Floriano Pereira Mendes

Por Francisco Viegas Paz

Floriano Pereira Mendes é Patrono da Cadeira nº 40 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Entrevistei José Gutemberg Mendes, o Zé de Floriano, que aceitou contar a história do seu pai – um expedicionário da segunda guerra mundial, com todo prazer.

Floriano Pereira Mendes, filho de José Álvares Mendes e Alchimena Pereira Mendes, nasceu em São Luís no dia 20 de setembro de 1925 e, ao completar a idade de alistamento militar foi servir ao Exército, momento em que a segunda guerra mundial, comandada pelo nazista alemão Hitler, que sonhava em dominar o mundo, estava em plena atividade de destruição dos países contrários ao seu regime.

O Exército brasileiro, na ocasião, estava recrutando militares para a guerra e o jovem Floriano não pensou duas vezes em colocar o nome como voluntário da Pátria, embora em total desacordo dos pais. Mas a sua inspiração o impulsionava para aquela missão de perigo. E, já que os pais não concordavam com a atitude do filho, ele encontrou um meio de satisfazer o chamamento do Exército Brasileiro e realizar o idealismo de bravura: fugiu e foi se alistar no 6º Regimento de Infantaria de São Paulo, de onde sairia para a Itália. Com os últimos acertos do regimento no Brasil, a Força Expedicionária Brasileira – FEB partiu e chegou à Itália em 16 de julho de 1944, conforme já dito anteriormente.

Floriano foi atingido por uma granada e um estilhaço se alojou na nuca que permaneceu por toda a vida. Além disso, uma rajada de metralhadora perfurou o intestino e estilhaçou o osso da perna. Socorrido, Floriano foi levado para um hospital de base, onde se submeteu a várias cirurgias. As vísceras destruídas foram recompostas por outras de carneiro, as quais se mantiveram compatíveis e sem rejeição pelo organismo do bravo guerrilheiro. E, no osso da perna, utilizaram o implante de uma platina, para ajudar a recompor a tíbia, que se refez de acordo com os princípios da medicina.

No hospital italiano ele ficou sob os cuidados da enfermeira Soraya, que o tratou com muito profissionalismo e carinho, fazendo com que o paciente tivesse uma excelente recuperação, como de fato ocorreu.

Por ter sobrevivido à guerra e voltado para casa, o Exército o promoveu a tenente e o governador do Maranhão, José Sarney, reconhecendo a bravura do maranhense, o patenteou como capitão. Entretanto, ele não chegou a usufruir da promoção de capitão, pois veio a óbito 45 dias depois que tomou conhecimento da justa ascensão. Neste caso, o benefício, de acordo com a lei, ficou a cargo da família.

Quando Floriano voltou para o Maranhão e, ainda solteiro, demonstrava muito nervosismo no dia a dia, com o reflexo dos tiros da guerra e a zoada infernal da artilharia aérea. O pai, que o acompanhava de perto, resolveu mandá-lo para sua fazenda no Agostinho, em Peri-Mirim, com o intuito de tranquilizá-lo. Na região encontrou uma moça de nome Josefa Leite Gutemberg, com a qual começou a namorar e depois ataram o compromisso matrimonial. E assim ele foi gostando cada vez mais do ambiente e terminou fixando residência no local conhecido por Boa Vista no mesmo município, onde o casal teve seus filhos e prosperou como comerciante e fazendeiro.

Boa Vista é um local calmo, que possui os encantos da natureza e muita harmonia, portanto, propício para acalmar até mesmo as tristes lembranças da guerra. Lá, a família se desenvolveu e os filhos tiveram o privilégio de estudar na capital São Luís, levados de avião pelos préstimos do avô que era sócio da Empresa Táxi Aéreo Aliança. A fazenda onde a família Mendes residia tinha um aeroporto de uso exclusivo.

Floriano pode ser considerado um peri-miriense de coração, pois nesta cidade da Baixada constituiu família e colaborou na saúde, na evolução do município, inclusive como partícipe da política local, pela qual tinha certa paixão.

