LUGAR ONDE EU VIVO

Autora Ataniêta Martins

LUGAR ONDE EU VIVO.

EM MINHAS MEMÓRIAS,

UMA SAUDADE, UMA VIAGEM

AOS TEMPOS DE OUTORA.

 

PERI-MIRIM, GRANDIOSA ÉS TU

COM TANTAS RIQUESAS

NA PECUARIA, NA LAVOURA

EM TODA A REDONDEZA

CIDADE LINDA, NASCI E SORRI,

ANDEI E CRESCI

PERI-MIRIM, EU TE ESCOLHI

QUERO FINDAR MEUS DIAS AQUI

E MINHA HISTÓRIA

AQUI CONSTRUIR.

 

 SUA NATURAL BELEZA

PODE SER COMPARADA

A UMA ENORME RIQUEZA

TEM ESCOLAS, ALUNOS E PROFESSORES

CANTORES, POETAS E DOUTORES

MÉDICOS,PESCADORES,

DENTISTAS E AGRICULTORES

PADRES, OVELHAS E PASTORES.

 

NA CALMARIA DA NOITE

PODEMOS APRECIAR

AS ESTRELAS DO CÉU

O E BELO LUAR

ESCUTA-SE DO SAPO AO GRILO

E OS VIZINHOS A CONVERSAR

ESTA É MINHA CIDADE

QUEM SAIU SENTE SAUDADES

E QUEM VEM VISITAR

APAIXONA-SE DE VERDADE.

 

E COMO ESTÁ AGORA?

SÓ PRECISA SER MAIS CUIDADA E AMADA

AS MATAS NÃO SAÓ PRESEVADAS

OS RIOS POLUIDOS, ALGUNS JÁ ENTUPIDOS

EFEITOS DA DEGENERAÇÃO

POR CAUSAS DOS MALES E VÍCIOS

AGREGOU-SE A CORRUPÇÃO

E NOSSAS CRIANÇAS?

SE A GENTE PRESERVAR

ELAS VÃO COLOBORAR

NÃO HAVERÁ DEGRADAÇÃO

DESSA FORMA

TERÁ MENOS POLUIÇÃO

OU CASO CONTRÁRIO

SÓ IRÃO OUVIR CONTAR

BELAS HISTÓRIAS

DA NOSSA GERAÇÃO.

 

ESTE MUNICÌPIO

TRAZ UMA TRAJETÓRIA

DE LUTAS E CONQUISTAS

CONTADA PELOS CENTENÁRIOS

QUE VIVENCIARAM (EM MEMORIA)

DE UM POVO LUTADOR

QUE RESPEITAM OS PRINCÍPIOS

DE HOMENS QUE AQUI PASSOU

TÃO PEQUENA, BONITA E FRÁGIL

LUGAR ONDE SE ENCONTRA BONDADE

VIVEMOS EM IRMANDADE

QUER VER OS MORADORES SE  SENSIBILIZAREM?

BASTA UM PRIMIRIENSE ESTÁ ENFERMIDADE

MAS, TAMBÉM SÃO JUSTIÇA

NÃO DEIXAM NADA, NIGUÉM

DENEGRIR A IMAGEM DA NOSSA CIDADE

ISSO QUE É AMOR DE VERDADE

COBRAM QUANDO É PRECISO

E RESPEITAM QUANDO HÁ NECESSIDADE.

 

MESMO EM TEMPOS DIFÍCEIS

TEMPO DE PANDÊMIA

VIVEMOS EM ALEGRIA…

A COVID-19, NOS SURPEENDEU

ENSINOU-NOS O QUE É A VIDA

PERDEMOS PESSOAS QUERIDAS

QUE NOS REENCONTRAREMOS UM DIA

POR  ISSO PEÇO A DEUS, O CRIADOR

PARA ALIVIAR NOSSA DOR

E CONTINUE SENDO NOSSO GUIA

QUE INTERCEDA POR NÓS, JESUS E A VIRGEM MARIA

PARA QUE NÃO PERCAMOS A ESPERAÇA

DE PROFETIZAR NOSSA FÉ

A CADA DIA DE NOSSAS VIDAS.

 

COM ESTA SIMPLES POESIA

PARABENIZO NOSSA CIDADE

103 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

E TAMANHA IRMANDADE

TU ÉS PERI-MIRIM

UMA RARIDADE

TERRA QUERIDA

COM SUAS BELEZAS

E SUAS REALIDADES.

PARA SEMPRE VOU FICAR

PERI-MIRM,TERRA QUERIDA

MEU LUGAR!

 

Vá, e entrega-te ao vício da embriaguez!

Por Ana Creusa

José dos Santos, meu pai, era um contador de histórias. Ele estudou apenas três meses. Depois desse período, a professora mandou comprar-lhe livro de 2º ano primário.

As aulas foram interrompidas e o menino ficou com seu livro, leu e releu, memorizou todas a lições, que depois contava a seus filhos. Memorizou todos os afluentes do Rio Amazonas, margem direita e esquerda; os números do Jogo do Bicho em verso e outras histórias memoráveis.

Uma história que me marcou muito e que me causava medo, mas que contém uma lição de vida que não pode passar despercebida, trata-se da história chamada “Vá, e entrega-te ao vício da embriaguez[1]

Era uma vez um menino chamado Antônio, o Toinho, muito educado e obediente aos pais, mas tinha a mania de chamar “nomes feios[2]”, apesar das advertências constantes de sua mãe que dizia que esses nomes são do Maligno.

 Certo dia, a mãe mandou Toinho que fosse à quitanda comprar açúcar para temperar o café que já estava quase pronto.

