A HISTÓRIA DA MINHA CIDADE

Vamos juntos dar início
com muita animação
falar de uma cidade
que é pedaço do Maranhão

é a nossa Peri-Mirim
Terra de São Sebastião
que amamos a cada dia
com muita satisfação

cem anos de muita história
Tu tens a contar
foi povoado de São Bento
chamada Macapá

a história da minha cidade
é bonita de se ver
herança de várias culturas
povos que vieram aqui viver.

Tem a história dos três irmãos
que aqui se fixaram
Marcelino, Maximiniana e Martiliano
onde estas terras desbravaram

de Alcântara e São Bento
vieram alguns moradores
que aqui se encantaram
com os campos e as flores

produtora do arroz,
da mandioca e também do babaçu
tem a famosa piaba, farinha
tiquara e angu

aqui existe o famoso festejo
que atrai gente de todo lugar
a festa do padroeiro
aonde todos vem comemorar

tem as danças folclóricas
Bumba-meu-boi e cacuriá
tem balaio, dança do coco,
e a quadrilha para animar

festejo do divino,
tambor de crioula e mina
forró de caixa, corrida de cavalo
tudo isso me fascina.

Terra de muito encanto
que nos traz recordação
a sua bandeira tão linda
criada por alguém de coração
chamava-se Paulo Oliveira
homem de determinação
que a enriqueceu com as cores do Brasil
e do nosso querido Maranhão

O Hino de Peri-Mirim
criado por João de Deus Paz Botão
retrata a nossa cidade
que é aclamada por emoção
fala dos campos, paisagens, características de uma nação
conta à história de um povo
que vive em paz e união

Em 1919 foi elevado município
mas continuou com o nome Macapá
pra isso teve que ser mudado de nome
e algo da terra homenagear
como tinha muito junco
então Peri-Mirim resolveram colocar

Tem vários encantos
verdadeiras belezas naturais
campos inundáveis
e florestas de babaçuais
pena que alguns rios
já não existem mais

Quero aqui mencionar
o talento das redeiras
que muitos sustentos trouxeram
e não levaram em brincadeira
o serviço era pesado
mas, mesmo assim não dava canseira

tem coisa boa e ruim
muitas histórias pra contar
mas o que é mais importante
é que amo esse lugar.

Lua Boa Vista

Lua

Autora Eni Amorim

O sol se despede no horizonte,
bocejando sonolento;
O vento assobia no quintal,
assanhando as palmas das juçareiras;
A lua apareceu lá no céu,
grávida de luz;
Sua luminosidade,
aos poucos vai pintando,
a noite cor de prata;
O caburé cantou seu canto solitário,
na mangueira do quintal;
Mamãe diz que é prenúncio do verão;
Marrecos passam,
com seu grasnado estridente,
rumo aos campos inundáveis;
Um casal de corujas suindara (rasga mortalha),
passam piando seu pio agourento,
para a torre da igreja;
Morcegos catam amêndoas,
na amendoeira e saem,
a semear pelos quintais;
E a lua,
lá do alto do seu esplendor,
desfila entre as nuvens,
conversa com as estrelas,
que brilham ainda mais,
diante de tanta formosura;
Os galos cantam mais cedo;
perdidos com a claridade da noite;
Na madrugada,
a Estrela da Alva,
aparece no céu,
dançando com a noite
e suas silhuetas;
Que aos poucos vão se escondendo,
enquanto o novo dia vai raiando…

Imagem de destaque: Eclipse solar na Boa Vista, Peri-Mirim/MA. Fotografia Ana Creusa. 

Quebradeira de coco

Autor Diêgo Nunes Boaes

Quebradeira de coco solteira, que cedo levanta, passa o café no velho bule, no fogareiro de barro, utilizando o carvão feito da casca do coco babaçu. Pega um pano, faz dele uma rodilha, uma proteção para a cabeça, pega sua “manchada”, sua “mancepa” e uma lata de meio quilo, este último era para medir a quantia de amêndoa de coco, colocava-os dentro do cofo e depois sobre sua cabeça, enrolava o vestido para ficar mais curto e colocava a mão na cintura para servir de contra-peso.

Segue para o mato para juntar coco. Junta um, dois, um aqui outro acolá, enche o cofo até transbordar, procura um local e os despeja, ficando um sobre o outro formando uma ruma. Ao terminar de juntar o coco, ela pega um tronco forte cortado ou raiz de mangueira ou de cajueiro, prega a “manchada” sobre o tronco com auxílio da “mancepa”, espécie de martelo de madeira, e assenta sobre o chão.

