E ASSIM EU FUI DESCOBRINDO…

Por Eni Amorim

Que o Papai Noel é um velhinho,
Que só serve para ajudar o consumismo no Natal.
Que o coelhinho da páscoa,
serve para ajudar vender chocolate na Páscoa.
Que saci-pererê mãe d’água e Curupira
São seres que povoam o mundo do folclore.
Que o príncipe encantado,
Muitas vezes vira um lobo mau.
Que não se pode agradar a todos,
Sempre terá alguém para te criticar.
Que não dá para ser bonzinho,
Sempre vai ter alguém para te magoar.
Que perdoar não é fácil,
Mas faz um grande bem para nosso ego;
Que não dá para ser igual à outra pessoa,
Porque cada pessoa é única neste universo.
Que por maior que seja a decepção,
Um dia você vai superar.
Que amor de pai, mãe e irmãos,
Vivem dentro de você para sempre.
Que o universo responde,
A mesma energia que você emite.
Que tudo que desejares para os outros,
Volta para você seja o bem ou seja o mal.
Que o meu dedo médio,
Também pode ser uma resposta atrevida.
Por mais plano que seja o caminho,
Sempre aparecerão as pedras.
Que com falha e erros,
Se esculpe a sabedoria.
Que os sorrisos,
Escondem cicatrizes dentro da alma.
Que o que nunca foi nosso,
Se deve deixar partir.
Que dinheiro não é tudo,
Mas ajuda para caramba.
Que o dedo mindinho do pé,
Sempre acerta a quina da mesa.
Que coração quebrado,
Pode ser consertado.
Que a mentira tem perna curta,
E a verdade cedo ou tarde aparecerá.
Como posso querer que alguém me entenda,
Se eu mesma não me entendo muitas vezes? Que sonhar é bom,
Mas melhor é realizar.
Que o tempo é sim,
Senhor de todas as razões.

Peri-Mirim, 13 de julho de 2021

POEMA A PERI-MIRIM

Por Giselia Pinheiro Martins

Peri-Mirim terra querida
De coração fico a admirar
Suas belezas, suas paisagens
Nem dar para acreditar

Por sua gente hospitaleira
Por teu povo acolhedor
E quem chega por aqui
Vê o Santo protetor

Peri-Mirim vem se destacando
Com a ALCAP a abrilhantar
Sua história e sua cultura
Por ela vai se eternizar

Temos muito a dizer
Sobre o que ela nos representa
Nossa Peri-Mirim tem história
Feliz de quem nela se acalenta!

Lugar de pessoas ilustres
Vou começar por meu pai
O nome dele é Walton Barreira
Que na educação foi sagaz

Vou citar mais alguns
Jarinila Campos, educadora
Voz delicada e amorosa
Destacou-se como professora

Continuando com os nomes
Dona Mirian Costa Pereira
Professora mãe de nosso confrade Júnior
Estudou com afinco, mãe guerreira!

Tive a oportunidade de conhecer
Outro nome importante
Heráclito Pinheiro, meu avô
Do Inambu era comerciante.

Sinto saudades de alguém
Que partiu sem dizer adeus
Batista Pinheiro, meu amigo
Está morando com Deus!

Dentre outros tantos…
J. Campos, Doxo, Keila Abreu
Cada um em seu espaço
Sua história escreveu!

Vou citar alguém especial
Para finalizar este poema
Minha adorada mãe Bubu
Amor Incondicional é o seu lema!

CORDEL: SÓCRATES E HANNAH ARENDT

Por Nasaré Silva

Todos vocês que aqui estão

Recebam meus cumprimentos,

É muita honra tê-los conosco,

A prestigiar nosso evento.

Miniolimpíada de filosofia

A primeira da freguesia

Palmas para este momento.

 

Nesta tarde ensolarada

Tivemos dois julgamentos:

O primeiro foi de Eichmann

Que só produziu sofrimento,

Não somente ao povo judeu

Condenou até o filisteu

Seu problema: discernimento.

