SAUDAÇÃO AO SOL

Por Ana Creusa

Papai era um exímio observador da natureza. Ele se guiava pelos planetas e estrelas. Venerava o Sol, contemplava-o todas as manhãs com uma saudação de louvor e admiração, recebendo dele a energia necessária para mais um dia de trabalho.

José Santos se conectava ao Universo de forma peculiar e poderosa. Ele, a cada dia se lapidava como uma pedra preciosa de alto quilate – José era um ser humano ímpar. Tinha sua forma própria de captar Sabedoria, como disse Sodrezinho no artigo Palavras ditas e não ditas: não se sabia o que ele não sabia.

Atribuo a sabedoria de meu pai à obediência às leis universais. Por meio dessa conexão habitual à natureza, ele alimentava o sentimento de amor e devoção a Deus.

Todas as manhãs, José dirigia sua atenção ao Sol nascente. O momento em que o Sol aparecia no horizonte, na direção leste, era sagrado para José. Ele não perdia esse momento mágico por nada neste mundo. Sempre lá estava ele, em posição de sentido aguardando para saudar o astro rei, em completo silêncio.

No inverno, as imagens do campo cheio misturavam-se à imensidão do céu que se espreguiçava do repouso da noite anterior. José era envolto àquela paisagem inédita a cada alvorecer.

No verão, a relva molhada da noite encontrava-se com as nuvens furta cor, formando um todo, incapaz de se estabelecer qualquer divisão. José era envolto àquela dança, flutuava no mesmo compasso. Ele fazia parte daquele Universo multicolorido. Sem perceber, fechava os olhos.

Naquele estado letárgico, ele permaneceria a eternidade. Quando, aos primeiros clarões ao leste, o canto e revoar das graúnas, fazia com que ele abrisse os olhos. Com espanto, via que o cenário era outro, tudo mudara. Nada do que via antes do estado letárgico existia mais.

Estabelecia-se uma nova harmonia, que se juntava a ele, desta feita ornamentando tudo com o brilho do Sol, para dizer que o dia chegou!

Sempre tive a curiosidade de saber qual a fonte de Sabedoria do meu pai, como ele aprendeu tantas coisas. Quem conheceu meu pai, sabe que ele tinha algo especial. Ele sabia de coisas que jamais tivera experiência.

Lendo Deepreck Chopra, não tive dúvidas: era nesse encontro com o Sol que ele acessava a Sabedoria Infinita.

O sol nasce para todos. Mas nem todos... Ely Santos - Pensador

 

ALCAP Lança o III Prêmio Naisa Amorim com Foco na Cultura Popular do Brasil e do Maranhão

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), lança a terceira edição do Prêmio ALCAP Naisa Amorim, consolidando-se como uma das principais ações de incentivo à arte, à leitura e à escrita no município de Peri-Mirim. As inscrições estarão abertas de 27 a 30 de outubro de 2025, com premiações em dinheiro, certificados e placas de reconhecimento.

Com o tema “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão”, o concurso busca valorizar as manifestações culturais que compõem a identidade do povo brasileiro, especialmente do Maranhão. Alunos da rede pública e particular de ensino do município poderão participar em quatro modalidades: Desenho, Poesia, Crônica e Escola Criativa.

MODALIDADES E PÚBLICO-ALVO:

Desenho: para estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Poesia: para estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e EJA.

Crônica: para estudantes do 1º ao 3º ano do Ensino Médio e EJA.

Escola Criativa: voltada para instituições que desenvolverem ações de mobilização para o concurso.

As escolas participantes devem promover oficinas de produção artística e literária, realizar a seleção dos trabalhos e efetuar as inscrições presencialmente na Biblioteca ALCAP Prof. Taninho, localizada no prédio do SINDPROESPEM, nos turnos da manhã e tarde.

PREMIAÇÃO

Os primeiros, segundos e terceiros colocados de cada categoria receberão prêmios em dinheiro, que variam de R$ 150,00 a R$ 500,00 além de certificados e placas de reconhecimento. Também serão homenageados os professores orientadores e as escolas envolvidas.

Como forma de promoção da equidade, pelo menos uma das vagas premiadas de cada categoria será destinada a estudantes das escolas da zona rural.

