Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá

Por Edna Jara Abreu Santos

Fragmento da Crônica: Filhos Guerreiros, Ninguém os Esquecerá (2018)

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Na década de 50, a crença em criaturas do nosso folclore era bem mais presente. As pessoas temiam e muitos tinham o “desprivilegio” de vê-los frente a frente. Há relatos de pessoas que ficaram diante do mula-sem-cabeça, mãe d’água e curacanga, mas era o curupira que mais atormentava os animais e os poucos moradores da cidade, levando-os a abandonar suas casas e até à morte, em muitos casos. Acredita-se que quando a região de mata densa é pouco habitada por seres humanos é possível que exista as tais assombrações. Dizem os mais velhos que quando o assovio do Curupira é ouvido bem perto, ele/eles já está/estão longe, agora quando o assovio está longe, com certeza à criatura está bem próximo da pessoa. E ademais, quando os trabalhadores entravam no matagal e se dividiam, o (s) curupira (s) fazia (m) o mesmo assovio dos homens e eles se perdiam no mato à dentro, passavam horas para enfim se encontrarem.

Francisca do Carmo França Abreu, perimiriense de 71 anos, relata lendas e crendices sobre a aparição destes seres mitológicos. Recorda-se da vida e morte de um dos seus irmãos. Ele era fascinado por borboletas, a ponto de segui-las em seus mais longos voos, esquecia a hora e nem via o local que adentrava. Muitas vezes era resgatado dentro da mata, por conta desse deslumbre. Até um dia que ficou muito doente, na época sem hospitais e remédios para cura do sarampo, foi definhando dentro de uma rede. E pela sua aparência, todos atestavam que o mesmo estava assombrado. Ouviam com muita frequência assovios de curupiras todos as noites nas proximidades da casa, durante todo o tempo que passou dentro da rede doente, quando morreu, aquele barulho sessou.

O tão temido e conhecido “Caminho da frieza”, localizado no povoado Poções (antes do Chavi), recebeu esse nome por conta dessas aparições e o ambiente ficava uma geleira, mesmo em dias ou noites calorosas. Desde assustar cavalos ou deixá-los cansados na travessia (como se de repente um peso os rebaixava deixando quase rastejando), dor de cabeça no (s) viajante (s), febre e até morte dos mais valentes que queriam medir forças com a tal visagem, quem por algum motivo ou circunstância fizesse a travessia ao meio dia, doze horas, seis horas da tarde e à meia noite, certamente teria um acompanhante desagradável na viagem. Conta que certa vez, quando criança, ela e sua mãe precisaram atravessar esse caminho, e na volta já tarde, passaram por um “igarapezinho”, quando de repente sua mãe, ao olhar para trás avistou bem perto um cavalo enorme, alvo e sem cabeça. Ele passou bem perto e sua mãe assustada puxava-a pelo braço, para saírem daquele lugar.

A “mãe-d’água” era outro ser mitológico que causava terror aos banhistas que adentravam os rios ou que se serviam da água dos poços principalmente ao meio dia, e a partir de seis horas da noite. Para tanto, os banhistas deveriam sempre recorrer ao respeito pedindo permissão para adentrar aquele espaço e usar daquela água. Geralmente, nesse tempo os poços eram bem distantes das casas habitadas e quando iam sozinhos quase sempre chegavam em casa contando as aflições presenciadas.

É provável que um dos motivos que hoje não é possível ouvir sobre estas criaturas com mais intensidade, seja pelo fato do crescimento populacional. Onde antes era só vegetação, hoje tem casas e moradores e, cada vez mais, as pessoas estão devastando áreas para fazer roças e construção de propriedades. Outro possível motivo pode ser o advento da iluminação pública, onde antes havia muitas trevas, hoje há luz.

Nesse sentido, há diversas linhas que correm sobre a veracidade dos fatos: o medo que tem o poder de fazer a mente criar situações apavorantes; os contos engabelados dos antepassados transmitidos a gerações… ou então, devemos acreditar que de fato existiam todos esses personagens fabulosos que um dia dominaram o espaço que ocupamos hoje?

Em meados do século XX, Peri-Mirim era constituída de vegetação em quase toda sua totalidade, por exemplo, o Campo de Pouso era mata fechada com apenas um caminho estreito no meio. Na oportunidade, destaca-se os primeiros padres que aqui chegaram e que tiveram importância significativa na qualidade de vida do Município, bem como na proteção e conhecimento sobre os mitos, foram eles: Monsenhor Gerard Cambron e os padres, Leonel, Edmundo, Paulo, Gil e Gerard Gagnon. A chegada Oficial dos padres na cidade foi em 15 de agosto de 1958, data que marcou também a Fundação da Paróquia São Sebastião. Eles abriram estradas, construíram capelas nas comunidades locais e também em beiras de estradas, incentivavam as famílias a participarem das reuniões, missas, a comungar-se, batizar os filhos, doavam e ensinavam diversos usos de plantas e ervas medicinais.

Em suma, a dona Francisca nostálgica, conta ainda que as crenças religiosas e costumes eram respeitados nas datas comemorativas, por exemplo, no carnaval (fevereiro) se tinha os aqueles dias de festas, mas quando se aproximava a Quaresma, as mulheres não podiam usar nenhum tipo de pintura, como batons, pintar unhas e nenhum tipo de diversão: os dias eram sagrados. Se a Semana Santa (março/abril) começasse em uma quarta-feira, até terça-feira as pessoas limpavam suas casas, torravam café, socavam arroz no pilão, estocavam comida, rachavam lenhas e guardavam. Enfim, faziam tudo antes da “Quarta-feira Santa”, pois a partir desse dia as pessoas nem podiam sair de suas casas, muito menos bater nos filhos ou falar palavrões. Eles também soltavam as galinhas, porcos e os demais animais presos; até os meliantes que se encontravam nas celas da delegacia era dado a eles o direito de ficarem soltos esses dias.