No caminho, o rapazinho deu uma topada em uma pedra que o levou ao chão, levantou e desfilou sua insatisfação proferindo todos os nomes do seu imenso vocabulário: mi, di, borra de café …[3]

Ao levantar-se, tomou um susto ao ver um homem com vestes estranhas, com um gorro na cabeça, um cajado e forte cheiro de enxofre que lhe falou em tom autoritário:

– Por que me chamas, menino!?

– Eu te chamo?

Me chamaste sim. Eu sou o Lucífer e atendo por todos esses nomes que você chamou. Uma vez me chamando, eu tenho que fazer meu serviço e disse:

– Vá, mate seu pai; bata na sua mãe e na sua irmã.

– Como posso fazer isso? Matar meu paizinho, bater na minha doce mãezinha e na minha irmãzinha? Não poderei fazer isso!! Me peça qualquer coisa, menos isso!

– Eu não vim aqui à toa, você me chama todos os dias!

– Já que não queres cumprir a minha ordem, então: vá, e entrega-te ao vício da embriaguez.

Antônio chegou à quitanda. Não comprou o açúcar. Com o dinheiro comprou uma garrafa de cachaça, bebeu todo o conteúdo, sob o olhar admirado dos fregueses do pequeno comércio.

Quando chegou a casa estava totalmente embriagado. Seu pai veio ao seu encontro e o filho já lhe desferiu alguns golpes de fação que portava na cintura, o pai correu assustado. A mãe chegou e quis saber o que se passava, o filho lhe deu um tapa no rosto; a sua irmã também fora espancada.

Nesse momento a mãe, que era muito religiosa, percebeu que havia algo de errado com o filho e pôs a orar.

O filho caiu ao solo e dormiu. Ao despertar lembrou da ordem daquele sujeito estranho e percebeu que havia recebido ordem do Demônio para matar seu pai e bater na sua mãe e irmã e que ele havia se recusado, mas que a embriaguez possibilitou que o desejo do maligno se realizasse. Cansado, em gesto de gratidão, disse:

– Meu pai do céu, eu estava fazendo tudo que o Diabo mandou. Por pouco não mato meu pai e espanco minha mãe e minha irmã.

Antônio pediu perdão ao seu pai, mãe e irmã e lhes contou sobre a aparição e ordem que recebera do Satanás.

A partir daquele dia, o rapaz nunca mais chamou nome feio e voltou a ser o menino obediente de sempre. Aprendeu a lição de que o vício da embriaguez pode levar a pessoa a cometer qualquer desatino e até crimes.

[1] Papai contava que na história tinha a ilustração de um menino assustado com a aparição do demônio; [2] José detestava que os filhos chamassem nomes feios e [3] Mi (miserável); Di (desgraçado) e borra de café (porra).

Perdão Emília

Por Ana Creusa

Era uma vez um casal de jovens. Casamento marcado. Antes do casamento, uma dúvida atormentou o noivo:  se era, de fato, amado pela sua prometida.

Naquela época eram os pais que acertavam o enlace matrimonial dos seus filhos, sempre levando em consideração o dote e os laços de amizade entre familiares dos nubentes.

Para testar o amor da moça, chamada Emília; Manoel noiteceu, não amanheceu. Sumiu. Passada uma semana, nenhuma notícia do noivo. Ninguém viu em ouviu falar sobre o paradeiro de Maneco.

Emília que tinha profundo amor pelo noivo. Paixão que alimentava desde a puberdade, torceia para que seu pai a desse em casamento ao rapaz, aos olhos dela, mais o bonito e virtuoso do lugar.

Com o sumiço do noivo, Emília entrou em profunda depressão. Não conseguia mais se alimentar, depois, nem água conseguia mais tomar.

Passados quinze dias naquela situação. As famílias desesperadas. Emília não resistiu e veio a óbito. Depois do velório comovente da jovem. No dia seguinte, deu-se o sepultamento.

Era noite do dia do sepultamento, quando Manoel retornou da sua viagem. Para sua surpresa, antes de chegar a casa, soube do falecimento de Emília, de puro desgosto pelo sumiço do noivo.

Desesperado, foi ao Cemitério visitar o túmulo de Emília. Aos soluços cantou:

Já tudo dorme, vem a noite em meio
A turva lua vem surgindo além
Tudo é silêncio; só se vê nas campas
Piar o mocho no cruel desdém

Depois de um vulto de roupagem preta
No cemitério com vagar entrou
Junto ao sepulcro, se curvando a meio
Com triste frases nesta voz falou

Perdão, Emília, se roubei-te a vida
Se fui impuro, fui cruel, ousado
Perdão, Emília, se manchei teus lábios
Perdão, Emília, para um desgraçado

Monstro tirano, pra que vens agora
Lembrar-me as mágoas que por ti passei?
Lá nesse mundo em que vivi chorando
Desde o instante em que te vi e amei

Chegou a hora de tomar vingança
Mas tu, ingrato, não terás perdão
Deus não perdoa as tuas culpas todas
Castigo justo tu terás, então

Mas este vulto de roupagem preta
Tombou, de chofre, sobre a terra fria
E quando a aurora despontou, na lousa
Um corpo inerte a dormitar se via

Perdão, Emília, se roubei-te a vida
Se fui impuro, fui cruel, ousado
Perdão, Emília, se manchei teus lábios.

Esta pequena canção trata-se de parte de uma ópera, cantada por nossa avó Ricardina, nas noites de serão durante o trabalho na roca de fiar algodão, que papai José dos Santos sempre cantou para nós. Saudades eternas do nosso José.

Pesquisando na Internet, encontrei a música, que segue abaixo:

A saga filosófica da turma de Peri-Mirim

Por Nasaré Silva

Amigos e companheiros

Chegou a vez de narrar,

Nossa saga filosófica,

Para entender e apreciar

Como estudar filosofia

É labor no dia a dia

Foram 5 anos sem parar.