Floriano Mendes era enfermeiro prático, na ausência de médicos, exercia os seus préstimos para curar quem o procurava. Era estudioso do assunto e por isso, pôde ajudar a curar muitas pessoas. Com gratidão, lembro que fui curado por ele quando tinha a idade de 12 anos. Faleceu em 21 de fevereiro de 1993 em São Luís.

Participe do Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado” e embarque em uma viagem pela cultura popular!

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) convida todos os amantes da literatura para o Clube de Leitura “Professor João Garcia Furtado”, um espaço dedicado à leitura, ao debate e à valorização do patrimônio cultural brasileiro. Com encontros bimestrais, o clube abordará o tema “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão“, promovendo uma imersão nas lendas, mitos, religiosidades e manifestações culturais do nosso país.
📖 Como funciona?
O clube é aberto a estudantes, professores, membros da ALCAP e toda a comunidade, incluindo crianças, jovens e adultos. Os encontros acontecerão de forma presencial e virtual, promovendo discussões guiadas sobre as obras selecionadas e incentivando a produção literária e artística dos participantes, finalizando com um momento cultural.
Como incentivo, as melhores produções serão apresentadas durante os encontros e serão publicadas em um livro digital e/ou impresso.

Local dos encontros: Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM)
📅 Cronograma de Atividades:
📌 1º Encontro – 30 de março de 2025 (15h às 18h)
Tema: Introdução às Lendas Maranhenses
Livro: “Passeios pela história e cultura do Maranhão”, de Wilson Marques.

📌 2º Encontro – 18 de maio de 2025 (15h às 18h)
Tema: Arte e Devoção na Cultura Maranhense
Livro: “Arte e Devoção”, de Joana Bittencourt.

📌 3º Encontro – 13 de julho de 2025 (15h às 18h)
Tema: A Literatura Maranhense: Entre o Real e o Mítico
Livro: “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis.

🎭 Atividade Prática – 25/07/2025
Roteiro cultural em São Luís e bate-papo com autor
🔗 Inscreva-se agora!
Garanta sua participação acessando o https://forms.gle/i7Xt64yXNksgPWMs8

Venha fazer parte deste encontro enriquecedor e fortaleça sua conexão com a literatura e a cultura do Maranhão!

Mais sugestões de leitura disponível para empréstimo na Biblioteca ALCAP Prof. Taninho:
Literatura em minha casa: quatro mitos brasileiros – Mônica Stahel
Um saci no meu quintal: mitos brasileiros – Mônica Stahel
A história do boizinho de brinquedo – Joana Bittencourt
Literatura em minha casa: bazar do folclore – Ricardo Azevedo
Brincando de folclore – Maurício de Sousa
📩 Para mais informações, visite nosso Instagram@bibliotecaalcap ou entre em contato pelo e-mail: academiaperimiriense@gmail.com

Pesquisa de Opinião – Prêmio ALCAP Naísa Amorim

Visando aperfeiçoar o projeto do III Prêmio ALCAP Naísa Amorim, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) resolveu promover uma Pesquisa de Opinião.

Segundo a presidente da ALCAP, Jessythannya Carvalho Santos e a gestora do projeto, Liliene da Glória Costa Ferreira, o concurso desta edição, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Peri-Mirim (SEMED), abordará o tema “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão“, incentivando os participantes a pesquisarem e refletirem sobre as diversas manifestações culturais do país. O objetivo é promover o conhecimento e a valorização das tradições populares de diferentes regiões, destacando sua importância na identidade nacional.

Ajudem respondendo e divulgando essa pesquisa sobre o Projeto da ALCAP “Prêmio Naisa Amorim”, por meio do link abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScA6orB6jEKahH2XW_5gQLXdW2XKBVWhu53_FMl6-VkM-LaBA/viewform

PLANTIO SOLIDÁRIO: Ipê Roxo de Agripino Marques

Por Jessythannya Carvalho Santos

No dia 02 de fevereiro de 2025, foi plantada uma muda de Ipê Roxo em homenagem ao patrono da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP),Agripino Marques, patrono da Cadeira nº 23, ocupada  por Jessythannya Carvalho Santos.