 

O segundo foi de Sócrates

Que todos já ouviram falar,

Século V a. de Cristo

Ele vivia a perambular,

Questionava todo mundo

Parecia um vagabundo

A Ágora: o seu lugar.

 

Para falar sobre Eichmann

Convém neste momento citar

A cientista política

Hannah Arendt, ouviram falar?

Viajou para Jerusalém,

Não foi para dizer amém

Foi ao julgamento reportar.

 

Eichmann fora julgado

Em 1961.

Por muitos crimes de guerra,

Aqui falamos de um a um.

Ele dizia ser inocente

Não pensava, pois, sua mente,

Não tinha dote nenhum.

 

Mandou para o holocausto

Seis milhões de judeus

Idosos, crianças ou jovens,

Quem tinha religião ou ateus

Seu problema era não pensar

Hannah Arendt fez confirmar,

No livro que escreveu.

 

Eichmann em Jerusalém

É um livro seu, famoso

Nele Arendt conta a história

De julgamento oneroso

De Argentina a Israel

Foi conduzido o réu

Sob um regime rigoroso.

 

Hannah Arendt escreveu

Muitos livros, no entanto.

Praticamente em todos eles

Questionar era seu acalanto

Judaísmo: a religião

Questões políticas: sua missão

A verdade era seu manto.

 

Em 1906 nascera

A Alemanha era seu mundo.

Morou na grande Paris

Num período infecundo.

Vivera em “tempos sombrios”

Sobreviveu às guerras, o vazio,

Conviveu com moribundo.

 

Seu livro de notoriedade

As Origens do Totalitarismo,

Arendt narra como surgiu

O conhecido antissemitismo,

Pois ela queria entender

Por que tanto ódio e Poder

No mais novo regime, o Nazismo.

 

 Em Homens em Tempos Sombrios

Arendt biografa homem e mulher

Walter Bejamin, Karl Jaspers,

Os seus dois amigos de fé.

Rosa, Lessing e reflexões,

Heidegeer, uma de suas paixões,

Arendt, judia e grande mulher.

 

O termo “banalidade do mal”

Por ela, cunhado no julgamento

Amigos judeus de Hannah Arendt

Não sentiram contentamento,

Pensaram que Eichmann defendia

Não entenderam o pensar da judia

Amizade sofre estremecimento.

 

Passaria a tarde inteira

Falando de Hannah Arendt

Todo o tempo ainda é pouco

Quando o poema expressa arte.

Preciso a Sócrates voltar

E sua linda história narrar

A verdade foi seu baluarte.

 

Sócrates fora condenado

Por crimes que não cometeu

Indagar era o seu forte

Aos jovens não corrompeu,

Aos deuses não desrespeitou

Contra a mentira sofística lutou

Deram-lhe cicuta, ele bebeu.

 

Por vezes, o interlocutor

A Sócrates não entendia

Usava método “maiêutico”,

Concomitantemente, à ironia,

Quando da conversa, o fim,

Não visualizava o jardim

Da luz da sabedoria.

 

Isso gerou confusão

Na vida de muita gente,

Em Atenas, na Grécia Antiga,

Nessa parte do Ocidente,

Os cidadãos se reuniam

Na Ágora e decidiam

O melhor ao Continente.

 

Assim narra-se a história

De quem buscava a verdade,

Não mentia, perguntava,

Sobre os temas da cidade

Ele indagava porque queria saber,

Desconhecia a essência do Ser

E não aceitava caridade.

 

 

Um grupo de filósofos

Chamado de sofistas

Ficou muito incomodado

Com sucesso do politeísta.

Armaram uma encenação

Condenaram Sócrates, então,

Por crimes ainda não vistos.

 

A peça que apresentamos

Foi parte de seu julgamento

Escrito no Apologia a Sócrates

De Platão, o pensamento,

O seu discípulo fiel,

A condenação fora o fel

Amargo desse momento.

 

O objetivo deste evento

É mostrar nosso projeto

“Até que ponto nós agimos

Mediante as leis”, fazendo certo?

