Alice Santos Lopes: inspiração que começa cedo.

Alice Santos Lopes nasceu em 06 de agosto de 2011, perimiriense, filha da confreira Edna Jara Abreu Santos (membro fundador da ALCAP) e de Glacimar de Jesus Lopes Júnior. Desde criança foi instigada a gostar da leitura, da arte de pintar e da matemática.

A dedicação aos estudos sempre lhe rendeu excelentes resultados: notas altas nos boletins, destaques como “Aluna Nota 10”, líder de turma e há quatro anos vence o Soletrando de Língua Portuguesa e Língua Inglesa em sua turma. Em 2025 participou do Soletrando de LIBRAS e de Espanhol o qual foi também campeã na sua escola: Colégio Alda Ribeiro Corrêa-ARC.

Em 2019 foi destaque nas aulas de capoeira, ganhando medalha na categoria mirim; tem visibilidade no ballet e ganhou o primeiro lugar nos Jogos Escolares de Peri-Mirim – JEP’s, promovido pela SEMED e Prefeitura Municipal de Peri-Mirim, na modalidade Xadrez.

Escreveu o livro “A menina do vestido amarelo”, também a “Poesia à professora Edna Jara”- o qual foi publicada no site “O Regate: de Peri-Mirim para o mundo” e também já foi homenageada pela poesia “Por que tanta pressa? Acorda filha, está na hora!”, escrita por sua mãe.

Em 2024 ganhou medalha de ouro na OLITEF (Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira). Com sua turma, participou do DesafiEI, a maior Olimpíada de Desafios para o desenvolvimento de competências e habilidades socioemocionais do Brasil, realizada pela Escola da Inteligência.

Em janeiro de 2025, inscreveu-se no Concurso do Conselho da Biblioteca Prof. Taninho como representante da Comunidade Estudantil e foi aprovada; participa dos encontros do Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado” e já ganhou até oportunidade de criar uma arte para camisa do Festival ALCAP de Cultura.

Em 2025, com seus 14 anos, publicou seu primeiro livro intitulado: “Enquanto há tempo, há histórias” pela editora Estante Mágica, em parceria com o Colégio Alda Ribeiro Corrêa-ARC.

Pela banca Seleta Educação, ganhou medalha de Prata na Olimpíada Brasileira de Língua Inglesa-OBLI; medalha de prata no Torneio Nacional de Biologia-TNBio; medalha de Honra ao Mérito do Torneio Brasileiro de Ciências e outra medalha de Honra ao Mérito na OBLI.

É evangélica desde outubro de 2021 e já faz parte da Banda Salmos 100 como cantora, na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Peri-Mirim. Agora dedica-se também a aprender tocar teclado e violão.

Na pintura, desde criança olhava vídeos no YouTube e desde então vem aprimorando suas técnicas. Gosta de pintar quadros com tinta à óleo e desenhos rápidos à lápis. Recentemente fez uma singela exposição na cerimônia de recepção dos Novos Membros da ALCAP -Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense. Na Jornada Acadêmica e Cultural da ALCAP, em maio (2026), almeja ampliar a visibilidade de seu talento nas telas e transformar suas criações em apoio concreto para a realização de sua formatura do 9° ano.

Para quem gosta desse tipo de arte e quer começar a explorar, Alice deixa uma mensagem de motivação: “Insista e vá com calma, se importe apenas com as criticas construtivas.

DECLARAÇÃO POÉTICA AOS NOVOS CONFRADES DA ALCAP

Diêgo Nunes Boaes

Chegam vozes que vêm somar,
chegam mãos para edificar,
no templo vivo da palavra
onde Peri-Mirim aprende a se narrar.

 

Nicinha traz verbo e emoção,
Fábio Maia guarda o tempo e a história,
Ana Cléres, fé, canto e chão,
Mateus escreve presente e memória.

 

Shonem planta reflexão
Zé de Floriano é som e raiz,
Do Carmo e Taliane ensinam libertação
Paim canta o povo, canta feliz.

 

Santiago chega em toada antiga,
boi que dança, memória que liga,
Laércio prova, em número e razão,
que pensar também é criação.

 

França verseja a terra amada,
Ana Maria borda a jornada,
Sidlayne educa com mão segura,
Cíntia transforma saber em ternura.

 

Não são nomes só para registrar,
são forças prontas para somar,
reforço vivo da Academia,
sentinela da nossa poesia.

 

Que a palavra seja união,
que a cultura seja direção,
e que a ALCAP, em sua missão,
siga eterna no coração.