A referida muda foi plantada na entrada da cidade de Peri-Mirim, na Praça  Simpatia,  cujo nome foi dado em homenagem a Domingos Raimundo Gonçalves (in memoriam), vulgo simpatia. Participaram do plantio: a Presidente da ALCAP, Jessythannya, e pelos acadêmicos Diêgo NunesEdna JaraNani, Raimundo Campêlo e pela Gestora do Projeto, Ana Cléres Santos Ferreira.

Lembrando que a ALCAP lançou o projeto intitulado: Plantio Solidário “João de Deus Martins”. A primeira etapa do projeto prevê que cada membro da ALCAP deverá plantar uma árvore duradoura em homenagear ao seu patrono. A árvore escolhida por Jessythannya foi o Ipê Roxo.

O ipê roxo (Handroanthus impetiginosus) é uma das árvores mais representativas da floresta brasileira, para os índios ela é chamada de “Árvore Divina”, pesquisadores acreditam que a árvore tem muito mais a oferecer do que apenas uma madeira forte e resistente é a segunda madeira mais cara só perdendo para o mogno.

Conforme informações veiculadas no site do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), o Ipê Roxo tem as seguintes características:

Nome Científico: Handroanthus avellanedae (Bignoniaceae), Ipê Roxo.

Características: O Ipê Roxo é uma espécie com 20-35 m de altura e tronco com 60-80 cm de diâmetro. As folhas são compostas palmadas, 5-folioladas e os folíolos, quase glabros, possuem de 5-13 cm de comprimento por 3-4 cm de largura. As flores são reunidas em inflorescências terminais, com coloração roxa e, raramente, branca. Os frutos são vagens que contêm sementes aladas, próprias para a dispersão pelo vento.

Locais de Ocorrência: Ocorre naturalmente do Maranhão até o Rio Grande do Sul. É particularmente frequente nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo até o Rio Grande do Sul, na floresta latifoliada semidecídua da bacia do Paraná.

Madeira: Pesada, dura, difícil de serrar, muito resistente, superfície pouco brilhante, rica em cristais verdes de lapachol, de grande durabilidade mesmo sob condições favoráveis ao apodrecimento.

Aspectos Ecológicos: Planta decídua característica de formações abertas da floresta pluvial do alto da encosta atlântica. Floresce durante os meses de agosto e setembro, e a maturação dos frutos ocorre a partir do final de setembro até meados de outubro. Além disso, produz, anualmente, grande quantidade de sementes. Entre agosto e outubro ocorre a queda das folhas, a floração e após alguns dias as folhas voltam a brotar. O IBF recomenda uma adubação (adubo orgânico ou químico) para fortalecer a muda.

Fonte: https://www.ibflorestas.org.br/lista-de-especies-nativas/

AS ACADEMIAS DE LETRAS

Por Francisco Viegas

As Academias de Letras são despertadoras da cultura, das letras e das artes. A tempestade do movimento literário, ora em ação, provocou uma eclosão para a glória dos Municípios e do Estado, primordialmente os da Baixada Maranhense, que entenderam com altivez o movimento.

Escritores, poetas, trovadores, pintores, entre outros, encontraram irrestrito apoio dos que haviam largado na frente. E, assim, abriu-se o caminho para os demais que, expondo suas criatividades, brindaram e continuam brindando a população com as pérolas lapidadas por esses maravilhosos operários das artes e das letras.

Contar história da terra natal e dos habitantes tem sido um resgate envolvente, carismático e de significado orgulho para todos os seguidores e apoiadores deste brioso momento da revolução literária.

O escritor se inspira nos acontecimentos faz a sua narrativa e cria outras tantas, de modo que seja apreciada e torne visível aos demais. Os poetas e trovadores dão significativa beleza aos versos da sua lavra com o intuito de sensibilizar e encantar os seguidores através das suas maravilhas. E os pintores combinam a tinta com emoção e talento para fixar na retina dos apreciadores a beleza expressa na tela.