Vê-se nos dias atuais

Medidas descabidas, fatais,

Que impedem nosso progresso.

 

Mediantes a tantas PECs

Que tiram nossos direitos

Nos calamos, nos omitimos

Aceitamos o desrespeito.

Até onde vão os desmandos?

Nossa honra blasfemando

E tudo sendo desfeito?

 

Vamos unir nossas forças

Nossa coragem, a fé.

Aprendamos a dizer não,

Lutemos contra o lúcifer

Eichmann aceitava tudo,

Até mesmo dos judeus o tributo,

Não pensava, vivia de cliché.

 

Somente nós podemos mudar

O rumo da nossa história.

Nascemos pobres, somos dignos,

Sonhamos com as vitórias

Não fiquemos aprisionados,

Ou seremos condenados,

Sem um momento de glória.

 

Quero registrar, no momento

Meus queridos professores:

Almir e Marly Cutrin,

Ambos são doutores.

Transmitem conhecimento,

E nos dão contentamento,

E assim, perpetuam valores.

 

Deixamos aqui registrado

Os sinceros agradecimentos

A secretária Alda Regina

Dalcione, no engajamento,

Aos amigos da equipe

Vieram a pé ou de jipe

Mas estão neste momento.

 

Eles são Kelisson Melo

Nayara e Walterlino,

Nasaré como já sabem

É a poeta, tem destino.

Agnaldo, grande pastor.

Todos trabalham com amor

Em prol de um bom ensino.

 

A equipe “Esmagai a Infame”

Encerra sua apresentação.

Adquirimos competências

Dotados ou não de inspiração.

Dizemos até breve a todos.

Estes são nossos modos

Agradecemos de coração.

Escritora: Nasaré Silva
Formada em Pedagogia – FAVIX – 2012.
Especialista em Ensino da Educação Básica.
Graduanda em Filosofia – UFMA.
O cordel foi último ato para o encerramento da miniolimpíada de Filosofia sob a orientação do Prof. Dr. Almir Ferreira. Nov./ 2019.

Paródia de Mãe Catirina

Compositora: Nasaré Silva

Mãe Cecília que só quer brincar com a língua do boi

Nunca pensa em comer ela, nem filé e nem costela

Pois seu lema é o amor.

Ai mãe Cecília cuida do boi (bis) que quer crescer (Refrão)

E lá vai meu boi prenda da cidade

 

Nossa comunidade chegou a hora de brilhar.

Homenageando todas suas famílias, gente aguerrida

Que não cansa de lutar.

 

Refrão…

 

E lá vai meu boi no romper da aurora

Nossa escola chora sem alunos pra ensinar.

Mas não nos abatemos, nesta trajetória

Porque temos Deus para nos encorajar.

 

E lá vai meu boi cheio de saudade

Dos nossos alunos que não podemos visitar

Mas cremos em Deus, que em breve estaremos

Todos reunidos, na escola a estudar.

 

E lá vai meu boi arrastando a barra

Cecilia Botão tem garra quando o tema é educação

Levando um recado pro governador

Esta escola humilde tem carinho e tem valor.

 

E lá vai meu povo cantando pra ela

Em nossa aquarela rimando pra São João

Nossa querida escola, mesmo com saudades

Canta para os pais, nossa Cecília Botão.

O baú da Bisa Bebel

Por Eni Amorim

A Bisa Bebel era uma mulher de porte pequeno, magra, aparência de mulher frágil, mas tinha um forte espírito de liderança. Sua palavra era Lei.
De face fina, olhos miúdos, narinas estreitas com a ponta levemente para cima e o dorso levemente côncavo.
Usava vestidos longos, nos cabelos um cocó, (coque) no qual colocava uma flor do seu jardim.
A bisa Bebel tinha um baú de estimação no qual guardava os seus tesouros: biscoitos, ovos, chocolates, bolos e frutas do seu pomar.
Todas as pessoas que a visitavam, tinham que receber algum mimo que ela tirava do seu precioso baú.
Juntamente com aquele gesto singular, a bisa Bebel tirava do fundo do seu baú sentimentos de: amizade, carinho, ternura, e amor, uma forma de demonstrar que aquela pessoa era importante para ela.
Os gestos da Bisa Bebel diziam muito para nós seus netos (as) e bisnetos (as) era uma aula de delicadeza, partilha, solidariedade e amor ao próximo.