 

ALCAP – pregando ideias, colhendo sonhos!

Por Diêgo Nunes Boaes

No silêncio das páginas abertas,
nasce a voz que não se apaga.
A ALCAP é chama acesa
no coração da palavra.

É ponte entre tempos e memórias,
onde o ontem encontra o amanhã,
guardando histórias do povo
que a escrita insiste em eternizar.

Aqui, cada letra tem raiz,
cada verso tem chão e rio,
tem cheiro de terra molhada,
tem nome, tem rosto, tem brio.

A ALCAP cultiva saberes
como quem planta esperança:
regando ideias, colhendo sonhos,
fazendo da cultura uma herança.

É casa de poetas e cronistas,
de vozes que ousaram ficar,
porque quem escreve sua história
não deixa o tempo lhe apagar.

ALCAP é mais que Academia:
é resistência, é missão.
É a palavra em forma de abrigo
para a alma e para a nação.

PERI-MIRIM E O NOVO ANO

Por Francisco Viegas Paz

Quando surge o novo ano, a natureza, prodigamente, se manifesta trazendo alegria: “são tantas emoções” que quase não cabe na manifestação humana. A grama forma um tapete de esperança e, logo que a chuva cai, levantam-se as pequenas árvores e as maiores se manifestam numa combinação de folhas, flores e frutos.

Os alevinos surgem do “nada” numa magia de encanto, batendo as suas minúsculas nadadeiras nas primeiras lâminas d’água. E os mururus, vitórias-régias, orelha-de-veado, formam o mais belo quadro pintado pelas mãos do Criador, dando um viva à Baixada Maranhense.

Os pássaros em revoadas, anunciam o novo ciclo da vida. É o mês de janeiro com a sua manifestação preparatória para o enfrentamento dos 365 dias do ano. E logo ali, no início, os peri-mirienses que residem fora do seu município, se alvoraçam para o retorno à terra natal. As promessas são desencadeadas a São Sebastião pedindo a graça do retorno, nem que seja somente no período dos festejos. E o Santo Padroeiro não deixa por menos, quer todo mundo na sua casa que já passou por várias reformas para abrigar, no ar condicionado, as famílias da terrinha. Até lá, se Deus quiser!

Peri-Mirim, 1º de janeiro de 2026

 

REINAUGURAÇÃO DE ESCOLA

Por Francisco Viegas Paz

No dia 29 de setembro de 2025, foi reinaugurada a Escola Professor João Garcia Furtado, no povoado de Tucunzal, município de Peri-Mirim – Maranhão. Mais do que um prédio de pintura nova e com possíveis ampliações, trata-se de um grande nome representativo de uma cultura educacional invejável. Professor Furtado, como era amplamente conhecido no meio da comunidade acadêmica, faz jus ao reconhecimento proposto e alardeado por músicas, discursos e palmas. Afinal de contas ele tem reconhecimento no campo das ciências linguísticas de notáveis saberes. E como me disse o advogado e escritor Alexandre Maia Lago: professor Furtado foi o homem mais inteligente que eu conheci, pois fui seu aluno.

Professor Furtado espalhava conhecimento em várias línguas: português, latim, francês, inglês, espanhol, italiano, etc. Porém, o seu forte estava na literatura e na língua portuguesa. Tanto que os seus alunos aprendiam de verdade, podendo, portanto, darem o devido testemunho da sua capacidade.

Espero que os professores e alunos do Tucunzal, ao exemplo do eminente professor, na medida do possível, possam seguir o seu exemplo de um grande educador

Peri-Mirim, 30 de setembro de 2025.

SAUDAÇÃO AO SOL

Por Ana Creusa

Papai era um exímio observador da natureza. Ele se guiava pelos planetas e estrelas. Venerava o Sol, contemplava-o todas as manhãs com uma saudação de louvor e admiração, recebendo dele a energia necessária para mais um dia de trabalho.

José Santos se conectava ao Universo de forma peculiar e poderosa. Ele, a cada dia se lapidava como uma pedra preciosa de alto quilate – José era um ser humano ímpar. Tinha sua forma própria de captar Sabedoria, como disse Sodrezinho no artigo Palavras ditas e não ditas: não se sabia o que ele não sabia.

Atribuo a sabedoria de meu pai à obediência às leis universais. Por meio dessa conexão habitual à natureza, ele alimentava o sentimento de amor e devoção a Deus.

