Um Dia de Aventura e Encantamento em Peri-Mirim promovido pela ALCAP e Turismo Campestre

Por Diêgo Nunes Boaes

A Turismo Campestre, em parceria com o Projeto ALCAP Itinerante, promoveu, no dia 21 de junho de 2026, um passeio que ficará marcado em nossa memória como um dia de aventura, descobertas e encantamento. Enquanto a agência organizou a expedição, o Projeto ALCAP Itinerante mobilizou membros da Academia e integrantes da comunidade para participarem da experiência, que teve como propósito incentivar o conhecimento e a valorização das riquezas naturais de Peri-Mirim. Foram quase três horas de percurso, entre ida e volta, em uma jornada que nos permitiu contemplar as belezas ambientais e culturais de nossa terra.

Nossa jornada começou no Sítio Campestre, propriedade do confrade Mundinho Campelo, um lugar admirável, repleto de belezas naturais e muito bem conservado. Com entusiasmo, o confrade fez questão de nos apresentar cada detalhe de seu sítio, mostrando seus investimentos em plantações, sistemas de irrigação e iniciativas que demonstram amor e dedicação ao campo.

Em seguida, partimos até o Sítio Boa Vista para buscar nossa companheira de aventura, Ana Cléres, cuja presença era indispensável. Aproveitamos a breve parada para degustar uma saborosa piaba, enquanto os apreciadores de um bom licor de jenipapo, não perderam a oportunidade de saborear a tradicional bebida feita pela amiga Nita.

De lá, partimos rumo ao porto do Aperital. Em três canoas, acomodando quatro pessoas em cada uma, incluindo os canoeiros, iniciamos nossa travessia. O percurso foi um verdadeiro espetáculo da natureza. Navegamos com as águas tranquilas refletindo a beleza do ambiente ao redor. Durante horas, registramos cada detalhe dessa paisagem encantadora.

Ao longo do caminho, observamos diversas espécies de aves, enriquecendo ainda mais a experiência. Nosso destino era a Barragem Maria Rita, local que nos surpreendeu pela sua preservação. O que mais chamou nossa atenção foi a ausência de lixo sobre o campo e a impressionante limpeza das águas, cristalinas e transparentes, que escorriam pelo local.

O retorno, ao entardecer, fomos presenteados por um magnífico pôr do sol. Ainda durante a viagem de volta, já começávamos a planejar a próxima aventura: uma expedição até a Salina, com saída prevista para a madrugada.

De volta ao Sítio Campestre, encerramos o dia com uma deliciosa piaba frita com farinha de Santana e aproveitamos para adquirir alguns dos produtos oferecidos no local, como pimentas, quiabos e doces artesanais.

Mais do que um simples passeio, esta experiência nos trouxe uma importante reflexão. Precisamos despertar em nossa comunidade perimiriense o sentimento de pertencimento e valorização de nosso território. Vivemos em uma terra rica em história, cultura e meio ambiente, tesouros que muitas vezes passam despercebidos aos nossos próprios olhos.

Que possamos conhecer mais, preservar mais e amar ainda mais o lugar que chamamos de lar. Afinal, valorizar nossas riquezas é também fortalecer nossa identidade e garantir que as futuras gerações possam desfrutar de tudo aquilo que hoje nos encanta.

A experiência também evidenciou a importância de iniciativas voltadas à valorização do turismo local. O trabalho desenvolvido por Cidecley, à frente da Campestre Turismo, demonstra que conhecer o próprio território é um passo fundamental para preservá-lo. Ao promover vivências em espaços de grande beleza natural, contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o olhar dos perimirienses sobre as riquezas de seu município.

O colorido e a força do Tambor de Crioula encantaram os moradores no Povoado Santana

Por Ana Cléres Santos Ferreira

O Povoado de Santana viveu um sábado inesquecível de celebração à identidade maranhense. Neste dia 20 de junho, a comunidade recebeu o aguardado retorno do projeto ALCAP em Movimento, uma iniciativa da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Mais do que um evento institucional, a 2ª edição do projeto transformou-se em um manifesto de resistência e valorização da cultura ancestral da Baixada Maranhense.

