalia a 3 tostões. A comercialização desse açúcar era feita em Pinheiro como afirma Dona Dioneia. Consta também no depoimento de Dona Dioneia que o último proprietário do engenho Rio da Prata foi o Sr. Faustino, assassinado na década de 1990 quando finalizou também a atividade desse engenho que ainda produzia cachaça e mel.

Os engenhos Santana e Santa Cruz pertenciam também à família Sousa como aponta Paz (2014), aliás, a família Sousa era a principal proprietária de engenho em Peri-Mirim, visto que também estava ligada aos engenhos “Teresópolis” e “Tijuca” como já mostramos acima. Sobre os engenhos Santana e Santa Cruz não conseguimos reunir informações mais precisas. Na visita que realizamos na comunidade “Santa Cruz” onde funcionou esse último não encontramos moradores mais antigos, e os mais jovens não souberam dar maiores detalhes sobre o mesmo.

O engenho Palestina de propriedade do Sr. Timóteo Sousa também não nos foi possível recolher maiores informações, a não ser que na década de 1980 as terras desse engenho foram transferidas para o Sr. João Ramalho e o Sr. Timóteo terminou seus dias muito pobre morando no povoado Curitiba, município de Palmeirândia.

O que sabemos a respeito do “Engenho Queimado” de propriedade do Sr. Raimundo Rodrigues é que ele se localizou “nas terras da Fazenda Todos os Santos”, conforme informação dada pelo Sr. Raimundo Inácio Rodrigues Bittencourt, filho do proprietário, em 06 de maio de 2017. O Sr. Raimundo Inácio está hoje com 62 anos de idade e informa que ao nascer (1955), encontrou o “Engenho Queimado” em pleno funcionamento.

Ele contou também que o “Engenho Queimado” foi desmembrado na década de 1970 quando seu pai se separou da esposa. Em 1973 o outro engenho, construído na altura do km 157 da MA 014, iniciou suas atividades produzindo açúcar, cachaça e mel, sendo que a cachaça era o “carro chefe” da produção. O novo engenho recebeu o nome de engenho “Dona Moça”, em homenagem à proprietária Avelina Costa, conhecida como “Dona Moça”.

O engenho “Dona Moça” continua em funcionamento até os dias atuais, produzindo, exclusivamente, cachaça. Atualmente, o mesmo é comandado por dois netos do Sr. Raimundo Rodrigues.

Quando perguntado sobre a questão da mão de obra utilizada no “Engenho Queimado” faz o seguinte esclarecimento: “o peão é aquele que a gente coloca no chão para rodar e o pião é aquele que trabalha em uma obra e que quando a obra termina ele se desloca para outro local. Na época não era conhecido como pião e sim como trabalhadores braçais ou trabalhador braçal”. Assim ele aponta que a mão de obra daquela época era o trabalhador livre, o qual além de fazer trabalhos pesados, não possuía vínculos empregatícios com o engenho, sendo, portanto, um trabalhador temporário.

Abaixo apresentamos fotos de equipamentos utilizados para a fabricação de cachaça no engenho “Dona Moça”, o único em funcionamento entre os dez citados neste trabalho. (PS. Deixou-se de publicar as fotos por razões técnicas. Anexamos fotos de uma visita realizada ao Engenho Dona Moça por membros da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense – ALCAP).

Nas diversas entrevistas realizadas, com o Sr. Bernardino, Sr. Roberval, Sr. Coreiro, Dona Dioneia e com o Sr. Raimundo Inácio fizemos questão de falar da mão de obra. Na fala do Sr. Bernardino ele lembra que muitas pessoas eram envolvidas no processo de produção do açúcar; o Sr. Roberval diz que no engenho “Teresópolis”, “trabalhava de 50 a 60 pessoas daquela redondeza todinha, homens e mulheres que vinham tanto dos arredores do engenho quanto de localidades mais distantes.”, e assim por diante. Não percebemos nessas falas reclamações quanto a falta de braços para o trabalho nos engenhos açúcar.

Os engenhos nesse período eram abastecidos, geralmente, com cana de açúcar que era produzida por pequenos produtores, muitas vezes em terras pertencentes ao proprietário do engenho, e isso acontecia no Engenho Teresópolis como relata Sr. Roberval, inclusive, lembrando a situação do seu pai, Sr. Ademar; do mesmo modo relata D. Dioneia que plantava cana de açúcar e abastecia engenho Rio da Prata. Isso ao nosso ver poderia amenizar problemas com mão de obra. Entretanto é muito comum encontrar referências à falta de mão de obra como uma das causas de fechamento dos engenhos no Maranhão e também em Peri-Mirim como mostra Paz (2014).

