Precisa-se de funcionários

Autora Ana Creusa

Ao completarmos 18 anos, eu e meus irmãos, costumávamos andar com uma pasta, contendo nossos documentos pessoais e um curriculum vitae, para facilitar a procura de empregos.

Atualmente os currículos são enxutos, sendo desaconselhável anexação de documentos. Porém, naquela época, exigia-se cópia de documentos pessoais e dos diplomas mencionados. Com isso, um bom currículo costumava ser volumoso.

Além do imprescindível curso de datilografia, fiz vários cursos no SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e já havia concluído o segundo grau, de forma que estava pronta para conseguir um emprego, enquanto esperava passar em um concurso público.

Nas costumeiras viagens de ônibus coletivo, não raro avistava uma fila, descia do ônibus, para checar se era “fila de emprego”.

Um dia, já voltando para casa, passando pelo bairro Canto da Fabril em São Luís, eu e minha irmã, Maria do Nascimento, avistamos uma placa em que lemos: PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.

Descemos do ônibus para tentar concorrer a uma vaga. Tratava-se do prédio do Ministério da Fazenda em construção.

Fomos recebidas por umas pessoas que trabalhavam na obra. Alguém foi chamar o chefe, que era um homem alto, magro, louro de olhos azuis, que disse ser o engenheiro da obra.

Ele perguntou em que poderia nos servir. Eu tomei a palavra e disse:
– Estamos à procura de trabalho, como vimos a placa que vocês estão precisando de funcionários, viemos entregar nossos currículos.

O engenheiro, meio constrangido, falou:

– Sou da Construtora Guaratan de São Paulo. Aqui está sendo construído um prédio de um órgão muito importante, quem sabe quando terminarmos a obra, vocês consigam emprego nessa repartição! Porque aqui estamos precisando é de funileiros.

Pedimos desculpa e saímos, não sem antes ler a placa: PRECISA-SE DE FUNILEIROS que nossa mente reproduziu PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.

O tempo passou e aquela história permaneceu como um tabu, não contávamos a ninguém – passamos um vexame daqueles! Até brincamos: como procurar emprego, se não sabemos nem ler?

Aquele episódio veio à minha mente no dia que assumi o cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal naquele mesmo prédio do Ministério da Fazenda, outrora em construção.

Tive vontade de contar a história na solenidade de posse, mas não tive coragem.

Entre risos e aplausos no dia 11 de setembro de 2013, em uma festinha de bota-fora pela minha aposentadoria, finalmente contei o episódio, talvez estimulada pela leitura do texto de Joãozinho Ribeiro sobre mim, que denominou: “Ana: de Peri-Mirim para o mundo”, em que contou até sobre a minha asma, que minha mãe não me deixava contar, por nada neste mundo!

O compadecido engenheiro teria feito uma profecia?

Texto publicado no livro ECOS DA BAIXADA, páginas 160/162.

Walter Braga, um brasileiro

Autor Flávio Braga

O patriarca da minha família, Walter da Silva Braga (Tetê Braga), nasceu no povoado de Pericumã (Peri-Mirim), em 8 de agosto de 1911, filho de Antônio Florêncio Diniz Braga e de Joana Regina da Silva Braga. Filho de fazendeiro, herdou a profissão de pecuarista. Além do gado bovino, criava porcos, patos, galinhas, paturis, catraios, perus, cabras, cavalos e peixes.

Em sua pequena propriedade, produzia bastante leite, que servia como base da alimentação de sua família e para a produção de queijo e manteiga, que eram vendidos para comerciantes de Peri-Mirim e de São Bento, cuja carga era transportada para revenda em São Luís. Na propriedade havia abundância de palmeiras de coco babaçu, donde eram extraídas as amêndoas para vender aos comerciantes locais, cuja receita era a principal fonte de renda para sustento da família.

Casou-se aos 32 anos com a jovem Maria José Andrade Braga de apenas 16 anos, no dia 23 de dezembro de 1944 (no registro civil) e no dia seguinte sob o rito religioso, na cidade de Pinheiro. Por 45 anos viveram uma relação profícua e prolífica, gerando 13 filhos, que são pela ordem cronológica: João Batista, Maria Regina, Valtemar, Walter, Rosário, José Maria, Manoel, Valber, Leônia, Flavio, e Lidiane,  além dos falecidos Maremaldo e Verionaldo. A prole se completou com 10 filhos de criação, Complementando a prole, adotaram e criaram outros 10 filhos, dentre eles a inseparável Clenilde.

