Selma Nunes

Selma Nunes nasceu no dia 14 de novembro de 1975. no dia 14 de novembro de 1975, filha de Francisca da Paz Pereira Nunes e José de Jesus Nunes. Construiu sua trajetória com base em um valor simples e profundo: a educação como instrumento de transformação humana e social. Ao longo de décadas de atuação no Maranhão, sua vida profissional se entrelaçou com a formação de pessoas, a organização da educação pública e o cuidado com o desenvolvimento emocional e comunitário.

Formada inicialmente no Magistério, Selma iniciou sua caminhada como professora, dedicando-se ao ensino com compromisso e sensibilidade. Seu trabalho em sala de aula naturalmente a conduziu a funções de maior responsabilidade, passando a atuar também na gestão escolar como diretora adjunta, onde contribuiu para a organização pedagógica e administrativa das instituições em que trabalhou.

Sua competência e postura ética a levaram a integrar a administração pública, exercendo a função de secretária do Secretário de Educação do município de Peri-Mirim. Nesse período, participou diretamente da organização de processos administrativos, do suporte à gestão educacional e da articulação entre escola, poder público e comunidade.

Além da área educacional, Selma também atuou como escrivã ad hoc, acumulando experiência em rotinas administrativas e jurídicas, sempre marcada pela responsabilidade, discrição e confiança institucional.

Com o passar dos anos, sua escuta atenta às pessoas e seu olhar sensível para o comportamento humano a conduziram à formação e atuação em Terapia Cognitivo-Comportamental, área na qual passou a contribuir diretamente para o bem-estar emocional de indivíduos e famílias, ampliando ainda mais o alcance do seu trabalho social.

Há mais de dez anos, Selma é administradora do Reforço Canaã, projeto educacional que atende crianças desde o maternal até o reforço escolar, unindo gestão pedagógica, acompanhamento do desenvolvimento infantil e práticas educacionais inclusivas. O Reforço Canaã tornou-se referência local pelo cuidado, pela organização e pelo compromisso com a aprendizagem.

Seu engajamento social também se manifesta por meio do trabalho voluntário no Centro Social Shalom, onde atua no apoio a crianças e famílias em situação de vulnerabilidade, fortalecendo laços comunitários e promovendo ações educativas e sociais.

Selma Nunes é reconhecida por sua postura ética, sua dedicação contínua à educação e sua capacidade de unir gestão, ensino e cuidado humano. Sua história representa o valor do trabalho silencioso, consistente e comprometido — aquele que forma gerações, fortalece instituições e deixa marcas duradouras na comunidade.

Lourivaldo Diniz Ribeiro

Lourivaldo Diniz Ribeiro, filho de Joana Maria Diniz Ribeiro e Benedito de Jesus Ribeiro, nascido em 01 de novembro de 1981, Peri-Mirim, Povoado Enseada de São Jorge, atual povoado de Canaranas.

Iniciou seus estudos na Escola Municipal Santo Antônio, localizado no povoado Fazenda Santo Antônio, onde cursou a pré-escola, logo em seguida, cursou o fundamental menor na Unidade Escolar Carneiro de Freitas, localizada no centro da cidade de Peri Mirim/MA.

Concluiu o Ensino Fundamental Maior na Unidade Escolar Artur Teixeira de Carvalho “CEMA”. Dando continuidade, realizou o curso profissionalizante o Ensino Médio em Magistério no Colégio Cenecista Agripino Marques, nos anos de 1997 à 1999 no Município de Peri Mirim, tendo sua primeira profissão lavrador, sendo sindicalizado no Sindicato de Trabalhadores Rurais de Peri Mirim, durante dez anos.

Em 23 de março de 2003, iniciou sua vida profissional exercendo o magistério, lecionando na educação infantil lotado na Escola Municipal Mirian Costa Pereira, povoado Canaranas, onde ficou até o ano de 2005. No ano de 2007, prestou concurso público no município de Bequimão, sendo empossado em novembro de 2008, atuando como professor do fundamental menor de 1ª a 4ª série na Escola Integrada Codozinho, Anexo Macajubal.