O grande destaque do encontro foi a presença marcante do Grupo de Tambor de Crioula do Povoado Mangueiral. O grupo atendeu ao meu convite especial aos meus vizinhos do Povoado Mangueiral. A união entre a literatura e a tradição do tambor reforçou o papel da cultura como ferramenta de união e fortalecimento comunitário em Peri-Mirim.

O Poder do Tambor em Peri-Mirim

Em uma região onde a ancestralidade pulsa forte, o Tambor de Crioula não é apenas entretenimento; é um elo com a história, uma dança de devoção e a expressão máxima da alma do povo perimiriense. No Povoado Santana, o som dos couros ecoou como um lembrete da importância de preservar essas raízes para as próximas gerações.

O encerramento do evento foi um verdadeiro espetáculo de ritmo e cores. No comando dos tambores e da animação, os artistas: Rincon, Banquinho, Luís de João Chico, Fernando, Miúdo e Rui ditaram o compasso que contagiou o público.

O terreiro ganhou vida com o colorido das saias rodadas e a força do pungado. As brincantes: Alcilene, Juliene, Lulu e Maria comandaram a dança com a graciosidade e a energia características da manifestação. A sinergia foi tanta que o público não resistiu: eu e minhas confreiras da ALCAP também caímos na dança, com destaque para o ritmo e alegria de Nasaré, Ana Cléres e Nita, que celebraram a cultura da forma mais autêntica possível – dançando junto com o povo.

Literatura e Tradição de mãos dadas

O sucesso desta edição do ALCAP em Movimento no Povoado Santana deixa um recado claro: a literatura, a ciência e as artes de Peri-Mirim só caminham e se desenvolvem se estiverem de mãos dadas com as tradições populares. Eventos como este mostram que o Tambor de Crioula e a união comunitária são o verdadeiro combustível que mantém viva a identidade cultural do município.

À frente desse trabalho de resgate e valorização cultural está a presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), Jessythannya Carvalho Santos. Sob sua liderança visionária e sensível, a instituição tem rompido as barreiras dos espaços formais para se consolidar como uma verdadeira guardiã da identidade local. Ao abraçar manifestações tradicionais como o Tambor de Crioula e integrá-las às ações da ALCAP, a gestão da presidente não apenas descentraliza o acesso à cultura, mas também valida a importância de cada comunidade rural na construção do patrimônio histórico de Peri-Mirim, demonstrando que a verdadeira erudição nasce do respeito e da celebração das raízes populares.

O retorno da ALCAP ao Povoado de Santana volta a movimentar a economia criativa com feira de produtos locais

Povoado Santana recebeu, no dia de hoje (20 de junho), o aguardado retorno do projeto ALCAP em Movimento. A iniciativa promovida pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), convocou os empreendedores locais para expor seus produtos à venda, com o tema “Sabores e talentos de Santana”, a fim de impulsionar a economia criativa com feira de produtos locais, a fim de ocupar o espaço público para celebrar a identidade cultural, a gastronomia e o empreendedorismo da comunidade.

Após o sucesso da edição anterior, o projeto retorna com o objetivo renovado de fortalecer a economia criativa local. A feira serve como uma vitrine viva para os produtores, artesãos e microempreendedores do povoado, permitindo que moradores e visitantes tenham acesso direto ao que Santana produz de melhor: desde a culinária tradicional e doces típicos até o artesanato feito à mão.

Mais do que um espaço de comercialização, o “ALCAP em Movimento” se consolida neste sábado como um ponto de encontro cultural. Além de impulsionar a geração de renda imediata para as famílias locais, o evento promove o resgate das tradições e valoriza o potencial criativo da comunidade, mostrando que a cultura e o desenvolvimento econômico caminham lado a lado.

A programação de hoje reforça o compromisso da ALCAP em descentralizar as ações culturais e apoiar diretamente as comunidades periféricas e rurais, transformando o Povoado Santana no epicentro da valorização da cultura e dos talentos locais neste fim de semana.

Elogio à patronesse Maria Isabel Martins Nunes

Por Eni do Rosario Pereira Amorim

Excelentíssima Senhora Presidente da ALCAP Jessythannya Carvalho Santos, ilustres acadêmicos, (autoridades aqui presentes), comunidade, caros amigos e familiares.

É com profunda admiração e respeito que nos reunimos hoje para render homenagens a uma figura cuja trajetória se confunde com os próprios valores que buscamos honrar, nossa estimada patronesse Maria Isabel Martins Nunes representada pela cadeira número 14 desta Casa de “Naisa Amorim”.

