Passagem dos Padres

Por Diêgo Nunes Boaes
Há lugares que pertencem aos mapas. Outros pertencem à memória do povo. A Passagem dos Padres, em Peri-Mirim, é um desses cenários onde a história, a natureza e o imaginário popular caminham lado a lado, formando um dos recantos mais belos e enigmáticos do município.

Muito antes da abertura de estradas e da facilidade dos transportes, quando os caminhos eram percorridos a pé, a cavalo ou em pequenas embarcações, a Passagem dos Padres servia como uma importante rota de deslocamento.

Ali existia apenas o curso natural do rio, margeado por uma floresta densa e praticamente intocada. Era por esse caminho que padres e missionários atravessavam para chegar às comunidades vizinhas, levando a Palavra de Deus, celebrando missas, administrando sacramentos e fortalecendo a presença da Igreja nas localidades mais distantes.

O rio sempre foi o grande protagonista dessa paisagem. Suas águas límpidas formam diversos pontos de banho, frequentados há gerações, por moradores e visitantes em busca de tranquilidade e contato com a natureza.

Entre esses atrativos destacam-se as famosas panelinhas, cavidades naturais esculpidas nas pedras pela força das águas ao longo de centenas, talvez milhares de anos. Algumas delas impressionam pela profundidade, sendo capazes de submergir completamente uma pessoa. Essas formações geológicas despertam curiosidade e admiração, tornando-se um dos elementos mais marcantes da beleza natural da Passagem dos Padres e reforçando a necessidade de que sejam apreciadas com respeito e os devidos cuidados.

O percurso, embora exigisse esforço físico, oferecia uma recompensa rara: o contato direto com uma natureza exuberante. A vegetação fechada formava um verdadeiro corredor verde, onde árvores centenárias protegiam o leito do rio, criando um ambiente de sombra, frescor e silêncio.

As águas cristalinas deslizavam entre pedras, raízes e pequenas corredeiras, compondo uma paisagem que parecia convidar à contemplação, ao descanso e à oração.

Conta a tradição que esse mesmo lugar também servia de refúgio para sacerdotes durante os períodos mais movimentados do calendário festivo de Peri-Mirim. Enquanto a cidade celebrava as tradicionais festas do dia 21 e, em outras ocasiões, vivia a intensa movimentação do carnaval, alguns padres buscavam na Passagem dos Padres um retiro temporário.

Ali encontravam aquilo que muitas vezes faltava no centro urbano: paz, silêncio e um ambiente propício à meditação, à leitura e ao fortalecimento espiritual. O som predominante era o canto dos pássaros, o vento entre as copas das árvores e o murmúrio constante das águas.

Mas a Passagem dos Padres guarda também um dos mistérios mais fascinantes da tradição oral perimiriense. Há muitas décadas circula entre os moradores a história de uma cachoeira escondida, localizada em algum ponto da mata. Muitos afirmam que ela existe. Outros dizem ter ouvido o barulho de suas águas durante caminhadas pela floresta. Há quem conte que antigos moradores chegaram a conhecê-la, mas que o caminho foi sendo perdido com o passar dos anos. Ninguém sabe ao certo onde ela está. Não há registros precisos nem trilhas oficialmente identificadas. Ainda assim, a narrativa permanece viva, alimentando a curiosidade dos aventureiros e reforçando o encanto que envolve esse lugar.

Outra lenda igualmente conhecida diz respeito às pedras do rio. Segundo os moradores mais antigos, a natureza da Passagem dos Padres deve permanecer exatamente como foi encontrada e ninguém deveria levar para casa pedras, galhos ou qualquer outro elemento retirado daquele ambiente. Conta a tradição que quem desrespeitasse essa regra seria acometido por uma forte febre, persistente e difícil de curar, que somente cessaria quando o objeto fosse devolvido ao local de origem. Alguns narradores afirmavam, inclusive, que a enfermidade poderia tornar-se tão grave a ponto de colocar a vida da pessoa em risco. Verdadeira ou não, essa crença foi transmitida de geração em geração e acabou contribuindo para fortalecer o respeito pela mata e pela preservação daquele patrimônio natural.