Começa a quebrar, em suas “mancepadas”, inicia uma de suas cantorias para ver o tempo passar ligeiro. Como passa-tempo aquelas cantigas de caixa eram as que se sobressaiam e lhe davam companhia naquele dia. Colocava as amêndoas dentro do cofo e as cascas do lado, estas iriam mais tarde para a caeira, um buraco feito para queimar as cascas transformando-as em carvão, que mais tarde também serviria, tanto para usar no preparo da alimentação, quanto para vender.

A quebradeira já de costas doídas daquele dia inteiro de batalho, chega em casa com seu cofo de amêndoas. Uma parte para venda, outra para alimentação das criações e  para a fabricação do azeite. Ela separa as da venda, soca no pilão as amêndoas que irá utilizar em casa, uma parte do bagaço serve de alimento para as galinhas caipiras, a outra vai para o caldeirão, que logo transformará em azeite.

O leite de coco serve para engrossar o caldo do peixe consertado em “tic tic” e também para ajudar na fabricação dos deliciosos bolos de tapioca. Das cascas ela retira o fubá para fazer mingau para as crianças menores da casa. E coloca na caeira o restante, ascende a caeira, cobre com as pindobas, palhas verdes de babaçu, e bastante terra, para abafar. E aguarda que o fogo faz sua parte.

No fim do dia ela retorna para tirar o carvão. Leva para casa os cofos fardos, e a casa enche de alegria. Prepara o mingau para os menores dormirem. E na ceia da noite prepara a mesa com aquele peixinho gostoso da água doce, e de sobremesa aquele café cheiroso, torrado com erva-doce, com o delicioso bolo de tapioca, digno de uma mulher guerreira. E assim é a história que se inicia dia após dia.

José e seus cofinhos

Autora Ana Creusa

José dos Santos era um contador de histórias, hábito que herdou de sua mãe Ricardina. Algumas histórias eram fruto da literatura infantil, outras oriundas de vivências de sua infância. A primeira história que lhes conto agora “aconteceu de verdade”, como se diz no linguajar popular. A história relata a experiência – que tinha tudo para ser traumática -, que José viveu para aprender a arte de tecer cofos.

Sua mãe era carinhosa, mas muito exigente no quesito transmissão de valores, como boas maneiras, estudo e trabalho, principalmente a preocupação que tinha para que seus filhos aprendessem um ofício.

A história relata o aprendizado do menino José na tarefa de tecer cofos, que é uma espécie de cesto para carregar e guardar vários mantimentos, são feitos da folha da palmeira de babaçu, típica da Baixada Maranhense.

Pois bem, mais ou menos aos oito anos de idade, os filhos daquela época eram chamados a aprender a fazer cofos. Chegou a vez de José e quem se encarregou dessa tarefa foi sua mãe, que chamou o filho e começou a ensinar-lhe. Ele, apesar de inteligente, não conseguia aprender a tarefa. Ricardina, já sem paciência e com uma “taca” nas mãos começou a ameaçar o filho que cada vez sabia menos, nem se lembrava mais como se segurava a palha nas mãos para fazer o traçado do cofo.

A mãe, irritada, resolveu “largar de mão” e disse aquilo que não se pode dizer a um filho:

– Vai, você nunca vai aprender!!

José, cabisbaixo, seguiu para a mata e voltou depois de várias horas. A mãe já estava preocupada com o sumiço do filho. O menino retornou com vários cofinhos, de admirável beleza. Com isso, ao longo de sua vida, José ficou conhecido como quem fazia os mais belos cofos do lugar e ainda abanos e mensabas.

Eu tinha meu cofinho, usado como mala, na qual guardava minhas roupas. Ele tinha o aroma dos trevos do campo, para perfumar as peças do meu singelo vestuário.

Com esta história de vida, aprende-se que nunca se deve pressionou os filhos para aprender. José somente aprendeu a fazer cofos na tranquilidade da natureza. Sua mãe feliz, não se cansava de elogiar a inteligência do filho amado.

Rotina do acaso

Autor Francisco Viegas

Quando os raios de sol descortinam no horizonte e começam a bronzear as nuvens que se movimentam como fumaça levadas pelo vento é a anunciação de que o dia está chegando para cumprir o que de mais belo ocorre na rotina da natureza.

