Sivaldo Melo Buais

Sivaldo Melo Buais, conhecido por Dr. Silvinho ou simplesmente Silvinho. Nasceu no município de Peri Mirim em 17 de novembro de 1971, sendo o segundo de uma prole de doze (12) filhos do casal Sebastião Latimberg Buais (Baco) e Santíssima da Trindade Melo Buais (Tasha e Santinha). Irmãs e irmãos: Fefinha, Chica, Lena, Tatá, Neide, Dacione, Sidinho, Tchuka, Baquinho, Bibico e Zé (em memória). Porém, foi criado e educado por sua avó materna Itelvina (em memória), a quem considerava como mãe.

Casado com a professora Maria Ribamar P. Buais (Sinoca), com quem convive desde 1989 e tem um casal de filhos, Samara Pereira Buais e Sanmuel Pereira Buais.

Estudou de 1ª à 4ª série na Escola Carneiro de Freitas localizada na Praça São Sebastião na sede deste município. Cursou o ensino fundamental em São Luís MA, (CEMA do Anjo da Guarda e Unidade Integrada Roseana Sarney Murad no São Francisco). Por gostar de estudar e por falta de oportunidades para o ensino superior, concluiu o ensino médio três vezes, as duas últimas em Peri Mirim onde contou com a orientação de vários Professores, inclusive, o saudoso professor Batista Martins.

Formou-se em Magistério no ano de 1999 pela Escola Cecília Botão.

Aos 12 anos aprendeu eletrônica e trabalhou como Radiotécnico de 1985 até 2012, tendo sido Técnico titular da TVC eletrônica (São Luís), Eletro-Sistem (São Luís) e Eletrônica Buais (Peri mirim) de 1994 a 2007, fez alguns projetos eletrônico, montagens de aparelhagens de som, circuitos elétricos e outros.

Embora tivesse vocação para o direito desde da infância, seu interesse pelo curso aumentou, após, ter sido injustiçado por desinteresse de um profissional da área criminal, contudo só conseguiu ingressar na faculdade de direito aos 41 anos de idade, sendo o mais velho e o menor da turma, pois, a idade de seus colegas era inferior a 25 anos. Apesar disso, com a benção de Deus, foi aprovado no exame de ordem ainda cursando a faculdade.

Além de advogado, é professor, eletricista, técnico em eletrônica, serralheiro, soldador elétrico, pedreiro, carpinteiro, encanador, motorista, montador de antenas parabólicas, operador de ETA, operador de sistema, técnico em informática e etc.

Aprovado em diversos concursos públicos, trabalhou como vigia/porteiro e professor pelo município de Palmeirândia de 1997 à 2019, Instrutor e supervisor do IBGE no ano 2000 e na CAEMA como Operador de ETA desde 2007.

Formação acadêmica: Pedagogia, Magistério, Contabilidade, Direito, (Licenciatura em matemática e licenciatura em Música incompletos) e ainda cursos de extensão em Gestão Escolar, Inglês e Espanhol.

Especialista em Direito Criminal, Direito Eleitoral, Direito Trabalhista e Previdenciário. Cursando especialização em Investigação Forense e Perícias Criminais.

Mestrando em Direito pelo CEUMA. Atua desde 2018 como Defensor Dativo na área criminal.

É também, Conselheiro Ambiental representando a CAEMA no Comitê de Bacias(CBH) do Rio Turiaçu e vice-presidente da comissão provisória para criação do Comitê de Bacias(CBH) do Rio Pericumã, além de participar de outros projetos na área ambiental. Representante jurídico da igreja CCB com sede administrativa em Pinheiro MA.

Membro da coordenação territorial das associações quilombolas de Peri Mirim e assessor jurídico de outras instituições. Participante do movimento das pessoas com deficiência. Membro de algumas comissões da OAB, nas áreas de meio ambiente, criminal/direitos humanos, eleitoral, previdenciário e outros.