Se a cachoeira existe ou não, ou se a antiga lenda da febre faz parte apenas do imaginário popular, talvez seja menos importante do que o significado que essas narrativas adquiriram ao longo do tempo. Como acontece em tantas paisagens do interior maranhense, o mistério tornou-se parte da identidade do lugar. A floresta parece guardar seus próprios segredos, convidando cada visitante a caminhar com respeito, atenção e imaginação.

Além das histórias e lendas, a Passagem dos Padres representa um dos mais importantes patrimônios naturais de Peri-Mirim. Suas nascentes e cursos d’água contribuem para o equilíbrio ambiental da região. A mata preservada abriga diversas espécies de árvores nativas, plantas medicinais, aves, pequenos mamíferos, répteis e inúmeros outros animais que encontram naquele ambiente condições favoráveis para sobreviver. Essa riqueza transforma a área em um verdadeiro santuário ecológico e em um espaço de grande potencial para a educação ambiental, pesquisas científicas e práticas de turismo ecológico.

Durante muitos anos, a Passagem dos Padres despertou o interesse de visitantes vindos de diferentes municípios. Trilheiros, amantes da natureza, fotógrafos e aventureiros percorriam suas trilhas em busca das águas cristalinas, das panelinhas naturais, da vegetação preservada e do silêncio que somente a floresta é capaz de oferecer. Era comum encontrar grupos explorando os caminhos da mata, admirando a paisagem e registrando a exuberância desse cenário singular da Baixada Maranhense.

Com o passar do tempo, porém, o fluxo de visitantes diminuiu. Muitas trilhas deixaram de ser percorridas regularmente e parte desse patrimônio natural passou a ser menos conhecida pelas novas gerações. Ainda assim, a beleza da Passagem dos Padres permanece praticamente intacta, aguardando iniciativas que conciliem preservação ambiental, valorização histórica e desenvolvimento de um turismo sustentável capaz de gerar conhecimento, renda e conscientização.

Mais do que um antigo caminho percorrido por missionários, a Passagem dos Padres representa o encontro entre a fé, a história e a natureza. Ali convivem lembranças da evangelização do município, relatos transmitidos pela tradição oral e uma paisagem que continua despertando admiração em todos que a conhecem.

Preservar esse lugar significa proteger não apenas uma floresta ou um rio, mas também uma parte essencial da memória de Peri-Mirim. Significa compreender que a história de um povo também se escreve em seus caminhos, em suas águas, em suas árvores, em suas lendas e nas experiências compartilhadas por gerações.

Talvez um dia alguém encontre a famosa cachoeira de que tanto falam os mais antigos. Talvez ela permaneça escondida para sempre, protegida pela mata e pelo encanto das narrativas populares. Enquanto isso, a Passagem dos Padres continua cumprindo seu papel: lembrar que algumas das maiores riquezas de um município não estão apenas nos livros, mas na natureza preservada, nas histórias contadas pelos mais velhos e nas memórias que resistem ao tempo. É esse conjunto de paisagem, tradição, fé e mistério que faz da Passagem dos Padres um dos mais valiosos patrimônios naturais e culturais de Peri-Mirim.

 

Um Dia de Aventura e Encantamento em Peri-Mirim promovido pela ALCAP e Turismo Campestre

Por Diêgo Nunes Boaes

A Turismo Campestre, em parceria com o Projeto ALCAP Itinerante, promoveu, no dia 21 de junho de 2026, um passeio que ficará marcado em nossa memória como um dia de aventura, descobertas e encantamento. Enquanto a agência organizou a expedição, o Projeto ALCAP Itinerante mobilizou membros da Academia e integrantes da comunidade para participarem da experiência, que teve como propósito incentivar o conhecimento e a valorização das riquezas naturais de Peri-Mirim. Foram quase três horas de percurso, entre ida e volta, em uma jornada que nos permitiu contemplar as belezas ambientais e culturais de nossa terra.