A religiosidade do casal era exemplar. Como membros da Legião de Maria, participavam das reuniões, cultos dominicais e missas que eram celebrados na comunidade. Uma missão que cumpriam com muita abnegação era as visitas aos enfermos, idosos e pessoas em momentos de dificuldade, levando a palavra da Bíblia e as orações para conforto da sua gente. Outra prática religiosa da família, era a oração do santo terço diariamente. O ato de tomar a bênção dos pais sempre foi um gesto sagrado entre os seus filhos e netos.

Apesar do pouco estudo, tinha um imenso prazer pela leitura. Lia a Bíblia,  catecismos, livros, revistas, histórias infantis, até bulas de remédios. Essa afeição  pela leitura foi transmitida aos seus filhos. Daí uma explicação para o sucesso deles  em concursos e vestibulares.

Durante os 45 anos de matrimônio com Maria José, viveu um clima de harmonia, de respeito, de diálogo, de compreensão, de renúncia e de um amor verdadeiro. Faleceu no dia 10 de novembro de 1989, em São Luís, aos 78 anos, deixando um legado de homem honesto, educado, cordial, católico praticante e que apreciava muito conversar com a esposa, os filhos e os amigos.

Vamos dar uma volta pela cidade?

Autor Diêgo Nunes

Vamos dar uma volta

Em nossa pequena cidade

Terra de muitos encantos

Que ficam para a eternidade

São alguns pontos turísticos

Vivos em nossa realidade

 

Pontos turísticos ontem e hoje

Para muitos é um dilema

Pois temos diversas alternativas

Vamos conhecê-los sem nenhum problema

 

Os nossos casarões arejados

Foram adaptações de fortalezas

Que só tinham em Portugal

E nos fascinava de tantas belezas

Os nossos casarões históricos

São nossas verdadeiras riquezas

 

Posso aqui mencionar

O nosso eterno casarão

Que foi de início o convento

Das Freiras em Missão

Que vieram do Canadá

Para viver neste chão

 

Vamos destacar

Como homenagem de recordação

O Sindicato, a delegacia, as fazendas

as escolas: Carneiro de Freitas e Cecília Botão

CEMA, a Prefeitura e da Casa Paroquial com o Salão

 

Tem também as praças

São Sebastião, dos Simpatia e Secundino Pereira,

Santa Teresinha e

Zé Barreira

Que são locais para muita diversão

E brincadeira.

 

Lá tem desfiles de blocos

Todo ano de montão

Tem o carnaval e o baile do pó

O maior do Maranhão

Eu amo, Favela, Xixilados e Cidão

Da Turma do Bebel a Folia de São Sebastião

 

Vamos agora contar a história

Da Muralha do Rochedo

Que pertencia ao senhor Gastão

Que a ninguém dava sossego

Qualquer desobediência

No poço ele atirava sem medo.

 

O rochedo existe até hoje

E está bem localizado

Fica no bairro Campo de Pouso

Não muito afastado

Na estrada do Santana

Visite-o mais tenha cuidado

Pois o local é tido

Como muito assombrado

 

Peri Mirim, pequena cidade

És bela e importante

Tuas paisagens são lindas

Os teus campos verdejantes

Na pecuária e na lavoura

Sempre fostes triunfante

 

Ah! Doce e amada Peri-Mirim

És verdadeira aquarela

De tantas riquezas

Da baixada és a mais bela

Cheia de costumes

De origem raiz e nutela

 

Seja bem-vindo

À Passagem dos Padres

Vamos nos refrescar

Fica no bairro do Portinho

Um passeio para se alegrar

Tem várias árvores e animais

E opções para se aventurar

As famosas panelinhas

Vamos juntos

Você vai gostar!

 

Sobre a passagem dos padres

Vou-lhes contar

Os padres saiam em seus cavalos

Para se refugiar

Esconder-se dos sons de carnaval

E a Deus adorar

Em um local distanciado da bagunça

Para poder se concentrar

 

Vamos agora fazer uma visita

Onde antes existia o belo rio Aurá

Cheio de pessoas

Para tomar banho e pescar

Lavar suas roupas

Uma lida diária a executar

 

O Rio Aurá ainda vive

Podemos aqui dizer

Apesar de todos os problemas

A sua essência não o fez morrer

A lembrança do povo é que a cada dia

O faz viver.