Benedito de Jesus Costa Serrão

Por Cintia Cristina Martins Serrão e Diêgo Nunes Boaes

Benedito de Jesus Costa Serrão nasceu no povoado Centro dos Coelhos, município de Palmeirândia, no dia 20 de dezembro de 1933. Filho de Frederico Alves Serrão e Celestina Costa, teve três irmãos: José Beijamim, Maria José e Onélio Costa.

Em 1965, Benedito de Jesus, conhecido como De Jesus Serrão, mudou-se para o povoado Três Marias para trabalhar como benfeitor do senhor Jaime Martins Corrêa (conhecido como Jair), um importante produtor de cana-de-açúcar da região, que possuía alambiques, engenho e fabricava cachaça e mel de cana.

Foi nesse período que De Jesus conheceu a senhora Carmem Martins, no povoado Tijuca. Juntos, decidiram viver em união e constituíram família, tendo três filhos: Cíntia, Benedito Filho e Weliton. Ele já tinha outros filhos de relacionamentos anteriores: Celico, Nazaré, Ana Lucia, Marileia, Laudilene Josely, Fideles, Suely, Helio, Heliezer, Ivanilde, Elisabethe e Francisco.

Após se estabelecer em Três Marias, De Jesus propôs a compra de um pedaço de terra ao senhor Durans, que aceitou a negociação. No terreno adquirido, localizado à direita da propriedade, construiu sua casa e fixou residência definitiva.

Em 1970, iniciou seus próprios negócios, abrindo um comércio de compra e venda de arroz e babaçu, contando com o apoio da esposa Carmem e do sócio Cosme Duarte, apesar de continuar colaborando com o senhor Jair. Sua postura prestativa e a disposição em ajudar a comunidade fizeram com que De Jesus se tornasse conhecido em diversos povoados vizinhos.

Por morar próximo à estrada que ligava vários municípios, De Jesus conheceu Geraldino e Isaac Dias, importante político da cidade de São Bento. A amizade com Isaac cresceu a ponto de ele se tornar padrinho de um de seus filhos. Reconhecendo seu potencial, Isaac incentivou De Jesus a ingressar na política, convidando-o a filiar-se a um partido no município de Peri-Mirim.

Dessa forma, começou sua trajetória política. Em 1972, candidatou-se pela primeira vez ao cargo de vereador, ficando na suplência. A partir dessa data continuou persistente, não desistiu. A convite do prefeito João Pereira foi trabalhar na prefeitura de Peri-Mirim no ano de 1978, lá conheceu a Eloisa que é a sua atual companheira com quem teve dois filhos Salma e Yuri. e, em 1982, foi eleito prefeito de Peri-Mirim, exercendo um mandato de seis anos. Em 1988, a sua sucessora foi a senhora Carmem Martins, e em 1996, retornou ao cargo de prefeito, conquistando novamente a confiança da população.

Durante seus mandatos, realizou obras de grande impacto para o município, como a construção de postos de saúde, escolas, prefeitura, câmara municipal, mercado municipal e jardins de infância, além de trazer diversos outros benefícios para a população.

De jesus tem um grande legado na politica do município de Peri-Mirim, com pessoas da sua família à frente de algumas gestões, a sua ex companheira Carmem Martins, o seu filho Yury e o atual prefeito Heliezer.

De Jesus, como é carinhosamente conhecido, continua entre nós e é reconhecido como um dos grandes políticos que marcaram a história do município, deixando um legado de trabalho e dedicação ao povo de Peri-Mirim.

SEBASTIÃO ÁLVARES PINHEIRO

ENTREVISTA REALIZADA EM 07 DE SETEMBRO DE 2022

ENTREVISTADOR: Acadêmico Francisco Viegas Paz

Acompanharam a entrevista alternadamente: João Lopes (genro), Clóvis Martins Pinheiro (filho) e Rosa Amélia Pinheiro Lopes (filha).