Nossa jornada começou no Sítio Campestre, propriedade do confrade Mundinho Campelo, um lugar admirável, repleto de belezas naturais e muito bem conservado. Com entusiasmo, o confrade fez questão de nos apresentar cada detalhe de seu sítio, mostrando seus investimentos em plantações, sistemas de irrigação e iniciativas que demonstram amor e dedicação ao campo.

Em seguida, partimos até o Sítio Boa Vista para buscar nossa companheira de aventura, Ana Cléres, cuja presença era indispensável. Aproveitamos a breve parada para degustar uma saborosa piaba, enquanto os apreciadores de um bom licor de jenipapo, não perderam a oportunidade de saborear a tradicional bebida feita pela amiga Nita.

De lá, partimos rumo ao porto do Aperital. Em três canoas, acomodando quatro pessoas em cada uma, incluindo os canoeiros, iniciamos nossa travessia. O percurso foi um verdadeiro espetáculo da natureza. Navegamos com as águas tranquilas refletindo a beleza do ambiente ao redor. Durante horas, registramos cada detalhe dessa paisagem encantadora.

Ao longo do caminho, observamos diversas espécies de aves, enriquecendo ainda mais a experiência. Nosso destino era a Barragem Maria Rita, local que nos surpreendeu pela sua preservação. O que mais chamou nossa atenção foi a ausência de lixo sobre o campo e a impressionante limpeza das águas, cristalinas e transparentes, que escorriam pelo local.

O retorno, ao entardecer, fomos presenteados por um magnífico pôr do sol. Ainda durante a viagem de volta, já começávamos a planejar a próxima aventura: uma expedição até a Salina, com saída prevista para a madrugada.

De volta ao Sítio Campestre, encerramos o dia com uma deliciosa piaba frita com farinha de Santana e aproveitamos para adquirir alguns dos produtos oferecidos no local, como pimentas, quiabos e doces artesanais.

Mais do que um simples passeio, esta experiência nos trouxe uma importante reflexão. Precisamos despertar em nossa comunidade perimiriense o sentimento de pertencimento e valorização de nosso território. Vivemos em uma terra rica em história, cultura e meio ambiente, tesouros que muitas vezes passam despercebidos aos nossos próprios olhos.

Que possamos conhecer mais, preservar mais e amar ainda mais o lugar que chamamos de lar. Afinal, valorizar nossas riquezas é também fortalecer nossa identidade e garantir que as futuras gerações possam desfrutar de tudo aquilo que hoje nos encanta.

A experiência também evidenciou a importância de iniciativas voltadas à valorização do turismo local. O trabalho desenvolvido por Cidecley, à frente da Campestre Turismo, demonstra que conhecer o próprio território é um passo fundamental para preservá-lo. Ao promover vivências em espaços de grande beleza natural, contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o olhar dos perimirienses sobre as riquezas de seu município.

O colorido e a força do Tambor de Crioula encantaram os moradores no Povoado Santana

Por Ana Cléres Santos Ferreira

O Povoado de Santana viveu um sábado inesquecível de celebração à identidade maranhense. Neste dia 20 de junho, a comunidade recebeu o aguardado retorno do projeto ALCAP em Movimento, uma iniciativa da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Mais do que um evento institucional, a 2ª edição do projeto transformou-se em um manifesto de resistência e valorização da cultura ancestral da Baixada Maranhense.

O grande destaque do encontro foi a presença marcante do Grupo de Tambor de Crioula do Povoado Mangueiral. O grupo atendeu ao meu convite especial aos meus vizinhos do Povoado Mangueiral. A união entre a literatura e a tradição do tambor reforçou o papel da cultura como ferramenta de união e fortalecimento comunitário em Peri-Mirim.