EVENTOS DA PREMIAÇÃO

Os trabalhos premiados serão apresentados publicamente em um evento cultural a ser anunciado em breve, com a presença dos autores e professores. A participação nesse momento é obrigatória para recebimento do prêmio.


O III Prêmio Naisa Amorim é uma homenagem à educadora perimiriense que marcou gerações com seu amor pela educação e pela cultura. A ALCAP reforça o convite a todas as escolas para se engajarem nessa iniciativa que fortalece os laços entre educação, arte e identidade cultural.

Inscrições: 27 a 30 de outubro de 2025
Local: Biblioteca ALCAP Prof. Taninho – Rua Desembargador Pereira Júnior, s/n – Prédio do SINDPROESPEM
📩 Dúvidas: academiaperimiriense@gmail.com | (98) 98123-5629

Confira o Edital nos Links abaixo:

EDITAL III PRÊMIO

RESUMO

ALCAP entrega comunicados aos familiares dos patronos das cadeiras 30 a 40

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) realizou a entrega oficial dos comunicados aos familiares dos novos patronos eleitos para ocupar as cadeiras de número 30 a 40 da instituição. A ação representa um marco na preservação da memória e da identidade cultural do município de Peri-Mirim, além de ser um gesto de reconhecimento público àqueles que deixaram um legado de contribuição à sociedade perimiriense.

Os patronos eleitos são:

Cadeira 30: Carmem Martins

Cadeira 31: J. Campos

Cadeira 32: Dedeco Mendes

Cadeira 33: Dona Morena

Cadeira 34: Sipreto

Cadeira 35: Madalena Corrêa

Cadeira 36: João Batista

Cadeira 37: Lobato Viana

Cadeira 38: Pe. Helder (MSC)

Cadeira 39: Raul Mendes

Cadeira 40: Floriano Mendes

Os comunicados foram entregues diretamente às famílias dos homenageados, em visitas realizadas por membros da ALCAP. Os momentos foram marcados por emoção, gratidão e partilha de memórias. Em cada entrega, reviveu-se a trajetória de vidas que contribuíram de maneira significativa com a história do município.

A cerimônia de posse dos patronos será realizada em breve, em data a ser anunciada pela Academia. Na ocasião, os novos patronos serão reverenciados publicamente em solenidade oficial.

Confira alguns registros da entrega dos comunicados:

Clube de Leitura da ALCAP realiza encontro especial com roda de conversa sobre cultura popular

No último sábado, 25 de maio de 2025, o Clube de Leitura da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) promoveu um encontro marcante no auditório do SINDPROESPEM, em Peri-Mirim. A atividade integra a programação anual do Clube, cujo tema de 2025 é “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão”.

O encontro foi enriquecido por uma roda de conversa especial com a participação de convidados que representam diferentes vozes da cultura local e maranhense. Estiveram presentes o escritor Francisco Viegas, considerado uma das vozes ativas da memória perimiriense; Dona Nicinha, guardiã da tradicional Festa do Divino em Peri-Mirim; Rodrigo Quintanilha, educador, artista e coordenador da Associação Cultural Casa Angola; e Ricon, reconhecido como guardião das tradições quilombolas e do Tambor de Crioula.

A mediação foi conduzida pela acadêmica Edna Jara Abreu Santos.

Além dos debates, o encontro contou com a discussão de dois livros: Arte e Devoção, de Joana Bittencourt, e Curiosidades Históricas de Peri-Mirim, de Francisco Viegas. Ambos os títulos dialogam diretamente com os saberes, as práticas e a história da região.

Um dos momentos mais aguardados foi a apresentação cultural do Tambor de Crioula do Magueiral, que emocionou o público com a força de sua ancestralidade e sua energia contagiante, reafirmando a importância da preservação das manifestações tradicionais.

A ALCAP reforça, com essa iniciativa, seu compromisso com a valorização da identidade cultural da Baixada Maranhense, promovendo encontros que conectam literatura, memória e tradição.

 

CLUBE DE LEITURA ALCAP PROMOVE RODA DE CONVERSA SOBRE CULTURA POPULAR

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) convida toda a comunidade para o próximo encontro do Clube de Leitura Prof. João Garcia Furtado, que acontecerá no dia 25 de maio de 2025, às 15h, no auditório do Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM), localizado na Rua Desembargador Pereira Júnior, nº 85, Centro. Peri-Mirim-MA. A reunião  terá transmissão simultânea via Google Meet.