 

Vamos aqui mencionar

O nome de alguns rio

Do nosso lugar

Rio grande, da laje, e rio do pau

Rio santa maria e o do canavial

Rio do sangue, flaviana

Rio da pedra no Juçaral

Rio do meão, tiquaras

Rio das minas e do Tucunzal

E ainda tem mais

O de Honório no meu quintal

Temos em nossa cidade

a famosa cachoeira El Dourado

Que fica em Santana

Nas terras de Dourado

Uma beleza natural

Que ficou no passado

Cheias de árvores, flores e pássaros

Mas que não foi mais conservado

 

Mal cuidada, pouca água

Retratando o natural

Muito lixo no seu caminho

O faz pedir socorro ao geral

 

Entre morros e outeiros

A nossa cidade se limita

Vamos mostrar aqui

O que nos identifica

Tem o morro do centenário

Quem aqui chega o visita

Deixando sua marca registada

E de lá uma bela vista

 

No morro do centenário

Podemos encontrar

A estátua de São Sebastião

Cartão postal do lugar

Marco da religião católica

Quem chega aqui quer logo visitar

 

Outeiro das canoas

Venho aqui lhe apresentar

Ele fica no Campo de Pouso

Em um certo lugar

Cheio de animais e plantas

Que junto dele vieram morar

Lugar que encanta

Quem vai o visitar

 

Passear de canoa

é um dos encantos do nosso lugar

dormir no interior

e ao canto do galo acordar

andar a cavalo, ir a roça

não tem preço a pagar

tomar banho de rio

comer frutas da época e pescar

 

Vamos agora apresentar alguns povoados

Começando de Curitiba, Tijuca, Curva e Apertiral

Poço Dantas, Capoeira Grande, Barreiro e Buragical,

Conceição, Estrada de Padre, Pericumã e Tremedal

Torna, Rio Grande, Boca do Campo, Raposa e Mangueiral

Pedrinhas, Pedra Branca, Pericumanzinho e Feijoal

Baiano, Porções, Canaranas, Paciência e Taocal

Centrinho, Tapera, Minas, Remédios, Carnaúba e Tucunzal

Centro dos Câmaras, Jaburu, Miruiras e Juçaral

 

Os bairros: Sede, Campo de Pouso

Portinho, Tiquaras e Aurá

Os antigos Sacoanha e o famoso Cametá

Igarapé Açu, a extinta Serra,

Tem ainda o Cruzeiro e a ilha do Maracujá

 

As pontas: do Tucum, do Poço, de Baixo,

do Lago e do São João

Chavi, Pascoal, Inambu, Codó e Meão,

Teresópolis, Engenho Queimado, Buenos Aires e Buritirana

Santas: Cruz, Luzia, Rosa, Maria e Ana.

 

As enseadas: do Tanque, Santo Antônio e da Mucura

As ilhas: Grande, do Urubu, Agostinho e Muriré

Os santos: Chico, Jerônimo,

Lourenço, Raimundo, Domingos e José

Rio da Prata, Patos, Muritim,

Malhada de Preto, Três Marias, e Itaquipé,

 

Aqui demos uma volta rápida

conhecemos muitos pontos turísticos

momentos de viajantes

lugares e vistas radiantes

espero que tenham gostado

dessa viajem triunfante

voltaremos breve

com algumas novidades marcantes.

 

O sítio do vovô Santiago

Autora Elinalva Campos

No sítio do meu vovô tem um montão de animal, cada um em seu habitat.

Tem o peixinho bem pequenino, tem o boi grandão e tem até o macaco brincalhão.
Nesse lugarzinho eu me divirto de montão corro atrás do pato, da galinha e do leitão.
Eu tenho um animal preferido quer saber qual é? É o cavalo meu querido! Toda vez que eu chego lá o vovô corre e o cavalo vai buscar, eu fico toda sorridente de tanta alegria minha gente.

Eu só tenho 1 aninho e o meu vovô fica todo bobinho chega brilha o seu olhinho.
Eu me chamo Maria e o vovô se chama Santiago ele me mima de montão e eu faço tudo pra chamar sua atenção.