Tudo começou em um dia

Na SEMED de João Batista

Reunido com Heráclio

Professor, conferencista,

Klaus, gigante no saber,

Todos juntos no empreender

Sei que são cientistas.

O sonho do perimiriense

É uma educação de ponta.

Muitos já tinham tentado,

Porém, não deram conta

Mas eis em que um belo dia

Batista, Heráclio e companhia

E a filosofia desponta.

Nunca foi fácil, acreditem

Estudar em Peri-Mirim.

Muitos foram os percalços

Tivemos o bom e o ruim.

Porém, enfim, vencemos

Aos professores enaltecemos

O saber é um querubim.

Em 30 de abril de 2016

Foi nossa aula inaugural.

Que momento emocionante!

Palestrantes, no plural!

Doutores e pós-doutores

Ensinando novos valores

Tudo de forma maestral.

Por quarenta e nove alunos

Nossa turma foi composta,

Alguns desistiram, no entanto

Outros continuaram a aposta

Com a ajuda de tanta gente

Não paramos, fomos em frente

Em busca de uma resposta.

A primeira professora

É viva em nossa memória

Rita de Cássia, o nome dela,

Filósofa cheia de vitória.

Doutora em filosofia

Docente com maestria

Faz parte da trajetória.

Muitos outros professores

Do curso são partes inerente:

Lindalva, Castro, Fernandes

Luciano, quanta gente!

Marly a coordenadora

Nossa mãezona, preceptora

Nos incentivou: “sigam em frente”.

Como não falar de Plínio

Sempre a reger a orquestra?

Do estágio I, ao II

Na arte, em grandes palestras.

Ensinando-nos novas lições

Enternece nossos corações,

Onde se apresenta, tem festa.

Professor Flávio chegou

Parecia meio durão

Qual nada, meus amigos

Conosco dividiu o pão,

Acendeu a luz da caverna

Iluminou nossa parte interna

O professor é só emoção.

Preciso falar de Lindalva

Linda como uma flor

Sempre gentil e amorosa

Sua alma irradia calor

Fez-nos perceber enfim,

Que sem ajuda tudo é ruim

Precisamos plantar o amor.

Diogo chegou aqui

E nos fez estremecer.

Trouxe no pescoço crachá

Nossa força a esmaecer.

Na campanha de vice-reitor

A todos ele encantou

Nos unimos para Façanha vencer.

Portela e a sua Lógica

Chegou e arrebentou,

Uma perna de seus óculos

Nossa cabeça pirou.

Deu sete para todo lado

Mas por fim, fomos aprovados

Glória a jesus Salvador

Não posso esquecer de Hamilton

Teoria do Conhecimento

Fiquei roxa, indignada

Quase a turma se arrebenta

Pensei logo em desistir

Mas Deus me fez insistir

Ufa, acabou o tormento.

Ticiane nos fez brincar

Com a vassoura na mão.

Eita disciplina boa

Brincávamos a rolar no chão.

A prova não foi legal

Nos enganamos, afinal,

deixou aluno na contramão.

 

O professor de Hermenêutica

Era lindo pra chuchu

Teve aluna caidinha

Brilhava que só abajur

Ensinava maestralmente

Era muito bom de mente

Wandeilson era só glamour

 

O meu amado professor

Que jamais posso esquecer

Lincoln é o seu nome

Deu logo seu parecer

Arendt me apresentou

Foi à primeira vista, amor

Sinto a alma enternecer.

 

Nosso professor Almir

Deu show de capacidade

Trabalhou com disciplinas

Ressaltando “humanidade”

Miniolimpíada um sucesso

Peri-Mirim é só progresso

Nessa contextualidade.

 

Nosso querido Gastão

Gerou em nós simpatia

Nos unimos mais e mais

No campo da analogia

Por não ser a nossa praia

Um cigarrinho de palha

Nos causou certa apatia.

 

Itanielson ajudou

A compor a trajetória

Do curso de Filosofia

Nosso momento é de glória

Foram tantos professores

Quase sempre eram doutores

Rumamos para a vitória.

 

Conceição e Ana Zilda

Conosco também somaram.

José Ribamar, Deus me livre

Alunos, zero tomaram

Cinco desistiram num dia,

Era aquela gritaria

Nem todos se conformaram.

 

E assim fomos seguindo

Uns tristes, outros contente.

Tinha professor bem bonito

Que nos irradiava a mente

Outros sem alteridade

Distribuíam temeridade

Mesmo assim, fomos em frente.

 

Chegou professor Façanha

E a todos nós encantou

Com seu sorriso sereno,

Ensinou sobre Rousseau

Voltaire e D’Alambert

Tudo era só mister

Que até Naiara assustou.

 

A nossa turma formou

Cinco equipes bem valentes.

Cada uma tinha um nome

Não os guardei na mente

Lembro apenas da minha

“Esmagai a infame” tinha

Cinco alunos competentes.

 

Walterlino, meu amigo

Por toda a turma amado.

Naiara escrevia tanto

O que ditava Agnaldo.

Kelisson brigava comigo

Querendo invalidar o meu dito

Era um arranca rabo danado.

 

A equipe “Ousar Saber”

É de júnior de Butilho

Trabalho árduo, sua meta

No almoço, éramos seus filhos

Saboreando ‘arroz de bicha’

Nossa barriga espicha

Não achávamos empecilho

 

Adelaide e Minervina

Sua equipe é de Rousseau

Falaram tanto do filósofo

A turma até decorou.

Sandra, filósofa porreta

Conceição fazia careta

Maria Ribamar se enturmou.

 

A equipe de Darlene

É o “Existencialismo”

Cintia e Rosilândia

Não usam de conformismo

Kerla e Antônia, são

Pensadoras de Platão.