1º ENCONTRO DO CLUBE DE LEITURA DA ALCAP

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) promoveu no dia de 30 de março de 2025, o 1º ENCONTRO DO CLUBE DE LEITURA “Prof. João Garcia Furtado” nas dependências do Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM), entidade parceira da ALCAP. O Projeto do  Clube de Leitura é um projeto implantado desde 2019 pela Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), que tem como objetivo promover o interesse pela leitura por meio de uma série de encontros literários, intercâmbio cultural e experiências imersivas. Para 2025, o tema dos encontros é “Cultura Popular: Heranças e Tradições do Brasil e do Maranhão”, explorando livros que abordam diversas tradições, mitos, religiosidades e manifestações culturais presentes nas diferentes regiões do país, com destaque para o Maranhão, suas lendas e expressões culturais únicas, reforçando sua importância na identidade e diversidade cultural do Brasil.

O convite alcançou escolas públicas e privadas, o Grupo “BoraVer”, membros da ALCAP e a comunidade local, incluindo crianças, jovens e adultos.

Para o primeiro encontro do ano (30/03), na modalidade presencial e on line, realizado no 2º piso do SINDPROESPEM, às 15h, houve a seguinte coletânea como leitura de referência: “Passeios pela História e Cultura do Maranhão”, do escritor Wilson Marques.

A Biblioteca ALCAP “Professor Taninho” fez ainda as seguintes sugestões e empréstimos de livros: “Literatura em minha casa: quatro mitos brasileiros” – Mônica Stahel; “Um saci no meu quintal: mitos brasileiros” – Mônica Stahel; “A história do boizinho de brinquedo”– Joana Bittencourt; “Literatura em minha casa: bazar do folclore” – Ricardo Azevedo; “Brincando de folclore” – Maurício de Sousa; “Lendas do Maranhão” – Cunha e Silva Filho; “A Lenda do Rei Sebastião e o Touro Encantado” – Josué Montello e muitos outros.

A presidente Jessythannya, juntamente com Edna Jara Abreu responsável pela pasta, recepcionaram e mediaram a discussão dos livros. Os alunos do colégio Alda Ribeiro Corrêa – ARC, grupo BoraVer e alunos do IFMA fizeram a síntese das principais ideias discutidas, bem como a contribuição dos livros para a valorização da cultura e identidade maranhense. No momento cultural houve a contação de história com a professora Maria da Conceição Melo Pinheiro, mais conhecida como Mariinha e a moradora Francisca Abreu, de 71 anos.

As produções elaboradas pós encontro serão publicadas oportunamente em site designado para esse fim. O próximo encontro agendado (18/05) será também recheado de atrações e o livro em destaque para o momento é: “Arte e Devoção”, de Joana Bitencourt, explorando a relação entre arte sagra e expressões culturais no Maranhão.

ANIVERSÁRIO DE PERI-MIRIM

Por Francisco Viegas Paz

Hoje, Peri-Mirim está completando 106 anos de emancipação política. É mais uma data que tem a marca registrada da Lei nº 850 de 31 de março de 1919, assinada pelo então presidente do Estado do Maranhão, Raul da Cunha Machado.

A inauguração do Município de Macapá se deu em 07 de agosto de 1919, com muita festa. Afinal a sua independência era motivo de alegria, propagada pelos estampidos do foguetório e os mais calorosos discursos dos senhores: Urbano Santos, Coronel Brício de Araújo, Raul da Cunha Machado, Coronel Carneiro de Freitas, Carlos Reis, etc.

Macapá teve o nome substituído para Peri-Mirim, por meio do Decreto-Lei 820 de 30 de dezembro de 1943, assinado pelo Governador Paulo Martins de Souza Ramos. E o motivo da substituição do nome de Macapá para Peri-Mirim, está contido nas páginas 25 a 30 do livro Peri-Mirim, Cem Anos de Emancipação deste autor.

A população ficaria muito grata à Administração, se, em cada aniversário fosse inaugurada uma obra para o enaltecimento do Município.

Peri-Mirim, 31 de março de 2025.

ALCAP promoverá eleição de patronos que representarão a ciência, cultura e a história de Peri-Mirim

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) realizará, no dia 21 de abril de 2025, a eleição dos patronos para preenchimento de 11 (onze) cadeiras vagas na instituição. O processo ocorrerá em sessão secreta, garantindo transparência e legitimidade à escolha dos homenageados.

Os patronos serão escolhidos entre pessoas já falecidas, com base em critérios que consideram a relevância histórica, cultural e social de cada personalidade para Peri-Mirim. Para ser indicado, o patrono deve ter tido contribuição significativa para a literatura, ciência, arte, educação, cultura ou desenvolvimento econômico da cidade. A iniciativa visa preservar a memória desses personagens e fortalecer a identidade cultural local.

A lista de nomes aptos à eleição conta com 19 personalidades, entre escritores, políticos, educadores, religiosos, artistas e figuras que marcaram a trajetória da cidade. As biografias dos indicados estão no site da Academia, basta clicar no nome para acessar as respectivas biografias. Os indicados são:

01 Afonso Pereira Lopes
02 Adelar José Álvares Mendes (Dedeco)
03 Carlos Antônio Almeida
04 Carmem Martins (Mamãe Carmem)
05 Fernando Ribamar Lobato Viana
06 Floriano Pereira Mendes
07 Jaime Lima Campos
08 João Batista Pinheiro Martins
09 José de Jesus Pereira Campos (J. Campos)
10 José do Carmo França
11 Luiz Gonzaga Campos (Luiz Bode)
12 Maria de Jesus Castro Martins (Dona Morena)
13 Maria Madalena Nunes Corrêa
14 Nelsolino Silva
15 Manoel Lopes (Nhozinho Lopes)
16 Pe. João Helder
17 Raul Pinheiro Mendes
18 Raimundo Martins Nunes (Sipreto)
19 Zaira Miranda Ferreira

A presidente da ALCAP, Jessythannya Carvalho Santos, reforça a importância do momento, afirmando que:

A eleição dos patronos é uma forma de celebrar aqueles que ajudaram a construir a nossa identidade cultural. Com essa iniciativa, a ALCAP reafirma seu compromisso em valorizar a história e as raízes do povo perimiriense.