Neste dia dos pais meu vovô eu venho homenagear ele é lavrador e ama trabalhar.
Todo mundo diz que eu sou muito esperta e vovô fica todo convencido porque eu sou sua primeira Bisneta. Por aqui eu vou finalizar e meu abraço eu vou deixar saiba meu vovô que pra sempre vou te amar. ❤️

História de Feliciano da Cruz Silva

Autora Maria Nasaré Silva

Peço à Musa Divina

Para vir-me inspirar

Pois vou narrar a história

De alguém que vivi para amar

Há mais de 50 anos

Peço a Deus para abençoar.

 

Para abençoar a história

De um homem nobre e guerreiro

Feliciano da Cruz

Tendo Silva o derradeiro

Abençoado por Deus

Valoroso e verdadeiro.

 

Logo em seus primeiros anos

Sofreu grande desalento

Pois Deus assim já chamava

Quem lhe servia de acalento

Sua mãezinha Aidê Silva

Eita mundo de tormento.

 

A bonança viria, era certo

Deus lá do céu já olhava,

Um coração nobre e fiel

E o Pai já o abençoava

Mandando um casal de amigos

E assim já o adotara.

 

A acolhida foi bendita

Para seus dez anos de idade,

Joventina e Mariano

Ensinaram-lhe a verdade.

O amaram como filho

Dando-lhe felicidade.

 

Começou uma nova etapa

De sua vida em Pinheiro

O casal que o adotou

Possuía um bom dinheiro

Tinha uns bons carros de boi

Também era fazendeiro.

 

Deixemos à nova vida

Para voltarmos ao passado,

Feliciano ao nascer

Foi num lugar atrasado

Chamava-se Serra Velha

Mas por era Deus abençoado.

 

Na Serra havia deixado

Muita gente querida.

O seu avô Carlos Maia

E a sua avó Ana Rita

Os irmãozinhos pequenos

Em uma vida desdita.

 

Não saía da lembrança

A sua vida passada,

Não esquecia de Ana Rita

Sua vizinha adorada

Que em meio às sentadas bruscas

Era outra saia rasgada.

 

Em meio a tanto atropelo

Não podia deixar de ser

Lembrava sempre Mãe Zeca

Que o carregara, nenê,

Dormiam sempre juntinhos

Era sua razão de viver.

Em seu mundo de lembranças

Vinha a irmã tão querida,

Que em meio a tapas e beijos

Mantinha sempre a guarida,

Protegendo-o e defendo-o

Dessa vida tão sofrida.

 

Lembrava com carinho

Do seu irmão João Laboro

Sempre metido em encrenca

E tão cheio de desaforo,

Do seu pai sempre apanhava

Com famoso cinto de couro.

 

Muitas vezes era obrigado

A beber mijo fundido.

Como castigo ao papismo

Nem assim se achava perdido

Cada vez aprontava mais

Mas da família, não era banido.

 

Não podia deixar de lado

Seu irmãozinho querido

Valdomiro menino manso

E foi por Deus escolhido

Para acompanhar os passos

E continuar seu destino.

 

Lembrava também Olindina

Mulher de Zé Macaxeira

Homem franzino, vagaroso,

Vivia a fazer asneira

Não era pessoa ruim

Era assim sua maneira.

 

As lembranças eram boas

Fitava o céu a meditar

Pensava nas pescarias

De caniço, e, a soquear

Bicho de tucum no anzol

Para um bom peixe pescar.

 

Deixemos os devaneios

Fitemos na realidade,

Sua vida não era fácil

Mas não vivia de caridade,

Trabalhava de sol a sol

Como homem de verdade.

 

Como homem de verdade

Mas era apenas menino

Ia cedo ao mercado

Para vender o pepino

Aipim, couve, maxixe,

Seu trabalho era divino.

 

Cedo estava na estrada

Para carro de boi carrear

Pois os pais tinham uma frota,

Porém, tinha que trabalhar

Feliciano não se curvava

Fosse o que fosse a enfrentar.

 

Certa vez, em noite escura

Houve um grave acidente,

Em uma curva derrapante

Saiu com vida, felizmente

Mas devido à capotagem

Ficou gravemente doente.

 

Dante desses problemas

Passou meses acamado

Não podia deixar de ser

Fora muito bem cuidado

Pois ele era um ser querido

Por todos era muito amado.