Em 2009 foi transferido para a Escola Integrada Codozinho, lecionando de 5ª a 8ª série, no mesmo ano inicia sua primeira formação acadêmica pela Instituição Cerssema, concluindo a mesma em 2010, graduando-se em Licenciatura em Pedagogia .

Em 2005 foi convidado a lecionar na Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Municipal Cecília Botão, até julho de 2009 como professor contratado pela Prefeitura Municipal de Peri Mirim, em julho de 2009, presta concurso público no município de Peri Mirim para o cargo de professor de 1ª a 4ª série do ensino fundamental.

Em setembro do mesmo ano foi empossado e lotado na Escola Municipal Badeira Tribuzzi , povoado São Lourenço, no mesmo ano foi convidado a ocupar o cargo de diretor das escolas, Pedro Pinheiro Martins, localizado no povoado Centrinho Inambú e Escola Secundino Guimarães, povoado Codó, onde exerceu o cargo até o ano de 2012.

Ainda no ano de 2009, presta vestibular na Universidade Estadual do Maranhão, sendo aprovado para o curso de Licenciatura em História, concluindo o curso no ano de 2014.

Formou-se no Magistério e possui formação superior em Pedagogia, Administração e História. Desde a juventude, atua de forma ativa na vida cultural e social do município, participando da criação e fortalecimento de diversos grupos culturais.

Em 2002, fundou, juntamente com Alex e Teo, a quadrilha junina “Agora que são elas”, que alcançou grande destaque em Peri-Mirim e em municípios da Baixada Maranhense, como Bequimão, Pinheiro e São Bento, obtendo expressivo reconhecimento em diversos arraiais da região.

Participou também da fundação do Gaivotas Esporte Clube, equipe de futebol que atuou em vários municípios, desenvolvendo, além das atividades esportivas, importantes ações sociais, como campanhas de arrecadação de recursos em apoio a pessoas em situação de doença.

No campo das manifestações culturais populares, atuou por vários anos como passista da Escola de Samba Unidos do Campo de Pouso, integrou o Bumba Meu Boi Orgulho da Baixada e foi brincante do Bloco Alternativo Árabes, contribuindo de forma direta para a preservação e valorização das tradições locais.

No âmbito comunitário e associativo, exerceu os cargos de presidente da Associação de Moradores do Povoado Canaranas, vice-presidente da COAMEL e vice-presidente da AGROMELPE, além de ter atuado como vice-presidente e atual presidente do Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM), demonstrando trajetória marcada pelo compromisso social, cultural e coletivo.

Lenir Costa

Lenir Costa é filha de Peri-Mirm – MA, nascida em 03 de novembro de 1947 é moradora do Quilombo Pericumã. É filha de Benjamim Bandeira, lavrador e de D. Julieta Costa. Teve pouco estudo. Foi alfabetizada na Escola Municipal Urbano Santos pela professora Helena Ribeiro. Aos 07 anos foi para São Luís onde morou por muitos anos trabalhando em casa de família. Quando voltou pra Pericumã viveu uma relação estável por 19 anos com o Sr. Antério da Silva. Nunca teve filhos.

Dona Lenir é uma guardiã da memória e da força cultural de seu povo. Mulher negra de presença firme e sensível, ela transita com naturalidade entre música, a fé e a tradição. Compositora e sambista, sua voz carrega a cadência do tempo e das ruas, transformando vivencias em canto.

Como coreira de tambor de crioula, mantém vivo o ritmo ancestral que ecoa em corpo e chão, celebrando a resistência e a alegria da cultura popular. Rezadeira de ladainhas, une devoção e poesia, conduzindo orações que confortam e fortalecem a comunidade. Tem intensa participação nos Festejos do Divino Espírito Santo, sendo uma grande caixeira. Em cada gesto, canto, reza, batida de tambor ou caixa, D. Lenir reafirma a beleza de suas raízes e o legado que escolheu cultivar e partilhar.