Sebastião Álvares Pinheiro, nasceu em 19 de janeiro de 1931, (atualmente com 91 anos de idade), no povoado de Minas, município de Peri-Mirim, filho de Vicente Nunes Pinheiro e Ângela Álvares Pinheiro. Ele se considera lavrador, embora praticasse o comércio de compra e venda de bens de consumo alimentar e outros produtos.

Sebastião foi aluno da professora Cecília Botão, com quem estudou até a 5ª série do primeiro grau. Como foi bem alfabetizado, desenvolveu a técnica de pronunciar o alfabeto de trás para frente.

Sebastião foi casado com Damiana Francisca Martins Pinheiro, já falecida e com a qual teve os seguintes filhos:

01 – Antônia Martins Pinheiro;

02 – Sebastião Martins Pinheiro;

03 – Clóvis Martins Pinheiro;

04 – Fátima Martins Pinheiro;

05 – Rosa Maria Martins Pinheiro;

06 – Luiza Helena Martins Pinheiro;

07 – Rosa Amélia Pinheiro Lopes.

Sebastião é um homem dedicado à religião católica, que a pratica em prol da família e da comunidade. É de sua autoria entre outros a criação da comunidade J.J.M. (Juçaral, Jaburu e Minas).

Durante muitos anos Sebastião conviveu com uma doença que dificultava o seu deslocamento e o fazia andar com passos trôpegos. Em função disso frequentava constantemente consultórios médicos. De tantas idas e voltas, os profissionais de saúde formaram uma junta médica com o intuito de estudarem a sua patologia e tentarem reverter o quadro clínico ora apresentado. E deu certo. Sebastião foi medicado e encaminhado para o Sara em Brasília. O remédio milagroso, até hoje, o mantém literalmente de pé.

Com todas as dificuldades que a vida lhe impôs por muitos anos, ele não se entregava a convalescência e trabalhava na lavoura e principalmente comercializando todo tipo de mercadoria, levando umas de Peri-Mirim para São Luís e trazendo outras de São Luís para Peri-Mirim, em barco a vela, na época da sua militância.

Sebastião criava um pequeno rebanho de gado para a subsistência da família, conforme relatou sua filha Rosa Amélia.

O entrevistador agradeceu em nome da ALCAP e encerrou a entrevista.

JOÃO BATISTA LIMA

Por Ana Creusa e Ana Cléres

João Batista Lima nasceu em 15 de março de 1931, no Bairro de Portinho, no município de Peri-Mirim/MA. Filho de Raimundo Lima e Raimunda França Lima. Afirmou que teve 16 (dezesseis) irmãos e que ainda tem uma irmã viva que mora em Brasília.

Estudou até o 4º ano com a professora Santinha Miranda. Vinha caminhando do Portinho até a sede para estudar. O ensino era na palmatória. A professora batia nas pernas. No dia do “Argumento” ele sentava-se no final da sala para dar bolo nos colegas que erravam a Tabuada ou na leitura.

Vereador na época de Zé Bacaba. Conviveu com Agripino Marques. Conheceu Ignácio de Sá Mendes, que morava na esquina, onde hoje funcionou Centro de Ensino Médio Escolar Artur Carvalho (antigo CEMA).

Lembra que a Igreja de São João Batista do Portinho foi fundada por Secundino Pereira, cujo barco também homenageava o Santo.

João Lima casou-se com Maria Celeste Martins Lima. Tiveram 10 (dez) filhos, todos vivos: Maria do Sacramento Lima; Dulcineia Lima Barros, José Ribamar Lima, João Lima Filho, Jaime Martins Lima, José de Jesus Lima, Assunção de Maria Lima, Doralice Lima Nunes, Jadilson Martins Lima e Maria do Livramento Lima.

Foi vereador por vários mandatos, informou que as reuniões eram marcadas pelo Prefeito e que não existia remuneração para os vereadores. Foi empregado do Estado do Maranhão, vigia do CEMA, nomeado pelo Governador João Castelo.