N.A: Créditos da Imagem, banco de imagens do Google.

Casa na árvore

Por Diêgo Nunes Boaes

Sonho de toda criança
Feita de madeira, ferro, tecido e muita emoção
A casa na árvore se torna um espaço para a recreação, espaço de trabalho, habitação e observação.

De degrau em degrau,
de galho em galho,
com delicadas mãos,
Feita sem nenhum atrapalho

Planejada, com meses
de projetos bem sucedidos,
No alto da azeitoneira divisa com a paparaubeira.
Com amarros corridos


Assento triangular
e de cor alaranjado
laterais de cortinas de tecido
para esconder do sol avantajado.

Cada galho tem um degrau
Que espalha o cansaço ao subir
Porém, uma sensação boa ao chegar
Naquele belo local pude sentir

A vista de cima,
dá-se ao campo radiante
que no inverno nos propicia
um cenário exuberante.

A 14 metros aproximadamente,
levou um mês de construção.
Na descida pude sentir extremamente
o calor da emoção.

Naquele lindo lugar
O forte vento,
A paz e a tranquilidade,
É que nos permite passar mais tempo.

O que vale é a aventura
O desejo de passar mais tempo ali
De fazer mil e uma peripécias
E lá mesmo se divertir.

PEQUENAS GRANDES CRÔNICAS: TEMPOS DE CRIANÇA

Por Diêgo Nunes Boaes  

Brincadeira de criança

Veio-me à memória a brisa leve, o cheiro da terra molhada depois da chuva, o canto tímido dos pássaros que dançava sobre as terras dos meus avós. Debaixo da mangueira, eu me sentava e deixava que o vento me presenteasse com pequenas mangas caídas. Com uma farpa de pindoba, transformava aquelas frutas em bois e vacas: um, dois, e logo toda uma boiada surgia entre meus dedos. O mundo cabia ali, entre a imaginação e o simples gesto de brincar.

Minha avó contava histórias de bonecas feitas de sabugo de milho, e meu avô criava milagres com o que tinha à mão: cata-ventos de folhas de pindoba, brinquedos que giravam com o vento; cascas de coco manso que se tornavam pés-de-lata; latas de sardinha que viravam carrinhos; folhas de bananeira e de pindoba que se transformavam em cavalinhos, e o barro do campo que, sob suas mãos, virava bois e cavalos. Cada brinquedo carregava vida, e cada brincadeira, magia.

Minha bisavó, com suas bonecas de pano, hoje se encanta pelas modernas que falam, preenchendo seu quarto de vozes e sorrisos. Ela ainda brinca, ainda se permite ser criança, e nos seus gestos vejo que o tempo não apaga a ternura, apenas a transforma em lembrança viva. Brincar, percebo, é mais do que gesto: é memória, é poesia, é o coração que aprende a ver beleza nas pequenas coisas.

E quando falamos de andar de canoa? Era uma alegria sem fim, e ainda recordar a maravilha que era sentir a brisa suave do campo, o cheiro úmido da terra que ainda guarda histórias, o perfume das folhas e a doçura do ar que acaricia a pele. Os pássaros cantam como notas dispersas pelo espaço, enquanto patos e parturis deslizam sobre a água, mergulhando com precisão, buscando alimento, despertando encantamento.

A canoa se movia lentamente, enforquilhando, balançando de um lado para o outro, sentindo o barro maciço que se mantém firme sob nossos pés, companheiro antigo e silencioso, testemunha de tantas jornadas. Nas margens, os pés de folhas abrigam ninhos: jaçanãs, joaninhas, criaturas minúsculas que colorem o espaço com vida, cores e segredos.