Taliane de Jesus Corrêa Gonçalves

Taliane de Jesus Corrêa Gonçalves apresentou sua autobiografia. Nasci no dia 06 de julho de 1987 no município de Peri Mirim – MA. Sou filha de Alda Regina Ribeiro Corrêa e José João Gonçalves, a primeira filha de 3 irmãos. No ano de 1989, aos meus 3 anos de idade, minha mãe separou do meu pai e desde então meus irmãos e eu fomos criados somente por minha mãe. Cursei o Ensino Infantil no Jardim “O Pequeno Príncipe”. Cursei o fundamental nas Escolas “Carneiro de Freitas” e Escola Municipal “Cecília Botão”. Cursei o Ensino Médio no Complexo Educacional Artur Teixeira de Carvalho de 2002 a 2004. Sempre fui uma boa aluna, aplicada, nunca fiquei reprovada.

Aos 14 anos tive a minha primeira filha, Cidianny Nunes Corrêa que nasceu no dia 09 de junho de 2002, e também foi um ano muito triste, onde perdi meu primeiro irmão, Sidney Corrêa Gonçalves. Em 2008 perdi o meu segundo irmão, João Italo Corrêa Gonçalves. Em 2010 conheci o meu então marido, José Ribamar Amorim Pereira. Em 2012 nasceu a minha segunda filha, Livia Corrêa Amorim Pereira que nasceu no dia 21 de março de 2012. Casei oficialmente no dia 12 de dezembro de 2024.

No ano de 2018 conclui a minha graduação, Licenciatura em Pedagogia. Trabalhei pela Prefeitura de Peri-Mirim no mandato do Irmão Afonso de 2011 a 2012 sendo Coordenadora da Biblioteca municipal. Trabalhei nos anos de 2018, 2019 e 2020, nos programas: Projovem, Novo e Mais Educação, Pacto pela Aprendizagem. Coordenadora da Creche Municipal Supervisora Pedagógica das Escolas: “Carmela Dutra” situada no povoado Santana e “Padre Gerard” situada no povoado Torna. No ano de 2020 demos início a um projeto, um sonho, o Reforço Escolar Alda Ribeiro Corrêa, e no início do ano de 2021, iniciei como Professora do Infantil. O então reforço, transforma-se no Colégio Alda Ribeiro Correa – ARC, de posse da autorização de funcionamento do Conselho Estadual de Educação do Maranhão – CEE –
MA. No ano de 2022 aceitei Jesus como único Senhor e Salvador da minha vida.

Maria Aparecida França Martins Faray

Maria Aparecida França Martins Faray nasceu em 13 de maio de 1978, no município de Peri-Mirim, Maranhão, local onde vive até os dias atuais. Filha de Júlio França Martins e Senhorinha França Martins, construiu sua história pautada em valores familiares, fé e dedicação à comunidade. Teve como irmãos Júlio Carlos França Martins (in memoriam, falecido ainda na infância), Kelison França Martins, Klebson França Martins e Kellen França Martins.

É casada com Arlindo Faray Neto e mãe dedicada de Natália Camile Martins Faray, Davi Martins Faray e Andrey Martins Faray, exercendo com zelo seu papel familiar.

Sua trajetória educacional iniciou-se na Escola Silva Júnior, passando pela Escola Senicista Agripino Marques e pelo CEMA Artur Teixeira de Carvalho. Ao longo dos anos, construiu uma sólida formação acadêmica, sendo pedagoga, pelo Centro de Ensino Superior Santa Fé, com docência na educação básica, e psicopedagoga institucional e clínica, pela FAPETRUS.

Profissionalmente, atua como artesã e exerce suas atividades na Escola São João Batista, contribuindo de forma significativa para a educação e o desenvolvimento social. Seu trabalho é reconhecido pelo compromisso, sensibilidade e responsabilidade.