Todas as manhãs, José dirigia sua atenção ao Sol nascente. O momento em que o Sol aparecia no horizonte, na direção leste, era sagrado para José. Ele não perdia esse momento mágico por nada neste mundo. Sempre lá estava ele, em posição de sentido aguardando para saudar o astro rei, em completo silêncio.

No inverno, as imagens do campo cheio misturavam-se à imensidão do céu que se espreguiçava do repouso da noite anterior. José era envolto àquela paisagem inédita a cada alvorecer.

No verão, a relva molhada da noite encontrava-se com as nuvens furta cor, formando um todo, incapaz de se estabelecer qualquer divisão. José era envolto àquela dança, flutuava no mesmo compasso. Ele fazia parte daquele Universo multicolorido. Sem perceber, fechava os olhos.

Naquele estado letárgico, ele permaneceria a eternidade. Quando, aos primeiros clarões ao leste, o canto e revoar das graúnas, fazia com que ele abrisse os olhos. Com espanto, via que o cenário era outro, tudo mudara. Nada do que via antes do estado letárgico existia mais.

Estabelecia-se uma nova harmonia, que se juntava a ele, desta feita ornamentando tudo com o brilho do Sol, para dizer que o dia chegou!

Sempre tive a curiosidade de saber qual a fonte de Sabedoria do meu pai, como ele aprendeu tantas coisas. Quem conheceu meu pai, sabe que ele tinha algo especial. Ele sabia de coisas que jamais tivera experiência.

Lendo Deepreck Chopra, não tive dúvidas: era nesse encontro com o Sol que ele acessava a Sabedoria Infinita.

O sol nasce para todos. Mas nem todos... Ely Santos - Pensador

 

Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá

Por Edna Jara Abreu Santos

Fragmento da Crônica: Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá (2018)

[…]

Na década de 50, a crença em criaturas do nosso folclore era bem mais presente. As pessoas temiam e muitos tinham o “desprivilegio” de vê-los frente a frente. Há relatos de pessoas que ficaram diante do mula-sem-cabeça, mãe d’água e curacanga, mas era o curupira que mais atormentava os animais e os poucos moradores da cidade, levando-os a abandonar suas casas e até à morte, em muitos casos. Acredita-se que quando a região de mata densa é pouco habitada por seres humanos é possível que exista as tais assombrações. Dizem os mais velhos que quando o assovio do Curupira é ouvido bem perto, ele/eles já está/estão longe, agora quando o assovio está longe, com certeza à criatura está bem próximo da pessoa. E ademais, quando os trabalhadores entravam no matagal e se dividiam, o (s) curupira (s) fazia (m) o mesmo assovio dos homens e eles se perdiam no mato à dentro, passavam horas para enfim se encontrarem.

Francisca do Carmo França Abreu, perimiriense de 71 anos, relata lendas e crendices sobre a aparição destes seres mitológicos. Recorda-se da vida e morte de um dos seus irmãos. Ele era fascinado por borboletas, a ponto de segui-las em seus mais longos voos, esquecia a hora e nem via o local que adentrava. Muitas vezes era resgatado dentro da mata, por conta desse deslumbre. Até um dia que ficou muito doente, na época sem hospitais e remédios para cura do sarampo, foi definhando dentro de uma rede. E pela sua aparência, todos atestavam que o mesmo estava assombrado. Ouviam com muita frequência assovios de curupiras todos as noites nas proximidades da casa, durante todo o tempo que passou dentro da rede doente, quando morreu, aquele barulho sessou.

O tão temido e conhecido “Caminho da frieza”, localizado no povoado Poções (antes do Chavi), recebeu esse nome por conta dessas aparições e o ambiente ficava uma geleira, mesmo em dias ou noites calorosas. Desde assustar cavalos ou deixá-los cansados na travessia (como se de repente um peso os rebaixava deixando quase rastejando), dor de cabeça no (s) viajante (s), febre e até morte dos mais valentes que queriam medir forças com a tal visagem, quem por algum motivo ou circunstância fizesse a travessia ao meio dia, doze horas, seis horas da tarde e à meia noite, certamente teria um acompanhante desagradável na viagem. Conta que certa vez, quando criança, ela e sua mãe precisaram atravessar esse caminho, e na volta já tarde, passaram por um “igarapezinho”, quando de repente sua mãe, ao olhar para trás avistou bem perto um cavalo enorme, alvo e sem cabeça. Ele passou bem perto e sua mãe assustada puxava-a pelo braço, para saírem daquele lugar.