A presença de plantadores de cana que abasteciam os engenhos era uma prática recorrente na produção açucareira no Brasil. Era assim no nordeste açucareiro, onde os senhores de engenho não davam conta sozinhos de bastecer o engenho de cana de açúcar, havendo sempre a necessidade de recorrer a plantadores externos, que tanto poderiam produzir em suas propriedades quanto na do dono do engenho, (SCHWARTZ 1988). Pelo visto essa prática persistiu no pós-abolição, também aqui em Peri-Mirim.

Quando a cana era produzida por terceiros (os pequenos produtores) esses eram responsáveis por todo o processo produtivo da cana, que depois de colhida era levada para ser processada no engenho. O açúcar, a cachaça e o mel produzidos, geralmente eram divididos ao meio como mostram alguns relatos. Isso era comum não apenas em Peri-Mirim, mas também em outros municípios da Baixada Maranhense.

 Os diversos depoimentos demonstram que a produção açucareira em Peri-Mirim não era nada desprezível. A senhora Dioneia e seu marido chegaram a produzir até 2000kg de açúcar bruto. Do mesmo modo o Sr. Coreiro também aponta a produção de 2000kg de açúcar bruto em uma safra.

Outra importante questão a ser lembrada neste trabalho são as condições de trabalho nos engenhos. Sr. Bernardino conta que quando criança, o caminho que fazia para ir pescar passava pelo engenho “Teresópolis” onde encostava para tomar “garapa”. Segundo ele, muitas pessoas morreram pela excessiva carga de trabalho, pois a jornada de trabalho começava entre meia noite e uma hora da manhã. O salário que recebiam, segundo o mesmo, era insignificante, não dava para suprir as necessidades. Quando os trabalhadores adoeciam não tinham como custear nem os remédios. Lembrou também que a mão de obra era composta só por pessoas negras e de branco, só o proprietário, o senhor Fradique.

Algumas pessoas que viveram durante a existência desses engenhos, e que trabalharam neles ou tiveram parentes que trabalharam nos mesmos, ainda vivem, por isso, entendemos que é possível escrever sobre o tema, a partir dessas memórias e assim recuperar aspectos fundamentais da História de Peri-Mirim que ainda não foram explorados.

Nas entrevistas que fizemos para este trabalho (Sr. Bernardino, D. Dioneia, Sr. Roberval, Sr. Coreiro e Sr. Raimundo Inácio) percebemos que quase não há divergências em relação a questões importantes da produção açucareira em Peri-Mirim, a maioria dessas informações coincidem e se complementam.

* Clarice Pinheiro Almeida licenciada em Licenciatura em Ciências Humanas, habilitação em História pela Universidade Federal do Maranhão/CCHNST – Campus Pinheiro.

Fonte: https://monografias.ufma.br/jspui/bitstream/123456789/1850/1/ClariceAlmeida.pdf

 

PERI-MIRIM: Apontamentos Históricos

Autor desconhecido*

A Vila de Macapá já possui autoridades como: Juiz de casamento, tabelião, telegrafista e agente do Correio.

A vontade de tornar a vila em município era de todos que aqui moravam e, graças aos esforços do Coronel Sambentuense, Carneiro de Freitas, que sempre ficou em frente a esta luta, conseguiu tornar Macapá independente do Município de São Bento, tornando-se independente pela Lei nº 850, de 31 de março de 1919 e a em 15 de maio desse ano, foi organizada a primeira Junta Governativa liderada pelo Sr. Marcionílio Antônio Nunes, para administrar Macapá, no ano seguinte, ou seja, em 31 de março de 1920, foi realizada a primeira eleição municipal, sendo eleito o primeiro Prefeito, o Sr. Ignácio de Sá Mendes. Os prefeitos daquela época eram chamados intendentes.

O segundo intendente foi o Sr. Antônio Raimundo Marques de Figueiredo , nessa intendência, atuou a mesa governativa, chefiada pelo Coronel Tupinambá que, por desconhecidas razões, depois intendente ao concluir os trabalhos em satisfação ao povo, nomeou uma junta governativa, chefiada pelo Sr. Jorge Corrêa, secretário João Dias, fiscal geral Sr. Hipólito Alves.