Os pássaros em revoadas brincam sem parar num vaivém de intensa alegria e cantam o prelúdio da vida em sintonia com o amanhecer.

A rotina que se desenha em cada alvorecer parece transbordar as medidas do possível que, em outros momentos, vão tomando forma e proclamam o que sempre acontece de um jeito ou de outro. Nada fica para trás sem que se cumpra o que tem de ser cumprido nos primeiros momentos da aurora. A natureza providencia tudo segundo a rotina da vida no espaço e no tempo. E a terra se entrega em produção e colore sua existência do que há de mais belo aos olhos das criaturas.

O fascinante impressionismo remete a todos a feitura do Grande Arquiteto do Universo, que não poupou esforços em criar o que de mais encantador existe debaixo do céu. Um pedacinho desse universo se chama de Baixada Maranhense. Nela foram colocadas, de formas ornamentais, ilhas, morros, rios, lagos, lagoas e uma infinidade de campos inundáveis a perder de vista.

Como é lindo olhar as graúnas e outros pássaros em voos miúdos e as japeçocas (japiaçocas) pousadas nas vitórias-régias, que dão um tom ornamental de uma beleza ímpar aos campos com centenas de outras flores. Na Amazônia as vitórias-régias chegam a medir um metro de diâmetro, com o aspecto de grandes sombreiros mexicanos, onde os peixes se abrigam da luz solar.

Peixes de pequenos portes praticam suas peripécias em saltos para abocanharem os insetos de seus interesses que estão descansando nos caules das plantas. E quando o pescador observa esse fato faz seu pesqueiro ali próximo para disputar, também, a sua sobrevivência com alguns pescados.

Os campos da Baixada Maranhense formam uma grande manjedoura que cria e acalanta a vida aquática a se repetir todos os anos enquanto a água perdura. Sem água, quebra-se a cadeia produtiva e o encanto da vida. E, se falta água, sobra sofrimento e desespero, que deixa a esperança do baixadeiro árida e prolongada até o próximo inverno.

O poeta José Chagas no Soneto 3 do seu livro Colégio do Vento, com sua criatividade, dá uma dimensão do que tudo isso representa em beleza e preocupação para os baixadeiros, mesmo ele sendo sertanejo:

O campo era um continuar de vida

a se estender pelo horizonte a fora,

e a paisagem se dava repetida,

tanto em seu pôr do sol, como na aurora,

com a luz sendo uma cálida bebida

a embriagar a vastidão sonora,

onde as aves em voo na paz erguida

cobriam de asas o seu ir embora,

e o azul era uma longa despedida

do tempo a consumir-se todo em hora,

para, fugindo assim, dar a medida

de tudo o que era pressa na demora,

e o quanto fosse solidão já ida

não mais voltasse como volta agora”.

Os prometidos Diques da Baixada pelas autoridades governamentais parecem obra de ficção. Passada a filmagem nada se concretizou a não ser a promessa. E, novamente, no próximo pleito eleitoral renova-se tudo mais uma vez, e até colocam máquinas para garantir, como quem garantia antigamente com um fio do bigode, o trato acordado.

A Barragem dos Defuntos localizada ao sudeste de Peri-Mirim, construída com o objetivo de manter a água doce nos campos e evitar a contaminação pela água salgada, que vem do mar, por diversas vezes, durante a estação invernosa sofria a ação das intempéries do tempo e tinha que ser socorrida com o fim de evitar a evasão fulminante da água, que descia ao mar formando caudalosos rios.

Para solucionar o desperdício e o rompimento progressivo daquele anteparo, o prefeito de Peri-Mirim contratava um homem experiente que soubesse liderar uma boa equipe de trabalhadores com o objetivo de sanar as avarias causadas pelas fortes chuvas. Essa labuta exigia dos trabalhadores um condicionamento físico de boa qualidade e muita dedicação no enfrentamento da tarefa, inclusive em condições inesperadas, com animais peçonhentos de todas as espécies e tamanhos, muriçocas e maruins a perturbarem o desenvolvimento do serviço.