O Poder do Tambor em Peri-Mirim

Em uma região onde a ancestralidade pulsa forte, o Tambor de Crioula não é apenas entretenimento; é um elo com a história, uma dança de devoção e a expressão máxima da alma do povo perimiriense. No Povoado Santana, o som dos couros ecoou como um lembrete da importância de preservar essas raízes para as próximas gerações.

O encerramento do evento foi um verdadeiro espetáculo de ritmo e cores. No comando dos tambores e da animação, os artistas: Rincon, Banquinho, Luís de João Chico, Fernando, Miúdo e Rui ditaram o compasso que contagiou o público.

O terreiro ganhou vida com o colorido das saias rodadas e a força do pungado. As brincantes: Alcilene, Juliene, Lulu e Maria comandaram a dança com a graciosidade e a energia características da manifestação. A sinergia foi tanta que o público não resistiu: eu e minhas confreiras da ALCAP também caímos na dança, com destaque para o ritmo e alegria de Nasaré, Ana Cléres e Nita, que celebraram a cultura da forma mais autêntica possível – dançando junto com o povo.

Literatura e Tradição de mãos dadas

O sucesso desta edição do ALCAP em Movimento no Povoado Santana deixa um recado claro: a literatura, a ciência e as artes de Peri-Mirim só caminham e se desenvolvem se estiverem de mãos dadas com as tradições populares. Eventos como este mostram que o Tambor de Crioula e a união comunitária são o verdadeiro combustível que mantém viva a identidade cultural do município.

À frente desse trabalho de resgate e valorização cultural está a presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Jessythannya Carvalho Santos. Sob sua liderança visionária e sensível, a instituição tem rompido as barreiras dos espaços formais para se consolidar como uma verdadeira guardiã da identidade local. Ao abraçar manifestações tradicionais como o Tambor de Crioula e integrá-las às ações da ALCAP, a gestão da presidente não apenas descentraliza o acesso à cultura, mas também valida a importância de cada comunidade rural na construção do patrimônio histórico de Peri-Mirim, demonstrando que a verdadeira erudição nasce do respeito e da celebração das raízes populares.

Elogio à patronesse Maria Isabel Martins Nunes

Por Eni do Rosario Pereira Amorim

Excelentíssima Senhora Presidente da ALCAP Jessythannya Carvalho Santos, ilustres acadêmicos, (autoridades aqui presentes), comunidade, caros amigos e familiares.

É com profunda admiração e respeito que nos reunimos hoje para render homenagens a uma figura cuja trajetória se confunde com os próprios valores que buscamos honrar, nossa estimada patronesse Maria Isabel Martins Nunes representada pela cadeira número 14 desta Casa de “Naisa Amorim”.

Escolher um patrono ou uma patronesse não é apenas um ato de reconhecimento mas a busca por um farol e em Maria Isabel encontramos a síntese da dedicação e da integridade, ela era uma mulher destemida e ética, sua palavra era lei.

Sua história é marcada pelo serviço ao próximo, pela generosidade e solidariedade na comunidade de Santana e arredores.

Uma marca forte em Maria Isabel era a partilha. Tudo o que tinha partilhava com o próximo, talvez por isso nunca faltava nada em sua casa, principalmente gêneros alimentícios. Maria Isabel Martins Nunes é símbolo de inspiração para todos nós que seguimos os seus passos.

Maria Isabel Martins Nunes não ofereceu apenas seu nome a esta cadeira da academia mas emprestou-nos a sua essência. Seu exemplo nos ensina que o verdadeiro sucesso não reside apenas nos títulos alcançados mas na marca positiva que deixamos na vida daqueles que cruzam o nosso caminho.

Dessa forma expressamos nossa eterna gratidão, que possamos honrar seu legado com a mesma ética, paixão e compromisso que ela demonstrou ao longo de sua vida a todos que necessitavam de uma oração, de um benzimento de um remédio de uma acolhida.

Ela foi uma líder importante para implantação da comunidade de Santana e para o surgimento dos festejos de Santa Ana um dos melhores festejos do Município. Muito religiosa, podemos dizer que ela tinha uma fé inabalável.