João Lima foi responsável por várias obras, como a estrada do Portinho. Lembra que o prédio antigo da prefeitura fora construído por Marcionílio, que era do Povoado Santana e morava na Rua do CEMA. Teve conhecimento que Marcionílio era juiz. Lembra que a 1ª professora da Escola São João Batista foi Irani, filha de Luís Escovado, que casou com a filha de Ignácio de Sá Mendes.

Quanto à rivalidade entre as pessoas residentes da sede e os moradores do Portinho, diz que existia essa contenda, mas, que nunca se envolveu, pois, “não era de briga”.

Diz que conheceu José dos Santos, que era conhecido por ser forte, que amassava barro para fazer telhas e tijolos e era amigo de todos e que brincava Bumba Boi, que João Lima também era apreciador. Recorda que existia uma grande competição para ver quem se vestia melhor na festa de São Sebastião.

Disse que o Padre Edmundo ficou muito tempo na paróquia de Peri-Mirim, tem fortes recordações do Casarão das Freiras, as quais trabalhavam na área da Saúde. Também lembrou das parteiras: Rosa, mãe de Severino; Nharinha, mãe de Albertina, irmã de Rita de Osmar, as quais prestaram relevantes serviços à comunidade em uma época que os partos eram feitos de forma rudimentar e na casa da parturiente.

Recorda que a Cooperativa dos Produtores Rurais de Peri-Mirim foi fundada pelo Padre Gerard Gagnon e foi muito importante para os trabalhadores que tinham onde vender seus produtos a preços justos.

Acompanhou vários melhoramentos no município de Peri-Mirim, como a instalação da energia elétrica. Andou de avião teco-teco a partir do Campo de Pouso, com destino a São Luís, levando a sua esposa doente.

João Lima é muito querido em sua comunidade, tem vários afilhados, goza de boa saúde, trabalha no comércio, ainda faz contas e tira prova. É apreciador da cultura popular e mantém viva algumas superstições. Por exemplo, recebeu as entrevistadoras com a camisa do lado do avesso, para não “pegar mal olhado”.

 

OSVALDO ALVES

Por Ana Creusa e Ana Cléres

Osvaldo Alves, conhecido como Brigador, nasceu na sede de Peri-Mirim, em 19 de agosto de 1932. Filho de Mundico Castro e Juliana Maria Lopes Alves. Trabalhava com agricultura e pesca, mas, sua atividade principal era trabalhar com o gado de propriedade de Vadico, irmão de Cotinha de Osmar. Estudou até o 1º ano primário na Casa de Santinha Miranda, a educação era “na palmatória”. Teve que parar de estudar para poder trabalhar e ajudar sua mãe.

Perguntado sobre a sua alcunha de Brigador, Osvaldo falou que morava com sua mãe no local onde depois residiu Sipreto, saía escondido de casa e ia lutar com os amigos no Bairro Campo de Pouso, onde era conhecido como bom de briga.

Casou-se com Nelci, com quem teve 09 (nove) filhos: José Luís Lopes Alves (in memoriam); João Pedro; Osvaldo Alves Filho; Nilton; Francite; Marinete; Lucinete; Carlos Alberto e Josuel.

A casa de Osvaldo e Nelci, localizada na entrada da cidade, era utilizada para abrigar alunos da zona rural, especialmente dos povoados: Poções, Ponta D´Poço, Cametá e Ilha Grande. Os filhos de Zé Santos, Santinho, Dico Nunes e outros, sempre tomavam banho e trocavam roupas para irem à Escola. A criançada eram bem tratada pelo casal.

Perguntado sobre as suas lembranças sobre os prefeitos de Peri-Mirim, Osvaldo respondeu que lembra de Tarquínio de Souza, que morava na Tijuca, tinha engenho, onde um macaco de ferro era utilizado como ferramenta. Muita gente trabalhava nos engenhos do Rio da Prata, Teresópolis e do Engenho Queimado que, segundo Osvaldo, ainda existe.