Por volta do ano de 1956, meu pai era o líder de uma equipe que recuperava a barragem em ocasiões de acentuado inverno, quando um dos seus comandados foi mordido por uma cascavel pequena, que os companheiros mataram. Levaram o acidentado juntamente com o réptil para o líder avaliar o que fazer, haja vista que não havia soro antiofídico no local. A solução encontrada pelo líder no momento foi dar um brado no trabalhador, argumentando que uma cobrinha daquele tamanho não teria como molestar um homem novo e forte do tipo do acidentado. E não é que deu certo! – Além disso, foi espremido o local ferido para expulsar o veneno inoculado no sangue e lavado com uma pinga, superficialmente.

Naquela época os habitantes do município, principalmente os criadores de gado, cobravam do prefeito da cidade que cuidasse de manter a barragem íntegra para o bem dos seus rebanhos e o povo, por sua vez, também fazia coro nesse sentido com o intuito de garantir o sustento de suas famílias com o pescado.

Havia, portanto, um entendimento saudável entre a população e o Poder Executivo. A cada inverno os canoeiros e pescadores se juntavam para limpar os igarapés com o incentivo do prefeito que, mesmo sem gastar dinheiro para isso, parecia ter em mente a satisfação de lidar com o problema mostrando a eficácia desse trabalho.

Com os igarapés limpos os canoeiros praticavam menos esforços na movimentação de suas embarcações e as piabas usavam o caminho limpo e com água corrente vinda do rio Aurá, para tentarem subir em piracema. Mas ao chegarem numa pequena barragem que une a sede do município ao bairro Portinho eram alcançadas pelas tarrafas dos pescadores que as esperavam com o fim de capturá-las. E assim a vida na Baixada vai seguindo seu curso na beleza enquanto tem água, enquanto tem alimento, e no sacrifício de décadas de espera por uma tomada de decisão que prolongue o tempo de cheias em nossa região.

Texto publicado no livro ECOS DA BAIXADA, páginas 167/171.

Precisa-se de funcionários

Autora Ana Creusa

Ao completarmos 18 anos, eu e meus irmãos, costumávamos andar com uma pasta, contendo nossos documentos pessoais e um curriculum vitae, para facilitar a procura de empregos.

Atualmente os currículos são enxutos, sendo desaconselhável anexação de documentos. Porém, naquela época, exigia-se cópia de documentos pessoais e dos diplomas mencionados. Com isso, um bom currículo costumava ser volumoso.

Além do imprescindível curso de datilografia, fiz vários cursos no SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e já havia concluído o segundo grau, de forma que estava pronta para conseguir um emprego, enquanto esperava passar em um concurso público.

Nas costumeiras viagens de ônibus coletivo, não raro avistava uma fila, descia do ônibus, para checar se era “fila de emprego”.

Um dia, já voltando para casa, passando pelo bairro Canto da Fabril em São Luís, eu e minha irmã, Maria do Nascimento, avistamos uma placa em que lemos: PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.

Descemos do ônibus para tentar concorrer a uma vaga. Tratava-se do prédio do Ministério da Fazenda em construção.

Fomos recebidas por umas pessoas que trabalhavam na obra. Alguém foi chamar o chefe, que era um homem alto, magro, louro de olhos azuis, que disse ser o engenheiro da obra.

Ele perguntou em que poderia nos servir. Eu tomei a palavra e disse:
– Estamos à procura de trabalho, como vimos a placa que vocês estão precisando de funcionários, viemos entregar nossos currículos.

O engenheiro, meio constrangido, falou:

– Sou da Construtora Guaratan de São Paulo. Aqui está sendo construído um prédio de um órgão muito importante, quem sabe quando terminarmos a obra, vocês consigam emprego nessa repartição! Porque aqui estamos precisando é de funileiros.

Pedimos desculpa e saímos, não sem antes ler a placa: PRECISA-SE DE FUNILEIROS que nossa mente reproduziu PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.

O tempo passou e aquela história permaneceu como um tabu, não contávamos a ninguém – passamos um vexame daqueles! Até brincamos: como procurar emprego, se não sabemos nem ler?

Aquele episódio veio à minha mente no dia que assumi o cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal naquele mesmo prédio do Ministério da Fazenda, outrora em construção.

Tive vontade de contar a história na solenidade de posse, mas não tive coragem.

Entre risos e aplausos no dia 11 de setembro de 2013, em uma festinha de bota-fora pela minha aposentadoria, finalmente contei o episódio, talvez estimulada pela leitura do texto de Joãozinho Ribeiro sobre mim, que denominou: “Ana: de Peri-Mirim para o mundo”, em que contou até sobre a minha asma, que minha mãe não me deixava contar, por nada neste mundo!