Boas lembranças guardadas na memória de Maria Isabel:
Sua fidelidade nas orações, ao raiar do dia, meio-dia e à noite.

O cafezal que havia no sitio de onde se colhiam e faziam o melhor café artesanal com erva doce;

Os bolos que eram feitos no fogão de barro com os vizinhos e as brincadeiras das crianças enquanto aguardávamos o bolo assar, eram bolos modelados de coelhinhos, macaquinhos e outros bichinhos;

O chocolate de castanha e os filhoses de tapioca fritos no azeite de coco;

Ela brigando com os macacos que derrubavam as mangas, os sapotis e comiam todas as ingás do seu terreiro;

Ao amanhecer ela se aquecendo na beirada do fogão de lenha enquanto fumava seu cachimbo, com o olhar imerso em suas lembranças;

O seu baú de estimação onde guardava tudo que lhe era “especial” algo assim como a canastrinha da Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo e a cada visita que recebia sempre tinha algo a oferecer, algum mínimo tirava de seu precioso baú: frutas, ovos, bombons, chocolates, biscoitos farinha, bolos e etc…

Enfim foram tantas lembranças que resolvi contá-las no livro Retalhos de uma história.

À nossa patronesse Maria Isabel Martins Nunes, os nossos mais sinceros e calorosos aplausos.

Muito obrigada!

Alice Santos Lopes: inspiração que começa cedo.

Alice Santos Lopes nasceu em 06 de agosto de 2011, perimiriense, filha da confreira Edna Jara Abreu Santos (membro fundador da ALCAP) e de Glacimar de Jesus Lopes Júnior. Desde criança foi instigada a gostar da leitura, da arte de pintar e da matemática.

A dedicação aos estudos sempre lhe rendeu excelentes resultados: notas altas nos boletins, destaques como “Aluna Nota 10”, líder de turma e há quatro anos vence o Soletrando de Língua Portuguesa e Língua Inglesa em sua turma. Em 2025 participou do Soletrando de LIBRAS e de Espanhol o qual foi também campeã na sua escola: Colégio Alda Ribeiro Corrêa-ARC.

Em 2019 foi destaque nas aulas de capoeira, ganhando medalha na categoria mirim; tem visibilidade no ballet e ganhou o primeiro lugar nos Jogos Escolares de Peri-Mirim – JEP’s, promovido pela SEMED e Prefeitura Municipal de Peri-Mirim, na modalidade Xadrez.

Escreveu o livro “A menina do vestido amarelo”, também a “Poesia à professora Edna Jara”- o qual foi publicada no site “O Regate: de Peri-Mirim para o mundo” e também já foi homenageada pela poesia “Por que tanta pressa? Acorda filha, está na hora!”, escrita por sua mãe.

Em 2024 ganhou medalha de ouro na OLITEF (Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira). Com sua turma, participou do DesafiEI, a maior Olimpíada de Desafios para o desenvolvimento de competências e habilidades socioemocionais do Brasil, realizada pela Escola da Inteligência.

Em janeiro de 2025, inscreveu-se no Concurso do Conselho da Biblioteca Prof. Taninho como representante da Comunidade Estudantil e foi aprovada; participa dos encontros do Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado” e já ganhou até oportunidade de criar uma arte para camisa do Festival ALCAP de Cultura.

Em 2025, com seus 14 anos, publicou seu primeiro livro intitulado: “Enquanto há tempo, há histórias” pela editora Estante Mágica, em parceria com o Colégio Alda Ribeiro Corrêa-ARC.

Pela banca Seleta Educação, ganhou medalha de Prata na Olimpíada Brasileira de Língua Inglesa-OBLI; medalha de prata no Torneio Nacional de Biologia-TNBio; medalha de Honra ao Mérito do Torneio Brasileiro de Ciências e outra medalha de Honra ao Mérito na OBLI.

É evangélica desde outubro de 2021 e já faz parte da Banda Salmos 100 como cantora, na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Peri-Mirim. Agora dedica-se também a aprender tocar teclado e violão.