Em busca do academismo.

 

Jucinalva, Ieda e Ely

São de uma outra estirpe

O grupo não sei o nome

Porque ninguém no zap disse

Mas Rosinete fez parte

O outro nome é uma arte

Mas todos formaram equipe.

 

Peço desculpas aos alunos

Se aqui não foram citados

Porém são todos importantes

Deixo bem ressaltado”.

Vamos nos unir sempre mais

Vejam os exemplos, os sinais

Do sucesso conquistado.

 

Diante de tudo isso,

Gostaria de frisar

A coordenadora Marly

Vive a nos prestigiar.

Sua presença é sublime

Nossa turma é o seu time

Está na aula a desfrutar.

 

Nosso muito obrigado

Aos professores presentes

Também aos nossos amigos

Sempre estiveram com a gente

Nossas famílias, então,

Elas são o nosso chão

O baluarte, de Deus o presente.

 

Flávio Luiz e Lindalva

Quanta honra tê-los aqui.

Nesta aula da saudade,

A nossa mestra Marly.

“Coração de estudante”

Nossa música cativante

Lembraremos sempre de ti.

 

Encerremos estes versos

Que ficarão há história.

Lembramos de muitas coisas

Guardadas na memória

Sem luta jamais vencemos

Vamos em frente e lutemos

Em busca de mais vitória.

Palavras: ditas e não ditas

Por Sodré Neto

Um bom começo pode ser extraído do conto de Guimarães Rosa, A terceira margem do rio, ao dizer que “nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação”. Assim era Zé Santo, a quem peço vênia para chamar, a partir de agora, de Papaizão.

Nascido em 2/2/22, natural de Palmeirândia e criado na Jurema em Peri-Mirim, Papaizão, aos dezoito anos, já assumia as rédeas da família em virtude da perda de sua mãe. Aqui, percebo que a precocidade de sua paternidade permitira o desenvolvimento de tudo o que se sucedeu. Os acontecimentos não foram fáceis, mas, para ele, não precisavam ser. “Mar calmo nunca fez marinheiro experiente”. E, assim, a vida o fez um almirante de primeira!

Comunicar não é sair verbalizando tudo e Papaizão sabia disso como poucos. Lembro-me dos momentos em que nos sentávamos todos à mesa para almoçar – vestidos com camisa, é claro! – e, por alguma ou outra razão, começámos a tagarelar. Evidente era o desrespeito àquela hora sagrada que ele ensinara com seus agradecimentos silenciosos sobre o prato de comida. Bastava que ele repousasse a sua colher sobre o prato para sabermos que o limite havia sido ultrapassado. Se ele levantasse a vista, pronto! A vergonha se instalava entre nós.

Mas nem sempre gestos são suficientes e palavras precisam ser ditas. Ele também sabia disso. Aliás, em toda nossa história, acabei não conseguindo descobrir o que ele não sabia. Mas voltemos às palavras. Com a precisão de um neurocirurgião, Papaizão proferia, sussurrava e até disparava palavras, tamanha era a sua destreza com elas. Com o tom perfeito para cada ocasião. Não me lembro de tê-lo visto gritar com alguém que estava perto. Não porque lhe faltava capacidade ou estridência, mas porque lhe sobrava sabedoria.

E, ainda tratando das palavras de Papaizão, me lembro das muitas histórias contadas quando nos sentávamos num mocho para que ele cortasse os nossos cabelos. Do que não me lembro – porque não acontecia – era dele repetir os contos, salvo se houvesse pedido nesse sentido.

Não posso deixar de mencionar que Papaizão não confrontou o tempo, como muitos de nós o fazemos. Eles se aliaram. Lembram daqueles almoços sagrados em silêncio? Pois é, continuaram sempre sagrados, mas deram lugar a risos e boas conversas. As inarredáveis rugas se apresentaram no rosto, mas a velhice nunca lhe tocou o coração.

As conversas e histórias sobre a sua meninice não saíram de cena. Entretanto, surgiram piadas sobre Barack Obama. Ele viveu em um tempo atemporal. E, se vivesse mil anos, falaria de carros voadores como conversava sobre uma plantação de maniva.

Enganam-se aqueles que acham que sua sabedoria se esvaiu com seu corpo. Hoje, a sua descendência fala – ou cala! – seguindo os passos de Papaizão. Não com a mesma habilidade, é bom que se diga. Carregamos marcas indeléveis de sua educação, de seu caráter e de sua integridade.

Com estas reflexões sobre as palavras, por pertinência, registro os parabéns pelos 3 anos da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense, trazendo as lembranças do nosso estimado patrono da cadeira nº 24, José dos Santos.

Encantos de Minha Terra

Vou falar um pouquinho do meu folclore popular, nomes de muitos artistas que vivem a encantar.

Peris terra abençoada, já foi narrada em rimas e em versos cantada por França, Paim e Santiago sempre é bem representada.
Nossa cultura por todo Maranhão é levada pelo Carlos Pique e o Antônio João que sempre cantam coisas vindas do coração.
Nas noites estreladas, a mulherada muita saia girava e ao som do tambor na roda entravam. Dona Antônia, dona Rosa e ainda tem a Maria que com seu rebolado deixa gente de olhos arregalados.

Se quiser conhecer as foliolas do Divino, Dona Nicinha vai tocar, na frente dela um imperador e imperatriz estão sempre a lhe honrar, mas se quiser conhecer um forró de caixa, meu bem vou lhe sugerir o de JJM com ele qualquer chão treme.

Às benzedeiras daqui estão sempre de seu povo a cuidar, mas teve uma que deixou seu nome na história deste lugar. Dona Morena assim era chama e 3 folhas de pião ela usava. Tirava quebrante espantava a mofina, hoje temos Dona Nair que nos recebe com muita alegria.