Escolher um patrono ou uma patronesse não é apenas um ato de reconhecimento mas a busca por um farol e em Maria Isabel encontramos a síntese da dedicação e da integridade, ela era uma mulher destemida e ética, sua palavra era lei.

Sua história é marcada pelo serviço ao próximo, pela generosidade e solidariedade na comunidade de Santana e arredores.

Uma marca forte em Maria Isabel era a partilha. Tudo o que tinha partilhava com o próximo, talvez por isso nunca faltava nada em sua casa, principalmente gêneros alimentícios. Maria Isabel Martins Nunes é símbolo de inspiração para todos nós que seguimos os seus passos.

Maria Isabel Martins Nunes não ofereceu apenas seu nome a esta cadeira da academia mas emprestou-nos a sua essência. Seu exemplo nos ensina que o verdadeiro sucesso não reside apenas nos títulos alcançados mas na marca positiva que deixamos na vida daqueles que cruzam o nosso caminho.

Dessa forma expressamos nossa eterna gratidão, que possamos honrar seu legado com a mesma ética, paixão e compromisso que ela demonstrou ao longo de sua vida a todos que necessitavam de uma oração, de um benzimento de um remédio de uma acolhida.

Ela foi uma líder importante para implantação da comunidade de Santana e para o surgimento dos festejos de Santa Ana um dos melhores festejos do Município. Muito religiosa, podemos dizer que ela tinha uma fé inabalável.

Boas lembranças guardadas na memória de Maria Isabel:
Sua fidelidade nas orações, ao raiar do dia, meio-dia e à noite.

O cafezal que havia no sitio de onde se colhiam e faziam o melhor café artesanal com erva doce;

Os bolos que eram feitos no fogão de barro com os vizinhos e as brincadeiras das crianças enquanto aguardávamos o bolo assar, eram bolos modelados de coelhinhos, macaquinhos e outros bichinhos;

O chocolate de castanha e os filhoses de tapioca fritos no azeite de coco;

Ela brigando com os macacos que derrubavam as mangas, os sapotis e comiam todas as ingás do seu terreiro;

Ao amanhecer ela se aquecendo na beirada do fogão de lenha enquanto fumava seu cachimbo, com o olhar imerso em suas lembranças;

O seu baú de estimação onde guardava tudo que lhe era “especial” algo assim como a canastrinha da Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo e a cada visita que recebia sempre tinha algo a oferecer, algum mínimo tirava de seu precioso baú: frutas, ovos, bombons, chocolates, biscoitos farinha, bolos e etc…

Enfim foram tantas lembranças que resolvi contá-las no livro Retalhos de uma história.

À nossa patronesse Maria Isabel Martins Nunes, os nossos mais sinceros e calorosos aplausos.

Muito obrigada!

ALCAP em Movimento volta à Comunidade de Santana

No próximo dia 20 de junho de 2026 (sábado), das 8h às 11h, a ALCAP em Movimento retornará à Comunidade Santana. Em seguida, às 11 acontecerá nossa reunião de planejamento da Jornada Acadêmica e Cultural da ALCAP, que incluirá a posse dos novos membros.

Solicitamos que cada confrade confirme sua presença no grupo e informe qual fruta poderá levar para o nosso lanche comunitário, contribuindo para esse momento de integração.

A participação de todos é fundamental, especialmente dos novos membros, pois a organização e o sucesso de nossas atividades dependem do envolvimento coletivo. As reuniões institucionais também integram os compromissos assumidos pelos acadêmicos com a Academia.

Na ocasião, trataremos ainda de informações importantes sobre a posse, como padrinhos, pelerine e demais orientações da cerimônia.

Contamos com a presença e colaboração de todos.

Jessythannya Santos
Presidente da ALCAP.

ALCAP Itinerante: Uma jornada de conexão e aventura pela Rota do Rio Itapetininga em Bequimão

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) se prepara para colocar o pé na estrada – e na água – em mais uma edição do projeto ALCAP Itinerante. No próximo dia 23 de maio, acadêmicos, parceiros e a comunidade se reunirão para vivenciar uma experiência inesquecível de valorização histórica, cultural e ambiental da nossa região.