A Academia convida toda a comunidade a acompanhar esse importante marco na preservação da memória local.

CARLOS ANTONIO ALMEIDA

Carlos Antonio Almeida, filho de Antonio Nóbrega de Almeida e de Ivonete de Sena Almeida, nasceu na cidade de Mamanguape, Estado da Paraíba, no dia 1º de maio de 1946. Casado com Delzanira Nunes Almeida, perimiriense, tem dois filhos: Marihusha Nunes Almeida, enfermeira e, Charles Antoine Nunes Almeida, advogado e funcionário do INSS.

Iniciou sua carreira no magistério no ano de 1992, no governo de Carmem Martins, lecionando Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política do Brasil (OSPB), na Escola Cenecista Agripino Marques, que na época, tinha como diretor Raimundo João Santos, mais conhecido como Taninho. Já no ano seguinte, passou a lecionar Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Nessa época, de 1996 a 2002, era também, Agente Administrativo do Estado do Maranhão, quando, em 2002, teve que pedir exoneração para assumir o cargo de Professor do Estado para o Ensino Médio, a fim de lecionar Língua Portuguesa/Literatura, no Centro de Ensino Artur Teixeira de Carvalho, onde ainda é professor, embora esteja afastado de sala de aula por motivo de saúde.

Graduado em letras pela Universidade do Estado do Maranhão – UEMA, em 2002, com especialização em Orientação Educacional pela Universidade Cândido Mendes – “Lato Senso” Rio de Janeiro/2006, tem, inclusive, outros cursos na área educacional, oferecidos pelo Estado.

Seu interesse pela língua portuguesa vem desde o tempo em que ainda era estudante secundarista (ginásio e científico) hoje, ensino fundamental e médio. Provavelmente, por ter estudado durante cinco anos no seminário franciscano, em João Pessoa/PB e em Lagoa Seca/PB, bem como no Liceu de João Pessoa/PB, onde teve a oportunidade de estudar latim no seminário e encontrar sempre bons professores da língua portuguesa, é bem provável que todo esse contexto tenha contribuído bastante pelo interesse da língua portuguesa.

Ainda, quando na sua juventude, em João Pessoa, tinha o hábito de se encontrar com amigos, aos sábados e domingos, para discutir sobre quem leu tal livro. Era interessante, pois, enquanto nós rapazes discutíamos sobre obras literárias, sentados nos bancos da Praça João Pessoa, as moças passeavam de mãos dadas, como se estivessem desfilando e almejassem encontrar alguém entre nós para namorar.

Portanto, muito antes de ser professor tinha o hábito e o gosto pela leitura de obras literárias, não somente brasileiras, mas também de outras nacionalidades, como as de Morris West, escritor australiano: (As sandálias do pescador, A filha do silêncio, O advogado do diabo), Antoine de Saint-Exupéry, escritor francês: (O pequeno príncipe), Miguel de Cervantes, escritor e dramaturgo espanhol: (Dom Quixote De La Mancha). Já na literatura brasileira admirava as poesias de Gregório de Matos Guerra (A Jesus Cristo Nosso Senhor), de Gonçalves Dias e de Cruz e Souza, que são várias. Nos romances são destaques as obras de Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba), Manuel Antonio de Almeida (Memórias de um sargento de milicias), Bernardo Guimarães (A escrava Isaura), Raul Pompéia (O Ateneu), Aluísio Azevedo (O cortiço, O mulato, Casa de Pensão). Na literatura maranhense, Josué Montello (Os tambores de São Luís, Cais da sagração), Ferreira Gullar (Poema sujo), José Sarney (O dono do Mar), entre outros autores e obras.

Além de professor, teve a oportunidade de ser diretor da Escola Municipal Cecília Botão durante quatro anos, no mandato do Senhor DeJesus, depois, por mais quatro anos no mandato de João Felipe, e, atualmente, no governo de Geraldo Amorim, volta a dirigir a mesma escola pela terceira vez, procurando sempre fazer o melhor pela educação dos filhos de Peri-Mirim/MA.

A sua maior alegria é saber que hoje, muitos ex-alunos estão graduados em várias especialidades, tais como, enfermagem, odontologia, pedagogia, letras e sociologia. É muito gratificante quando se encontra com um ex-aluno e recebe aquele abraço carinhoso e ele diz: “professor, hoje estou formado. Ou diz, trabalho em tal empresa”. “Nunca mais esqueci…”, são tantas coisas bonitas que se escuta. Como é bom ser professor!

Nas reuniões que precederam a instalação da ALCAP, declarou que: “Sabemos que fazer parte da fundação da Academia é um orgulho muito grande, mas, acima de tudo, devemos ter consciência que do outro lado há pessoas muito mais inteligentes e mais capazes que nós “acadêmicos”, por isso, a humildade, para nós, deve estar sempre acima de qualquer situação”.

Por estas razões, Carlos foi candidato a ser um dos fundadores da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) porém, por razões de saúde, desistiu antes de ocupar uma das cadeiras. Professor Carlos faleceu em Peri-Mirim no dia 17 de abril de 2023, deixando um legado ímpar na Educação do munícipio, à medida em que dedicou sua vida na formação de jovens e adultos.