 

Mas como a vida não para

Quem nasce, cresce, reproduz

É o completo dinamismo.

Quem olha, às vezes deduz

Começa uma nova era

Aonde tudo se conduz.

 

Casou-se, era bem cedo

E se pôs a procriar.

Raimunda e Maria Helena

Veio-lhe a vida alegrar

Mas o que tem começo tem fim

Casamento veio findar.

 

As filhas ficam em Pinheiro,

Após a separação

Feliciano desce a serra

E não vem de contramão

Vem lutar pelos seus sonhos

E cumprir sua missão.

 

A missão de homem honesto

É difícil ser cumprida

Ele, porém, conseguiu

Tendo Deus como guarida

E escreveu sua história

Até 97 anos de vida.

 

Morando no São Raimundo

Logo se enamorou

Quando viu Maria Rosa

Disse: agora sim, chegou,

A mulher da minha vida

Para ser meu grande amor.

 

Como já era casado

No civil anteriormente.

Casar-se no religioso

Era o que tinha em mente,

Foi assim que aconteceu

Desse jeito exatamente.

 

As famílias concordaram

Com esse entrelaçamento

Não havendo discussão

Era só contentamento,

Todos ficaram felizes

Com o novo casamento.

 

Desse novo matrimônio

Cinco filhos nasceram:

Dois homens e três mulheres

E assim logo cresceram.

Contra as adversidades,

Lutaram e sempre venceram.

 

A sua primeira filha,

Nasceu com nome Brandina

Como esse nome sugere,

Trouxe ao nascer uma sina

Ser amiga, doce e calma,

Assim Deus determina.

 

Continuando sua prole

Nasce o filho segundo

Bonito, robusto e forte

Deus o mandou para o mundo

Chegou manhoso e chorão

Benildo nasce em São Raimundo.

 

Vinha o terceiro filho

Um menino inteligente

Veio mandado de Deus

Para fazer todos contentes

Não sei como escapou

Zé Maria, só vivia doente.

 

E assim a quarta filha

Nasce toda faceira

Veio branca e gordinha

Rosa, abençoou a parteira

Por certo era a sua avó

Mãe Jota não falava asneira.

 

Por fim, nasce a caçula,

Que é forte em pensamento,

É verdadeira e honesta

Nasaré está no documento.

Ama de paixão a família

E tem bom discernimento.

 

Feliciano da cruz viveu

Noventa e sete anos de vida.

O meu pai foi um guerreiro

Trabalhar era sua lida

Nos criou com sabedoria

E bem idoso fez sua partida.

 

O que meu pai teve de sobra

Soberania, dignidade

Nunca disse uma mentira

Só ensinou a verdade

Quem não seguiu seus conselhos

De suas lições não aprendeu a metade.

 

Encerro assim, a  história,

De Feliciano, o meu pai

Com Deus vive em sintonia

Da minha mente não sai

Era devoto da Virgem Maria

Rezava três rosários por dia

E Nossa Senhora não trai.

 

Neblina em Paris (Mirim)

Autora Eni Amorim

Logo após o recital dos caburés,
Nas primeiras horas do amanhecer,
A cidade, (Peri-mirim),
Abriu os olhos preguiçosamente,
Pelo alvoroço,
Das Rolinhas fogo apagou
E dos bem- te-vis.
Uma camada fina de neblina,
Pairava sobre os verdores dos Campos,
Um vento insidioso,
Invadiu as entranhas da cidade,
E,
De repente,
Como em um passe de mágica,
A cidade foi envolta,
Em uma densa camada de neblina,
Deixando-a com ares de cidade européia.
E,
Novamente,
Em um passe de mágica da natureza,
O sol acendeu o seu luzeiro
E a neblina aos poucos se dissipou…
Peri-Mirim, 5 de agosto de 2020.

Família, família…

Autora: Giselia Pinheiro Martins

Observando alguns fatos sobre o que é uma família!!
Bom, sem causar ou já causando…
Deixem de tanto falatório! Muitos “moralistas” e poucos sensatos estão opinando por aí! E querem saber minha opinião?
“Família é sinônimo de amor e não de ódio!”
Atualmente, as famílias são constituídas de diversas formas e ‘modelos’! E sabe qual o modelo da minha? Aquela onde o amor está presente. Aquela em que o respeito tem o mesmo significado: amor!
Eu aprendi assim. Eu vivo assim!
Deixemos de julgar ou rotular o que é tradicionalmente uma família!
FAMÍLIA É FAMÍLIA! ♥️
Ame o próximo!
Respeite e viva o amor que se manifesta de diversas formas!