A “mãe-d’água” era outro ser mitológico que causava terror aos banhistas que adentravam os rios ou que se serviam da água dos poços principalmente ao meio dia, e a partir de seis horas da noite. Para tanto, os banhistas deveriam sempre recorrer ao respeito pedindo permissão para adentrar aquele espaço e usar daquela água. Geralmente, nesse tempo os poços eram bem distantes das casas habitadas e quando iam sozinhos quase sempre chegavam em casa contando as aflições presenciadas.

É provável que um dos motivos que hoje não é possível ouvir sobre estas criaturas com mais intensidade, seja pelo fato do crescimento populacional. Onde antes era só vegetação, hoje tem casas e moradores e, cada vez mais, as pessoas estão devastando áreas para fazer roças e construção de propriedades. Outro possível motivo pode ser o advento da iluminação pública, onde antes havia muitas trevas, hoje há luz.

Nesse sentido, há diversas linhas que correm sobre a veracidade dos fatos: o medo que tem o poder de fazer a mente criar situações apavorantes; os contos engabelados dos antepassados transmitidos a gerações… ou então, devemos acreditar que de fato existiam todos esses personagens fabulosos que um dia dominaram o espaço que ocupamos hoje?

Em meados do século XX, Peri-Mirim era constituída de vegetação em quase toda sua totalidade, por exemplo, o Campo de Pouso era mata fechada com apenas um caminho estreito no meio. Na oportunidade, destaca-se os primeiros padres que aqui chegaram e que tiveram importância significativa na qualidade de vida do Município, bem como na proteção e conhecimento sobre os mitos, foram eles: Monsenhor Gerard Cambron e os padres, Leonel, Edmundo, Paulo, Gil e Gerard Gagnon. A chegada Oficial dos padres na cidade foi em 15 de agosto de 1958, data que marcou também a Fundação da Paróquia São Sebastião. Eles abriram estradas, construíram capelas nas comunidades locais e também em beiras de estradas, incentivavam as famílias a participarem das reuniões, missas, a comungar-se, batizar os filhos, doavam e ensinavam diversos usos de plantas e ervas medicinais.

Em suma, a dona Francisca nostálgica, conta ainda que as crenças religiosas e costumes eram respeitados nas datas comemorativas, por exemplo, no carnaval (fevereiro) se tinha os aqueles dias de festas, mas quando se aproximava a Quaresma, as mulheres não podiam usar nenhum tipo de pintura, como batons, pintar unhas e nenhum tipo de diversão: os dias eram sagrados. Se a Semana Santa (março/abril) começasse em uma quarta-feira, até terça-feira as pessoas limpavam suas casas, torravam café, socavam arroz no pilão, estocavam comida, rachavam lenhas e guardavam. Enfim, faziam tudo antes da “Quarta-feira Santa”, pois a partir desse dia as pessoas nem podiam sair de suas casas, muito menos bater nos filhos ou falar palavrões. Eles também soltavam as galinhas, porcos e os demais animais presos; até os meliantes que se encontravam nas celas da delegacia era dado a eles o direito de ficarem soltos esses dias.

AS ACADEMIAS DE LETRAS

Por Francisco Viegas

As Academias de Letras são despertadoras da cultura, das letras e das artes. A tempestade do movimento literário, ora em ação, provocou uma eclosão para a glória dos Municípios e do Estado, primordialmente os da Baixada Maranhense, que entenderam com altivez o movimento.

Escritores, poetas, trovadores, pintores, entre outros, encontraram irrestrito apoio dos que haviam largado na frente. E, assim, abriu-se o caminho para os demais que, expondo suas criatividades, brindaram e continuam brindando a população com as pérolas lapidadas por esses maravilhosos operários das artes e das letras.

Contar história da terra natal e dos habitantes tem sido um resgate envolvente, carismático e de significado orgulho para todos os seguidores e apoiadores deste brioso momento da revolução literária.

O escritor se inspira nos acontecimentos faz a sua narrativa e cria outras tantas, de modo que seja apreciada e torne visível aos demais. Os poetas e trovadores dão significativa beleza aos versos da sua lavra com o intuito de sensibilizar e encantar os seguidores através das suas maravilhas. E os pintores combinam a tinta com emoção e talento para fixar na retina dos apreciadores a beleza expressa na tela.

Os acadêmicos fazem do seu mister um prazer a mais, em descobrir através de pesquisas, tudo que seja interessante aos leitores. Como, aliás, vem acontecendo em todas as academias. Por isso, elas são queridas e respeitadas pelos seus confrades, confreiras e os cidadãos e cidadãs que as conhecem.