JOÃO BATISTA LIMA

Por Ana Creusa e Ana Cléres

João Batista Lima nasceu em 15 de março de 1931, no Bairro de Portinho, no município de Peri-Mirim/MA. Filho de Raimundo Lima e Raimunda França Lima. Afirmou que teve 16 (dezesseis) irmãos e que ainda tem uma irmã viva que mora em Brasília.

Estudou até o 4º ano com a professora Santinha Miranda. Vinha caminhando do Portinho até a sede para estudar. O ensino era na palmatória. A professora batia nas pernas. No dia do “Argumento” ele sentava-se no final da sala para dar bolo nos colegas que erravam a Tabuada ou na leitura.

Vereador na época de Zé Bacaba. Conviveu com Agripino Marques. Conheceu Ignácio de Sá Mendes, que morava na esquina, onde hoje funcionou Centro de Ensino Médio Escolar Artur Carvalho (antigo CEMA).

Lembra que a Igreja de São João Batista do Portinho foi fundada por Secundino Pereira, cujo barco também homenageava o Santo.

João Lima casou-se com Maria Celeste Martins Lima. Tiveram 10 (dez) filhos, todos vivos: Maria do Sacramento Lima; Dulcineia Lima Barros, José Ribamar Lima, João Lima Filho, Jaime Martins Lima, José de Jesus Lima, Assunção de Maria Lima, Doralice Lima Nunes, Jadilson Martins Lima e Maria do Livramento Lima.

Foi vereador por vários mandatos, informou que as reuniões eram marcadas pelo Prefeito e que não existia remuneração para os vereadores. Foi empregado do Estado do Maranhão, vigia do CEMA, nomeado pelo Governador João Castelo.

João Lima foi responsável por várias obras, como a estrada do Portinho. Lembra que o prédio antigo da prefeitura fora construído por Marcionílio, que era do Povoado Santana e morava na Rua do CEMA. Teve conhecimento que Marcionílio era juiz. Lembra que a 1ª professora da Escola São João Batista foi Irani, filha de Luís Escovado, que casou com a filha de Ignácio de Sá Mendes.

Quanto à rivalidade entre as pessoas residentes da sede e os moradores do Portinho, diz que existia essa contenda, mas, que nunca se envolveu, pois, “não era de briga”.

Diz que conheceu José dos Santos, que era conhecido por ser forte, que amassava barro para fazer telhas e tijolos e era amigo de todos e que brincava Bumba Boi, que João Lima também era apreciador. Recorda que existia uma grande competição para ver quem se vestia melhor na festa de São Sebastião.

Disse que o Padre Edmundo ficou muito tempo na paróquia de Peri-Mirim, tem fortes recordações do Casarão das Freiras, as quais trabalhavam na área da Saúde. Também lembrou das parteiras: Rosa, mãe de Severino; Nharinha, mãe de Albertina, irmã de Rita de Osmar, as quais prestaram relevantes serviços à comunidade em uma época que os partos eram feitos de forma rudimentar e na casa da parturiente.

Recorda que a Cooperativa dos Produtores Rurais de Peri-Mirim foi fundada pelo Padre Gerard Gagnon e foi muito importante para os trabalhadores que tinham onde vender seus produtos a preços justos.

Acompanhou vários melhoramentos no município de Peri-Mirim, como a instalação da energia elétrica. Andou de avião teco-teco a partir do Campo de Pouso, com destino a São Luís, levando a sua esposa doente.

João Lima é muito querido em sua comunidade, tem vários afilhados, goza de boa saúde, trabalha no comércio, ainda faz contas e tira prova. É apreciador da cultura popular e mantém viva algumas superstições. Por exemplo, recebeu as entrevistadoras com a camisa do lado do avesso, para não “pegar mal olhado”.

 

OSVALDO ALVES

Por Ana Creusa e Ana Cléres

Osvaldo Alves, conhecido como Brigador, nasceu na sede de Peri-Mirim, em 19 de agosto de 1932. Filho de Mundico Castro e Juliana Maria Lopes Alves. Trabalhava com agricultura e pesca, mas, sua atividade principal era trabalhar com o gado de propriedade de Vadico, irmão de Cotinha de Osmar. Estudou até o 1º ano primário na Casa de Santinha Miranda, a educação era “na palmatória”. Teve que parar de estudar para poder trabalhar e ajudar sua mãe.

Perguntado sobre a sua alcunha de Brigador, Osvaldo falou que morava com sua mãe no local onde depois residiu Sipreto, saía escondido de casa e ia lutar com os amigos no Bairro Campo de Pouso, onde era conhecido como bom de briga.

Casou-se com Nelci, com quem teve 09 (nove) filhos: José Luís Lopes Alves (in memoriam); João Pedro; Osvaldo Alves Filho; Nilton; Francite; Marinete; Lucinete; Carlos Alberto e Josuel.

A casa de Osvaldo e Nelci, localizada na entrada da cidade, era utilizada para abrigar alunos da zona rural, especialmente dos povoados: Poções, Ponta D´Poço, Cametá e Ilha Grande. Os filhos de Zé Santos, Santinho, Dico Nunes e outros, sempre tomavam banho e trocavam roupas para irem à Escola. A criançada eram bem tratada pelo casal.

Perguntado sobre as suas lembranças sobre os prefeitos de Peri-Mirim, Osvaldo respondeu que lembra de Tarquínio de Souza, que morava na Tijuca, tinha engenho, onde um macaco de ferro era utilizado como ferramenta. Muita gente trabalhava nos engenhos do Rio da Prata, Teresópolis e do Engenho Queimado que, segundo Osvaldo, ainda existe.