Com o tema: “Cultura Popular – Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão“, o encontro contará com uma enriquecedora roda de conversa com convidados especiais que são referências em suas áreas de atuação:

  • Francisco Viegas – escritor convidado e voz ativa da memória perimiriense, autor dos livros: Seminarista Graças a Deus, Curiosidades Históricas de Peri-Mirim e Peri-Mirim: cem anos de emancipação;
  • Dona Nicinha – guardiã da tradicional Festa do Divino Espírito Santo em Peri-Mirim e
  • Rodrigo Quintanilha – educador físico, artista da cultura popular e tradicional com as manifestações da Capoeira Angola, Samba de Roda, Tambor de Crioula e Bumba Meu Boi e coordenador da Associação Cultural Casa Angola.

Os participantes terão a oportunidade de dialogar sobre os livros “Arte e Devoção”, de Joana Bittencourt e “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim”, de Francisco Viegas, obras que celebram a memória, a fé e a identidade da região.

A mediação será feita pela acadêmica Edna Jara Abreu Santos, coordenadora do projeto.

Segundo a presidente da ALCAP, Jessythannya Carvalho Santos: “Este será mais um momento de valorização das tradições locais e de fortalecimento dos laços entre literatura, cultura e comunidade”.

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Garanta sua participação acessando o link: https://forms.gle/MPvTLnWKV1KmyZ8r9

Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá

Por Edna Jara Abreu Santos

Fragmento da Crônica: Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá (2018)

[…]

Na década de 50, a crença em criaturas do nosso folclore era bem mais presente. As pessoas temiam e muitos tinham o “desprivilegio” de vê-los frente a frente. Há relatos de pessoas que ficaram diante do mula-sem-cabeça, mãe d’água e curacanga, mas era o curupira que mais atormentava os animais e os poucos moradores da cidade, levando-os a abandonar suas casas e até à morte, em muitos casos. Acredita-se que quando a região de mata densa é pouco habitada por seres humanos é possível que exista as tais assombrações. Dizem os mais velhos que quando o assovio do Curupira é ouvido bem perto, ele/eles já está/estão longe, agora quando o assovio está longe, com certeza à criatura está bem próximo da pessoa. E ademais, quando os trabalhadores entravam no matagal e se dividiam, o (s) curupira (s) fazia (m) o mesmo assovio dos homens e eles se perdiam no mato à dentro, passavam horas para enfim se encontrarem.

Francisca do Carmo França Abreu, perimiriense de 71 anos, relata lendas e crendices sobre a aparição destes seres mitológicos. Recorda-se da vida e morte de um dos seus irmãos. Ele era fascinado por borboletas, a ponto de segui-las em seus mais longos voos, esquecia a hora e nem via o local que adentrava. Muitas vezes era resgatado dentro da mata, por conta desse deslumbre. Até um dia que ficou muito doente, na época sem hospitais e remédios para cura do sarampo, foi definhando dentro de uma rede. E pela sua aparência, todos atestavam que o mesmo estava assombrado. Ouviam com muita frequência assovios de curupiras todos as noites nas proximidades da casa, durante todo o tempo que passou dentro da rede doente, quando morreu, aquele barulho sessou.

O tão temido e conhecido “Caminho da frieza”, localizado no povoado Poções (antes do Chavi), recebeu esse nome por conta dessas aparições e o ambiente ficava uma geleira, mesmo em dias ou noites calorosas. Desde assustar cavalos ou deixá-los cansados na travessia (como se de repente um peso os rebaixava deixando quase rastejando), dor de cabeça no (s) viajante (s), febre e até morte dos mais valentes que queriam medir forças com a tal visagem, quem por algum motivo ou circunstância fizesse a travessia ao meio dia, doze horas, seis horas da tarde e à meia noite, certamente teria um acompanhante desagradável na viagem. Conta que certa vez, quando criança, ela e sua mãe precisaram atravessar esse caminho, e na volta já tarde, passaram por um “igarapezinho”, quando de repente sua mãe, ao olhar para trás avistou bem perto um cavalo enorme, alvo e sem cabeça. Ele passou bem perto e sua mãe assustada puxava-a pelo braço, para saírem daquele lugar.