Mas, em 22 de abril de 1931, novamente Macapá foi anexado ao Município de São Bento pelo Decreto nº 075/1931.

Nova luta e empenho dos interessados por esta terra iniciaram-se e, a fim de torná-la independente e consequentemente restabelecer a Vila de Macapá pelo Decreto nº 857, de 19 de julho de 1931. Conseguiram também elevá-lo a cidade em março de 1938.

Com a Reforma Administrativa que oferece a 30 de dezembro de 1943 teve que ser anulada a denominação devido à ambiguidade que havia entre Macapá município do Maranhão e, Macapá Capital do Território do Amapá, depois de pesquisas, diálogos escolheram o nome de Peri-Mirim, devido ao aspecto físico local, que na maioria são campos com um tipo de capim rasteiro chamado “Peri” pequeno, daí no nome “Mirim”.

Definida a situação do Município, logo foi traçado o mapa do município pelo ilustre Sr. Opílio Lobato.

*Apontamentos esparsos feitos na Prefeitura de Peri-Mirim, provavelmente na gestão de Benedito de Jesus Costa Serrão, pois, no material consta até esse Prefeito.

Calixto, o Doutorzinho de Santana

Autora Eni Amorim

Rebuscando os arquivos da minha memória, revejo um senhor de estatura baixa, de cor branca com bochechas sempre muito rosadas, voz mansa, sorriso fácil, na cabeça, uma calvície bastante acentuada que guarnecia com chapéus de feltro para passear e de palha para trabalhar.

Estava sempre de calças compridas, achava que era desrespeitoso ao homem usar bermudas. Era trabalhador rural, tinha uma casa de farinha, onde, além da produção da farinha, eram feitos deliciosos beijus para tomarmos com café que muitas vezes era produzido no próprio sítio.

No sítio havia também um grande bananal do qual eram vendidos uma parte dos frutos produzidos e a outra, era para uso da família e partilha entre amigos e vizinhos. Vovô também plantava amendoim, cana-de-açúcar, tinha uma garapeira de onde tirava o famoso caldo de cana (garapa) para uso familiar e para a produção de melado, uma delícia por sinal.

Também era apicultor tinha várias colmeias no sítio. Na época da colheita, ele retirava o mel dos favos e nos entregava a cera para chuparmos os resíduos restantes do mel, ficávamos de bucho doce de tanto chupar mel rsrsrs. Era muito prazeroso esses momentos na casa do vovô Calixto.

Era analfabeto, só sabia literalmente desenhar o nome, mas fazia questão que os filhos estudassem, incentivava ao estudo e ao trabalho. A maior vergonha para ele, era ao participar das missas na comunidade não saber ler os folhetos que eram distribuídos.

Era muito família, Casou-se com vovó Joanita, com quem teve sua primeira filha, (mamãe); vovó veio a falecer 40 dias após o parto, ficando vovô viúvo. Mais tarde veio a casar com Terezinha Nunes irmã de tia Joanita (a vida e suas histórias…), com a qual teve 4 filhas: Tias, Isabel Nunes Pereira, Lucinda Bastos, Mara Nunes e Delcy Nunes (em memória).

Gostava de reunir os amigos e vizinhos para tomar um café ou fazer uma festa debaixo da mangueira na frente da casa com seu famoso radinho de pilhas. Outras vezes, reunia a família e vizinhos, contratava pessoas da comunidade que sabiam ler para contar histórias, principalmente histórias de cordel que estava muito em evidência na época…

Tinha o apelido de “Doutorzinho”, talvez por ser um homem sábio, ou por seu espírito de liderança e também por gostar de usar roupas brancas.

Fatos marcantes da vida de vovô Calixto:
1. Gostava de tomar uma bebida chamada “meladinha” feita de mel e cachaça após sua jornada de trabalho;
2. Estava sempre que podia, a ouvir o seu radinho de pilhas;
3. Gostava de assobiar, estava quase sempre assobiando, o que nos remete a pensar que estava sempre feliz;
4. Gostava de tocar Buscapé (um tipo de fogos de artifício), nas festas de bumba meu boi da comunidade e se divertia ao ver as pessoas com medo dos fogos;
5. Gostava de olhar os aviões passando com olhos de surpresa, ou quem sabe com olhos de incredulidade de um novo tempo que estava surgindo com tecnologias que ele não podia compreender…
6. Possuía um humor fora de série, contava piadas fazia piadas, tirava ondas, eu nunca vi vovô bravo. Como dizemos nos dias atuais: ele era ZEN…
7. Quando havia falta de alimentos na comunidade partilhava o muito ou o pouco que possuía com as outras pessoas, (a partilha sempre foi uma prática na família).