Os acadêmicos fazem do seu mister um prazer a mais, em descobrir através de pesquisas, tudo que seja interessante aos leitores. Como, aliás, vem acontecendo em todas as academias. Por isso, elas são queridas e respeitadas pelos seus confrades, confreiras e os cidadãos e cidadãs que as conhecem.

E, no palmilhar da vida, não haverá de faltar fôlego para quem quiser compartilhar ou apreciar a didática do cotidiano e o alvorecer das manhãs, que fazem da existência o comprometimento com a beleza da criação Divina.

PLANTIO SOLIDÁRIO: Sumaúma de Naisa Amorim

Por Ana Cléres Santos Ferreira

Hoje, 02 de fevereiro de 2025, foi plantada uma muda de Sumaúma na entrada da cidade de Peri-Mirim, na Praça  Simpatia,  cujo nome foi dado em homenagem a Domingos Raimundo Gonçalves (in memoriam), vulgo simpatia. A muda foi plantada pela gestora do Projeto, Ana Cléres Santos Ferreira, a semente foi coletada de uma árvore localizada no bairro do Outeiro da Cruz em São Luís, que já é tombada pelo município.

Compareceram ao evento, além da gestora do Projeto, a Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Jessythannya, dos acadêmicos Diêgo Nunes, Edna Jara, Nani e Raimundo Campêlo. Lembrando que a ALCAP lançou o projeto intitulado: Plantio Solidário “João de Deus Martins”. A primeira etapa do projeto prevê que cada membro da ALCAP deverá plantar uma árvore duradoura em homenagear ao seu patrono.

Para representar a patrona da Academia e da Cadeira 01 da ALCAP, Naisa Amorim, foi escolhida a Sumaúma ou Samaúma (Ceiba pentranda), árvore conhecida pela sua grandiosidade e beleza. A árvore foi plantada na entrada da cidade, na Praça Simpatia. A senhora Marcelina Amorim é a madrinha da planta, que destinará os cuidados necessários para que ela cresça e floresça naquele lugar especial.

Árvore rainha da Amazônia, gigantesca e sagrada para os maias e povos indígenas. Pode chegar a 50 metros de altura e viver cerca de 120 anos.

É das famílias das Malvaceae, encontrada em florestas pluviais da América Central, da África ocidental, do sudeste asiático e da América do Sul. No Brasil, ela ocorre na região da Amazônia, onde existe também uma ilha denominada Sumaúma, no rio Tapajós. Suas gigantescas raízes, são chamadas de sapopemas (palavra do tupi que significa raiz chata).  Conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu“. Os indígenas consideram “a mãe de todas as árvores“.

Curiosidades sobre a Sumaúma

Seus frutos são cápsulas amareladas de 5 a 7 centímetros de diâmetro, por 8 a 16 cm de comprimento, onde cada uma pode conter de 120 a 175 sementes, envoltas em uma paina (fibra natural semelhante ao algodão), de características leves, brancas e sedosas.

Das sementes também pode se extrair o óleo que, além do uso alimentar, é usado também na produção de sabões, lubrificantes e em iluminação, além de ser eficiente no combate à ferrugem. Rica em proteínas, óleo e carboidratos, a torta das sementes serve de ração para animais e como adubo.

A fibra natural que envolve os seus frutos, é utilizada como alternativa do algodão, usada para encher almofadas, isolamentos e até colchões.

A samaúma também possui propriedades medicinais Da seiva da sumaúma é produzido medicamento para o tratamento da conjuntivite. A casca tem propriedades diuréticas e é ingerido na forma de chá, indicado para o tratamento de hidropisia do abdômen e malária. Certas substâncias químicas extraídas da casca das raízes combatem algumas bactérias e fungos. Em margens de riachos secos, as raízes descobertas da sumaúma fornecem água potável no verão.