Por que tanta pressa?

Autora: Edna Jara Abreu Santos

“Acorda filha, está na hora!”

Para muitos,
A pressa é antônima de perfeição.
Como se para algo ser perfeito,
Sem falhas,
Demanda só de calma e atenção.
Embora, em alguns momentos,
A afirmação seja verdadeira,
Bem aí surge mais uma inquietação:
Será que a nossa imperfeição,
Surge desde a gestação?
Pois imaginemos um único esperma,
Que ágil e sozinho começa a fecundação.

Nove meses passam rápido,
E logo que o bebê nasce, Queremos alimentá-lo,
Dar banho, arrumá-lo,
Para a primeira visitação.
E assim o tempo vai passando, sem demora,
A ponto de não nos deixar dar conta,
De tamanho afobação.
Uma criança inocente, Que não sabe nada da vida,
Ainda tem por obrigação, Acostumar-se com tamanha aceleração.

“Acorda filha, está na hora! ”

Dois, três anos se vão,
E começa mais uma fase,
Da viciosa precipitação:
Cedo acorda, toma banho,
E sem demora já está na escola,
Para a alfabetização.
Alguns pais não entendem,
E não acham normal,
Tanta inquietação.
As crianças de hoje não ficam,
Tanto tempo sossegadas,
A não ser com um celular nas mãos.
E isso vêm afetando entre a família a relação.
Relação esta que a cada dia se modifica,
Com a tal virtual conexão.
Mas talvez seja a pressa e o tempo,
Os dois únicos culpados,
Da distância expulsar a proximidade com a família,
E não ter essa noção.

Cinco, sete anos, Passam-se rapidamente, E o ritmo do dia-a-dia, já está em rotina costumeira.
As horas vagas da tarde vão sendo preenchidas, Pelas aulas de reforço e de capoeira.

Oito anos já!
Acorda cedo,
Toma banho depressa,
Veste-se depressa,
Toma café e sai sem demorar.
As quatro horas de aulas também correm.
Quando chega, rápido almoça,
E vai logo se arrumar, Para aula na escola particular.

Quando se dá conta já é hora para casa retornar.
As poucas horas de lazer,
Na capoeira, em frente à TV, computador ou celular,
Passam-se velozmente antes do jantar.
Depois de um breve descanso,
É hora de deitar e esperar o próximo dia raiar,
E lá para às seis da manhã tudo novamente recomeçar.

A semana se repete como um ciclo sem fim.
É como estar em um filme,
Onde sempre ao final do dia,
Alguém aperta o botão retorno,
Sabendo o que advim.

Mas aí vem a pergunta: Será que a pressa afeta só a educação?
Por que nós pais buscamos tantas formas,
De à força torná-los independentes,
E com tamanha insensatez dizemos:
Que com a pressa o futuro dará mais retribuição!
Será que nossos filhos nas poucas horas em casa,
Estão recebendo de nós pais a suficiente atenção?
Será que na correria diária,
Para um futuro mais vantajoso,
Esquecemos de valorizar, Um sorriso,
Uma descoberta,
Um carinho,
A presença da pausa e tentar viver sem pressão?

Nota da autora: Há um ano escrevi este relato acima em forma de poema para minha filha Alice. E lhes digo que jamais imaginaria que uma pandemia iria assolar o país e o mundo numa proporção tão estonteante há mais de quatro meses. A minha preocupação diante da pressa diária da minha filha na sua rotina escolar ao longo dos oito anos, deu-se lugar ao cuidado em ficar em casa e cuidar da nossa saúde para não contrair o vírus. Cuidar também da saúde mental no isolamento, pois se para uma criança é difícil acompanhar o tempo e afazeres é difícil também parar abruptamente sua rotina.
É tempo de ressignificar os valores de família e aproveitar o momento, pois por hora, a pressa não apressa.