Antes de partir deste plano, acalentou um sonho: Ter uma televisão, a qual teve a oportunidade de conhecer ao viajar pela primeira e única vez na capital de São Luís do Maranhão…

Um homem simples, que nos deixou um legado da importância da família dos amigos e do amor ao próximo… Eternas saudades vovô Calixto…

Walton França Martins

Nascido no dia doze de julho de mil novecentos e quarenta e dois, no lugar Rio Grande Município de Peri-Mirim – MA. Filho de João da Cruz Martins e Catarina França Martins, João Barreira e Catita, como eram conhecidos, já falecidos.  Ele lavrador e ela do lar. O quarto filho do casal num total de sete. Ednaldo, Eugênia, João, Walton, Luís, Francisco e Nélio.

Aos três anos, a família mudou-se para a sede do Município, com a finalidade de colocar os filhos na Escola.

Aos seis anos, num determinado dia, passando pela casa da senhora Antônia Barbosa, observei que ali estava um menino por nome Vivaldo que estudava lá, ela estava braba com ele que não sabia a lição, pedi à minha mãe que falasse para eu ir estudar com ela, minha mãe falou e foi prontamente atendida.

Naquele tempo, não existia Jardim de Infância e quando fui matriculado aos sete, na Escola Municipal Coronel Carneiro de Freitas, já sabia ler, escrever, fazer ditado e contas.

A Escola funcionava numa casa situada à Rua Rio Branco, hoje pertencente à família Bacaba. Em seguida mudou-se para a casa do finado Gonçalo Marques, na Avenida Duque de Caxias, hoje a casa Paroquial.

Após a construção do prédio situado à praça São Sebastião, passou para o Estado com o nome de grupo Escolar Carneiro de Freitas, hoje Unidade Escolar Carneiro de Freitas.

As minhas Professoras do Primário foram: 

  • Antônia Barbosa (F) – Alfabetização – Leiga
  • Santinha Miranda (F) – Primeira série – Leiga
  • Naíze e Corina segunda série, Normalistas trazidas de São Luís pelo Prefeito Agripino Marques (F), a primeira no primeiro semestre e a segunda no segundo semestre.
  • Naísa Ferreira Amorim (F) terceira à quinta série – normalista, a melhor Professora que já conheci, não era só uma Professora e sim uma mãe e amiga, criava os melhores métodos de ensinar, motivava os alunos, dando prêmios de incentivo, as equipes eram formadas por partidos ( não políticos ), cada um de seus membros usava um crachá com as cores desejadas e uma bandeira também. No decorrer da semana, eram somados os pontos dos membros e o partido vencedor, a bandeira era colocada na janela da escola, cada um era premiado.

Em 1953, concluí o Curso Primário. Passei 15 anos sem estudar devido não existir em nosso município outro curso e eu não tinha condições de ir para São Luís. Até que surgiu o Ginásio Bandeirante, 1968, na administração do Prefeito Zé Bacaba. Assim mesmo só recomecei em 1971, porque já tinha família e me acomodei um pouco.

Os meus colegas do primário foram:

– Analina Barros Costa; Antônia Pereira; Cleber Ferreira Amorim; Clóvis Pereira Bahury; Constâncio dos Santos Filho ; Edna Almeida; Edison Almeida; Emanuel Gomes; Javandira de Jesus Abreu; João Barros França; João Garcia Furtado (F); João Ribeiro; José Maria Câmara; José Ribamar Martins Pereira(F); José Ribamar Martins Pinheiro; Joselita Pereira; lauro Sousa Ferreira; Manoel Sebastião Botão Melo; Maria da Graça Martins Nunes; Maria das Dores Campos; Maria de Lourdes Martins Nunes; Maria de Lourdes dos Santos (F); Maria Madalena Nunes (F); Maria Teodora Campos; Neusa Pereira Abreu; Otacilia Martins Melo; Sônia Maria Pereira Bahury (F); Valber Nunes Melo; Valdenil Nunes Melo; Vanilda Guimarães Martins; Wallace Câmara França e Zacarias França Azevedo.