Na vida pública, participa ativamente de projetos ornamentais, sociais e esportivos, além de iniciativas ligadas à dança e à cultura popular, com destaque para as manifestações do São João, valorizando as tradições locais. No âmbito religioso, é uma pessoa de fé inabalável, sempre dedicada às atividades e eventos da igreja, exercendo sua espiritualidade com amor e serviço.
Frase final: “Uma trajetória marcada pela fé, pelo compromisso com a educação e pelo amor à cultura e à comunidade“.

Márcio Mateus Câmara

Márcio Mateus Câmara é filho de Peri Mirim–MA, nascido em 31 de agosto de 1999, e desde seu nascimento é morador do povoado Três Marias. É filho de Laurenir Ferreira Câmara, que assumiu o papel de mãe solo. Até atingir a maioridade, foi criado e educado sob a responsabilidade de seus avós maternos, Antônia Ferreira Câmara, quebradeira de coco, e Raimundo do Rosário de Souza Câmara, vaqueiro. Mesmo oriundos de uma realidade humilde e com baixa escolarização formal, seus avós sempre foram pilares fundamentais de incentivo à educação, transmitindo-lhe valores como esforço, responsabilidade e a compreensão da educação como principal instrumento de transformação social.

Cursou toda a sua educação básica na comunidade de Três Marias, iniciando no Jardim de Infância Balão Mágico, passando pela Escola Municipal São Benedito e pelo Anexo Arthur Teixeira de Carvalho, onde concluiu o Ensino Médio. Desde a educação básica, sempre demonstrou interesse pelos estudos, sendo frequentemente reconhecido por seus professores como um aluno dedicado e comprometido com o próprio processo de aprendizagem. A educação, desde cedo, apresentou-se como um campo de interesse e identificação pessoal, tendo como importante inspiração sua tia, Conceição de Maria Ferreira da Silva, professora e primeira integrante da família a alcançar formação em nível superior.

Após a conclusão do Ensino Médio, foi aprovado no curso Técnico em Administração ofertado pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Posteriormente, ingressou na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), no curso de Ciências Biológicas, área pela qual sempre demonstrou interesse, motivado especialmente pela relação entre ciência, natureza e meio ambiente. Essa formação consolidou sua compreensão sobre a importância da educação científica aliada à sustentabilidade e à valorização dos conhecimentos locais.

Sua monografia de conclusão de curso esteve relacionada à utilização do coco babaçu na produção de artesanato, trabalho desenvolvido em homenagem à sua avó, quebradeira de coco, e inspirado na realidade das famílias da zona rural. A pesquisa buscou evidenciar novas possibilidades de uso dessa matéria-prima, de forma sustentável, como alternativa para geração de renda por meio do artesanato, valorizando a cultura e fortalecendo o sustento das famílias que dependem dessa prática.

Possui formação complementar na área de metodologias ativas aplicadas à educação e, atualmente, é mestrando em Ciências da Educação pelo Instituto ILUSES, desenvolvendo estudos voltados à prática pedagógica, à gestão educacional e à qualificação da educação pública. Atua na rede pública municipal de educação de Peri Mirim desde 2021. Ao longo desse período, exerceu as funções de agente administrativo, professor alfabetizador e professor dos anos finais do Ensino Fundamental, construindo uma trajetória marcada pela diversidade de experiências pedagógicas e administrativas.

Atualmente, exerce o cargo de Coordenador Pedagógico da Escola Municipal São Benedito, instituição na qual realizou parte significativa de sua formação básica, atuando, inclusive, ao lado de algumas de suas antigas professoras, o que reforça seu compromisso com a educação pública e com a comunidade que contribuiu para sua formação. Integra, ainda, o Grupo Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) de Peri Mirim. Possui experiência como formador na área de Ciências da Natureza, contribuindo com ações formativas voltadas ao fortalecimento das práticas docentes. Paralelamente, atua como professor de Ciências nos anos finais do Ensino Fundamental no município de Pinheiro–MA, ampliando sua vivência profissional.