Quanto à sua veneração, de acordo com a sabedoria da floresta, na base da sumaúma há um portal, invisível aos olhos humanos que conecta esta realidade com o universo espiritual. Os seres mitológicos das matas entram e saem por esse portal.

PLANTIO SOLIDÁRIO: Sumaúma de José dos Santos

Por Ana Cléres Santos Ferreira

A muda foi plantada no dia 02 de fevereiro de 2022, dia do centenário de nascimento de José dos Santos.  Sabe-se que a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) lançou o projeto intitulado: Plantio Solidário “João de Deus Martins”. A primeira etapa do projeto prevê que cada membro da ALCAP deverá plantar uma árvore duradoura em homenagear ao seu patrono.

Para representar o patrona da Cadeira nº 24 da Academia, José dos Santos, o acadêmico ocupante da referida cadeira, José Sodré Ferreira Neto escolheu a Sumaúma ou Samaúma (Ceiba pentranda), árvore conhecida pela sua grandiosidade e beleza. A árvore foi plantada no Santuário das Anas, no Sítio Boa Vista, localizado no Povoado São Lourenço.

Árvore rainha da Amazônia, gigantesca e sagrada para os maias e povos indígenas. Pode chegar a 50 metros de altura e viver cerca de 120 anos.

É das famílias das Malvaceae, encontrada em florestas pluviais da América Central, da África ocidental, do sudeste asiático e da América do Sul. No Brasil, ela ocorre na região da Amazônia, onde existe também uma ilha denominada Sumaúma, no rio Tapajós. Suas gigantescas raízes, são chamadas de sapopemas (palavra do tupi que significa raiz chata).  Conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu“. Os indígenas consideram “a mãe de todas as árvores“.

Curiosidades sobre a Sumaúma

Seus frutos são cápsulas amareladas de 5 a 7 centímetros de diâmetro, por 8 a 16 cm de comprimento, onde cada uma pode conter de 120 a 175 sementes, envoltas em uma paina (fibra natural semelhante ao algodão), de características leves, brancas e sedosas.

Das sementes também pode se extrair o óleo que, além do uso alimentar, é usado também na produção de sabões, lubrificantes e em iluminação, além de ser eficiente no combate à ferrugem. Rica em proteínas, óleo e carboidratos, a torta das sementes serve de ração para animais e como adubo.

A fibra natural que envolve os seus frutos, é utilizada como alternativa do algodão, usada para encher almofadas, isolamentos e até colchões.

A samaúma também possui propriedades medicinais Da seiva da sumaúma é produzido medicamento para o tratamento da conjuntivite. A casca tem propriedades diuréticas e é ingerido na forma de chá, indicado para o tratamento de hidropisia do abdômen e malária. Certas substâncias químicas extraídas da casca das raízes combatem algumas bactérias e fungos. Em margens de riachos secos, as raízes descobertas da sumaúma fornecem água potável no verão.

Quanto à sua veneração, de acordo com a sabedoria da floresta, na base da sumaúma há um portal, invisível aos olhos humanos que conecta esta realidade com o universo espiritual. Os seres mitológicos das matas entram e saem por esse portal.

A muda de Sumaúma foi plantada em 02 de fevereiro de 2022 pela gestora do Projeto, Ana Cléres Santos Ferreira, a semente foi coletada de uma árvore localizada no bairro do Outeiro da Cruz em São Luís, esta árvore que já é tombada pelo município de São Luís, segundo informações no local.

O SABOR NOSTÁLGICO DA BOLACHA FOGOSA

Por Edna Jara Abreu Santos

A cidade de Peri-Mirim é o berço de grandes artistas, fabricantes, fornecedores de serviços e produtos. Procório José Lopes nasceu em 07/09/1945, no povoado Feijoal. Ilustre padeiro e comerciante perimiriense. Filho de Manoel Lopes e Maria José Martins Lopes, teve 11 irmãos e todos eles, desde crianças, ajudavam no comércio dos pais embrulhando temperos naturais.