Também mantém fortes lembranças de Agripino Marques, Ademar Peixoto e Zé Bacaba. Ele destaca que Agripino construiu o Cemitério, a Delegacia, o Colégio Carneiro de Freitas e a Barragem do Defunto (hoje Maria Rita) em regime de mutirão, onde ele participou dos trabalhos como voluntário, assim com Zé Santos e outros. No mutirão ganhavam apenas comida e cachaça. A comida era servida em folha de bananeira. Contou que Agripino indicou a hora exata de fazer a tapagem da barragem. O barro ficou todo acumulado ao lado do canal e foi colocado todo de uma vez, segurando a maresia. Sobre Zé Bacaba, Osvaldo destaca que no seu governo foi instalado o motor de luz elétrica que funcionava somente até as dez horas da noite.

Quanto às tradições, recorda Osvaldo, com saudade, que era brincador de Bumba Boi, que nas apresentações sempre era chamado a participar de lutas como diversão para os presentes, mas para ele era sério, pois, não admitia perder e assim mantinha a sua fama de brigador. Também gostava de brincar Carnaval e do festejo de São Sebastião, cujas roupas eram compradas em São Bento, sempre feitas no capricho pelo alfaiate Antônio Porca e os sapatos, por Antônio de Coió e Chico Putuca. No Festejo de São Sebastião sempre caprichava no paletó.

Conta que era compadre de Jacinto Pinto, padrinho do seu filho Carlos Alberto. Seu compadre foi morto no Povoado Xavi na véspera de ano novo. O corpo passou em sua porta, foi motivo de muita tristeza e comoção.

Osvaldo, com sua memória prodigiosa, falou sobre o carpinteiro Antoninho Lobato, dos marceneiros Jair Amorim e Albino, seus colegas de festas. Afirmou que conheceu Naísa Amorim, que era professora, morava no mesmo local onde posteriormente viveu Paulo Dentista, em frente à casa de Dedeco Mendes. Disse, ainda que conheceu os filhos de João de Deus do Feijoal, especialmente: Manoel Martins, Procório, Benvindo e Isabel Nunes. Conheceu também o Coronel Carneiro de Freitas, que quando vinha a Peri-Mirim, sempre se hospedava na casa de José Gomes, que era irmão de Miguel Gomes que, por sua vez, era marido de Mundica Gomes, mãe de Chiquinho e Borges Gomes.

Recorda com carinho da sua mãe que educava os filhos com rigor, mas não costumava bater. Ele é o 2º filho. Sua mãe os colocava nos trabalhos da roça, tinha muita fartura, fazia farinha na casa de Zé Barreira.

A convite da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), no dia  25/01/2024, Osvaldo Alves participou da Expedição com acadêmicos, professores, alunos e idosos, participou das visitas às obras da Barragem Maria Rita. Osvaldo, visivelmente emocionado, comentava cada momento marcante que o fez voltar ao tempo em que participou da construção da barragem, que àquela época levava o nome de Barragem de Defunto.

PRESIDENTE VARGAS

Getúlio Vargas (1882-1954) foi presidente do Brasil durante 19 anos. Foi o primeiro ditador do país, e mais tarde presidente eleito pelo voto popular. Permaneceu no poder entre os anos de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, ano em que se suicidou.

A “Era Vargas” foi marcada pelo regime ditatorial do Estado Novo e ao mesmo tempo, pela criação de importantes leis trabalhistas, entre eles, o salário mínimo, a carteira de trabalho e as férias anuais remuneradas. Foi popularmente chamado de “pai dos pobres”.

Horas antes de seu suicídio, em 24 agosto de 1954, Getúlio redigiu uma carta aos brasileiros, quando escreveu: “Serenamente, dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”.
Getúlio Dornelles Vargas nasceu na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, no dia 19 de abril de 1883. Foi criado em uma família de tradição na política local, era filho de Cândida Dornelas Vargas e de Manoel do Nascimento Vargas, chefe castilhista, e proprietário de fazenda de gado.

Getúlio iniciou seus estudos em sua cidade natal, mas depois foi levado para estudar em Ouro Preto, Minas Gerais. Em 1898 ingressou no 6º. Batalhão de Infantaria de São Borja e um ano depois foi promovido a sargento. Em 1900 entrou para a Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo. Em seguida ingressou no 25.º Batalhão de Infantaria de Porto Alegre.

Em 1904, Getúlio Vargas ingressou na Faculdade de Direito, em Porto Alegre. Ajudou a fundar o “Bloco Acadêmico Castilhista”, que propagava as ideias de Júlio de Castilho, graduando-se em 1907. Em seguida, foi nomeado para o cargo de segundo promotor público no tribunal de Porto Alegre, mas logo voltou para São Borja, onde passou a advogar.

Em 1909, Getúlio Vargas foi eleito deputado estadual, sendo reeleito em 1913. Rompeu com o governador Borges de Medeiros, renunciou ao cargo e retornou para São Borja. Em 1917 reconciliou-se com o governador e elegeu-se novamente deputado estadual, tornando-se líder da maioria. Cinco anos depois, elegeu-se deputado federal e líder da bancada gaúcha na Câmara.

Em 1926 foi nomeado Ministro da Fazenda pelo presidente Washington Luís. No entanto, em 1927 deixou o cargo para se candidatar ao governo do Estado do Rio Grande do Sul pelo Partido Republicano. Vencedor do pleito, Vargas tomou posse em 1928 e formou um governo de coalizão com todas as forças políticas do Estado.
Em 1929, Getúlio concorreu à presidência com apoio da Aliança Liberal (AL), que reunia diversos partidos de oposição a Washington Luís. O paraibano João Pessoa, era o candidato a vice-presidente. No entanto, as urnas deram a vitória a Júlio Prestes, que tinha o suporte da oligarquia paulista e do presidente.