O compadecido engenheiro teria feito uma profecia?

Texto publicado no livro ECOS DA BAIXADA, páginas 160/162.

Walter Braga, um brasileiro

Autor Flávio Braga

O patriarca da minha família, Walter da Silva Braga (Tetê Braga), nasceu no povoado de Pericumã (Peri-Mirim), em 8 de agosto de 1911, filho de Antônio Florêncio Diniz Braga e de Joana Regina da Silva Braga. Filho de fazendeiro, herdou a profissão de pecuarista. Além do gado bovino, criava porcos, patos, galinhas, paturis, catraios, perus, cabras, cavalos e peixes.

Em sua pequena propriedade, produzia bastante leite, que servia como base da alimentação de sua família e para a produção de queijo e manteiga, que eram vendidos para comerciantes de Peri-Mirim e de São Bento, cuja carga era transportada para revenda em São Luís. Na propriedade havia abundância de palmeiras de coco babaçu, donde eram extraídas as amêndoas para vender aos comerciantes locais, cuja receita era a principal fonte de renda para sustento da família.

Casou-se aos 32 anos com a jovem Maria José Andrade Braga de apenas 16 anos, no dia 23 de dezembro de 1944 (no registro civil) e no dia seguinte sob o rito religioso, na cidade de Pinheiro. Por 45 anos viveram uma relação profícua e prolífica, gerando 13 filhos, que são pela ordem cronológica: João Batista, Maria Regina, Valtemar, Walter, Rosário, José Maria, Manoel, Valber, Leônia, Flavio, e Lidiane,  além dos falecidos Maremaldo e Verionaldo. A prole se completou com 10 filhos de criação, Complementando a prole, adotaram e criaram outros 10 filhos, dentre eles a inseparável Clenilde.

A religiosidade do casal era exemplar. Como membros da Legião de Maria, participavam das reuniões, cultos dominicais e missas que eram celebrados na comunidade. Uma missão que cumpriam com muita abnegação era as visitas aos enfermos, idosos e pessoas em momentos de dificuldade, levando a palavra da Bíblia e as orações para conforto da sua gente. Outra prática religiosa da família, era a oração do santo terço diariamente. O ato de tomar a bênção dos pais sempre foi um gesto sagrado entre os seus filhos e netos.

Apesar do pouco estudo, tinha um imenso prazer pela leitura. Lia a Bíblia,  catecismos, livros, revistas, histórias infantis, até bulas de remédios. Essa afeição  pela leitura foi transmitida aos seus filhos. Daí uma explicação para o sucesso deles  em concursos e vestibulares.

Durante os 45 anos de matrimônio com Maria José, viveu um clima de harmonia, de respeito, de diálogo, de compreensão, de renúncia e de um amor verdadeiro. Faleceu no dia 10 de novembro de 1989, em São Luís, aos 78 anos, deixando um legado de homem honesto, educado, cordial, católico praticante e que apreciava muito conversar com a esposa, os filhos e os amigos.

Vamos dar uma volta pela cidade?

Autor Diêgo Nunes

Vamos dar uma volta

Em nossa pequena cidade

Terra de muitos encantos

Que ficam para a eternidade

São alguns pontos turísticos

Vivos em nossa realidade

 

Pontos turísticos ontem e hoje

Para muitos é um dilema

Pois temos diversas alternativas

Vamos conhecê-los sem nenhum problema

 

Os nossos casarões arejados

Foram adaptações de fortalezas

Que só tinham em Portugal

E nos fascinava de tantas belezas

Os nossos casarões históricos

São nossas verdadeiras riquezas

 

Posso aqui mencionar

O nosso eterno casarão

Que foi de início o convento

Das Freiras em Missão

Que vieram do Canadá

Para viver neste chão

 

Vamos destacar

Como homenagem de recordação

O Sindicato, a delegacia, as fazendas

as escolas: Carneiro de Freitas e Cecília Botão

CEMA, a Prefeitura e da Casa Paroquial com o Salão

 

Tem também as praças

São Sebastião, dos Simpatia e Secundino Pereira,

Santa Teresinha e

Zé Barreira

Que são locais para muita diversão

E brincadeira.