Também mantém fortes lembranças de Agripino Marques, Ademar Peixoto e Zé Bacaba. Ele destaca que Agripino construiu o Cemitério, a Delegacia, o Colégio Carneiro de Freitas e a Barragem do Defunto (hoje Maria Rita) em regime de mutirão, onde ele participou dos trabalhos como voluntário, assim com Zé Santos e outros. No mutirão ganhavam apenas comida e cachaça. A comida era servida em folha de bananeira. Contou que Agripino indicou a hora exata de fazer a tapagem da barragem. O barro ficou todo acumulado ao lado do canal e foi colocado todo de uma vez, segurando a maresia. Sobre Zé Bacaba, Osvaldo destaca que no seu governo foi instalado o motor de luz elétrica que funcionava somente até as dez horas da noite.

Quanto às tradições, recorda Osvaldo, com saudade, que era brincador de Bumba Boi, que nas apresentações sempre era chamado a participar de lutas como diversão para os presentes, mas para ele era sério, pois, não admitia perder e assim mantinha a sua fama de brigador. Também gostava de brincar Carnaval e do festejo de São Sebastião, cujas roupas eram compradas em São Bento, sempre feitas no capricho pelo alfaiate Antônio Porca e os sapatos, por Antônio de Coió e Chico Putuca. No Festejo de São Sebastião sempre caprichava no paletó.

Conta que era compadre de Jacinto Pinto, padrinho do seu filho Carlos Alberto. Seu compadre foi morto no Povoado Xavi na véspera de ano novo. O corpo passou em sua porta, foi motivo de muita tristeza e comoção.

Osvaldo, com sua memória prodigiosa, falou sobre o carpinteiro Antoninho Lobato, dos marceneiros Jair Amorim e Albino, seus colegas de festas. Afirmou que conheceu Naísa Amorim, que era professora, morava no mesmo local onde posteriormente viveu Paulo Dentista, em frente à casa de Dedeco Mendes. Disse, ainda que conheceu os filhos de João de Deus do Feijoal, especialmente: Manoel Martins, Procório, Benvindo e Isabel Nunes. Conheceu também o Coronel Carneiro de Freitas, que quando vinha a Peri-Mirim, sempre se hospedava na casa de José Gomes, que era irmão de Miguel Gomes que, por sua vez, era marido de Mundica Gomes, mãe de Chiquinho e Borges Gomes.

Recorda com carinho da sua mãe que educava os filhos com rigor, mas não costumava bater. Ele é o 2º filho. Sua mãe os colocava nos trabalhos da roça, tinha muita fartura, fazia farinha na casa de Zé Barreira.

A convite da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), no dia  25/01/2024, Osvaldo Alves participou da Expedição com acadêmicos, professores, alunos e idosos, participou das visitas às obras da Barragem Maria Rita. Osvaldo, visivelmente emocionado, comentava cada momento marcante que o fez voltar ao tempo em que participou da construção da barragem, que àquela época levava o nome de Barragem de Defunto.

UMA LEMBRANÇA EMOCIONANTE

Albina Alves nasceu em 31 de março de 1934 no Povoado Enseada do Tanque. Filha de Antônia Alves e Raimundo Amorim. Sua mãe era de Palmeirândia. Albina residiu por muitos anos na casa da família de Jacintho e Mercês Bordalo e guarda lembranças dignas de registro de José Ribamar Martins Bordalo.

Albina tinha apenas 11 anos de idade, estava na varanda da casa dos Bordalos em São Bento quando ouviu o choro de nascimento de José Ribamar. Ele era um menino saudável. A partir daí ocupou-se dos cuidados com o menino. Acompanhou os primeiros passos, o nascimento dos primeiros dentinho e o balbuciar das primeiras palavras daquela criança que aprendeu a amar e que jamais se separou.