No campo acadêmico, possui produção científica, com destaque para o artigo “Práticas ecológicas educacionais no combate à poluição: uma revisão bibliográfica”, publicado na Brazilian Journal of Development. Participou também do Congresso Nacional de Ensino de Ciências e Biologia (online), apresentando, na modalidade resumo, o trabalho “Produção e utilização de materiais didáticos para o ensino aprendizagem de doenças parasitárias: amebíase”, na área temática de Ensino de Ciências e Biologia.

Além da produção científica formal, desenvolve produções pedagógicas informais, especialmente projetos voltados à recomposição das aprendizagens, com foco em leitura e fundamentos matemáticos, implementados na escola sob sua coordenação. Atua ainda na promoção de ações sociais, culturais e ambientais no contexto escolar, como o projeto “Dia de Rainha”, em homenagem ao Dia das Mães, torneios pais e filhos no Dia dos Pais e a Caminhada Ecológica, fortalecendo os vínculos entre escola, família e comunidade.

Reconhece-se como um jovem educador atuante em sua comunidade, comprometido com a valorização da educação pública, com a formação integral dos estudantes e com o desenvolvimento de práticas pedagógicas socialmente responsáveis, contextualizadas e alinhadas às demandas educacionais contemporâneas.

Benedito de Jesus Costa Serrão

Por Cintia Cristina Martins Serrão Diêgo Nunes Boaes

Benedito de Jesus Costa Serrão nasceu no povoado Centro dos Coelhos, município de Palmeirândia, no dia 20 de dezembro de 1933. Filho de Frederico Alves Serrão e Celestina Costa, teve três irmãos: José Beijamim, Maria José e Onélio Costa.

Em 1965, Benedito de Jesus, conhecido como De Jesus Serrão, mudou-se para o povoado Três Marias para trabalhar como benfeitor do senhor Jaime Martins Corrêa (conhecido como Jair), um importante produtor de cana-de-açúcar da região, que possuía alambiques, engenho e fabricava cachaça e mel de cana.

Foi nesse período que De Jesus conheceu a senhora Carmem Martins, no povoado Tijuca. Juntos, decidiram viver em união e constituíram família, tendo três filhos: Cíntia, Benedito Filho e Weliton. Ele já tinha outros filhos de relacionamentos anteriores: Celico, Nazaré, Ana Lucia, Marileia, Laudilene Josely, Fideles, Suely, Helio, Heliezer, Ivanilde, Elisabethe e Francisco.

Após se estabelecer em Três Marias, De Jesus propôs a compra de um pedaço de terra ao senhor Durans, que aceitou a negociação. No terreno adquirido, localizado à direita da propriedade, construiu sua casa e fixou residência definitiva.

Em 1970, iniciou seus próprios negócios, abrindo um comércio de compra e venda de arroz e babaçu, contando com o apoio da esposa Carmem e do sócio Cosme Duarte, apesar de continuar colaborando com o senhor Jair. Sua postura prestativa e a disposição em ajudar a comunidade fizeram com que De Jesus se tornasse conhecido em diversos povoados vizinhos.

Por morar próximo à estrada que ligava vários municípios, De Jesus conheceu Geraldino e Isaac Dias, importante político da cidade de São Bento. A amizade com Isaac cresceu a ponto de ele se tornar padrinho de um de seus filhos. Reconhecendo seu potencial, Isaac incentivou De Jesus a ingressar na política, convidando-o a filiar-se a um partido no município de Peri-Mirim.

Dessa forma, começou sua trajetória política. Em 1972, candidatou-se pela primeira vez ao cargo de vereador, ficando na suplência. A partir dessa data continuou persistente, não desistiu. A convite do prefeito João Pereira foi trabalhar na prefeitura de Peri-Mirim no ano de 1978, lá conheceu a Eloisa que é a sua atual companheira com quem teve dois filhos Salma e Yuri. e, em 1982, foi eleito prefeito de Peri-Mirim, exercendo um mandato de seis anos. Em 1988, a sua sucessora foi a senhora Carmem Martins, e em 1996, retornou ao cargo de prefeito, conquistando novamente a confiança da população.