 

Lá tem desfiles de blocos

Todo ano de montão

Tem o carnaval e o baile do pó

O maior do Maranhão

Eu amo, Favela, Xixilados e Cidão

Da Turma do Bebel a Folia de São Sebastião

 

Vamos agora contar a história

Da Muralha do Rochedo

Que pertencia ao senhor Gastão

Que a ninguém dava sossego

Qualquer desobediência

No poço ele atirava sem medo.

 

O rochedo existe até hoje

E está bem localizado

Fica no bairro Campo de Pouso

Não muito afastado

Na estrada do Santana

Visite-o mais tenha cuidado

Pois o local é tido

Como muito assombrado

 

Peri Mirim, pequena cidade

És bela e importante

Tuas paisagens são lindas

Os teus campos verdejantes

Na pecuária e na lavoura

Sempre fostes triunfante

 

Ah! Doce e amada Peri-Mirim

És verdadeira aquarela

De tantas riquezas

Da baixada és a mais bela

Cheia de costumes

De origem raiz e nutela

 

Seja bem-vindo

À Passagem dos Padres

Vamos nos refrescar

Fica no bairro do Portinho

Um passeio para se alegrar

Tem várias árvores e animais

E opções para se aventurar

As famosas panelinhas

Vamos juntos

Você vai gostar!

 

Sobre a passagem dos padres

Vou-lhes contar

Os padres saiam em seus cavalos

Para se refugiar

Esconder-se dos sons de carnaval

E a Deus adorar

Em um local distanciado da bagunça

Para poder se concentrar

 

Vamos agora fazer uma visita

Onde antes existia o belo rio Aurá

Cheio de pessoas

Para tomar banho e pescar

Lavar suas roupas

Uma lida diária a executar

 

O Rio Aurá ainda vive

Podemos aqui dizer

Apesar de todos os problemas

A sua essência não o fez morrer

A lembrança do povo é que a cada dia

O faz viver.

 

Vamos aqui mencionar

O nome de alguns rio

Do nosso lugar

Rio grande, da laje, e rio do pau

Rio santa maria e o do canavial

Rio do sangue, flaviana

Rio da pedra no Juçaral

Rio do meão, tiquaras

Rio das minas e do Tucunzal

E ainda tem mais

O de Honório no meu quintal

Temos em nossa cidade

a famosa cachoeira El Dourado

Que fica em Santana

Nas terras de Dourado

Uma beleza natural

Que ficou no passado

Cheias de árvores, flores e pássaros

Mas que não foi mais conservado

 

Mal cuidada, pouca água

Retratando o natural

Muito lixo no seu caminho

O faz pedir socorro ao geral

 

Entre morros e outeiros

A nossa cidade se limita

Vamos mostrar aqui

O que nos identifica

Tem o morro do centenário

Quem aqui chega o visita

Deixando sua marca registada

E de lá uma bela vista

 

No morro do centenário

Podemos encontrar

A estátua de São Sebastião

Cartão postal do lugar

Marco da religião católica

Quem chega aqui quer logo visitar

 

Outeiro das canoas

Venho aqui lhe apresentar

Ele fica no Campo de Pouso

Em um certo lugar

Cheio de animais e plantas

Que junto dele vieram morar

Lugar que encanta

Quem vai o visitar

 

Passear de canoa

é um dos encantos do nosso lugar

dormir no interior

e ao canto do galo acordar

andar a cavalo, ir a roça

não tem preço a pagar

tomar banho de rio

comer frutas da época e pescar

 

Vamos agora apresentar alguns povoados

Começando de Curitiba, Tijuca, Curva e Apertiral

Poço Dantas, Capoeira Grande, Barreiro e Buragical,

Conceição, Estrada de Padre, Pericumã e Tremedal

Torna, Rio Grande, Boca do Campo, Raposa e Mangueiral

Pedrinhas, Pedra Branca, Pericumanzinho e Feijoal

Baiano, Porções, Canaranas, Paciência e Taocal

Centrinho, Tapera, Minas, Remédios, Carnaúba e Tucunzal

Centro dos Câmaras, Jaburu, Miruiras e Juçaral

 

Os bairros: Sede, Campo de Pouso

Portinho, Tiquaras e Aurá

Os antigos Sacoanha e o famoso Cametá

Igarapé Açu, a extinta Serra,

Tem ainda o Cruzeiro e a ilha do Maracujá

 

As pontas: do Tucum, do Poço, de Baixo,

do Lago e do São João

Chavi, Pascoal, Inambu, Codó e Meão,

Teresópolis, Engenho Queimado, Buenos Aires e Buritirana

Santas: Cruz, Luzia, Rosa, Maria e Ana.