No 21 de janeiro de 1959, eu e meus colegas de infância e de oficina, fundamos o baile do pó. 

Os fundadores foram:

  • Itapoan França (F)
  • Jálcero de Oliveira Campos (F)
  • José Hertz França
  • José Maria Câmara
  • José Maria Martins (F)
  • Mariolino Brito Nunes
  • Eugenio Melo (Nhô)
  • Raimundo Nonato Câmara (F)
  • Obias dos Inocentes (F)
  • Raimundo Martins Campelo
  • Wallace Câmara França e
  • Walton França Martins

Estávamos reunidos no coreto da praça, nosso ponto de encontro como era de costume, na maior euforia, começamos a colocar talco uns aos outros, quando surgiu a ideia, vamos fazer um baile! Todos concordaram.

No dia quatro de julho de 1964 minha mãe faleceu. Sofri muito com a perda da minha mãe, o que fazer? Se foi a vontade de Deus. Passei um ano vestindo roupa preta, por sinal de luto e mais de um, sem frequentar qualquer tipo de diversão, já que antes não perdia um baile.

Depois do seu falecimento, mais precisamente 1965 fui para São Luís para trabalhar com os senhores Fernando Mendes (F) e Cândido Pereira.

Dancei muito, comprei até um cavalo para ir no dia quatro de julho bailes. Tive grandes amores em São Luís e aqui, tenho uma filha em São Luís, mas não a conheço (é proibido), minha família sabe.

Quando da minha volta, Deus colocou em meu caminho, a prenda mais preciosa da minha vida, Maria das Graças Campos Pinheiro, hoje Pinheiro Martins, (Bubú), tinha outras paralelas, mas ela sempre foi a titular absoluta. Namoramos um ano e no dia 11 de março de 1967, casamos no Cartório de São Bento.

Desta união, nasceram para enriquecer o nosso lar que, embora humilde é cheio de amor e paz. Os filhos: Hélio – Célio – Zélia – Lélio – Nélio – Giselia e Josélio. Dos quais, já nasceram os netos; Thaise – Monick – Walton Neto – Tamires – Layla – João Bruno – Hélio Junior – Matheus – Guilherme – Breno – Nícolas – Mariana – Allan Victor – Clara Isabela – Johélio – João Hélio e Grazielle.

Em 1968, fui convidado pelo meu tio Chico de Tetê (F), para trabalhar com ele na Cooperativa Agropecuária de Peri Mirim, trabalhei um ano e meses, quando surgiu a demissão dele, dada pelo Padre Gerard (F), simplesmente para satisfazer os caprichos de José Martins (F), diretor comercial.

Após a minha saída da cooperativa, em 1970, fiz o curso de recenseador, passando em primeiro lugar, recenseei e fiquei em primeiro, aí eu fui convidado para trabalhar na Agência, auxiliando Zé Martins (F), corrigindo questionários dos outros recenseadores que não foram muito bem.

Este foi o Censo Demográfico, logo em seguida veio o Agropecuário, oportunidade em que fui indicado pelo Dr. Rufino, supervisor da Regional de Pinheiro, para ser o Agente Censitário de Peri-Mirim.

Em 1972, fui convidado pelo saudoso Deusdete Gamita Campos, para concorrer com ele, na chapa de Vice-Prefeito, aceitei e fomos vencedores. Ainda nesse ano, trabalhei no recadastramento do INCRA.

Em 1973, concluí o Curso Ginasial, no Ginásio Bandeirante de Peri-Mirim, sendo líder das equipes, das turmas que estudava, além de Tesoureiro da turma do último ano para promovermos a nossa festa de formatura.

Os meus Professores do Ginásio foram:

  • Evilton de Guimarães – João Seba de Santa Inês – Marise descendente de Peri Mirim – Maria da Graça Diniz e Maria da Graça Lima de São Luís – Jarinila – Mirian e Padre Gerard (F) do Município.

O Diretor era o padre Gerard e a Secretária, D. Cecília Euzamar Campos Botão.