Inconformados com o resultado nacional da eleição, os partidários da (AL) revoltaram-se, alegando que houve fraude nas apurações. No dia 26 de julho de 1930, no Recife, João Pessoa foi assassinado. O crime foi atribuído ao governo federal, o que precipitou a luta armada em Minas, Rio Grande do Sul e boa parte do Nordeste.
O Governo Provisório de Getúlio Vargas não foi um período pacífico. Em 1932 um movimento liderado pela oposição paulista desencadeou a “Revolução Constitucionalista”, que, entre outros objetivos, reivindicava a realização de eleições presidenciais.
Com a posse de Getúlio iniciou-se um período de permanente crise política e institucional marcado por conflitos entre as forças tradicionais, representadas pelo Congresso, e o poder executivo. Nesse período Getúlio criou a previdência social e os institutos de aposentadoria e pensão.

Em 1935 houve uma tentativa de golpe por parte dos comunistas, a chamada “Intentona Comunista”, liderada por Luís Carlos Prestes, mas foi esmagada e posta na ilegalidade por Vargas. A Intentona resultou em prisões em massa, bem como a tortura e morte de muitos participantes da revolta.

Depois de três anos de conturbado mandato, o cenário se agravou com a pressão exercida por movimentos de conteúdo ideológico, como a “Ação Integralista Brasileira”, de orientação fascista, e a “Aliança Nacional Libertadora”, de caráter esquerdista.
Logo depois do golpe, Getúlio começou a estabelecer as bases do novo regime, que se tornou conhecido como “Estado Novo”. Em 3 de dezembro, foram dissolvidos todos os partidos políticos, e qualquer manifestação contrária ao governo foi reprimida. A ditadura de Vargas se tornou uma realidade.

No final de 1939, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que tinha como função a censura e o “culto à sua personalidade”. Com o Plano Cohen – documento que simulava uma revolução comunista, começou uma perseguição violenta contra sindicatos e potenciais candidatos da oposição.

Getúlio Vargas adotou medidas econômicas nacionalistas, como a criação do Conselho Nacional do Petróleo e da Companhia Siderúrgica Nacional. Iniciou a construção do complexo siderúrgico de Volta Redonda e instalou o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Reforçou as medidas em benefício do trabalhador criando o salário mínimo e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Foi em 1939 que a Alemanha iniciou uma ofensiva contra diversos países dando início aos conflitos que desencadearam na Segunda Guerra Mundial, da qual o Brasil só entraria de fato quase três anos depois.

Com um estilo autoritário, Vargas era mais próximo ao fascismo dos países do Eixo do que da veia democrática dos países Aliados. A Alemanha já havia dado uma bela ajuda à política de Vargas na caça aos comunistas, mas era preciso manter as relações com os Estados Unidos com o objetivo de obter apoio financeiro para projetos ambiciosos e caros como a modernização das forças armadas, especialmente da Marinha.

No dia 15 de agosto de 1942, o vapor Beapendi, com 306 pessoas a bordo e mais os tripulantes, foi torpedeado pelo submarino alemão U-507 na costa de Sergipe matando 270 passageiros e 55 membros da tripulação, foi apenas o primeiro, pois em menos de uma semana outras seis embarcações comerciais brasileiras foram afundadas pelos nazistas.

A população reagiu com passeatas por todo o país exigindo uma reação contra os ataques, porém Vargas só declarou guerra contra o Eixo em 22 de agosto de 1942.
Entretanto, a participação do Brasil no conflito manteve-se mais no campo estratégico, até 1944, quando mais de 25 mil militares da Força Expedicionária Brasileira desembarcaram na Itália para se juntarem às forças norte-americanas e retomarem as regiões do norte do país.

Passado o conflito, o Brasil conseguiu parte do financiamento que desejava, mas pressões internas e externas pela democratização do país enfraqueceu Getúlio Vargas. O presidente iniciou a organização das eleições, mas no dia 29 de outubro de 1945 foi deposto, sem luta, pelos militares. Era o fim do Estado Novo.

Em seu lugar assumiu provisoriamente o presidente do Supremo, José Linhares, até que as urnas deram a vitória ao general Eurico Gaspar Dutra.
Em 1946 Getúlio Vargas foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul. Cinco anos após ser derrubado do poder, foi eleito com 48,7% para presidente do Brasil, nas eleições de 1950 pelo Partido Trabalhista Brasileiro. Sua volta ao poder significou a retomada da política populista.

Os sindicatos recuperaram sua autonomia. A industrialização foi favorecida por uma política protecionista que dificultava as importações de bens de consumo. Foi criado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, em 1951. Em 1953 foi criada a Petrobras, instituindo o monopólio estatal na exploração e refino de petróleo no Brasil.

Vargas deu continuidade à sua política de procurar apoio nas massas trabalhadoras. A nomeação de João Goulart para o Ministério do Trabalho causou desconfiança nos círculos militares, políticos e empresariais. Em 1954, o ministro decretou aumento de 100% da salário mínimo, o que assustou alguns setores da sociedade comprometidos com o capital estrangeiro.

O governo entrou em choque com os Estados Unidos, ao recusar-se a mandar tropas para lutar na Coreia contra o governo comunista daquele país. Em represália, o governo americano rompeu o acordo sobre empréstimos ao Brasil e procurou desestabilizar os preços do café no mercado internacional.
Apesar do apoio das classes populares, uma campanha contra Getúlio ganhou força diante das dificuldades econômicas que o governo enfrentava, e também com as denúncias de corrução na administração federal.