Desta vez, o cenário escolhido para essa imersão é a encantadora Rota do Rio Itapetininga, um percurso que promete revelar paisagens deslumbrantes e fortalecer os laços entre o homem e a natureza.

O Roteiro da Aventura: ALCAP Itinerante – Rota do Rio Itapetininga

A programação foi cuidadosamente planejada para integrar os municípios de Peri-Mirim e Bequimão e destacar as potencialidades locais. Confira o cronograma do dia:

  • 07h00 – Largada em Peri-Mirim: O ponto de partida oficial da comitiva perimiriense.
  • Embarque no Cais de Bequimão: Onde os participantes sobem a bordo para dar início à aventura sobre as águas.
  • Parada na Ilha de Imbotiua: Visita a este verdadeiro paraíso natural, um lugar intocado, cheio de histórias e belezas únicas.
  • Almoço em Paricatiua: Uma pausa para desfrutar da culinária local, temperada com o sabor e a hospitalidade que são marcas registradas da nossa gente.

Mais que um passeio: Um resgate cultural

Muito além de um momento de lazer, o ALCAP Itinerante se consolida como um importante instrumento de conexão regional. O projeto busca estreitar os laços entre as comunidades, promovendo a conscientização sobre a preservação dos nossos recursos naturais e celebrando a rica identidade cultural da Baixada Maranhense.

“Será um dia de encanto, aventura e convivência, onde a simplicidade das águas e a força das comunidades nos lembrarão que caminhar juntos é sempre mais significativo.”

A diretoria da ALCAP convida a todos para acompanhar de perto essa expedição, que reforça o lema da instituição para este projeto: “Conectando pessoas, natureza e comunidade.”

Fique ligado no Portal O Resgate para conferir, em breve, as fotos, vídeos e os principais registros dessa grande jornada!

ALCAP divulga eleitos para a Comenda Padre Gerard e novos Membros Honorários

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) torna público o resultado da escolha dos agraciados com a Comenda Pe Gérard Gagnon, bem como dos novos Membros Honorários da instituição. A Assembleia Geral Ordinária destinada à escolha dos candidatos às titulações ocorreu no dia 3 de maio de 2026, às 16 horas, na residência do confrade Carlos Pique.

A Comenda Padre Gérard constitui uma das mais relevantes distinções concedidas pela Academia, destinada a reconhecer personalidades que tenham prestado serviços de significativa relevância à cultura, à educação e ao desenvolvimento social de Peri-Mirim e região. A homenagem resgata e perpetua o legado de dedicação e compromisso com a comunidade que marcou a trajetória do Padre Gerard. Foram agraciados com a Comenda “Pe Gérard Gagnon”: João Batista Lima e Terezinha Nunes Pereira.

Na mesma ocasião, foram eleitos os novos Membros Honorários, uma distinção que possui natureza eminentemente honorífica, conferida como forma de valorizar trajetórias de mérito e aproximar a instituição de personalidades de reconhecida contribuição social, cultural ou científica. Foram eleitos como Membros Honorários da ALCAP:
Benedito de Jesus Costa Serrão
Laurijane Pereira Amorim
Lenir Costa
Maria de Lourdes Campos
Mirian Costa Pereira
Valdevino Jesus Barros
Walton França Martins
Willian Campos Rio Branco
Zaine Campos Ferreira

A ALCAP parabeniza os homenageados, reconhecendo em suas trajetórias relevantes contribuições à preservação da memória, à educação e ao fortalecimento da cultura.

A solenidade de outorga será realizada em data a ser oportunamente divulgada, ocasião em que os homenageados receberão oficialmente suas distinções.

História e Afeto: ALCAP visita Walton Barreira na estreia do projeto “Ô de Casa”

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) sentiu a necessidade de divulgar os projetos da instituição nas comunidades, para tanto, criou um projeto intitulado ALCAP em Movimento. A proposta integra diferentes ações da Academia, reunindo os projetos ativos da instituição, entre eles o Clube de Leitura Prof. João Garcia Furtado, Plantio Solidário João de Deus Martins, ALCAP Itinerante, Biblioteca ALCAP Prof. Taninho, Prêmio ALCAP Naisa Amorim e o Festival ALCAP de Cultura.