Lembra que a família de Bordalo tinha posses, era um dos maiores comerciantes de São Bento. Mas que o filho Francisco foi acometido de uma doença grave e, por conselho de Dr. Fenando Viana do São José, levaram o menino de avião para tratar em São Luís – venderam todas as suas posses para curar o menino enfermo. O Casal Jacintho e Mercês viajaram para São Luís com Francisco e deixaram as outras crianças nas casas de parentes. José Ribamar ficou na casa do irmão da sua mãe Benvindo Mariano Martins, que recebeu os ensinamentos para cuidar do gado com José de Jesus (Zozoca).

Na volta de São Luís, o casal sem a posses que tinha antes, foram morar no Feijoal nas terras de João de Deus, pai da mãe de Bordalo. Lá com muito trabalho e apoio da Família, voltaram a adquirir posse, dessa feita com a pecuária – paixão que acompanhou José Ribamar até os últimos dias da sua vida.

Albina conta que teve 10 filhos com João José Martins, filho da parteira Tibúrcia. Ela morava no Feijoal – nas terras dos Martins, até seu marido ser assassinado. Ela sempre trabalhava na casa dos pais de José Ribamar, mas com a tragédia foi morar próximo à casa da sua sogra. Porém, nunca perdeu o contato com a família.

Recorda com carinho que foi José Ribamar que a levou para Peri-Mirim e providenciou uma casa para ela morar com a família. Fala com carinho do “menino Bordalo”. Que na fase adulta nunca a abandonou, que a visitava. Sempre atencioso. Diz Albina que ainda não se recuperou da perda de uma das pessoas que mais amou na vida.

Com lágrimas nos olhos, Albina lembra com admiração e Gratidão do menino que viu nasceu e que depois sempre cuidou para que ela ficasse bem, que não lhe faltasse nada! Elevando as mãos ao Céu, ela pede a Deus que acolha José Ribamar Martins Bordalo na Luz da Vossa Face!

ALEXSANDRA ALVES GARCIA

Nascida em 1977, em Peri Mirim, Baixada Maranhense, filha dos agricultores, João Roberto Garcia, já falecido e Maria Celeste Garcia. Alexsandra Alves Garcia, chegou ao Paço do Lumiar em 1991 pra morar com as irmãs, concluiu o ensino médio no Colégio Erasmo Dias, no Maiobão, foi doméstica, é comerciante do ramo de refrigeração e chega à Câmara Municipal com uma longa trajetória de mulher trabalhadora. Tem uma filha de 18 anos, Eunice Garcia e vive há dez anos com Adriano Linhares, há seis anos mora na Vila Epitácio Cafeteira.

Ingressou à Câmara Municipal de Paço do Lumiar como filiada ao Partido Rede Sustentabilidade em 2019 e é eleita vereadora pela primeira vez em 2020, com 320 votos. Períodos de Mandatos:
2021 a 2024.

A vereadora é bastante atuante na Câmara Municipal, apresentou vários projetos de lei, destacando-se o projeto que obriga bares, cafés, quiosques, centros e complexos gastronômicos, restaurantes, casas noturnas, casas de show e de eventos em geral de Paço do Lumiar a adotar medidas de auxilio à mulher que se sinta em situação de risco e também o projeto que reconhece oficialmente a língua brasileira de sinais Libras no Município de Paço do Lumiar, bem como outros projetos ligados à Cultura.

Maria da Conceição Pinheiro de Almeida

Maria da Conceição Pinheiro de Almeida nasceu em Peri-Mirim/MA, é licenciada em História na Universidade Federal do Maranhão. Especialista em Saúde da Mulher Negra também pela Universidade Federal do Maranhão. Mestre em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco e doutoranda em História Social na Universidade Federal do Ceará. Suas pesquisas estão voltadas para as temáticas referentes à população negra, especialmente, em seus trabalhos de conclusão de curso, especialização e atualmente em seu curso de doutorado, onde está trabalhando o processo de territorialização quilombola na Baixada Maranhense, mas também desenvolveu pesquisas na área da Saúde Pública e pobreza em sua dissertação de Mestrado.