À frente, um recanto surge, limpo, tranquilo, perfeito para uma pausa. Mas a alegria insiste, e a canoa se alaga, a água invade, fria, clara, provocando risadas e saltos. Mergulhamos todos, corpo e espírito, rindo, gritando, sentindo a água envolver-nos, sentir a liberdade e a felicidade simples de existir naquele instante.

O vento passa entre nós, a luz dança na superfície da água, e por um momento o tempo deixa de existir. Não há preocupações, nem pressa. Só nós, o campo, a canoa, a água, e o riso que se espalha como música. O dia parece infinito, e cada mergulho é uma promessa de que a infância, mesmo que fugaz, permanece viva dentro de nós, como o canto dos pássaros, o cheiro do barro e a brisa que nunca se cansa de nos tocar.

Hoje, enquanto o cheiro da comida me envolvia, me dei mais uma vez que as brincadeiras eram simples, sem recursos, mas intensamente puras. Não havia malícia, nem intenção de machucar; apenas momentos que se imprimiam na memória, despertando riso, coragem e vontade de viver.

No balanço de pneu, preso aos troncos grossos da mangueira. Sentar-se nele era tocar o céu com os dedos. A cada impulso, o mundo se expandia, e eu voava sem tocar o chão. A imaginação era vento e força, medo e desafio se misturavam, dissolvendo-se no riso.

Brincar de balanço exigia força e habilidade, mas a melhor parte era o instante de suspensão, aquele momento entre o chão e o voo, quando o frio na barriga transformava-se em êxtase. O medo de altura desaparecia, rendido ao sorriso amarelo que surgia nos lábios, tímido e verdadeiro.

O balanço era mais que um brinquedo. Era liberdade. Era voo. Era aventura e magia. Cada impulso era um reencontro com o mundo que a infância nos oferece: infinito, leve, possível.

Na rua da minha casa, brincávamos de bete, ou tacobol como muitos conhecem, era uma relação entre latas, litros e tacos, a rua se enchia de círculos riscados no chão.
Tacadas brutas, correria, gritos que se espalham como vento.
A bola ia de mão em mão, os pés descalços batem no chão,
e a alegria se misturava com o pó e o sol da tarde.

Uma dupla segura a bola, outra enfrenta o taco;
os contadores correm de dez em dez, até cem, até a vitória,
até o riso final que anuncia o campeão.
“Licença! Licença!” ecoa nos momentos de tropeço,
e entre pequenas quedas e grandes risadas,
todas as crianças celebram a festa que é ser criança.

No meio da brincadeira, do calor e da poeira,
reina a cansaria, mas também a emoção,
a sensação única de liberdade,
o coração batendo rápido,
os braços abertos para o mundo que é só delas.
E cada tacada, cada corrida, cada riso,
se torna memória viva,
como se a rua guardasse a eternidade da infância.

Correr, pular, brincar, sentir o vento no rosto e o chão quente sob os pés descalços.
Chorar, sorrir, estudar, tropeçar, levantar-se, aprender.
A vida da infância é essa dança de pequenos gestos, de grandes descobertas,
um mundo inteiro cabendo em risadas e em sorrisos singelos.

Ser feliz é simples: basta ter amizade para dar,
um sorriso aberto, leve,
e a coragem de fazer o que é preciso, mesmo com dúvidas que rondam o coração.
Deixe para trás o que envenena, abrace o que aquece,
pois viver vale a pena, e cada instante pode ser memória viva.

No meu tempo de criança havia: corda, queimado, futebol, amarelinha, elástico, boca de forno,
roda, corrida de saco, rouba-bandeira, bombarquinho, peteca, mímicas.
Cada brincadeira um portal, cada risada, um fio dourado que nos ligava à alegria.
Ah, como é bom recordar!
Os tempos simples, os jogos pequenos,
fazem bem à alma, acalmam o coração,
nos lembram que a infância não se perde, apenas se transforma,
em lembrança, em calor, em canto de liberdade.