A “mãe-d’água” era outro ser mitológico que causava terror aos banhistas que adentravam os rios ou que se serviam da água dos poços principalmente ao meio dia, e a partir de seis horas da noite. Para tanto, os banhistas deveriam sempre recorrer ao respeito pedindo permissão para adentrar aquele espaço e usar daquela água. Geralmente, nesse tempo os poços eram bem distantes das casas habitadas e quando iam sozinhos quase sempre chegavam em casa contando as aflições presenciadas.

É provável que um dos motivos que hoje não é possível ouvir sobre estas criaturas com mais intensidade, seja pelo fato do crescimento populacional. Onde antes era só vegetação, hoje tem casas e moradores e, cada vez mais, as pessoas estão devastando áreas para fazer roças e construção de propriedades. Outro possível motivo pode ser o advento da iluminação pública, onde antes havia muitas trevas, hoje há luz.

Nesse sentido, há diversas linhas que correm sobre a veracidade dos fatos: o medo que tem o poder de fazer a mente criar situações apavorantes; os contos engabelados dos antepassados transmitidos a gerações… ou então, devemos acreditar que de fato existiam todos esses personagens fabulosos que um dia dominaram o espaço que ocupamos hoje?

Em meados do século XX, Peri-Mirim era constituída de vegetação em quase toda sua totalidade, por exemplo, o Campo de Pouso era mata fechada com apenas um caminho estreito no meio. Na oportunidade, destaca-se os primeiros padres que aqui chegaram e que tiveram importância significativa na qualidade de vida do Município, bem como na proteção e conhecimento sobre os mitos, foram eles: Monsenhor Gerard Cambron e os padres, Leonel, Edmundo, Paulo, Gil e Gerard Gagnon. A chegada Oficial dos padres na cidade foi em 15 de agosto de 1958, data que marcou também a Fundação da Paróquia São Sebastião. Eles abriram estradas, construíram capelas nas comunidades locais e também em beiras de estradas, incentivavam as famílias a participarem das reuniões, missas, a comungar-se, batizar os filhos, doavam e ensinavam diversos usos de plantas e ervas medicinais.

Em suma, a dona Francisca nostálgica, conta ainda que as crenças religiosas e costumes eram respeitados nas datas comemorativas, por exemplo, no carnaval (fevereiro) se tinha os aqueles dias de festas, mas quando se aproximava a Quaresma, as mulheres não podiam usar nenhum tipo de pintura, como batons, pintar unhas e nenhum tipo de diversão: os dias eram sagrados. Se a Semana Santa (março/abril) começasse em uma quarta-feira, até terça-feira as pessoas limpavam suas casas, torravam café, socavam arroz no pilão, estocavam comida, rachavam lenhas e guardavam. Enfim, faziam tudo antes da “Quarta-feira Santa”, pois a partir desse dia as pessoas nem podiam sair de suas casas, muito menos bater nos filhos ou falar palavrões. Eles também soltavam as galinhas, porcos e os demais animais presos; até os meliantes que se encontravam nas celas da delegacia era dado a eles o direito de ficarem soltos esses dias.

Primeiro encontro de 2025 do Clube de Leitura da ALCAP destaca a cultura maranhense

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) promoveu no dia de 30 de março de 2025, o 1º ENCONTRO DE 2025 DO CLUBE DE LEITURA “Prof. João Garcia Furtado” nas dependências do Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM), entidade parceira da ALCAP. O Projeto do  Clube de Leitura é um projeto implantado desde 2019 pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), que tem como objetivo promover o interesse pela leitura por meio de uma série de encontros literários, intercâmbio cultural e experiências imersivas. Para 2025, o tema dos encontros é “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão”, explorando livros que abordam diversas tradições, mitos, religiosidades e manifestações culturais presentes nas diferentes regiões do país, com destaque para o Maranhão, suas lendas e expressões culturais únicas, reforçando sua importância na identidade e diversidade cultural do Brasil.

O convite alcançou escolas públicas e privadas, o Grupo “BoraVer”, membros da ALCAP e a comunidade local, incluindo crianças, jovens e adultos.

Para o primeiro encontro do ano (30/03), na modalidade presencial e on line, realizado no 2º piso do SINDPROESPEM, às 15h, houve a seguinte coletânea como leitura de referência: “Passeios pela História e Cultura do Maranhão”, do escritor Wilson Marques.