Sempre teve visão de empreendedor. Com seus 18 anos estabeleceu seu próprio comércio na zona rural do município e até pequena fábrica de cigarros já teve. Com trinta anos, casou-se e veio morar no centro da cidade, firmou sociedade com o saudoso Deosdete Gamita Campos em um comércio, depois de um tempo, resolveu findar a sociedade e colocar uma padaria para si.

Hoje, há quase cinquenta anos de padaria, fornece diversos produtos alimentícios, como: bolinha de coco, roscas, bolacha fogosa, pães e outros mais. Lembra-se que a comercialização da bolacha fogosa iniciou com Gregório Panta, depois passou para Rui Barros e por último, o ajudante do Rui, Seu Ademar.

Procório, como é conhecido por todos, aprovou a produção da bolacha por Seu Ademar, do povoado Tucunzal, que o auxiliava na produção e apresentou a ele a receita na sua pequena padaria. Hoje, há mais de quatro décadas, a mesma receita é reproduzida por seus três padeiros. Vende cerca de 5.000 unidades de bolacha, sendo 200 pacotes (25unid. Cada) por mês, onde tira ótimos lucros.

A bolacha fogosa é muito procurada, principalmente no período do inverno, pois com a dificuldade das famílias residentes de povoados locomoverem-se por conta das estradas, é uma ótima forma de saciar a fome das crianças e adultos. Procório tem uma prazerosa tarefa de fornecer a sua bolacha fogosa crocante e fofinha, em diversos comércios de povoados da cidade de Peri-Mirim, Pinheiro, Alcântara, Bequimão, Cujupe, Palmeirândia, São Bento e até São Luis.

Em vários lugares do Brasil, a bolacha fogosa recebe nomes diferentes, como: “bolacha fofa”, “bolacha mata-fome”, “bolacha de água” e “bolacha de pobre”. Presume-se que a receita perpassou longas gerações, com uma composição pouco modificada com o tempo, onde entra o açúcar, farinha de trigo, manteiga e amoníaco. Com validade de até dois meses, ela é ótima com um cafezinho para iniciar o dia e/ou finalizar a tarde.

A bolacha fogosa traz um sabor nostálgico de infância, onde os pais não deixavam faltar em casa, lembra o convívio familiar e os tempos difíceis. Ela é símbolo de resistência de um povo maltratado pela fome e hoje continua em nossas mesas como um patrimônio da nossa cidade, celebrando a família e memorando os bons momentos com as pessoas que amamos.

A LIGAÇÃO DOS FIÉIS AO FESTEJO DE SÃO SEBASTIÃO

Por Francisco Viegas

O município de Peri-Mirim desenvolve um trabalho religioso muito importante com a celebração dos festejos de São Sebastião, que tem como ponto culminante o dia 20 de janeiro – dia do padroeiro. A Paróquia, em consonância com a Diocese de Pinheiro monta uma programação que envolve os habitantes do local, do início ao fim da programação, dinamicamente participativa, ou pelo menos apreciativa.

No início do mês de janeiro, o vigário da Paróquia padre Irvisson Ribeiro Serejo, acompanhado dos fiéis, palmilham as ruas da cidade, visitando os moradores e aspergindo água benta nos lares pedindo proteção divina aos moradores. Uma forma inequívoca de que Deus está operando maravilhas e o santo protetor cumprindo a sua vigilância, como fazia em vida, na função de soldado do imperador romano Diocleciano.

Então, preparemo-nos com o espírito participativo, enfileirando-nos na mesma direção organizacional do vigário, para acolhermos, virtuosamente, todos os irmãos em prol da benevolência espiritual que irão direcionar a fé durante todo o ano de 2025.

UM RELATO EM VERSOS SOBRE OS ARTESÃOS DE PERI-MIRIM

Durante o II Festival ALCAP de Cultura, ocorrido no dia 14 de novembro de 2024, vários artesãos expuseram os seus trabalhos, formando um lindo colorido na Praça São Sebastião, local do evento. A poetisa e acadêmica da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), compôs uma bela poesia em homenagem aos artistas, conforme abaixo:

 

Por Maria Nasaré Silva 

Para eu poder escrever

Peço a Deus inspiração,

Pois a história a relatar

É sobre arte e vocação

As artesãs do lugar

Devem-se reverenciar

Fazer arte, sua paixão.