E mesmo agora, adulto, é possível sentir:
a corda que estala, a bola que rola,
o grito de amigos, a corrida sem fim,
o sorriso amarelo no rosto cansado,
a felicidade pura, sem malícia, apenas vida.



POEMA ÀS MAMÃES

Por Nasaré

Hoje é o seu, o meu,
O dia de todas as mães.
Mãe sofrida, mãe querida,
Mãe amada, abandonada,
Não importa, coração suporta,
Dor, alegria, felicidade, nostalgia.
Qualquer que seja a sorte,
Só não aceita a morte
Destruir sua fantasia.

 

Fantasia e sonho
Tudo num só enredo.
Enredo cheio de segredo
Que só coração de mãe sente.
Coração fica dormente
Cheio de tanto amor,
Que se transforma em dor
Quando um filho lhe desmente.

 

Mãe, quisera eu poder.
Todo o amor expressar.
E só assim demonstrar
O que sinto por você.
Com gestos, palavras, ações,
Tirar a dor dos corações
Das mães que vivem a sofrer

 

Mãe, quando digo que te amo.
Não é engano, pode crer.
O que sinto por você
É amor, ternura carinho,
Mãe você é o caminho
Quando as portas se fecham,
E não mostra uma brecha
A clarear meu destino.

 

Quando já é dia ou noite
E o mundo parece açoite
A destruir minha vida.
Lembro teus braços, querida.
Que outrora me carregaram
E jamais me abandonaram,
Quando já desfalecida

 

Sem você a minha vida
Não seria cheia de graça,
Seria apenas fumaça
A evaporar-se no ar.
Amor, carinho, ternura.
Seria só desventura
Se não pudesse lhe amar.

 

Mãe, você é tão linda!
Tão meiga e tão formosa!
Parece mesmo uma rosa
Que vive a desabrochar.
Até mesmo quando triste,
Com seu sorriso insiste
O seu amor demonstrar.

 

Mãezinha, quantos netos,
Quanta alegria recebeu!
E quanta alegria nos deu,
Com sua firmeza de mulher
Mãe, seu abraço é meu suporte
Mas, infelizmente a morte
Transformou-a num mister.

 

Oh, minha querida mãe,
Mãezinha meiga e singela
Quanta dor eu lhe causei!
Alegria que não desfrutei,
Vivendo ao lado seu,
Peço-lhe mil vezes perdão
Do fundo do coração
Peço à senhora e a Deus.

 

Com tantos momentos belos
Os mais lindos e singelos
Foram os que vivi do seu lado.
Junto do meu pai amado
Deram-me só amor e carinho
Mostraram-me sempre o caminho
Da Verdade e do Adorado.

 

Quantas noites, tantas vezes
Já passaste sem dormir
Cuidando sempre de mim
E dos outros irmãos meus.
Só quem sabe mesmo é Deus
O que a senhora passou
Minha mãezinha querida
És minha melhor amiga
Que Deus para mim, enviou.

 

É certo que só devia
Ser um milagre de Deus
Este grande criador
Que a mim destinou
Esta mãe especial
Vinda do espaço sideral
E enviada por Jesus
Clarear-me com sua luz
A me defender do mal.

 

Mãe você é para mim
Um imensurável tesouro
Que nem a peso de ouro
Jamais poderia comprar.
Sinto falta do seu colo
Em meus momentos de dor.
Descanse em paz, minha mãe,
Ao lado de quem sempre amou.
Fim.

Amor Perfeito

Por Eni Amorim

Eu quis um dia entender esse amor de mãe.
Mas, acho que nenhuma literatura consegue explicar.

A mãe passa nove meses alimentando um embrião em seu ventre;
Sente náuseas,
Tonturas;
Enjoos;
Vomita até ficar verde.
Desmaia.
O nariz cresce,
Os seios crescem,
Os pés e as pernas incham,
O umbigo estufa,
A barriga cresce,
O corpo perde as formas;
Sente dores nas costas;
Tem desejos estranhos;
Não consegue posição confortável para dormir;
Sente cansaço;
Geme as dores do parto.