A Biblioteca ALCAP “Professor Taninho” fez ainda as seguintes sugestões e empréstimos de livros: “Literatura em minha casa: quatro mitos brasileiros” – Mônica Stahel; “Um saci no meu quintal: mitos brasileiros” – Mônica Stahel; “A história do boizinho de brinquedo”– Joana Bittencourt; “Literatura em minha casa: bazar do folclore” – Ricardo Azevedo; “Brincando de folclore” – Maurício de Sousa; “Lendas do Maranhão” – Cunha e Silva Filho; “A Lenda do Rei Sebastião e o Touro Encantado” – Josué Montello e muitos outros.

A presidente Jessythannya, juntamente com Edna Jara Abreu responsável pela pasta, recepcionaram e mediaram a discussão dos livros. Os alunos do colégio Alda Ribeiro Corrêa – ARC, grupo BoraVer e alunos do IFMA fizeram a síntese das principais ideias discutidas, bem como a contribuição dos livros para a valorização da cultura e identidade maranhense. No momento cultural houve a contação de história com a professora Maria da Conceição Melo Pinheiro, mais conhecida como Mariinha e a moradora Francisca Abreu, de 71 anos.

As produções elaboradas pós encontro serão publicadas oportunamente em site designado para esse fim. O próximo encontro agendado (18/05) será também recheado de atrações e o livro em destaque para o momento é: “Arte e Devoção”, de Joana Bitencourt, explorando a relação entre arte sagra e expressões culturais no Maranhão.

Raimundo Martins Nunes

Por Rosilda Pinheiro Nunes, Robson Pinheiro Nunes e Rouseli Pinheiro Nunes, com revisão de Diêgo Nunes Boaes

Patrono da Cadeira nº 33 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Raimundo Martins Nunes nasceu no Povoado Canaranas aos 06 de setembro de 1948, filho de Jose Evaristo Amorim Nunes (Zé Grande) e Antonia Paula Martins Nunes (Tonha). Teve três irmãos sendo Domingos Martins Nunes, Ana Luiza Nunes Martins e Raimundo Gabriel Amorim, família de classe baixa, humilde, mas com muita dignidade educaram-no com respeito e ensinaram-no a lutar para ser alguém na vida. Devido às dificuldades da vida iniciou seus estudos quando já tinha 12 anos terminando o ensino primário com 17 anos. Tendo que se contentar com o que o município oferecia, pois, naquela época, década de 60, só continuava seus estudos as pessoas, filhos de família de classe média alta que podiam mandar seus filhos estudar fora. Como seus pais não podiam mandá-lo estudar em São Luís teve que esperar e trabalhar na lavoura juntamente com estes, perdendo o gosto assim pelo estudo.

Iniciou sua vida religiosa na comunidade de JJM, sendo convidado para participar de uma preparação para catequista no município de Guimarães, o qual aceitou e foi de bicicleta até lá. No dia 18 de janeiro de 1974 casou-se com Rosilda Pinheiro Nunes e deste casamento nasceram 4 filhos: Rouseli Pinheiro Nunes, Raimundo Martins Nunes Junior, Robson Pinheiro Nunes e Roberth Pinheiro Nunes. Em 1977 voltou a estudar fazendo o curso ginasial, logo após, o curso Normal e em 2003 iniciou a faculdade de Pedagogia concluindo a mesma no ano de 2007.

A convite do saudoso Padre Ubirajara entrou para faculdade de Teologia a qual realizou no Centro de Formação de Mangabeira juntamente com outros colegas da nossa Paróquia, e com o incentivo do saudoso Padre Ubirajara, Padre Sarges e do Padre Marcio iniciou o estudo para o Diaconato Permanente no mesmo período, recebendo o Sacramento da Ordem como Diácono Permanente no dia 30 de maio de 2015.

Sipreto como era conhecido por todos é igual a seu Fulgêncio (pau para toda obra). Foi lavrador, marceneiro, fotógrafo, professor, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Peri-Mirim (STTR) durante doze anos, foi vereador durante 16 anos, abdicando deste último para se dedicar à vida diaconal, sendo incentivado por sua esposa, filhos, demais familiares, padres e amigos.