 

Peri-Mirim tem privilégio

com pessoas talentosas

Alguém produz o crochê

Em cores harmoniosas

Para o sucesso obter,

Peças feitas com prazer

Quão lindas e majestosas!

 

Os resíduos se transformam

Em luminárias a brilhar

Se aproximando o Natal

Os amigos a encomendar.

A cerâmica peça vital

Para aumentar o capital,

Da economia do lugar.

 

Muitas iguarias de doces

Passam a ser fabricados

Para o segundo festival

À população, apresentados

O povo se deliciou e tal

Mesmo de forma informal

Os produtos, degustados.

 

E assim vamos em frente

Para falar do artesão

“Cris Artes e Crochet”

Produzindo tudo à mão.

Sua arte não é clichê

Isso eu posso dizer

Faz com carinho e paixão.

 

Kit de banheiro, tapetes

Guardanapos e toalhas

Tudo pronto para seu lar.

Seu arremate é sem falhas,

Isso eu posso afirmar

Você pode encomendar

Porque nada lhe atrapalha.

 

Cada peça é um valor

Pesado com o coração.

Quase não dá para lucrar,

Mas faz tudo com paixão

Clientes estão a aumentar

Com a ALCAP a divulgar

Baixou tudo, é promoção!

 

Cristiane é professora

Essa é a sua profissão.

Ela só pega na agulha

Quando está folga, então

O seu trabalho lhe orgulha

Nos estudos ela mergulha

Inovar lhe dá emoção.

 

Mudemos agora de artista

Trazendo para o momento

Laurejane Amorim, artesã

Seu artesanato é portento

Faz arte até de arumã

Conhecida aqui de guarimã

Nita tem muito talento.

 

Resíduos se tornam arte

Nas suas talentosas mãos

Os licores são manjá

Saborosos, uma benção.

Tudo pode lhe inspirar

Até caco de anajá

A uma porção de grãos.

 

Faz guirlanda, abajur

Cria, recria, aproveita

Aprecia o reciclar.

Suas mãos tudo se ajeita

Você pode contemplar

Querendo, pode comprar

A sua arte é perfeita.

 

Tudo o que faz é com esmero

Do início ao acabamento

Produz mesmo por paixão

Emprega bem o seu tempo

Todos lhe têm admiração.

A chave é o seu coração

Cheio de paz e contentamento.

 

Ainda temos artistas

Frutos deste lugar.

Da família de Nhonhô

Que foi a pedra angular.

Kátia produz por amor

Fazer arte, seu labor

Por certo, ouviram falar.

 

Possui canal no Youtube

Para a juventude ensinar

As suas bonecas de pano

Valem apena apreciar.

Posso afirmar sem engano

Ela é um lindo ser humano

Vocês podem acreditar.

 

As peças que ela produz

Possuem um grande valor

Muito mais sentimental

Pois Kátia faz com amor

faz produto artesanal

De forma profissional

Suas mãos são de pintor.

 

No festival da ALCAP

Vieram nos prestigiar

Uma dupla de ceramistas

Para sua arte apresentar

Elas são bem detalhistas

Do barro, são as artistas

fazem do jarro ao alguidar.

 

É cada peça tão linda

Que atrai o nosso olhar.

São fabricadas à mão

Todos ficam a admirar

Bilha, pote, prato então,

Causam boa impressão

Itamatatiua é o lugar.

 

Carliane e Kare Rose

São oleiras do lugar

São de longe, bem longe

Mas conseguiram chegar

Lá o sol cedo se esconde

Bem lindo atrás do monte

Pode vir, se aconchegar.

 

Poderia passar mais tempo

Para a arte poetizar

Porém, faltaria leitor

Por o cordel se alongar

Mas fiz tudo com amor

Quero agradecer ao Senhor

Por estes versos rimar.