Depois que o bebê nasce,
Inicia outra maratona,
É um tal de:
Troca fraldas,
Limpa a bunda,
Dá banho,
Troca a roupa;
Dá de mamar,
Bota pra arrotar,
Aguenta as golfadas,
Acalenta o bebê,
Não dorme direito (o bebê não deixa),
A mãe deixa de comer para encher a barriga do filho;
Quando o filho está doente vela por ele,
Seu amor é unguento para todas as dores,
O amor de mãe é contundente,
Literalmente um amor visceral.
Amor de mãe é luz que não se apaga,
Ainda que os ventos sejam fortes,
Se o filho está feliz ela também está,
Se o filho está infeliz ela também será,
Quando o filho sai à noite,
Ela só dorme depois que ele chega,
Se o filho vem lhe visitar ela dá um sorriso de orelha a orelha,
Seus olhinhos brilham como a luz do sol.
Se o seu filho entra numa fria,
Ela entra junto com ele.
A mãe pelo seu filho:
Ela mata! Ela morre!
A pior dor de uma mãe,
É ver o filho morrer antes dela,
O seu coração murcha como uma flor arrancada do caule.

Ser mãe é sofrer no Paraíso,
É andar chorando com um sorriso,
Ser mãe é ser uma leoa, Ser mãe é ser uma fênix,
Ser mãe é uma missão.
A mais sublime das missões.
Ser mãe é ser formadora de caráter,
Ser mãe é um dom que transcende a todos os dons.

Eu acho que quando Deus criou a mãe, foi para ter uma representante do céu aqui na terra.

Obrigada mamãe por ser esse canal entre o céu e e a terra.

Um dia de mendigo

Por Ana Creusa

Final da década de 1950. Era festejo do glorioso São Sebastião. Igreja lotada. O padre Edmundo de frente para a cruz do altar e de costas para os fiéis, celebrava a Santa Missa em latim.

Terminada a missa, o pároco desceu do altar, reuniu os padrinhos e madrinhas em um círculo, para dar as instruções sobre o concorrido Batizado.

Desde à entrada na igreja, ninguém conseguia tirar os olhos da esposa do famoso advogado Joaquim. Ela estava vestida em um tubinho escarlate que, além de curto, deixava à mostra os fartos seios.

O santo padre não teve como ignorar a situação. Voltou-se ao marido, que estava muito bem trajado, de terno e gravata, então, poderia resolver o problema. Pediu-lhe gentilmente.

– Empreste seu paletó à sua esposa, para que eu possa dar seguimento ao Batizado.

O advogado fez ouvido de mercador. Continuava ereto, na sua pose de sempre.

– Cubra sua esposa com seu paletó, Doutor! Ordenou o padre.

Os presentes imaginaram que o orgulho do advogado seria a causa da recusa de se despir do apetrecho que fazia parte do seu costumeiro traje.

O advogado ainda pensou se aquela seria a melhor saída, ou se simulava alguma desculpa, típica do teatro do Tribunal do Júri.

Sem outra saída possível, o Dr. Joaquim resolveu obedecer ao padre e retirou seu paletó, bem devagarinho, com gestos indecisos.

Sob a admiração de todos, o advogado deixou à mostra uma camisa toda rasgada, que lhe sobravam apenas o colarinho, que segurava uma gravata de seda, e os punhos que ficavam à mostra quando levantava os braços.

A situação era constrangedora! Todos viram os farrapos que estavam sob aquele paletó de linho belga, vestido pelo rico advogado. Na ocasião, suas vestes imitavam ao de um mendigo, sem que tivesse a mesma humildade.

Os muitos afilhados ficaram órfãos das bênçãos do padrinho, pois o famoso advogado nunca mais pisou no município.

História passada de pai para filhos, por José dos Santos, patrono da Cadeira nº 24 da ALCAP.