Autora de capítulo de livro nas obras “Histórias da pobreza no Brasil” (Porões, sótãos e palhoças: as moradias dos pobres sob a mira do Serviço Sanitário em São Luís/MA, nos primeiros anos da República – publicado em 2019); “São Luís do Maranhão: Novos olhares” (O Estado sanitário da cidade de São Luís no início do século XX – publicado em 2012); “História do Maranhão: Novos estudos – publicado em 2004).

Autora do livro “Saúde pública e pobreza em São Luís na Primeira República, publicado em 2022. Autora do artigo “Baixada Ocidental Maranhense: aspectos históricos da trajetória de negros e negras na Baixada Ocidental Maranhense, publicado em 2021. Atuou como professora do Ensino Básico na Secretaria de Estado da Educação do Maranhão no município de Pinheiro/MA no período de 2002 a 2018. Atualmente exerce a função de Assistente em Administração na Universidade Federal do Maranhão.

MIRIAN COSTA PEREIRA

Mirian Costa Pereira nasceu no dia 29 de abril de 1934, na Ilha do Maracujá.

Iniciando seus estudos aos 9 anos, com a professora Julieta Castro Marques, em sua casa, no povoado São Lourenço, no ano de 1943.   Mudou-se para São Luís do Maranhão aos 16 anos, em 1950, e iniciou seus estudos no Instituto Rosa Castro, concluindo o 2º grau da época no ano de 1960.

De volta à sua terra natal, no povoado São Lourenço já 1961 – iniciou suas atividades profissionais, na escola Santo Augustinho, povoado do mesmo nome, permanecendo lá ate, 1967.

Em 1966, participou de cursos preparatórios para catequistas, no munícipio de Guimarães, e anos depois participou do Encontro de Casais com Cristo, encontro dos dirigentes e pastoral familiar.

Em 1968 – A convite padre Gerard e o prefeito José Ribamar Martins, conhecido popularmente como (José Bacaba) veio trabalhar como professora de História e Geografia no curso de Técnico Agrícola, no Ginásio Bandeirantes no turno vespertino e noturno, que tinha como diretora a senhora Jarinila Pereira Campos, posteriormente, se tornou diretora do Grupo Escolar Carneiro de Freitas (4ª e 5ª série) sucedendo a senhora Cecilia Botão. Uma das que mais marcaram a vida da dona Miriam foi Jarinila Pereira Campos, amigas durante toda a vida.

No ano de 1972 entrou para o clube das mães, tendo sido presidente do clube da sede, durante quatro anos. Ofereceu suas habilidades tanto culturais como manuais para todos os clubes existentes na paroquia, nas reuniões mensais com sua representatividade.

Atuou como dirigente dos cultos dominicais.

Segundo dona Ana Lúcia, companheira de longa data, ela colaborou com a paróquia ensinando a catequese aos adultos e também na alfabetização dos mesmos para leitura da Bíblia e do catecismo entre os anos de 1968 e 1973. E juntamente com a irmã Marieta formou o Presidium em São Lourenço e fortaleceu a legião de Maria no mesmo povoado.

No ano de 1970 – Conheceu o Sr. Venceslau Pereira, em uma reunião da Cooperativa Agropecuária de Peri-Mirim, a qual foi sócia fundadora.

Os padres Pe. Paulo em Bequimão e Pe. Gerard em Peri-Mirim foram cupidos do namoro entre Venceslau e Mirian, namorando durante mais de dois anos.

Em 1971 a 1985 –  recebeu a direção integral do Grupo Escolar Carneiro de Freitas.

Em 1972 – casou-se com Venceslau Pereira no 12 de fevereiro de 1972 em uma terça-feira de carnaval, na Ilha do Maracujá, casamento este celebrado pela pe. Gerard Gagnon. Desse matrimônio nasceu no ano de 1973 Venceslau Pereira Junior e em 1975 Mercedes costa Pereira. Nesse mesmo ano prestou vestibular na UEMA. Para o curso de Licenciatura em Pedagogia, iniciando as aulas em dezembro desse mesmo ano no município de Caxias.