O Diácono Sipreto fez sua páscoa no dia 10 de fevereiro de 2024 estando junto ao seu netinho Pablo, seus pais Zé Grande e Tonha e deixando como maior legado sua família: esposa Rosilda; os filhos Rouseli, Raimundo Junior, Robson e Roberth e seus amados netinhos: José Erick, Maria Eulalia, Robson, João Víctor, Guilherme, Mariana, João Gabriel e Ravi Luca; e seu bisneto Zion.

Adelar José Álvares Mendes

Por Ana Cléres Santos Ferreira

Patrono da Cadeira nº 32 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Adelar José Álvares Mendes, popularmente conhecido como Dedeco Mendes, é natural de Peri-Mirim/MA, nasceu em 20 de janeiro de 1926. Filho de Raimundo Botão Mendes e Mariana Álvares Mendes. Casou-se em 30 de janeiro de 1967 com Lêda Maria Pereira Amorim, que passou a denominar-se Lêda Maria Amorim Mendes, conhecida como Dona Ledinha. Tiveram como testemunhas de casamento Agripino Álvares Marques e Julieta de Castro Marques. Da união matrimonial, nasceram três filhos: Solange Amorim Mendes; Cleon Saluc Amorim Mendes e Adelar José Álvares Mendes Júnior.

Iniciou seus estudos em Peri-Mirim, posteriormente, cursou o Técnico em Enfermagem, onde aprendeu várias técnicas de cuidados médicos e farmacológicos.

Desempenhou as funções de funcionário público municipal.

Adelar desenvolveu a técnica da farmacologia, na prática, foi o médico da região onde a população se dirigia ao profissional para receber assistência à sua saúde numa época em que os serviços médicos eram raros e, por vezes, inacessíveis. Com sua técnica apurada e conhecimento da composição dos remédios, os quais vendia em sua farmácia atendia a população na assistência médica e farmacêutica, sempre com um atendimento humanizado caracterizado por empatia, compreensão e diálogo. Tanto ele receitava os medicamentos, como os aplicava. A confiança do Sr. Dedeco era imensa. Ela ajudou a combater preconceitos, como a resistência a tomar vacinas – aconselhava os pais a aplicar as vacinas nas crianças, em uma época em que a mortalidade infantil era muito grande por doenças como: verminoses, desidratação, desnutrição, sarampo, coqueluche, cataporas e outras enfermidades.

A Farmácia do Sr. Dedeco funcionava em um ponto contíguo à sua casa, o que permitia que ele atendesse a qualquer hora do dia e da noite. Muitas vezes, os doentes dos povoados eram trazidos em cavalos ou em redes que serviam para locomoção do paciente, pois precisavam ser medicados com urgência.

O atendimento do Sr. Dedeco era como dizemos nos dias atuais, personalizado, ele nunca se negou atender ninguém que precisasse dele, sempre com um sorriso no rosto a qualquer hora do dia ou da noite. Tinha sempre o remédio ideal, quando não tinha o prescrito na receita ele subistituia por outro similar, ele ficou conhecido por usar muito a frase “fabulosa”: – “Ah esse remédio é fabuloso” e assim pela fé que a população tinha em seus conhecimentos ele tinha sempre o remédio que curava.

Informações fornecidas pela esposa Lêda Maria Amorim Mendes pela filha Solange Amorim Mendes, informações adicionais fornecidas por Eni do Rosario Pereira Amorim.

Maria de Jesus Castro Martins

Por Maria do Carmo Pereira Pinheiro

Patrona da Cadeira nº 34 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Maria de Jesus Castro Martins, popularmente conhecida como Dona Morena, nasceu em Perimi-Mirim-MA no dia 07/03/1927. Tendo como pais Joana Darc Silva Castro e Almir Gomes de Castro. Seu esposo era José de Ribamar Martins.

Irmãos: Maria dos Remédios Castro, Helena Castro, Tereza Castro, Almir Castro, Adalto Castro e Alcina Castro,

Filhos: José Maria Castro Martins, Marilurdes Castro Martins, Antônio Pádua Castro Martins, Idivanda Castro Martins, Ivanoel Castro Martins, Maria de Fátima Castro Martins, Raimunda das Neves Castro Martins, Raimundo Nonato Castro Martins, Sebastião de Jesus Castro Martins, Almir Castro Martins, Edson Castro Martins, Francisco de Assis Castro Martins, Maria Laudames Castro Martins. Teve também muitos netos e bisnetos, deixando um legado de amor e dedicação à família.