Neste dia do folclore minha gratidão venho externar ao povo que contou nossas lendas e tornou nosso ditado popular. Não posso esquecer das brincadeiras que vivem a nos ensinar, do pião, da amarelinha, pular corda como se a rua fosse minha.

Brincar de roda e de ciranda pular elástico na varanda. Ainda tenho muito a falar de pessoas como Diêgo, prof.ª Gisa, Eni, Nazaré e Tatá poetas da nossa terra que em versos estão sempre a narrar.

Aqui tem gente que canta como Eliane Dantas, tem gente que toca e gente que dança. Esta é minha cultura popular, foi um prazer vim lhe apresentar, espero que para as futuras gerações possam levar este é um trabalho de resgate e aos mestres vou dedicar.

QUERIDO DIÁRIO..

Hoje eu vou falar de memórias, falar de saudades…
Tudo começou no ano de 2016. No dia 30 de abril de 2016.
Era um período de chuvas na nossa baixada, a lua fazia quarto crescente…
Um dia que ficou registrado na nossa memória…
Sala cheia ,
Burburinhos,
Expectativas,
Sonhos…
Aliados a tudo isso, surgiram às dificuldades:
Medo
Perdas
Inseguranças
Ansiedade
Desistências…pessoas ficaram pelo caminho…sonhos interrompidos.
E veio talvez, o maior desafio da caminhada. A pandemia , a pandemia da covid 19:
Medo, muito medo,
Isolamento,
Distanciamento,
Mudança de metodologia,
Adequação às aulas remotas,
Ansiedade,
Vontade de desistir…Mas os colegas, as famílias surgiram como anjos e nos reanimaram. A corrente de energia positiva emanada nos sustentou até aqui.
Querido diário não foi fácil…
Mas aprendemos tantas coisas…
Aprendemos sobre comportamento humano, talvez a mais difícil das engenharias, porém fundamental para a nossa convivência.
Os caminhos trilhados no curso de filosofia nos moveram a ter uma consciência lúdica na busca de conhecimento. Capacitou-nos para a leitura, para a pesquisa e escrita, além de desenvolvermos um raciocínio abstrato, espirito investigativo e interpretativo.
E como não falar dos professores e orientadores que estiveram esse tempo todo conosco?
Estes cada qual com seu saber, nos ajudavam a traçar a estrada do nosso futuro. Sem eles seria impossível chegarmos até aqui.
Querido diário…Hoje nossa alegria se mistura com a nossa tristeza o sorriso com as nossas lágrimas.
Simplesmente porque, fechar o capítulo de um livro é muito difícil ,principalmente quando se está inserido na história, fazendo parte dela como um dos principais personagens.
Muitas vezes comentamos:
Esse dia nunca chega!!
Mas essa dia chegou!!
E vocês podem me perguntar sobre esse tempo…Quais as melhores lembranças que você irá levar? E eu vou responder:
Vou levar as amizades ,
As lembranças ,
O jeito sapeca de cada um ou o jeito ranzinza do outro,
As manias de cada professor,
Os puxões de orelhas,
Levarei principalmente o conhecimento, as experiências e o saber de cada um,
E uma oração de gratidão…
Muito obrigada!

ALCAP: DISCURSO DA PRESIDENTE NA POSSE DOS ACADÊMICOS

Por Eni Amorim

Boa noite!

Saúdo a todos: Autoridades aqui presentes, visitantes, acadêmicos e acadêmicas, amigos da academia simpatizantes, familiares, convidados e comunidade em geral

Primeiramente agradeço a Deus, arquiteto do universo e Senhor Todo Poderoso por este momento singular na minha vida, em nossas vidas.  À minha família que sempre acreditou no meu potencial e aos amigos que sempre me incentivaram a perseguir os meus sonhos…

Como filha de Peri-Mirim, tenho a graça de ter nascido sobre as bênçãos do Santo Guerreiro São Sebastião, esse Santo que pela crença do seu povo, perscruta e protege nossa cidade das aflições, da fome, da peste e das guerras, sustentado pelas bênçãos do Deus Todo Poderoso que nos dá o espírito de Fortaleza para que a exemplo de São Sebastião, vosso Glorioso Mártir, possamos aprender com ele a obedecer mais a Deus do que aos homens.

Apraz-me sobremaneira neste momento, por fazer parte deste seleto grupo de destacados Perimirienses que constituem nossa Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense. Sinto-me honrada em estar nesse meio de saudável convivência com todos vocês, confrades e confreiras e assim podermos compartilhar experiências no Largo campo das Letras, ciências e artes interligados nos saberes de nossa gente.

Para quem não sabe, o termo Academia tem sua origem na Grécia em torno do século terceiro antes de Cristo quando Platão passou a reunir pensadores que discutiam questões filosóficas em um local chamado Jardins de Akademus (herói ateniense), o grupo passou a ser conhecido por academia; atualmente quando nos referimos genericamente a academia estamos nos referindo ao sistema educacional e ao meio intelectual como um todo.

A Academia Perimiriense, no artigo primeiro de seu estatuto preconiza o desenvolvimento da Cultura, a defesa do patrimônio cultural do município, intercâmbio com instituições congêneres e funcionará em conformidade com as normas de seu estatuto e Regimento. Espera-se que cada um de nós faça apenas o que a academia propõe que seja feito, que cada um de nós torne-se aquele pequeno Colibri Compreendendo sua parte no mundo, então, a academia produzirá os frutos que se espera dela, que seja um emblema forte, admirado e envaidecedor dos bons Perimirienses.