Durante seus mandatos, realizou obras de grande impacto para o município, como a construção de postos de saúde, escolas, prefeitura, câmara municipal, mercado municipal e jardins de infância, além de trazer diversos outros benefícios para a população.

De jesus tem um grande legado na politica do município de Peri-Mirim, com pessoas da sua família à frente de algumas gestões, a sua ex companheira Carmem Martins, o seu filho Yury e o atual prefeito Heliezer.

De Jesus, como é carinhosamente conhecido, continua entre nós e é reconhecido como um dos grandes políticos que marcaram a história do município, deixando um legado de trabalho e dedicação ao povo de Peri-Mirim.

SEBASTIÃO ÁLVARES PINHEIRO

ENTREVISTA REALIZADA EM 07 DE SETEMBRO DE 2022

ENTREVISTADOR: Acadêmico Francisco Viegas Paz

Acompanharam a entrevista alternadamente: João Lopes (genro), Clóvis Martins Pinheiro (filho) e Rosa Amélia Pinheiro Lopes (filha).

Sebastião Álvares Pinheiro, nasceu em 19 de janeiro de 1931, (atualmente com 91 anos de idade), no povoado de Minas, município de Peri-Mirim, filho de Vicente Nunes Pinheiro e Ângela Álvares Pinheiro. Ele se considera lavrador, embora praticasse o comércio de compra e venda de bens de consumo alimentar e outros produtos.

Sebastião foi aluno da professora Cecília Botão, com quem estudou até a 5ª série do primeiro grau. Como foi bem alfabetizado, desenvolveu a técnica de pronunciar o alfabeto de trás para frente.

Sebastião foi casado com Damiana Francisca Martins Pinheiro, já falecida e com a qual teve os seguintes filhos:

01 – Antônia Martins Pinheiro;

02 – Sebastião Martins Pinheiro;

03 – Clóvis Martins Pinheiro;

04 – Fátima Martins Pinheiro;

05 – Rosa Maria Martins Pinheiro;

06 – Luiza Helena Martins Pinheiro;

07 – Rosa Amélia Pinheiro Lopes.

Sebastião é um homem dedicado à religião católica, que a pratica em prol da família e da comunidade. É de sua autoria entre outros a criação da comunidade J.J.M. (Juçaral, Jaburu e Minas).

Durante muitos anos Sebastião conviveu com uma doença que dificultava o seu deslocamento e o fazia andar com passos trôpegos. Em função disso frequentava constantemente consultórios médicos. De tantas idas e voltas, os profissionais de saúde formaram uma junta médica com o intuito de estudarem a sua patologia e tentarem reverter o quadro clínico ora apresentado. E deu certo. Sebastião foi medicado e encaminhado para o Sara em Brasília. O remédio milagroso, até hoje, o mantém literalmente de pé.

Com todas as dificuldades que a vida lhe impôs por muitos anos, ele não se entregava a convalescência e trabalhava na lavoura e principalmente comercializando todo tipo de mercadoria, levando umas de Peri-Mirim para São Luís e trazendo outras de São Luís para Peri-Mirim, em barco a vela, na época da sua militância.

Sebastião criava um pequeno rebanho de gado para a subsistência da família, conforme relatou sua filha Rosa Amélia.

O entrevistador agradeceu em nome da ALCAP e encerrou a entrevista.

JOÃO BATISTA LIMA

Por Ana Creusa e Ana Cléres

João Batista Lima nasceu em 15 de março de 1931, no Bairro de Portinho, no município de Peri-Mirim/MA. Filho de Raimundo Lima e Raimunda França Lima. Afirmou que teve 16 (dezesseis) irmãos e que ainda tem uma irmã viva que mora em Brasília.

Estudou até o 4º ano com a professora Santinha Miranda. Vinha caminhando do Portinho até a sede para estudar. O ensino era na palmatória. A professora batia nas pernas. No dia do “Argumento” ele sentava-se no final da sala para dar bolo nos colegas que erravam a Tabuada ou na leitura.