 

As enseadas: do Tanque, Santo Antônio e da Mucura

As ilhas: Grande, do Urubu, Agostinho e Muriré

Os santos: Chico, Jerônimo,

Lourenço, Raimundo, Domingos e José

Rio da Prata, Patos, Muritim,

Malhada de Preto, Três Marias, e Itaquipé,

 

Aqui demos uma volta rápida

conhecemos muitos pontos turísticos

momentos de viajantes

lugares e vistas radiantes

espero que tenham gostado

dessa viajem triunfante

voltaremos breve

com algumas novidades marcantes.

 

O sítio do vovô Santiago

Autora Elinalva Campos

No sítio do meu vovô tem um montão de animal, cada um em seu habitat.

Tem o peixinho bem pequenino, tem o boi grandão e tem até o macaco brincalhão.
Nesse lugarzinho eu me divirto de montão corro atrás do pato, da galinha e do leitão.
Eu tenho um animal preferido quer saber qual é? É o cavalo meu querido! Toda vez que eu chego lá o vovô corre e o cavalo vai buscar, eu fico toda sorridente de tanta alegria minha gente.

Eu só tenho 1 aninho e o meu vovô fica todo bobinho chega brilha o seu olhinho.
Eu me chamo Maria e o vovô se chama Santiago ele me mima de montão e eu faço tudo pra chamar sua atenção.

Neste dia dos pais meu vovô eu venho homenagear ele é lavrador e ama trabalhar.
Todo mundo diz que eu sou muito esperta e vovô fica todo convencido porque eu sou sua primeira Bisneta. Por aqui eu vou finalizar e meu abraço eu vou deixar saiba meu vovô que pra sempre vou te amar. ❤️

História de Feliciano da Cruz Silva

Autora Maria Nasaré Silva

Peço à Musa Divina

Para vir-me inspirar

Pois vou narrar a história

De alguém que vivi para amar

Há mais de 50 anos

Peço a Deus para abençoar.

 

Para abençoar a história

De um homem nobre e guerreiro

Feliciano da Cruz

Tendo Silva o derradeiro

Abençoado por Deus

Valoroso e verdadeiro.

 

Logo em seus primeiros anos

Sofreu grande desalento

Pois Deus assim já chamava

Quem lhe servia de acalento

Sua mãezinha Aidê Silva

Eita mundo de tormento.

 

A bonança viria, era certo

Deus lá do céu já olhava,

Um coração nobre e fiel

E o Pai já o abençoava

Mandando um casal de amigos

E assim já o adotara.

 

A acolhida foi bendita

Para seus dez anos de idade,

Joventina e Mariano

Ensinaram-lhe a verdade.

O amaram como filho

Dando-lhe felicidade.

 

Começou uma nova etapa

De sua vida em Pinheiro

O casal que o adotou

Possuía um bom dinheiro

Tinha uns bons carros de boi

Também era fazendeiro.

 

Deixemos à nova vida

Para voltarmos ao passado,

Feliciano ao nascer

Foi num lugar atrasado

Chamava-se Serra Velha

Mas por era Deus abençoado.

 

Na Serra havia deixado

Muita gente querida.

O seu avô Carlos Maia

E a sua avó Ana Rita

Os irmãozinhos pequenos

Em uma vida desdita.

 

Não saía da lembrança

A sua vida passada,

Não esquecia de Ana Rita

Sua vizinha adorada

Que em meio às sentadas bruscas

Era outra saia rasgada.

 

Em meio a tanto atropelo

Não podia deixar de ser

Lembrava sempre Mãe Zeca

Que o carregara, nenê,

Dormiam sempre juntinhos

Era sua razão de viver.

Em seu mundo de lembranças

Vinha a irmã tão querida,

Que em meio a tapas e beijos

Mantinha sempre a guarida,

Protegendo-o e defendo-o

Dessa vida tão sofrida.

 

Lembrava com carinho

Do seu irmão João Laboro

Sempre metido em encrenca

E tão cheio de desaforo,

Do seu pai sempre apanhava

Com famoso cinto de couro.

 

Muitas vezes era obrigado

A beber mijo fundido.

Como castigo ao papismo

Nem assim se achava perdido

Cada vez aprontava mais

Mas da família, não era banido.