Como parte integrante do Projeto ALCAP em Movimento, criou-se um item denominado Ô de Casa!,  cujo nome denota um costume popular no município em que o visitante fala de maneira enfática: Ô de Casa, para chamar a atenção do visitado, é uma saudação para chamar a atenção dos moradores da casa visitada. Nesse contexto, a ALCAP visitará alguns lares para divulgar os projetos da Academia e, principalmente, valorizar memória oral de nosso povo.

Ao cruzar o umbral das residências perimirinenses, a ALCAP não apenas documenta fatos, mas resgata a afetividade contida em cada relato. É uma oportunidade única de transformar lembranças pessoais em patrimônio coletivo, garantindo que as futuras gerações conheçam o município por meio da voz de quem ajudou a construí-lo.

Para inaugurar esta jornada não poderia ser mais emblemática, a escolha da residência do Sr. Walton França Martins, conhecido como Walton Barreira. Personagem central do arcabouço social e histórico de Peri-Mirim, Walton abrirá as portas do seu lar para compartilhar fragmentos de uma época de ouro. O cerimonial, embora breve, serve como um tributo em vida à sua trajetória, preparando o terreno para que a oralidade assuma o papel principal na manhã de hoje.

O evento promete ser, informativo e engraçado, pois, o riso das passagens pitorescas e a seriedade dos fatos históricos, a expectativa é de um encontro que transcenda a formalidade acadêmica. O “Ô de Casa” promete ser um intercâmbio entre gerações, em que a sabedoria acumulada encontre um novo canal de escoamento, provando que a Academia é, acima de tudo, um organismo vivo e em constante movimento junto ao seu povo.

Um Legado que Retorna às Suas Raízes – e Floresce

Na manhã ensolarada do dia 28 de março de 2026, o Povoado Santana foi palco de um momento histórico e profundamente emocionante promovido pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Durante a edição do projeto “ALCAP em Movimento”, a instituição quebrou paradigmas e levou a literatura para onde ela verdadeiramente floresce: o seio da comunidade.

Em uma ação inédita, que rompe com o costume secular das academias literárias de realizar o Elogio de Patrono restrito às paredes de um auditório fechado, a acadêmica Maria Nasaré Silva declamou o tributo a José Mariano da Silva, Patrono da Cadeira nº 15, ao ar livre. A homenagem aconteceu exatamente no chão onde o homenageado viveu, plantou suas raízes e serviu à sua gente com zelo e dedicação. A seguir, convidamos o leitor a mergulhar nas palavras deste sensível Memorial Poético, que eterniza a trajetória de um homem de fé, trabalho e amor ao próximo.

José Mariano da Silva

Patrono da Cadeira nº 15 da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense – ALCAP

Por Maria Nasaré Silva

Epígrafe

Algumas vidas passam como o vento.
Outras permanecem como raízes.

Há homens que apenas vivem.
E há aqueles que deixam caminhos.

José Mariano da Silva
foi um homem que deixou caminhos.

Memorial Poético

Em um tempo em que as manhãs
nasciam sobre os campos de Peri-Mirim
com o cheiro da terra molhada
e o canto distante dos pássaros,

nasceu um menino, caçula, por sinal,
no povoado São Raimundo.

Era 9 de julho de 1929.

Filho de Claudino Hermógenes da Silva
e Rosa Soares Silva,
cresceu entre a simplicidade da roça,
os ensinamentos da família
e a fé silenciosa
que sustentava a vida das comunidades.

Ali, naquele pedaço de chão
onde o horizonte parece maior
e os caminhos são feitos de poeira e esperança,
começou a história de um homem
que aprenderia cedo
o valor do trabalho
e o sentido da solidariedade.

José Mariano da Silva
cresceu como crescem as árvores fortes:
com raízes profundas.

Aprendeu que viver
é cuidar da terra,
respeitar os mais velhos,
estender a mão a quem precisa
e confiar em Deus.

O tempo passou.

E o menino tornou-se homem.

Em 1953, uniu sua vida
à de Maria Amélia Nunes,
companheira de jornada,
de desafios
e de sonhos.

Juntos construíram um lar
onde o amor era abrigo
e a fé era fundamento.

Desse amor nasceram filhos,
vozes que prolongaram sua história,
rostos que carregaram sua esperança,
vidas que cresceram sob seu exemplo.

Cada filho era uma promessa
de continuidade,
uma semente plantada
no jardim da família.