Vereador na época de Zé Bacaba. Conviveu com Agripino Marques. Conheceu Ignácio de Sá Mendes, que morava na esquina, onde hoje funcionou Centro de Ensino Médio Escolar Artur Carvalho (antigo CEMA).

Lembra que a Igreja de São João Batista do Portinho foi fundada por Secundino Pereira, cujo barco também homenageava o Santo.

João Lima casou-se com Maria Celeste Martins Lima. Tiveram 10 (dez) filhos, todos vivos: Maria do Sacramento Lima; Dulcineia Lima Barros, José Ribamar Lima, João Lima Filho, Jaime Martins Lima, José de Jesus Lima, Assunção de Maria Lima, Doralice Lima Nunes, Jadilson Martins Lima e Maria do Livramento Lima.

Foi vereador por vários mandatos, informou que as reuniões eram marcadas pelo Prefeito e que não existia remuneração para os vereadores. Foi empregado do Estado do Maranhão, vigia do CEMA, nomeado pelo Governador João Castelo.

João Lima foi responsável por várias obras, como a estrada do Portinho. Lembra que o prédio antigo da prefeitura fora construído por Marcionílio, que era do Povoado Santana e morava na Rua do CEMA. Teve conhecimento que Marcionílio era juiz. Lembra que a 1ª professora da Escola São João Batista foi Irani, filha de Luís Escovado, que casou com a filha de Ignácio de Sá Mendes.

Quanto à rivalidade entre as pessoas residentes da sede e os moradores do Portinho, diz que existia essa contenda, mas, que nunca se envolveu, pois, “não era de briga”.

Diz que conheceu José dos Santos, que era conhecido por ser forte, que amassava barro para fazer telhas e tijolos e era amigo de todos e que brincava Bumba Boi, que João Lima também era apreciador. Recorda que existia uma grande competição para ver quem se vestia melhor na festa de São Sebastião.

Disse que o Padre Edmundo ficou muito tempo na paróquia de Peri-Mirim, tem fortes recordações do Casarão das Freiras, as quais trabalhavam na área da Saúde. Também lembrou das parteiras: Rosa, mãe de Severino; Nharinha, mãe de Albertina, irmã de Rita de Osmar, as quais prestaram relevantes serviços à comunidade em uma época que os partos eram feitos de forma rudimentar e na casa da parturiente.

Recorda que a Cooperativa dos Produtores Rurais de Peri-Mirim foi fundada pelo Padre Gerard Gagnon e foi muito importante para os trabalhadores que tinham onde vender seus produtos a preços justos.

Acompanhou vários melhoramentos no município de Peri-Mirim, como a instalação da energia elétrica. Andou de avião teco-teco a partir do Campo de Pouso, com destino a São Luís, levando a sua esposa doente.

João Lima é muito querido em sua comunidade, tem vários afilhados, goza de boa saúde, trabalha no comércio, ainda faz contas e tira prova. É apreciador da cultura popular e mantém viva algumas superstições. Por exemplo, recebeu as entrevistadoras com a camisa do lado do avesso, para não “pegar mal olhado”.

 

OSVALDO ALVES

Por Ana Creusa e Ana Cléres

Osvaldo Alves, conhecido como Brigador, nasceu na sede de Peri-Mirim, em 19 de agosto de 1932. Filho de Mundico Castro e Juliana Maria Lopes Alves. Trabalhava com agricultura e pesca, mas, sua atividade principal era trabalhar com o gado de propriedade de Vadico, irmão de Cotinha de Osmar. Estudou até o 1º ano primário na Casa de Santinha Miranda, a educação era “na palmatória”. Teve que parar de estudar para poder trabalhar e ajudar sua mãe.

Perguntado sobre a sua alcunha de Brigador, Osvaldo falou que morava com sua mãe no local onde depois residiu Sipreto, saía escondido de casa e ia lutar com os amigos no Bairro Campo de Pouso, onde era conhecido como bom de briga.