Vargas foi acusado de pretender instalar no Brasil uma república sindicalista igual a que Juan Domingo Perón havia instalado na Argentina. A situação se agravou com o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, dono do jornal Tribuna da Imprensa e inimigo de Vargas, no dia 5 de agosto de 1954. O atentado ficou conhecido como o “Crime da Rua Toneleros”. As investigações descobriram que a guarda pessoal do presidente estava envolvida.

No dia 23 de agosto de 1954, depois de muita pressão, Getúlio recebeu um ultimato do ministro da guerra exigindo seu afastamento. Isolado politicamente, Getúlio redigiu uma carta testamento de natureza fundamentalmente política, e se suicidou com um tiro no coração. Dizia um trecho da carta: “Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte”.

Getúlio Varga se suicidou no Rio de Janeiro, dentro do Palácio do Catete, no dia 24 de agosto de 1954. Getúlio Vargas foi casado com Darci Vargas, filha de tradicional família de São Borja, com quem teve cinco filhos: Alzira, Manuel Sarmento, Lutero, Jandira e Getúlio Vargas Filho.

Rio Branco

Barão do Rio Branco (1845-1912) foi diplomata, advogado, historiador e político brasileiro. Foi Ministro das Relações Exteriores durante o governo de quatro presidentes. Foi o segundo ocupante da Cadeira nº. 34 da Academia Brasileira de Letras.
Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior) nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1845. Era filho de José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, e de Dona Teresa. Em 1855 ingressou no Colégio Pedro II. Suas melhores notas foram sempre em História e Literatura. Em 1862 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1866 foi para o Recife onde terminou o curso de Direito e trabalhou em pesquisas históricas.
Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior) nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1845. Era filho de José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, e de Dona Teresa. Em 1855 ingressou no Colégio Pedro II. Suas melhores notas foram sempre em História e Literatura. Em 1862 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1866 foi para o Recife onde terminou o curso de Direito e trabalhou em pesquisas históricas.
Em 1876, depois de várias tentativas, finalmente José Maria foi nomeado cônsul geral do Brasil em Liverpool e iniciou sua carreira diplomática. Passava os finais de semana em Paris, onde estavam sua mulher, a atriz belga Marie Stevens e seus cinco filhos. Acabou morando em Paris durante 25 anos.
Em 1884, passou a integrar o conselho privado do Imperador, de quem recebeu, em 1888, o título de Barão do Rio Branco. Logo depois da Proclamação da República do Brasil, ele substituiu o conselheiro Antônio Prado na superintendência da emigração para o Brasil, cargo que exerceu até 1893. No dia 1 de outubro de 1898, o Barão do Rio Branco foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sendo o segundo ocupante da Cadeira nº. 34.
O Barão do Rio Branco empreendeu diversas negociações com outros países cujas fronteiras com o Brasil suscitavam de soluções. Os tratados que assinou com a Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Uruguai, Argentina e Guiana Holandesa definiram os contornos do território brasileiro.
Em 1902, o Barão do Rio Branco foi convidado pelo presidente Rodrigues Alves, para assumir a pasta de Relações Exteriores. Logo no início, se defrontou com a questão do Acre. Em 1903, negociou com a Bolívia a assinatura do Tratado de Petrópolis, que incorporou o Acre ao Brasil. Para Homenageá-lo, a capital do estado recebeu o seu nome (Rio Branco). O Barão do Rio Branco permaneceu nessa função durante o mandato de 4 presidentes: Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.

O Barão do Rio Branco, sofrendo de problemas renais, faleceu no dia 10 de fevereiro de 1912, na cidade do Rio de Janeiro.

Obras do Barão do Rio Branco:
1. Episódios da Guerra do Prata
2. Memórias Brasileiras
3. A História Militar do Brasil
4. Efemérides Brasileiras