Histórico de criação da Escola Municipal “Cecília Botão” em Peri-Mirim-MA

Autora: Edna Jara Abreu

A Escola Municipal Cecília Botão situa-se na Baixada Maranhense, no centro de Peri Mirim. Segundo pesquisas, esta Escola iniciou suas atividades educacionais por volta do ano de 1965, quando o Município tinha como prefeito o Sr. Agripino Marques descrito pelos entrevistados como uma pessoa íntegra e preocupado com o bem-estar da comunidade. Somente no ano de 1966, na gestão do Sr. José Ribamar França Martins, que foi construído o prédio localizado na Rua Desembargador Pereira Junior, na sede do Município.

Prestando homenagem à conceituada professora Cecília Eusamar Campos Botão, deram-lhe o nome de Escola Municipal “Cecília Botão”. Em 1997, no mandato do Sr. Benedito Costa Serrão, a referida Escola passou por algumas mudanças, uma delas foi a ampliação dos turnos escolares em 3 (três): matutino (5ª a  8ª série), vespertino (5ª a 8ª série) de onze a quinze anos e noturno (EJA), permanecendo assim, até os dias atuais.

Para corrigir os detrimentos aos aspectos físicos, o prédio recebeu reforma recentemente e é composta por 15 (quinze) compartilhamentos no total, divididas assim: 8 salas de aula ativas, 1(uma) biblioteca, 1(uma) secretaria,1(uma) cantina, 1(um) depósito, 2 (dois) banheiros e 1(uma) sala dos professores. Em cada sala há 4 (quatro) ventiladores em perfeito funcionamento, 2 (dois) quadros (um quadro negro e um quadro branco) em cada sala, carteiras novas e merenda escolar no período da manhã e tarde.

Tem como atual diretor o Sr. Carlos Antônio Almeida, que busca manter a ordem e o cuidado na entrada e saída dos alunos, dos horários de aulas e a rigidez no fardamento escolar.

A disciplina Estágio Curricular Obrigatório no Ensino Fundamental, ministrado pela professora Elen Karla Sousa da Silva deu-se início no dia 18 de outubro de 2013, (sexta-feira), o qual foi explicado o roteiro da disciplina, bem como as etapas dos conteúdos e a sua carga horária de 225 (duzentos e vinte e cinco) horas. Ao longo do período de observação e regência que deu-se a partir do dia 21 de outubro a 29 de novembro de 2013 na Escola Municipal “Cecília Botão’’ em Peri Mirim- MA no período matutino e vespertino, proporcionou-me além de experiência, conhecer a história que levou a construção da referida escola, bem como suas necessidades educacionais, apoio dos professores, da coordenação e principalmente pela participação dos alunos.

A mulher do lençol branco

Autor: Diêgo Nunes Boaes

Algumas noites, quando o relógio cruzava as vinte e uma horas e o vento começava a sussurrar entre as casas, ela aparecia.
Deslizava pelas ruas de Peri-Mirim com os pés descalços, uma boneca na mão e um lençol branco que lhe cobria da cabeça até as pernas. Na parte de cima, parecia um capuz; para baixo, um vestido que dançava com o vento, como se tivesse vida própria.

Alta, magra, pálida uma presença que não tocava o chão, apenas passava.
Ninguém sabia de onde vinha, nem para onde ia. E quem ousava encarar seus olhos, dizia sentir um arrepio que começava na nuca e terminava nos ossos.
Ela nada dizia, e o silêncio era o que mais assustava.

A cidade, antes tão calma, começou a inventar nomes, rostos, histórias.
Uns diziam que era uma moça perturbada que andava durante o dia pelas ruas, mas logo a hipótese se desfazia a mulher do lençol era branca e alta, enquanto a moça era pequena e negra.
Outros juravam que vinha da Rua da Murtinha, onde as sombras se misturam com a fumaça dos vícios, mas também não, lá, ninguém a conhecia.

E havia ainda quem afirmasse, com convicção de beato, que era uma policial federal disfarçada, escondendo uma arma dentro da boneca.
Mas nada se provou.
O que se sabe é que ela continua rondando as madrugadas, como se fosse parte do próprio silêncio da cidade.

Quando ela passa, o tempo parece suspender o fôlego. Os cães calam, as janelas se fecham, e os poucos que ainda ficam à rua prendem o olhar, entre o medo e a curiosidade.

E fica a pergunta que a todos consome, mas ninguém ousa fazer em voz alta:
será uma mulher de carne e osso…
ou uma assombração que veste o branco da eternidade?