Mas José Silva –
como era carinhosamente chamado –
não pertenceu apenas ao seu lar.

Pertenceu também à sua gente.

Foi lavrador,
homem que conhecia a linguagem da terra.

Sabia o tempo de plantar
e o tempo de esperar.

Sabia que a colheita
é sempre fruto da paciência.

Foi catequista,
semeador da palavra
nos corações das crianças
e na fé dos adultos.

Foi membro da Legião de Maria,
ministro da Eucaristia,
líder comunitário.

Onde havia uma necessidade,
ali estava ele.

Onde havia uma comunidade buscando orientação,
ali estavam suas palavras.

Seu nome tornou-se presença constante
nos caminhos da fé
e da vida comunitária.

Em 1970 partiu para Guimarães
em busca de formação teológica.

Foram meses de distância,
meses de saudade,
meses de aprendizado.

Visitou sua família apenas duas vezes.

Mas a esperança sustentava sua caminhada.

Enquanto isso,
Maria Amélia permanecia firme.

Cuidava dos filhos,
da casa
e da vida cotidiana.

Com coragem silenciosa,
mantinha acesa
a chama do lar.

E assim, juntos –
mesmo separados pela distância –
continuavam construindo
a mesma história.

José Silva voltou.

Voltou mais preparado,
mais consciente de sua missão,
mais comprometido com sua comunidade.

Porque aprender, para ele,
era uma forma de servir melhor.

E o tempo não diminuiu
seu desejo de aprender.

Quando muitos já pensam em descansar,
ele decidiu estudar novamente.

Já próximo dos sessenta anos,
caminhava à noite
da comunidade de Santana
até a sede de Peri-Mirim
para cursar o Magistério
no Colégio Cenecista Agripino Marques.

Ao seu lado caminhavam
Maria Amélia,
amigos como o Sr. Pitota
e Dona Vitória.

Passos firmes
atravessando a noite.

Passos guiados pela vontade
de continuar crescendo.

Porque quem acredita no conhecimento
nunca envelhece por dentro.

Mas a vida também conhece
os dias de silêncio.

Quando Maria Amélia partiu,
um vazio profundo
visitou sua casa.

Era a ausência
de quem havia caminhado ao seu lado
por tantos anos.

Mas a fé que sempre o sustentou
não o deixou cair.

Continuou sua missão.

Celebrava cultos dominicais,
orientava comunidades,
levava palavras de esperança
a quem precisava.

Porque sua vida
sempre foi serviço.

Mais tarde, o destino lhe ofereceu
uma nova oportunidade de família.

E dessa união nasceram três filhos.

Ainda muito jovens,
conheceriam a saudade.

Porque o tempo,
que escreve todas as histórias,
também sabe quando encerrá-las.

No dia 26 de janeiro de 2007,
José Mariano da Silva partiu.

Partiu sem alarde,
como partem os homens simples.

Partiu deixando atrás de si
uma vida inteira de exemplos.

Mas homens assim
não desaparecem.

Eles permanecem

na fé das famílias,
na esperança das comunidades
e na lembrança agradecida de todos
que aprenderam com seu exemplo.

Epílogo Memorial

Há vidas que passam pelo mundo
como um sopro leve.

E há vidas que permanecem
como raízes profundas na memória de um povo.

José Mariano da Silva
foi uma dessas presenças.

Homem de fé,
de trabalho silencioso
e de dedicação ao próximo.

Seu caminho foi feito
de gestos simples
que, juntos,
construíram uma grande história.

Hoje, o tempo segue adiante.

Novas gerações caminham
pelas mesmas estradas de Peri-Mirim.

Mas algumas presenças
continuam caminhando conosco.

Assim permanece José Mariano da Silva:

na memória das famílias,
na história de sua comunidade,
e na gratidão daqueles
que reconhecem
a grandeza de uma vida dedicada ao bem.

Porque a verdadeira grandeza
não termina com a vida.

Ela se transforma em legado🌿

O Elogio ao Patrono declamado pela acadêmica Maria Nasaré Silva, sob o céu aberto do Povoado Santana, transcende a mera formalidade institucional; é um ato de devolução e pertencimento. Ao tirar a cerimônia dos salões tradicionais e levá-la para o coração da comunidade, o projeto “ALCAP em Movimento” reverenciou de forma autêntica a memória de José Mariano da Silva, aproximando a Academia do povo que inspira e sustenta as suas letras.