Os meus colegas do Ginásio foram:

  • Ana Luisa Camara
  • Antonio José dos Santos Martins
  • Antônio Paulo Barros Ferreira
  • Benedito Domingos Barros Ferreira
  • Clemilda Santos Corrêa
  • Edgar Joabe Nunes da Silva
  • Emanoel Botão França
  • Francisca do Livramento Câmara
  • Francisco França Lima
  • Ivaldo Crescéncio  Nunes (F)
  • Jálcero de Oliveira Campos (F)
  • Javandira de Jesus Abreu Melo
  • Joanete Lúcia Gutemberg
  • José Luís Luz Ferreira
  • José Maria Santos Ferreira
  • José Maria Silva
  • José Raimundo Ferreira Guimarães
  • José Ribamar Santos Corrêa
  • Jurací Diniz
  • Juranir Diniz
  • Laudeci Garcia
  • Laudeciana Santos Martins
  • Manoel Lopes Filho
  • Marcionilio da Paz Botão Sobrinho
  • Maria Aparecida Galvão
  • Maria Aparecida Melo Pereira
  • Maria Benedita Silva Garcia
  • Maria Cecilía da Silva Costa
  • Maria da Graça Nunes Soares
  • Maria de Fátima Corrêa Câmara
  • Maria de Lourdes Nunes Alves
  • Maria Luiza Nunes da Silva
  • Maria Tereza Luz Ferreira
  • Maria José Campos Ferreira
  • Marivalda Corrêa dos Santos
  • Pedrolina Galvão Barros
  • Raimunda Eugenia Barros Nunes
  • Sebastião Pereira Melo
  • Silvestre Francisco França
  • Sonia Raimunda Pinheiro Martins
  • Terezinha de Jesus França Gomes
  • Terezinha de Jesus Martins Lopes
  • Valdecir Orestes Nunes Silva
  • Vanda Maria Pinheiro Martins
  • Valter Gonçalves Sousa e
  • Vera Lucia Lopes.

Em 1974 na SUCAM, serviço pesado. Os meus colegas foram:  Alcides de Jesus França (F), Itapoan França (F)  e Sebastião Domingos Alves.

Em 1975, trabalhei na Pesquisa do IPEI, uma prévia para o FUNRURAL, a fim de saber quantas pessoas tinham com a idade de se aposentarem, ou seja, de sessenta anos para cima. O supervisor foi o Aranha (F), um jovem de São Luís que já trouxe o meu nome do IBGE, já que eu havia saído de ser Supervisor do Censo.

 A equipe foi formada pelas seguintes pessoas: 

  • Supervisor – Aranha (F)
  • Chefe da equipe – Walton
  • Coletadores: Emanoel França Botão – Francisco França Lima – João do Carmo Martins – José Ribamar Diniz (F) Rafael Botão França (F) – Raimundo do Socorro Gomes (F)- Sebastião Martins Nunes e Valter Gonçalves Sousa. Em mil novecentos e setenta e seis, concorri como Candidato a Prefeito, mas não obtive êxito, devido a disputa ter sido entre os Partidos – ARENA e MDB e o voto era vinculado… depois da somatória perdi por vinte e dois votos.

Ainda nesse ano, Deusdete (F), levou meu nome à Secretaria de Educação, com a finalidade de conseguir um emprego, já que eu sobrevivia trabalhando pelo oficio de marceneiro, tinha até uma pequena serraria e uma fábrica de cepos de tamancos em sociedade com o meu compadre Sipreto.

Demorou um pouco sair o emprego, mas um certo dia, viajando para São Luís, encontrei-me na lancha com o amigo Nelsolino Silva, Dr. Jerônimo Pinheiro, Secretário de Educação da época garantiu-me que iria arranjar uma nomeação de vigia, pois no momento não dispunha de outro cargo.

Felizmente essa nomeação chegou em minhas mãos, no dia vinte e dois de fevereiro de 1978. No dia seguinte, viajei para São Luís, juntamente com Anastácio Florêncio Corrêa, que também havia sido contemplado com uma vaga. Fui lotado no Centro Educacional do Maranhão (CEMA), que havia sido implantado recentemente em Peri-Mirim.

Passei seis anos trabalhando como Agente de Portaria e Vigilância, mas sempre trabalhando na Secretaria da Escola.

Em 1980, trabalhei no Pró-Município na Secretaria Municipal de Educação, como datilógrafo. Em virtude de ter acontecido o Recadastramento Eleitoral e eu fui indicado para fazer o treinamento, o Dr. Juiz, me nomeou chefe da equipe, por ser Funcionário Estadual.