Na pintura, desde criança olhava vídeos no YouTube e desde então vem aprimorando suas técnicas. Gosta de pintar quadros com tinta à óleo e desenhos rápidos à lápis. Recentemente fez uma singela exposição na cerimônia de recepção dos Novos Membros da ALCAP -Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense. Na Jornada Acadêmica e Cultural da ALCAP, em maio (2026), almeja ampliar a visibilidade de seu talento nas telas e transformar suas criações em apoio concreto para a realização de sua formatura do 9° ano.

Para quem gosta desse tipo de arte e quer começar a explorar, Alice deixa uma mensagem de motivação: “Insista e vá com calma, se importe apenas com as criticas construtivas.

DECLARAÇÃO POÉTICA AOS NOVOS CONFRADES DA ALCAP

Diêgo Nunes Boaes

Chegam vozes que vêm somar,
chegam mãos para edificar,
no templo vivo da palavra
onde Peri-Mirim aprende a se narrar.

 

Nicinha traz verbo e emoção,
Fábio Maia guarda o tempo e a história,
Ana Cléres, fé, canto e chão,
Mateus escreve presente e memória.

 

Shonem planta reflexão
Zé de Floriano é som e raiz,
Do Carmo e Taliane ensinam libertação
Paim canta o povo, canta feliz.

 

Santiago chega em toada antiga,
boi que dança, memória que liga,
Laércio prova, em número e razão,
que pensar também é criação.

 

França verseja a terra amada,
Ana Maria borda a jornada,
Sidlayne educa com mão segura,
Cíntia transforma saber em ternura.

 

Não são nomes só para registrar,
são forças prontas para somar,
reforço vivo da Academia,
sentinela da nossa poesia.

 

Que a palavra seja união,
que a cultura seja direção,
e que a ALCAP, em sua missão,
siga eterna no coração.

 

ALCAP – pregando ideias, colhendo sonhos!

Por Diêgo Nunes Boaes

No silêncio das páginas abertas,
nasce a voz que não se apaga.
A ALCAP é chama acesa
no coração da palavra.

É ponte entre tempos e memórias,
onde o ontem encontra o amanhã,
guardando histórias do povo
que a escrita insiste em eternizar.

Aqui, cada letra tem raiz,
cada verso tem chão e rio,
tem cheiro de terra molhada,
tem nome, tem rosto, tem brio.

A ALCAP cultiva saberes
como quem planta esperança:
regando ideias, colhendo sonhos,
fazendo da cultura uma herança.

É casa de poetas e cronistas,
de vozes que ousaram ficar,
porque quem escreve sua história
não deixa o tempo lhe apagar.

ALCAP é mais que Academia:
é resistência, é missão.
É a palavra em forma de abrigo
para a alma e para a nação.

PERI-MIRIM E O NOVO ANO

Por Francisco Viegas Paz

Quando surge o novo ano, a natureza, prodigamente, se manifesta trazendo alegria: “são tantas emoções” que quase não cabe na manifestação humana. A grama forma um tapete de esperança e, logo que a chuva cai, levantam-se as pequenas árvores e as maiores se manifestam numa combinação de folhas, flores e frutos.

Os alevinos surgem do “nada” numa magia de encanto, batendo as suas minúsculas nadadeiras nas primeiras lâminas d’água. E os mururus, vitórias-régias, orelha-de-veado, formam o mais belo quadro pintado pelas mãos do Criador, dando um viva à Baixada Maranhense.

Os pássaros em revoadas, anunciam o novo ciclo da vida. É o mês de janeiro com a sua manifestação preparatória para o enfrentamento dos 365 dias do ano. E logo ali, no início, os peri-mirienses que residem fora do seu município, se alvoraçam para o retorno à terra natal. As promessas são desencadeadas a São Sebastião pedindo a graça do retorno, nem que seja somente no período dos festejos. E o Santo Padroeiro não deixa por menos, quer todo mundo na sua casa que já passou por várias reformas para abrigar, no ar condicionado, as famílias da terrinha. Até lá, se Deus quiser!