E a própria natureza pareceu abençoar o ineditismo dessa ação. Na Baixada Maranhense, a chuva é celebrada como sinônimo de vida, a força generosa que enche os campos e traz abundância e prosperidade. Como se o Universo concedesse uma trégua luminosa, a manhã se manteve ensolarada durante toda a solenidade, permitindo que a homenagem acontecesse em sua plenitude. Logo após o encerramento, no entanto, os céus se abriram e choveu aos cântaros.

Essa água abençoada chegou como um prêmio e um verdadeiro batismo, regando a muda de pau-brasil plantada naquele mesmo solo em honra ao patrono. Homens de raízes profundas, como o eterno “José Silva”, merecem ser celebrados no palco de suas próprias vidas. E assim como a árvore recém-plantada crescerá alimentada pelas águas da Baixada, a memória de José Mariano continuará viva e forte, mostrando que a verdadeira grandeza não termina com a vida; ela se transforma em semente, raiz e legado.🌿

Projeto Plantio Solidário da ALCAP homenageia patrono com muda de Pau-Brasil e emociona o Povoado Santana

O Projeto Plantio Solidário João de Deus Martins, promovido pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), vivenciou um de seus momentos mais marcantes neste sábado, dia 28 de março de 2026, no Povoado Santana.

Como é tradição da Academia, cada projeto carrega o nome de um patrono. Neste caso, o projeto ambiental homenageia João de Deus Martins, figura histórica de Peri-Mirim que deixou como grande legado o cuidado com a natureza – tendo mantido em suas terras uma imensa área de preservação nativa conhecida como “Mata” – e o profundo incentivo à educação na região.

Durante a ação em Santana, a comunidade foi palco de uma bela reverência a outro grande nome: o patrono homenageado foi  José Mariano da Silva que teve sua memória eternizada com o plantio de uma muda de Pau-Brasil.

A cerimônia foi conduzida com muita emoção pelas gestoras do projeto, Ana Cléres e Nani. Em seu discurso, Ana Cléres destacou a importância de cultivar a consciência ambiental, uma tarefa árdua, mas essencial para o nosso futuro. A escolha de homenagear José Mariano da Silva com uma árvore duradoura reflete seu perfil de líder comunitário íntegro e acolhedor, traços que compartilhava com outro grande líder local, José Santos, pai de uma das gestoras. No passado, ambos organizavam juntos a tradicional “Festa da Fraternidade”, um momento ímpar de partilha e união.

O ponto alto da homenagem foi a revelação da comovente origem da muda de Pau-Brasil escolhida para o plantio. A espécie tornou-se um símbolo familiar após o falecimento de Carlos Magno (carinhosamente chamado de Mazinho), irmão de Ana Cléres, em setembro de 2011. Foi durante uma visita ao cemitério, em um momento de saudade, que a família se deparou com um belo pé de Pau-Brasil florido de amarelo, a cor preferida do irmão. As sementes recolhidas naquele dia foram plantadas no Sítio Boa Vista e, desde então, multiplicaram-se, tornando a árvore um patrimônio afetivo que agora é compartilhado com todo o município.

Para selar esse momento de resgate e memória, os presentes acompanharam as gestoras entoando o hino “O Cordeirinho”, canção favorita de Mazinho, trazendo ainda mais emoção e significado espiritual ao plantio.

O ápice da homenagem se deu no momento em que a muda tocou o solo, ganhando um significado ainda mais profundo com a participação ativa e emocionada dos filhos de José Mariano da Silva. Com as próprias mãos na terra, foram eles os responsáveis por plantar o Pau-Brasil dedicado ao pai, ladeados pelos membros da ALCAP, demais familiares e amigos da família Silva.

Esse gesto concreto de amor, continuidade e reverência às raízes em Santana reforça o compromisso de expansão da iniciativa. Como lembrou a gestora Nani, o Projeto Plantio Solidário João de Deus Martins já tem deixado suas raízes em outras comunidades, a exemplo de Poço D´Antas e Povoado São Jerônimo. O desejo da ALCAP é que cada árvore plantada, por menor que seja sua semente inicial, cresça robusta e floresça em sabedoria para as futuras gerações de perimirienses.