Em 1983, concluí a terceira série do Magistério, no Colégio Cenecista Agripino Marques, deste cheguei a ser Diretor Adjunto do Diretor Valdevino Jesus Barros, na administração do Prefeito Vilásio França Pereira.

Em 1974, fiz o quarto ano adicional, aos fins de semana, no Colégio João de Deus de São Luís.

Os meus Professores do Magistério foram:

  • Ana Lucia de Almeida
  • Maria da Luz Abreu Melo
  • Maria da Conceição Brito Pereira
  • Maria de Lourdes Santana
  • Padre Gerard Gagnon (F)
  • Rosilda Coutinho
  • Vilásio França Pereira
  • João França Pereira, Prefeito e Fundador da Escola.

O Diretor era o Padre Gerard Gagnon.

Os meus colegas do Magistério foram: 

  • Adelaide de Jesus Silva; Ana Luiza Câmara; Célia Maria Corrêa; Djanira de Fátima Corrêa; Eliézer de Jesus Lima ; Francisca do Livramento Câmara; Francisco de Assis Martins Gomes; Jarbas Botão Melo; Javandira de Jesus Abreu Melo; Joanete Lucia Gutenberg; José Carlos França; José Maria Silva; José Sodré Ferreira Filho; José Mariano da Silva (F); Josefa do Livramento Oliveira Pereira; Jurací Diniz; Juranir Diniz; Laudecí Garcia; Manoel Lopes Filho; Maria Benedita Silva Garcia; Maria Cecíilia da Silva Costa; Maria da Conceição Silva França; Maria da Graça Nunes Soares; Maria de Lourdes Nunes Alves; Maria do Sacramento Lima Gomes; Maria José Campos Ferreira; Nel de Jesus Nunes; Raimunda Martins Amorim; Raimundo Martins Nunes e Rosilda Pinheiro  Nunes.

As Escolas que estudei foram:

  • Alfabetização – particular – Antônia Barbosa
  • Primeira e segunda séries – Escola Municipal Coronel Carneiro de Freitas
  • Terceira à quinta séries – Grupo Escolar Carneiro de Freitas
  • Curso Ginasial – Grupo Escolar Carneiro de Freitas
  • Curso do Magistério e Quarto ano Adicional – Escola Municipal Cecília Botão. Em mil novecentos e oitenta e seis, fui transferido do Cargo de Agente de Portaria e Vigilância, para Professor, graças a uma determinação do Governador Luiz Rocha,  dando direito a essa transferência, já que eu tinha o curso do Magistério.

Em 1988, surgiram trinta e cinco contratos, ainda por intermédio de meu amigo Deusdete, fui contemplado com um. Após um ano, o Governador enquadrou-nos como efetivos no Grupo do Magistério.

O Colégio Cema, como é conhecido até hoje, era Federal e a Lei não permitia que Funcionário do Estado fosse Diretor, era só Supervisor do quadro Federal. Depois de Estadualizado permitiu que tivesse.

Teve diversos Supervisores: Maria da Conceição Brito Pereira, Ana Célia Ferreira Ribeiro, Dilma Ferreira, Delza Pereira Alves e Jarinila Pereira Campos. Esta última, mamãe Jara, como sempre a chamei, se aposentou 1990 e indicou-me para assumir interinamente o Cargo de Diretor.

Os alunos varriam as tele salas, quando cometiam alguma indisciplina, eram punidos com alguma tarefa, conforme constava no Regimento Interno da Escola.

Em 25 de setembro de 1995, recebi a Portaria de Diretor Geral, assinada pelo Secretário de Educação, Dr. Gastão Vieira. Para mim foi uma grande surpresa, não esperava essa grande dádiva de Deus, até mesmo porque eu não tinha pedido a ninguém.

Sou considerado um Diretor de renome, respeitado nos quatro cantos do município, presente em tudo o que existe dentro e fora do Cema. Promovi muitos Eventos, dentre eles, os que mais se destacaram foram, os desfiles de sete de setembro e as festas de conclusão do Ensino Fundamental.

Os pais e os alunos, têm as maiores considerações para comigo. Tenho muitos amigos, não só aqui em Peri Mirim, mas em Bequimão, Palmeirândia, Pinheiro, São Bento, Viana e etc…

Tenho duzentos e quinze afilhados do Batismo, logicamente, quatrocentos e trinta compadres (alguns já são falecidos), teve um dia que fui ser padrinho de quarenta e quatro afilhados.