Peri-Mirim, 1º de janeiro de 2026

 

REINAUGURAÇÃO DE ESCOLA

Por Francisco Viegas Paz

No dia 29 de setembro de 2025, foi reinaugurada a Escola Professor João Garcia Furtado, no povoado de Tucunzal, município de Peri-Mirim – Maranhão. Mais do que um prédio de pintura nova e com possíveis ampliações, trata-se de um grande nome representativo de uma cultura educacional invejável. Professor Furtado, como era amplamente conhecido no meio da comunidade acadêmica, faz jus ao reconhecimento proposto e alardeado por músicas, discursos e palmas. Afinal de contas ele tem reconhecimento no campo das ciências linguísticas de notáveis saberes. E como me disse o advogado e escritor Alexandre Maia Lago: professor Furtado foi o homem mais inteligente que eu conheci, pois fui seu aluno.

Professor Furtado espalhava conhecimento em várias línguas: português, latim, francês, inglês, espanhol, italiano, etc. Porém, o seu forte estava na literatura e na língua portuguesa. Tanto que os seus alunos aprendiam de verdade, podendo, portanto, darem o devido testemunho da sua capacidade.

Espero que os professores e alunos do Tucunzal, ao exemplo do eminente professor, na medida do possível, possam seguir o seu exemplo de um grande educador

Peri-Mirim, 30 de setembro de 2025.

SAUDAÇÃO AO SOL

Por Ana Creusa

Papai era um exímio observador da natureza. Ele se guiava pelos planetas e estrelas. Venerava o Sol, contemplava-o todas as manhãs com uma saudação de louvor e admiração, recebendo dele a energia necessária para mais um dia de trabalho.

José Santos se conectava ao Universo de forma peculiar e poderosa. Ele, a cada dia se lapidava como uma pedra preciosa de alto quilate – José era um ser humano ímpar. Tinha sua forma própria de captar Sabedoria, como disse Sodrezinho no artigo Palavras ditas e não ditas: não se sabia o que ele não sabia.

Atribuo a sabedoria de meu pai à obediência às leis universais. Por meio dessa conexão habitual à natureza, ele alimentava o sentimento de amor e devoção a Deus.

Todas as manhãs, José dirigia sua atenção ao Sol nascente. O momento em que o Sol aparecia no horizonte, na direção leste, era sagrado para José. Ele não perdia esse momento mágico por nada neste mundo. Sempre lá estava ele, em posição de sentido aguardando para saudar o astro rei, em completo silêncio.

No inverno, as imagens do campo cheio misturavam-se à imensidão do céu que se espreguiçava do repouso da noite anterior. José era envolto àquela paisagem inédita a cada alvorecer.

No verão, a relva molhada da noite encontrava-se com as nuvens furta cor, formando um todo, incapaz de se estabelecer qualquer divisão. José era envolto àquela dança, flutuava no mesmo compasso. Ele fazia parte daquele Universo multicolorido. Sem perceber, fechava os olhos.

Naquele estado letárgico, ele permaneceria a eternidade. Quando, aos primeiros clarões ao leste, o canto e revoar das graúnas, fazia com que ele abrisse os olhos. Com espanto, via que o cenário era outro, tudo mudara. Nada do que via antes do estado letárgico existia mais.

Estabelecia-se uma nova harmonia, que se juntava a ele, desta feita ornamentando tudo com o brilho do Sol, para dizer que o dia chegou!

Sempre tive a curiosidade de saber qual a fonte de Sabedoria do meu pai, como ele aprendeu tantas coisas. Quem conheceu meu pai, sabe que ele tinha algo especial. Ele sabia de coisas que jamais tivera experiência.

Lendo Deepreck Chopra, não tive dúvidas: era nesse encontro com o Sol que ele acessava a Sabedoria Infinita.

O sol nasce para todos. Mas nem todos... Ely Santos - Pensador