Há muito a fazer, é preciso ousar, sonhar, crer no talento inabalável, intrínseco dos que nasceram, dos que cresceram neste privilegiado solo. É gratificante sentir a energia do poder místico, contagiante, acrisolado que circunda nossos Verdes Campos e que azuleja o nosso céu de azul anil.

Nessa noite de magia, sinto o frescor da brisa da noite acariciando o meu coração, traduzido nas lembranças da minha doce infância: o cheiro dos jamaris florescendo na beira do  campo, dos passeios de Canoa, o enlevo do toque do Sino da igreja matriz, o sabor dos doces de espécie da tia Babica, o café torrado com erva doce e os filhoses de tapioca assado no azeite de coco na casa da bisavó, (minha patrona Maria Isabel Martins Nunes), do sabor da jabiraca cozida ao leite de coco, o arroz de Jaçanã, o queijo chegando quentinho da Fazenda, o toque de caixa das festas do divino Espírito Santo, o espocar dos foguetes nos festejos de São Sebastião, o tambor de crioula nas noites de São João, o grasnar dos marrecos, japiaçocas e jaçanãs, os banhos de rios, os quitutes da mamãe, a magia e a singeleza da minha terra querida.

Não poderia deixar de citar aqui a minha família na pessoa de meu pai Jair Amorim (in memorian), que foi; Carpinteiro, lavrador, pescador, caçador… Minha mãe Inacia Pereira Amorim que foi costureira, redeira, lavradora, doméstica, vendedora de pastel, de cocada, de bolos, e de suquinhos; os dois juntos exerciam uma multidisciplinaridade de tarefas  para ajudar no sustento da casa e dos seus seis filhos; Meus irmãos: Laurijane, conhecida por Nita, Jair filho (Jacolino-Jacó ou Jacó-bala), Silvia, conhecida por Cici, Cristina Maria e Evandro ( Vanvando). Essa é a minha base, na qual eu aprendi, os primeiros passos para ser quem eu sou, aprendi a ser tolerante, a amar e a perdoar e a perceber o meu lugar no mundo.

Agradeço grandemente ao Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) que desenvolve esse belo projeto denominado “Academias na Baixada”, cujo gestor é o Professor da UFMA, Manoel Barros, e principalmente à Ana Creusa Martins que foi a idealizadora na missão de provocar o despertar para a criação da Academia, que tem como meta a divulgação de todos que contribuem com a cultura e a história do município.

Na oportunidade, lembramos personagens que fizeram e fazem parte da história deste município, como o saudoso professor João Garcia Furtado quem, na memória de muitos, batizou Peri-Mirim como a “Metrópole da cultura brasileira”, além dele, citamos outros personagens: Naisa Amorim ( Patrona da Academia), Venceslau Pereira, Carlos Pique (Aqui presente), Santiago, Padre Gérard Gagnon, Flávio Braga, Antônio João França Pereira, Francisco Viegas, Abacaxé, Vavá Melo, Maria Rosa Gomes, Isabel Martins Nunes e tantos outros que contribuíram e que ainda contribuem com a história do município.

E, para encerrar a minha fala quero declamar um poema da minha autoria, intitulado, Teares.

Teares

 

Os teares que construíram a minha história,

Teceram as tramas do tecido,

Nos moldes dos meus antepassados;

Nesse conjunto biológico de células,

Compostos orgânicos de moléculas,

Mistura genética de meu pai e minha mãe,

Textura dos meus textos;

Contextos;

Engenhosidade rústica,

Uma Trama que me fez única,

Singular;

Entre milhões de DNA’s do planeta;

Doce como mel,

Ou,

Amarga como o Fel.

Às vezes deserto,

outras vezes Oasis,

Às vezes forte,

Às vezes frágil;

Às vezes lenta,

Às vezes ágil;

E,

Nessa arte de tecer:

Em cada ponto,

Em cada conto;

Erros;

Acertos.

Em cada fio entrelaçado,

ora aparente,

Ora escondido,

Dentro de mim,

Vou aprendendo…

Fazer-me,

E refazer-me,

Continuamente….

E assim,

Tecendo os meus caminhos,

Vou aprendendo que:

Nas tessituras da vida,

Apesar dos meus remendos…

… Ainda estou em construção…

Muito Obrigada!

 

O LUGAR ONDE VIVO TEM CRIANÇA POETA

RESENHA DO RELATO DE PRÁTICA DA ESCOLA MUNICIPAL “KEILA ABREU MELO” NA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA – 7ª EDIÇÃO. TÍTULO: O LUGAR ONDE VIVO TEM CRIANÇA POETA

 Por Edna Jara Abreu Santos

A Escola Municipal “Keila Abreu Melo”, localizada na Rua Campo de Pouso, s/nº, Peri-Mirim – MA, atende alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental I, deu início ao ano letivo em doze de março de 2021. Sendo que, há um ano as gestões escolares vêm adotando a modalidade de Ensino Remoto de Emergência (ERE) devido à Pandemia do Covid – 19.

Atendendo à solicitação da Secretaria Municipal de Educação, a escola aderiu ao projeto da Olimpíada de Língua Portuguesa – 7ª Edição, inscrevendo os alunos das três turmas do 5º ano na categoria: Poema.

A professora de Língua Portuguesa, Edna Jara Abreu, desenvolveu o tema proposto “O lugar onde vivo” por meio de Planejamentos quinzenais com atividades impressas, vídeos, áudios, tira-dúvidas com os pais de forma virtual e presencial, oficinas e apresentações em Sarau.

A Olimpíada de Língua Portuguesa teve origem no programa Escrevendo o Futuro desenvolvido pela Fundação Itaú Social entre 2002 e 2006, iniciativa do Ministério da Educação. É um concurso de produção de textos para alunos de escolas públicas do Brasil, que visa estimular o interesse pela leitura e escrita. Nesta edição, todos os Estados  aderiram e se inscreveram, sendo que, em todo Maranhão 2.519 escolas estão participando do concurso em diferentes categorias: Poema, Memórias literárias, Crônica, Artigo de opinião e Documentário.