Já tive quatro momentos tristes na minha vida.

 – 1º Momento – A morte da minha mãe (já foi citado acima)

– 2º Momento – A ida dos meus filhos para São Luís, em 1984, a fim de estudarem.

Primeiramente foram quatro – Hélio- Célio – Zélia e Lélio, este último com apenas treze anos.

Mais tarde, dois – Nélio e Giselia e por último Josélio.

Os primeiros, foram residir nas casas de irmãos, João e Francisco, já todos eles foram residir em uma casa na Cohab, cedida pela minha irmã Eugênia, e posteriormente para a nossa na estrada de Ribamar, na entrada da Maiobinha.

Eu e Bubú, tivemos que nos desdobrar, ela indo para São Luís, às vezes passava vinte dias ou mais, viajando em Barco e Lancha e eu ficava cuidando dos menores e tinha que trabalhar.

A saudade era imensa, no inicio não comia e nem dormia direito, até coloquei uma tranca na porta de uma dispensa que eles dormiam, não podia entrar e nem olhar para ela.

Depois foi a vez da Monick, uma neta que criamos desde o dia que nasceu e consideramos como filha, até mesmo me chama de pai.

– 3º Momento – A morte do meu pai, no dia 5 de março de 1995, fiquei tão abatido que até baixei Hospital, devido a nossa convivência, morávamos em frente um do outro.

Os demais filhos residem em São Luís e eu estava presente em tudo o que acontecia com ele.

-4º Momento – O aparecimento dessa doença que está perturbando a minha paciência, mas tenho certeza que irei ficar bom, se Deus quiser, Ele quer, Ele é bom e nosso pai.

Sou católico, fiz parte do coro masculino e da Legião de Maria, sendo Secretário por vários anos.

Participei de três Encontros de Casais com Cristo (ECC). Fui Presidente do Mobral por vários anos.

Sou desportista, torcedor da Seleção Brasileira, Seleção de Peri Mirim, Club de Regatas do Flamengo e Moto Club de São Luís. Apenas simpatizante do Palmeiras.

Fundei o Juventude Esporte Club, na oportunidade comprei tecido e mandei confeccionar a equipagem. As cores eram, camisas brancas com as iniciais JEC, bordadas em preto, calções pretos e meões brancos.

DATAS DAS MINHAS CONQUISTAS E DESILUSÕES

  • 1953 – Conclusão do Curso Primário
  • 1959 – Fundação do Baile do Pó
  • 1962 – Minha ida para São Luis
  • 1963 – Doença da minha mãe
  • 1964 – Falecimento dela
  • 1965 –  Minha volta à São Luis
  • 1966 – Meu retorno de São Luis
  • 1967 –  Data do meu Casamento
  • 1968 – Trabalhei na Cooperativa
  • 1970 -Trabalhei no Censo – 1972 – Eleito Vice Prefeito
  • 1973 – Conclusão do Curso Ginasial – Trabalhei no Recadastramento do INCRA.
  • 1974 – Trabalhei na SUCAN
  • 1975 – Trabalhei na Pesquisa do IPEI
  • 1976 – Concorri como Candidato à Prefeito
  • 1978 – Minha Primeira Nomeação
  • 1980 -Trabalhei no Prol – Município – Trabalhei no Recadastramento Eleitoral
  • 1988 – Conclui o Curso do Magistério
  • 1984 – Conclusão do quarto Ano Adicional
  • 1986 – Transferência do Cargo de Agente de Portaria e Vigilância para Professor
  • 1988 – Minha segunda Nomeação
  • 1990 – Diretor Interino
  • 1999 – Diretor Geral

 

MEUS ÍDOLOS:

  • DEUS – meu Pai Eterno
  • Minha Família – em especial Bubú, amiga e companheira de todas as horas.
  • São Sebastião – meu Padroeiro e Protetor
  • Cantores – Chitãozinho e Xororó
  • Musica – Fio de Cabelo
  • Jogador – Zico
  • Times- Flamengo e Moto Club
  • Minha Paixão – CEMA
  • Companheiro das manhãs – Radinho de pilhas
  • Programas preferidos – Futebol e Noticiários

 

AGRADECIMENTOS:

– A DEUS – A meus pais – minha esposa – meus filhos – meus netos – meus irmãos – meus genros e noras e aos meus amigos.