Educação e Formação: Seus filhos não souberam informar onde estudou, mas sabem que Dona Morena teve sua formação em Peri-Mirim. Ela foi uma grande parteira tradicional, ou parteira leiga com grandes saberes em sua prática tradicional e conhecimentos éticos e culturais. Vocação essa que exerceu com maestria e generosidade, gratidão e amor ao longo da vida.

Vida e Atuação: Mulher sábia, de muitas habilidades, Dona Morena era conhecida por sua generosidade e coração gigante. Atuava como parteira, sua prática se configura como uma prática popular, reconhecida e respeitada pela sua comunidade. Ela se concretiza através das orações, do uso de plantas medicinais, de superstições e de simpatias. Embora essas práticas não sejam de credibilidade de todas as parteiras, a fé é sempre incorporada como regra e parâmetro para que o trabalho de parto aconteça sem maiores problemas, independentemente de religião. Entre os seus saberes estavam: benzimentos, rezas, orações, banhos, chás e remédios caseiros.

A dureza do trabalho, as longas caminhadas, as privações e as dificuldades faziam parte da trajetória das parteiras tradicionais, também a falta de material, treinamento, transporte, acesso dificultado e ambiente de trabalho precário representavam condições desfavoráveis ao bom desempenho de suas funções favorecendo a diminuição da capacidade física e psíquica das parteiras. Essas condições adversas expressavam, também, uma condição de vida margeada por sentimentos de medo, incerteza, insegurança e tensões.

Sentimentos como medo e coragem, alegria e tristeza, sofrimento e prazer são sentimentos constantes no trabalho de uma parteira demonstrando ter consciência dos riscos de vida a que a mulher e o recém-nascido estão sujeitos, quando um parto se realiza em domicilio rural.  Mas também há os sentimentos positivos, entre eles, alegria e satisfação relacionados com o êxito no trabalho e, desta forma, significam reconhecimento, status e valor social como era reconhecida Dona Morena como uma excelente parteira no Município de Peri-Mirim.

Diante das dificuldades acima citadas, Dona Morena possuía um quarto em sua casa, construído por seu marido, onde passou a realizar atendimentos e acolhia a gestantes prestes a dar à luz. Muitas grávidas passavam o último mês de gestação sob seus cuidados e só partiam após o nascimento do bebê. Muitas vezes, não cobrava por seus serviços, movida pelo desejo de ajudar. Seu último parto foi o de seu neto Cristhyan, filho de Maria Laudames. Além disso, Dona Morena abrigava estudantes vindos de povoados distantes que precisavam estudar na sede do município. Seu espírito acolhedor fazia com que ninguém saísse de sua casa sem comida, sem água ou sem um atendimento, mesmo quando ela mesma não se sentia bem.

Religião e Filosofia de Vida: Dona Morena era católica e também seguia ensinamentos espíritas. A sua prática de trabalho estava voltada para ajudar aqueles que a procuravam, principalmente em meio às dificuldades de atendimento médico no município pelo poder público. Suas palavras de sabedoria marcaram profundamente seus filhos. Entre suas frases mais lembradas, destacam-se: “Escorregar não é cair, a carga é ruim para quem não sabe conduzir.”  “Deixa o rastro, mas não deixa o nome.” (Dita aos filhos quando saíam sem ela): “Não estou nem aí, sou que nem cera: só quero quem me queira. Espero a pessoa aqui porque o meu batente é de pique.” (Expressão usada quando se sentia magoada.)

Legado: Dona Morena deixou um exemplo de força, generosidade e sabedoria. Sua vida foi dedicada ao cuidado do próximo, seja através do acolhimento, da medicina popular ou dos ensinamentos passados para seus filhos e netos. Seu nome permanece vivo na memória daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la e que foram tocados por seu amor e dedicação. Deixou um grande legado e muitas saudades. Partiu deste mundo em 11 de julho de 2016.

Entrevista concedida por: Maria Laudames Castro Martins e Sebastião de Jesus Castro Martins (seus filhos).