Nesta escola, cinquenta e três alunos fizeram parte do projeto. Apesar dos obstáculos enfrentados como a falta de recursos tecnológicos em casa: celular/computador, do acesso à internet e do transporte, as aulas remotas seguem com entregas quinzenais de atividades impressas, plantões pedagógicos com professores e também orientação via grupo de WhatsApp com pais e alunos que dispõem desta ferramenta.

As primeiras quinzenas do primeiro semestre foram trabalhadas atividades diagnósticas: elaboração de texto narrativo, leitura, compreensão textual, entrevista, elaboração de cartas, ortografia, sílaba tônica, sinais de pontuação, classificação das palavras e separação silábica.

Nas duas últimas quinzenas antes do início das férias (julho), as aulas foram direcionadas ao conceito e composição do poema: rimas, versos, estrofes, métricas e etc., produção e compreensão textual envoltos pela caracterização histórica de Peri-Mirim. Por meio do site oresgate.net.br obteve-se acesso a materiais de poetas da terra como: Diêgo Nunes, Nasaré Silva, Eni Pereira, Ataniêta Martins, Carlos Oliveira, Santiago e etc., da qual foi adaptado e confeccionado atividades ilustradas para a prática da compreensão textual, leitura, complementando assim, com a elaboração das produções preliminares dos discentes.

Nos dias dois e três de agosto, na retomada das aulas após as férias, aconteceram as duas tão aguardadas oficinas. A escola recebeu números reduzidos de alunos, seguindo os protocolos sanitários, no turno matutino e vespertino. Os alunos que compareceram às oficinas foram: Adrian Vitório P. Barros (5º A), Gabriel G. Santos (5º B), Gilda Sibelly S. Martins (5º B), Jhonata Kauã G. Campos (5º A), Maria Eduarda O. Melo (5º A), Samuel G. Sousa (5º C) e Thayla Kauane França (5º A), residentes da zona urbana e rural deste município.

Em um dado momento das oficinas, foi acolhido o autor do poema: “A história da minha cidade” – Diêgo Nunes, onde recitou sua poesia aos alunos. A aluna do 4º ano, Alice Santos Lopes também declamou o poema “Acorda filha, está na hora” de autoria da professora Edna Jara. Além destes, vários outros poemas de autores nacionais e naturais do município foram expostos e lidos também, demonstrando aos alunos que qualquer pessoa pode ser poeta, que seja professor e/ou estudante, pessoa abastada ou pobre, homem ou mulher, idoso ou criança.

Os poemas inéditos produzidos pelos alunos levaram títulos e foram passados para o papel almaço. Recitaram-nos no pátio da escola em forma de Sarau, onde levou o nome: “Sarau das Crianças Poetas”.

Todo este processo foi descrito caprichosamente em um relato de prática solicitado à professora participante. A comissão escolar ao receber este, e os demais materiais: Linha do tempo e Álbum da turma, selecionou duas produções (poemas) e enviou ao site do concurso dentro do prazo estipulado.

A professora Edna Jara teceu elogios aos seus alunos, como sendo geniosos, determinados, perseverantes e fontes de inspiração. Ela observou durante o processo de aplicação do projeto, que a escola em questão tem muitas crianças com grandes facilidades em poetizar e que só precisam de mais incentivos.

Os objetivos propostos e desenvolvidos neste projeto da Olimpíada de Língua Portuguesa foram finalizados com grande êxtase de trabalho cumprido. Este, bem recebido pela comunidade escolar pelos benefícios da prática da leitura e escrita aos alunados e pela valorização da história cultural antiga e atual do povo perimiriense.

A resenha do Relato de práticas e demais materiais disponibilizados aqui fazem parte do que foi enviado no site do concurso.  O intuito da divulgação é para que toda a rede escolar e a sociedade em geral apreciem a proeza dos alunos da escola Keila Abreu Melo em Peri-Mirim – MA.

Confira os vídeos das apresentações:

REFERÊNCIAS

BECHARA, Evanildo. Dicionário escolar da Academia Brasileira de Letras: língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2011.

MEMÓRIAS ESCRITAS. Disponível em: >https://bloggernapontadalingua.blogspot.com/<. Acesso em: 25 de março de 2021.

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA– 7ª EDIÇÃO. Disponível em: >https://olimpiada.escrevendoofuturo.org.br/mapa/info_uf.php?uf=MA<. Acesso em: 12 de março de 2021.

O RESGATE: DE PERI MIRIM PARA O MUNDO. Disponível em: >http://oresgate.net.br/categoria/alcap/<. Acesso em: 25 de março de 2021.

O LEGADO DE KEILA ABREU MELO EM PERI-MIRIM/MA

Por Diêgo Nunes e Edna Jara

Keila Abreu Melo Diniz nasceu em Peri-Mirim em 18 de junho de 1969. Filha de Manoel Melo (In Memorian) e Javandira Abreu Melo, foi a quarta filha de um total de seis: Manoel (In Memorian), Jeisa, Nilson, Keila, Gisele e Kênnya). Filha muito dedicada, com sua mãe e seus familiares. Casou-se com Alan Fábio Pereira Diniz e tiveram dois filhos: Luiz Eduardo Melo Diniz e Alain Victor Melo Diniz.

Morou quatro anos em São Luís para estudar. Formou-se em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Iniciou sua vida profissional muito cedo. Apaixonada pela educação, Keila já sabia o que queria. Assim, serviu o município de Peri-Mirim como educadora há mais de uma década. O seu primeiro emprego nesta cidade foi por contrato do Estado.