E, no palmilhar da vida, não haverá de faltar fôlego para quem quiser compartilhar ou apreciar a didática do cotidiano e o alvorecer das manhãs, que fazem da existência o comprometimento com a beleza da criação Divina.

O SABOR NOSTÁLGICO DA BOLACHA FOGOSA

Por Edna Jara Abreu Santos

A cidade de Peri-Mirim é o berço de grandes artistas, fabricantes, fornecedores de serviços e produtos. Procório José Lopes nasceu em 07/09/1945, no povoado Feijoal. Ilustre padeiro e comerciante perimiriense. Filho de Manoel Lopes e Maria José Martins Lopes, teve 11 irmãos e todos eles, desde crianças, ajudavam no comércio dos pais embrulhando temperos naturais.

Sempre teve visão de empreendedor. Com seus 18 anos estabeleceu seu próprio comércio na zona rural do município e até pequena fábrica de cigarros já teve. Com trinta anos, casou-se e veio morar no centro da cidade, firmou sociedade com o saudoso Deosdete Gamita Campos em um comércio, depois de um tempo, resolveu findar a sociedade e colocar uma padaria para si.

Hoje, há quase cinquenta anos de padaria, fornece diversos produtos alimentícios, como: bolinha de coco, roscas, bolacha fogosa, pães e outros mais. Lembra-se que a comercialização da bolacha fogosa iniciou com Gregório Panta, depois passou para Rui Barros e por último, o ajudante do Rui, Seu Ademar.

Procório, como é conhecido por todos, aprovou a produção da bolacha por Seu Ademar, do povoado Tucunzal, que o auxiliava na produção e apresentou a ele a receita na sua pequena padaria. Hoje, há mais de quatro décadas, a mesma receita é reproduzida por seus três padeiros. Vende cerca de 5.000 unidades de bolacha, sendo 200 pacotes (25unid. Cada) por mês, onde tira ótimos lucros.

A bolacha fogosa é muito procurada, principalmente no período do inverno, pois com a dificuldade das famílias residentes de povoados locomoverem-se por conta das estradas, é uma ótima forma de saciar a fome das crianças e adultos. Procório tem uma prazerosa tarefa de fornecer a sua bolacha fogosa crocante e fofinha, em diversos comércios de povoados da cidade de Peri-Mirim, Pinheiro, Alcântara, Bequimão, Cujupe, Palmeirândia, São Bento e até São Luis.

Em vários lugares do Brasil, a bolacha fogosa recebe nomes diferentes, como: “bolacha fofa”, “bolacha mata-fome”, “bolacha de água” e “bolacha de pobre”. Presume-se que a receita perpassou longas gerações, com uma composição pouco modificada com o tempo, onde entra o açúcar, farinha de trigo, manteiga e amoníaco. Com validade de até dois meses, ela é ótima com um cafezinho para iniciar o dia e/ou finalizar a tarde.

A bolacha fogosa traz um sabor nostálgico de infância, onde os pais não deixavam faltar em casa, lembra o convívio familiar e os tempos difíceis. Ela é símbolo de resistência de um povo maltratado pela fome e hoje continua em nossas mesas como um patrimônio da nossa cidade, celebrando a família e memorando os bons momentos com as pessoas que amamos.

A LIGAÇÃO DOS FIÉIS AO FESTEJO DE SÃO SEBASTIÃO

Por Francisco Viegas

O município de Peri-Mirim desenvolve um trabalho religioso muito importante com a celebração dos festejos de São Sebastião, que tem como ponto culminante o dia 20 de janeiro – dia do padroeiro. A Paróquia, em consonância com a Diocese de Pinheiro monta uma programação que envolve os habitantes do local, do início ao fim da programação, dinamicamente participativa, ou pelo menos apreciativa.

No início do mês de janeiro, o vigário da Paróquia padre Irvisson Ribeiro Serejo, acompanhado dos fiéis, palmilham as ruas da cidade, visitando os moradores e aspergindo água benta nos lares pedindo proteção divina aos moradores. Uma forma inequívoca de que Deus está operando maravilhas e o santo protetor cumprindo a sua vigilância, como fazia em vida, na função de soldado do imperador romano Diocleciano.

Então, preparemo-nos com o espírito participativo, enfileirando-nos na mesma direção organizacional do vigário, para acolhermos, virtuosamente, todos os irmãos em prol da benevolência espiritual que irão direcionar a fé durante todo o ano de 2025.