Entre os anos de 1979 e 1985 participava mensalmente no salão paroquial do estudo da folha bíblica para os cultos dominicais – foi dirigente do mesmo por vários anos.

Depoimento de Rosa Gomes: Enquanto diretora trabalhei com ela sempre admirei sua responsabilidade, paciência, amor e dedicação à sua profissão, eu vinha de Santana, ela já estava no trabalho.

Na época do padre Helder ela se dedicou à igreja e aos trabalhos da casa paroquial, ajudando financeiramente. Em 1985 com padre Helder, vendo a necessidade da igreja fundou o dízimo e pediu a colaboração de D. Rosinha Gomes, ficando as duas responsáveis pelo dinheiro, depois disso, adoeceu e passou para sua companheira.

Mais tarde ingressou na Legião de Maria sempre colaborando com dedicação e amor, estamos lhe esperando com fé em Deus e Maria Santíssima.

1985 – Aposentou-se do Estado aos 35 anos de serviço.

2001 – Ficou viúva no dia 28 de julho.

Mirian Costa Pereira tem dois filhos e três netos.

Inácia Rosa Pereira Amorim

Nasceu em 31/07/1939. Filha de Calixto Pereira Nunes e de Joanita Nunes Pereira. Casou-se aos 21 anos com Jair Amorim, um homem do campo, mãos e pés calejados e rústico com o qual teve seis filhos tendo que enfrentar os conflitos inerentes a vida a dois.

Filhos: Eni do Rosário Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó, Jacolino, Jacó Bala) Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Tem 08 netos e 05 bisnetos

Uma mulher de estatura pequena, personalidade forte; desde muito pequena quando veio ao mundo teve que enfrentar os reveses da vida que marcaram seu destino.

Perdeu a mãe com apenas quarenta dias de vida, tendo sido criada pela sua avó materna, seu pai e suas tias em uma época aonde havia muitas dificuldades naquele dado momento histórico; se compararmos com os dias atuais.

Mas a sua garra e perseverança a impulsionaram a construir sua história.

Estudou até a quarta série que era oferecido na época, aprendeu a ler e a escrever e sabe a tabuada na ponta da língua. Estudou corte e costura em Pinheiro com uma costureira renomada Carmerina Amorim.

Inácia apesar das dificuldades da época e com seis filhos para criar, não se deixava abater, estava sempre se reinventando. Era costureira, artesã (tecia redes de fio têxtil), Foi professora de costura em um dos projetos da LBA (Legião Brasileira de Assistência) um dos projetos conseguidos pela Paróquia São Sebastião com a ajuda de Padre Gérard Gagnon e Ana Lúcia de Almeida; fazia, horta e vendia as hortaliças orgânicas produzidas, fazia pastéis, bolos, cocadas e suquinhos tudo para venda e assim ajudar o papai nas despesas da casa. Quando a escassez de recursos era grande, muitas vezes dormiu com a barriga vazia para alimentar os seus filhos.

Acalentou um sonho no seu coração de que colocaria todos os filhos para estudar porque ela apesar de não ter tido a oportunidade, em sua sabedoria, conseguia definir bem a importância do estudo para iluminar os nossos rumos; e assim, atropelou as dificuldades para que seus filhos conseguissem estudar e trilhar seus caminhos por este mundo às vezes um tanto inóspito.

E todos os dias Mamãe, nós teus filhos, só queremos te agradecer pela tua perseverança, por cada incentivo, por cada oração, pelas torrentes de amor que derramas a cada um de nós mesmo sabendo que algumas vezes ferimos teu coração com a espada da ingratidão.

Obrigada pelas gotas de amor que derramas todos os dias em nossas vidas.

TE AMAMOS! Teus filhos.

Biografia encaminhada ao Jornal O Resgate por Eni Amorim