Duque de Caxias

(Luís Alves de Lima e Silva) (1803-1880) foi um militar brasileiro. É o Patrono do Exército. Foi um dos maiores vultos da nossa história.
Caxias foi chamado de “O Pacificador.” Em sua homenagem, o dia 25 de agosto, dia de seu nascimento, é comemorado o “Dia do Soldado”.
Luís Alves de Lima e Silva nasceu na fazenda São Paulo, no Taquaraçu, próximo da Vila Estrela, hoje “município de Duque de Caxias”, Rio de Janeiro, no dia 25 de agosto de 1803. Filho de Francisco de Lima e Silva e de Cândida de Oliveira Belo, cresceu em meio a uma família de militares.
Seu avô, José Joaquim de Lima e Silva, um militar português, imigrou para o Brasil em 1767, e se instalou no Rio de Janeiro, então capital do país. Seu pai foi brigadeiro do Exército Imperial e membro da Regência-Trina durante a menoridade de Dom Pedro II.
No dia 22 de novembro de 1808, o 1.º Regimento de Infantaria de Linha, comandado por seu avô, recebia o novo soldado, com com cinco anos, apenas para homenagear seu avô, então Ministro da Guerra. Entre 1809 e 1817, Luís Alves estudou no Seminário São Joaquim (hoje Colégio Pedro II).
Em 1818, Luís Alves ingressou na Academia Real Militar, criada por Dom João VI em 1844, onde permaneceu até 1821. Galgou os postos de cadete, alferes e tenente. Quando concluiu o curso, foi incorporado ao 1.º Batalhão de Fuzileiros.
Em 1822, o Brasil tornou-se independente e Luís Alves ingressou no “Batalhão do Imperador” comandado por seu tio José Joaquim de Lima e Silva.
Em 1823, participou da luta no combate aos soldados portugueses na Bahia, que relutavam a aceitar a Independência do país. Com a vitória do Batalhão, Luís Alves foi promovido a Capitão e, com 21 anos, recebeu a “Imperial Ordem do Cruzeiro” das mãos de Dom Pedro I.
Em 1825, Luís Alves foi chamado para manter a unidade nacional, desta vez, na “Campanha da Cisplatina” – conflito ocorrido entre o Brasil Império e as Províncias Unidas do Rio da Prata, pela posse da “Província Cisplatina”, no atual território do Uruguai. Três vezes foi citado por bravura. Ganhou as insígnias de Major e as comendas da Ordem de São Bento de Ávis e da Rosa.
Em 1831, após a abdicação de D. Pedro I, Luís Alves foi um dos poucos que permaneceu ao lado do monarca. Foi chamado pelo Ministro da Justiça, Diogo Antônio Feijó (Padre Feijó), para organizar o “Batalhão Sagrado”, para manter a ordem no Rio de Janeiro e evitar a anarquia.
Nesse mesmo ano, organizou a “Guarda Municipal”, que depois foi transformada em “Guarda Municipal Permanente”, que em 1832 lutou contra a tentativa de derrubar a Regência-Trina durante a menoridade de Dom Pedro II.
No dia 2 de fevereiro de 1833, Duque de Caxias casou-se com Ana Luísa do Loreto Carneiro Vianna, de apenas 16 anos, neta da Baronesa de São Salvador de Campos. Em dezembro do mesmo ano, nasceu Luísa de Loreto. Em 24 de junho de 1836, nasceu sua segunda filha, Ana de Loreto. O filho Luís Alves Júnior faleceu na adolescência.
Em 1837, com 34 anos, Luís Alves foi promovido a Tenente-Coronel, em seguida, deixou o comando da Guarda Permanente. Em 1839 foi nomeado “comandante-geral das forças militares do Maranhão” e “presidente da Província”. Sua missão: sufocar a revolta dos que se opunham ao governo provincial e ocupavam a cidade de Caxias.
Conhecido como “Balaiada”, o movimento popular foi uma luta contra a fome, a intolerância da elite e o abuso das autoridades. A campanha de Luís Alves de Lima e Silva saiu vitoriosa. Em 1841, ao voltar ao Rio de Janeiro, Luís Alves foi promovido a General-Brigadeiro e recebeu seu primeiro título de nobreza, “Barão de Caxias”, uma referência à cidade que conseguiu pacificar.
Em 1842, o Barão de Caxias foi nomeado “Comandante das Armas da Corte”, cargo já ocupado por seu pai. Nessa época, eclodiu a revolução liberal em São Paulo e Minas Gerais, que Caxias reprimiu com facilidade e, entrou em Sorocaba, onde enfrentou seu antigo chefe, o Padre Feijó.
Em Minas Gerais, destacou-se no “combate de Santa Luzia”, decisivo para a vitória. Ao voltar, reassumiu o comando das armas, como o “Pacificador”.
Após pacificar três províncias, faltava só o Rio Grande do Sul onde a “Guerra dos Farrapos” entrava no seu sétimo ano. Foi nomeado “presidente da província do Rio Grande do Sul” e “Comandante das Armas”. Reorganizou as forças imperiais e depois de dois anos saiu vitorioso.
Com a vitória, na Guerra dos Farrapos, Caxias foi agraciado com o título de “Conde”, em 2 de abril de 1845 e, escolhido para o “Senado”, por Dom Pedro II, mandato que exerceu junto com seu pai.
Em 1855 foi nomeado para a “Pasta da Guerra”. Em 1862 foi nomeado para “Presidente do Conselho”. Nesse mesmo ano, foi promovido a “Marechal Graduado do Exército”. Caxias combateu em vários conflitos de fronteira no Sul do Brasil e voltou vitorioso ao Rio de Janeiro, quando, recebeu o título de “Marquês”.
A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado ocorrido na América do Sul, na bacia do rio da Prata, que envolveu Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil.
O Paraguai era o país que havia alcançado um certo progresso econômico autônomo e seu presidente Solano López resolveu ampliar o território paraguaio e, criar o “Paraguai Maior”, anexando regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (Rio Grande do Sul e Mato Grosso), com o objetivo de conquistar o acesso ao Atlântico.
Em 1864, o Paraguai ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai. A resposta brasileira foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai.
Em 1865, o Paraguai invadiu o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança, contra Solano López. O Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio inglês, recebendo empréstimos para equipar e manter poderosos exércitos.
Depois de algumas derrotas, em 1867, Luís Alves de Lima e Silva, então “Marquês de Caxias”, assumiu o comando das forças militares imperiais vencendo rapidamente importantes batalhas como as de “Itororó”, “Avaí”, “Angosturas” e “Lomas Valentinas”, chamadas “dezembradas”, por terem ocorrido no mês de dezembro de 1868. Finalmente, Assunção, a capital do Paraguai, foi ocupada em 5 de janeiro de 1869.
Após a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, Caxias, com 66 anos, recebe o título de “Duque”, com medalhas e condecorações. No dia 23 de março de 1874 faleceu sua esposa.
Em 1875, o “Duque de Caxias” foi nomeado, por Dom Pedro II, para a “presidência do Conselho de Ministros”, e, assumiu também o “Ministério da Guerra”. Era um Gabinete que serviria à Princesa Isabel na ausência do Imperador.
Em 1877, cansado e doente, Duque de Caxias retirou-se para a fazenda do Barão de Santa Mônica, de propriedade de seu genro, localizada em Valença, Rio de Janeiro.
Duque de Caxias faleceu no Rio de Janeiro, no dia 7 de maio de 1880. Em 1962 foi nomeado pelo Governo Federal o “Patrono do Exército”. Em sua homenagem, o dia 25 de agosto, dia de seu nascimento, é comemorado o “Dia do Soldado”.