Casou-se com Nelci, com quem teve 09 (nove) filhos: José Luís Lopes Alves (in memoriam); João Pedro; Osvaldo Alves Filho; Nilton; Francite; Marinete; Lucinete; Carlos Alberto e Josuel.

A casa de Osvaldo e Nelci, localizada na entrada da cidade, era utilizada para abrigar alunos da zona rural, especialmente dos povoados: Poções, Ponta D´Poço, Cametá e Ilha Grande. Os filhos de Zé Santos, Santinho, Dico Nunes e outros, sempre tomavam banho e trocavam roupas para irem à Escola. A criançada eram bem tratada pelo casal.

Perguntado sobre as suas lembranças sobre os prefeitos de Peri-Mirim, Osvaldo respondeu que lembra de Tarquínio de Souza, que morava na Tijuca, tinha engenho, onde um macaco de ferro era utilizado como ferramenta. Muita gente trabalhava nos engenhos do Rio da Prata, Teresópolis e do Engenho Queimado que, segundo Osvaldo, ainda existe.

Também mantém fortes lembranças de Agripino Marques, Ademar Peixoto e Zé Bacaba. Ele destaca que Agripino construiu o Cemitério, a Delegacia, o Colégio Carneiro de Freitas e a Barragem do Defunto (hoje Maria Rita) em regime de mutirão, onde ele participou dos trabalhos como voluntário, assim com Zé Santos e outros. No mutirão ganhavam apenas comida e cachaça. A comida era servida em folha de bananeira. Contou que Agripino indicou a hora exata de fazer a tapagem da barragem. O barro ficou todo acumulado ao lado do canal e foi colocado todo de uma vez, segurando a maresia. Sobre Zé Bacaba, Osvaldo destaca que no seu governo foi instalado o motor de luz elétrica que funcionava somente até as dez horas da noite.

Quanto às tradições, recorda Osvaldo, com saudade, que era brincador de Bumba Boi, que nas apresentações sempre era chamado a participar de lutas como diversão para os presentes, mas para ele era sério, pois, não admitia perder e assim mantinha a sua fama de brigador. Também gostava de brincar Carnaval e do festejo de São Sebastião, cujas roupas eram compradas em São Bento, sempre feitas no capricho pelo alfaiate Antônio Porca e os sapatos, por Antônio de Coió e Chico Putuca. No Festejo de São Sebastião sempre caprichava no paletó.

Conta que era compadre de Jacinto Pinto, padrinho do seu filho Carlos Alberto. Seu compadre foi morto no Povoado Xavi na véspera de ano novo. O corpo passou em sua porta, foi motivo de muita tristeza e comoção.

Osvaldo, com sua memória prodigiosa, falou sobre o carpinteiro Antoninho Lobato, dos marceneiros Jair Amorim e Albino, seus colegas de festas. Afirmou que conheceu Naísa Amorim, que era professora, morava no mesmo local onde posteriormente viveu Paulo Dentista, em frente à casa de Dedeco Mendes. Disse, ainda que conheceu os filhos de João de Deus do Feijoal, especialmente: Manoel Martins, Procório, Benvindo e Isabel Nunes. Conheceu também o Coronel Carneiro de Freitas, que quando vinha a Peri-Mirim, sempre se hospedava na casa de José Gomes, que era irmão de Miguel Gomes que, por sua vez, era marido de Mundica Gomes, mãe de Chiquinho e Borges Gomes.

Recorda com carinho da sua mãe que educava os filhos com rigor, mas não costumava bater. Ele é o 2º filho. Sua mãe os colocava nos trabalhos da roça, tinha muita fartura, fazia farinha na casa de Zé Barreira.

A convite da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), no dia  25/01/2024, Osvaldo Alves participou da Expedição com acadêmicos, professores, alunos e idosos, participou das visitas às obras da Barragem Maria Rita. Osvaldo, visivelmente emocionado, comentava cada momento marcante que o fez voltar ao tempo em que participou da construção da barragem, que àquela época levava o nome de Barragem de Defunto.