Era uma pessoa que amava muito tudo o que fazia. Pessoa de caráter, sincera, lutadora, colaboradora, esportista, digna, alegre, enérgica, acolhedora, lecionava com dedicação…; Estes são só alguns dos atributos que descrevem quem a conheceu.

Todas estas características chamaram a atenção das autoridades políticas da época, que lhe ofereceram o importante cargo de Secretária Municipal de Educação. Ela, de bom grado, aceitou o desafio.

Sua família testemunhou as muitas noites, madrugadas, dias, fim de semana e até feriados que Keila dedicou a este serviço público. Não foi fácil, mas ela, mesmo com pouca idade que tinha exerceu a sua gestão com muita competência, dedicação e carinho.

Deixou seu legado no município de forma positiva. Pois foi um exemplo de mulher guerreira, justa e transparente em seus relacionamentos e ações, sensível, empática, companheira e fiel em todos os momentos e para tudo. Além de gostar de fazer caridade, foi torcedora do Vasco da Gama, católica ativa e dizimista atuante.

Um problema cardíaco, até então desconhecido, tirou a vida de Keila através de um infarto fulminante aos trinta e dois anos, mais precisamente em: 03 de junho de 2002.

A lição que ela nos deixou foi viver a vida com disposição, alegria, dedicação, cultivar amizades e o amor em família.

Keila partiu muito cedo desta vida. Mas sua missão aqui na terra foi de grande relevância ao nosso município na área da Educação.

Em sua homenagem, o vigésimo quinto prefeito da cidade, José Geraldo Amorim Pereira, no seu segundo ano de administração (2001-2008) nomeou o prédio construído ao lado do antigo prédio da Câmara (atual prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social) como “Keila Abreu Melo”. Ainda no mandato de Afonso Pereira Lopes (2009-2012), assim, como uma parte da gestão do Prefeito João Felipe Lopes (2013-2016) funcionou o curso de informática para alunos da rede pública municipal e estadual ministrados por instrutores contratados.

Por interesse da gestão da época e em concessão com a Câmara Municipal, dezesseis anos após seu falecimento, o nome “Keila Abreu Melo” foi decretado permanentemente como nome oficial da escola municipal localizado no Bairro Campo de Pouso.

Seguindo o histórico da referida escola, o autor perimiriense Francisco Viegas Paz, em seu livro “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim (2014), relata que a Escola Municipal “Tarquínio Viana de Sousa”, localizada no bairro Campo de Pouso, foi construída na administração de Carmem Martins, entre 1989 e 1992. O nome homenageou o ex-prefeito e pai da executante da obra. Funcionava nos turnos matutino e vespertino o ensino fundamental, com a capacidade de abrigar por turno 200 alunos.

Durante seis anos (2003 – 2008) o prédio foi cedido ao Estado para alojar alunos do Centro de Ensino “Artur Teixeira de Carvalho” das séries finais do ensino médio.

Retomado para as atividades da gestão municipal, serviu como primeiro anexo da Escola Municipal “Cecília Botão”. A extensão se deu pelo número crescente de alunos advindos dos mais diversos povoados do município de Peri-Mirim. A escola matriz já necessitava de um espaço mais amplo que pudesse atender a esta nova realidade, porém, dado o aumento da demanda foi necessário adequar este novo espaço de atendimento.

Foi pelo Decreto nº 007/2018 de 11 de julho de 2018 que o nome da Escola Municipal “Cecília Botão” – Anexo I passou a ser oficialmente Escola Municipal “Keila Abreu Melo”. Localizada no Campo de Pouso, s/nº, Peri-Mirim. A escola se tornou uma entidade independente pela criação da sua inserção cadastral na Receita Federal do Brasil e cadastro no Ministério da Educação recebendo código do INEP próprio.

A escola é mantida pela Prefeitura Municipal de Peri-Mirim e administrada pela Secretaria Municipal de Educação – SEMED e PDDE, sob CNPJ nº 30.681.962/0001-14 e INEP nº 21274010 e está baseada na metodologia do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC. O nível de ensino é o Fundamental séries iniciais (1º ao 5º ano), podendo abrigar 240 alunos distribuídos em quatro turmas ativas nos dois turnos. Atualmente, os departamentos estão divididos assim: sala da direção, secretaria, cantina, banheiros, salas de aula e uma pequena biblioteca.

A instituição atende alunos provenientes das Comunidades/Povoados do município. As crianças e adolescentes dos quais constituem o corpo discente desta escola apresentam perfis socioeconômicos e culturais distintos pertencentes a diversas classes sociais, a maioria são de origem de famílias de trabalhadores rurais, pescadores e funcionários públicos. São beneficiados também por programas do Governo Federal como Bolsa Família, além de recursos diretos do FNDE: PDDE (novo Mais Educação), que contribuem diretamente para formação de um ser humano mais digno.

A Escola Municipal Keila Abreu Melo vem sendo administrada desde janeiro de 2021 pelas gestoras Darlene Nunes e Tereza Nunes as quais vêm realizando um trabalho em conjunto com sua equipe escolar voltado para o foco em projetos pedagógicos sincrônicos às competências da BNCC que envolvam alunos, famílias e a escola no processo de ensino-aprendizagem na atual modalidade: ERE – Ensino Remoto de Emergência.

A decisão de nomear a escola como Keila Abreu Melo veio do desejo popular de perdurar seu legado com honras e méritos de educadora excelente nos anos de atuação.  A escola por sua vez, honra a graça de poder cativar essa herdade com resultados satisfatórios de um ensino eficaz e sempre oferecendo uma educação melhor e de qualidade para as crianças e adolescentes do nosso município.

Colaboradores: Família e amigos de Keila A. Melo.