 

Não podia deixar de lado

Seu irmãozinho querido

Valdomiro menino manso

E foi por Deus escolhido

Para acompanhar os passos

E continuar seu destino.

 

Lembrava também Olindina

Mulher de Zé Macaxeira

Homem franzino, vagaroso,

Vivia a fazer asneira

Não era pessoa ruim

Era assim sua maneira.

 

As lembranças eram boas

Fitava o céu a meditar

Pensava nas pescarias

De caniço, e, a soquear

Bicho de tucum no anzol

Para um bom peixe pescar.

 

Deixemos os devaneios

Fitemos na realidade,

Sua vida não era fácil

Mas não vivia de caridade,

Trabalhava de sol a sol

Como homem de verdade.

 

Como homem de verdade

Mas era apenas menino

Ia cedo ao mercado

Para vender o pepino

Aipim, couve, maxixe,

Seu trabalho era divino.

 

Cedo estava na estrada

Para carro de boi carrear

Pois os pais tinham uma frota,

Porém, tinha que trabalhar

Feliciano não se curvava

Fosse o que fosse a enfrentar.

 

Certa vez, em noite escura

Houve um grave acidente,

Em uma curva derrapante

Saiu com vida, felizmente

Mas devido à capotagem

Ficou gravemente doente.

 

Dante desses problemas

Passou meses acamado

Não podia deixar de ser

Fora muito bem cuidado

Pois ele era um ser querido

Por todos era muito amado.

 

Mas como a vida não para

Quem nasce, cresce, reproduz

É o completo dinamismo.

Quem olha, às vezes deduz

Começa uma nova era

Aonde tudo se conduz.

 

Casou-se, era bem cedo

E se pôs a procriar.

Raimunda e Maria Helena

Veio-lhe a vida alegrar

Mas o que tem começo tem fim

Casamento veio findar.

 

As filhas ficam em Pinheiro,

Após a separação

Feliciano desce a serra

E não vem de contramão

Vem lutar pelos seus sonhos

E cumprir sua missão.

 

A missão de homem honesto

É difícil ser cumprida

Ele, porém, conseguiu

Tendo Deus como guarida

E escreveu sua história

Até 97 anos de vida.

 

Morando no São Raimundo

Logo se enamorou

Quando viu Maria Rosa

Disse: agora sim, chegou,

A mulher da minha vida

Para ser meu grande amor.

 

Como já era casado

No civil anteriormente.

Casar-se no religioso

Era o que tinha em mente,

Foi assim que aconteceu

Desse jeito exatamente.

 

As famílias concordaram

Com esse entrelaçamento

Não havendo discussão

Era só contentamento,

Todos ficaram felizes

Com o novo casamento.

 

Desse novo matrimônio

Cinco filhos nasceram:

Dois homens e três mulheres

E assim logo cresceram.

Contra as adversidades,

Lutaram e sempre venceram.

 

A sua primeira filha,

Nasceu com nome Brandina

Como esse nome sugere,

Trouxe ao nascer uma sina

Ser amiga, doce e calma,

Assim Deus determina.

 

Continuando sua prole

Nasce o filho segundo

Bonito, robusto e forte

Deus o mandou para o mundo

Chegou manhoso e chorão

Benildo nasce em São Raimundo.

 

Vinha o terceiro filho

Um menino inteligente

Veio mandado de Deus

Para fazer todos contentes

Não sei como escapou

Zé Maria, só vivia doente.

 

E assim a quarta filha

Nasce toda faceira

Veio branca e gordinha

Rosa, abençoou a parteira

Por certo era a sua avó

Mãe Jota não falava asneira.

 

Por fim, nasce a caçula,

Que é forte em pensamento,

É verdadeira e honesta

Nasaré está no documento.

Ama de paixão a família

E tem bom discernimento.

 

Feliciano da cruz viveu

Noventa e sete anos de vida.

O meu pai foi um guerreiro

Trabalhar era sua lida

Nos criou com sabedoria

E bem idoso fez sua partida.

 

O que meu pai teve de sobra

Soberania, dignidade

Nunca disse uma mentira

Só ensinou a verdade

Quem não seguiu seus conselhos

De suas lições não aprendeu a metade.

 

Encerro assim, a  história,

De Feliciano, o meu pai

Com Deus vive em sintonia

Da minha mente não sai

Era devoto da Virgem Maria

Rezava três rosários por dia

E Nossa Senhora não trai.