Encantos de Minha Terra

Vou falar um pouquinho do meu folclore popular, nomes de muitos artistas que vivem a encantar.

Peris terra abençoada, já foi narrada em rimas e em versos cantada por França, Paim e Santiago sempre é bem representada.
Nossa cultura por todo Maranhão é levada pelo Carlos Pique e o Antônio João que sempre cantam coisas vindas do coração.
Nas noites estreladas, a mulherada muita saia girava e ao som do tambor na roda entravam. Dona Antônia, dona Rosa e ainda tem a Maria que com seu rebolado deixa gente de olhos arregalados.

Se quiser conhecer as foliolas do Divino, Dona Nicinha vai tocar, na frente dela um imperador e imperatriz estão sempre a lhe honrar, mas se quiser conhecer um forró de caixa, meu bem vou lhe sugerir o de JJM com ele qualquer chão treme.

Às benzedeiras daqui estão sempre de seu povo a cuidar, mas teve uma que deixou seu nome na história deste lugar. Dona Morena assim era chama e 3 folhas de pião ela usava. Tirava quebrante espantava a mofina, hoje temos Dona Nair que nos recebe com muita alegria.

Neste dia do folclore minha gratidão venho externar ao povo que contou nossas lendas e tornou nosso ditado popular. Não posso esquecer das brincadeiras que vivem a nos ensinar, do pião, da amarelinha, pular corda como se a rua fosse minha.

Brincar de roda e de ciranda pular elástico na varanda. Ainda tenho muito a falar de pessoas como Diêgo, prof.ª Gisa, Eni, Nazaré e Tatá poetas da nossa terra que em versos estão sempre a narrar.

Aqui tem gente que canta como Eliane Dantas, tem gente que toca e gente que dança. Esta é minha cultura popular, foi um prazer vim lhe apresentar, espero que para as futuras gerações possam levar este é um trabalho de resgate e aos mestres vou dedicar.

QUERIDO DIÁRIO..

Hoje eu vou falar de memórias, falar de saudades…
Tudo começou no ano de 2016. No dia 30 de abril de 2016.
Era um período de chuvas na nossa baixada, a lua fazia quarto crescente…
Um dia que ficou registrado na nossa memória…
Sala cheia ,
Burburinhos,
Expectativas,
Sonhos…
Aliados a tudo isso, surgiram às dificuldades:
Medo
Perdas
Inseguranças
Ansiedade
Desistências…pessoas ficaram pelo caminho…sonhos interrompidos.
E veio talvez, o maior desafio da caminhada. A pandemia , a pandemia da covid 19:
Medo, muito medo,
Isolamento,
Distanciamento,
Mudança de metodologia,
Adequação às aulas remotas,
Ansiedade,
Vontade de desistir…Mas os colegas, as famílias surgiram como anjos e nos reanimaram. A corrente de energia positiva emanada nos sustentou até aqui.
Querido diário não foi fácil…
Mas aprendemos tantas coisas…
Aprendemos sobre comportamento humano, talvez a mais difícil das engenharias, porém fundamental para a nossa convivência.
Os caminhos trilhados no curso de filosofia nos moveram a ter uma consciência lúdica na busca de conhecimento. Capacitou-nos para a leitura, para a pesquisa e escrita, além de desenvolvermos um raciocínio abstrato, espirito investigativo e interpretativo.
E como não falar dos professores e orientadores que estiveram esse tempo todo conosco?
Estes cada qual com seu saber, nos ajudavam a traçar a estrada do nosso futuro. Sem eles seria impossível chegarmos até aqui.
Querido diário…Hoje nossa alegria se mistura com a nossa tristeza o sorriso com as nossas lágrimas.
Simplesmente porque, fechar o capítulo de um livro é muito difícil ,principalmente quando se está inserido na história, fazendo parte dela como um dos principais personagens.
Muitas vezes comentamos:
Esse dia nunca chega!!
Mas essa dia chegou!!
E vocês podem me perguntar sobre esse tempo…Quais as melhores lembranças que você irá levar? E eu vou responder:
Vou levar as amizades ,
As lembranças ,
O jeito sapeca de cada um ou o jeito ranzinza do outro,
As manias de cada professor,
Os puxões de orelhas,
Levarei principalmente o conhecimento, as experiências e o saber de cada um,
E uma oração de gratidão…
Muito obrigada!

ALCAP: DISCURSO DA PRESIDENTE NA POSSE DOS ACADÊMICOS

Por Eni Amorim

Boa noite!

Saúdo a todos: Autoridades aqui presentes, visitantes, acadêmicos e acadêmicas, amigos da academia simpatizantes, familiares, convidados e comunidade em geral

Primeiramente agradeço a Deus, arquiteto do universo e Senhor Todo Poderoso por este momento singular na minha vida, em nossas vidas.  À minha família que sempre acreditou no meu potencial e aos amigos que sempre me incentivaram a perseguir os meus sonhos…

Como filha de Peri-Mirim, tenho a graça de ter nascido sobre as bênçãos do Santo Guerreiro São Sebastião, esse Santo que pela crença do seu povo, perscruta e protege nossa cidade das aflições, da fome, da peste e das guerras, sustentado pelas bênçãos do Deus Todo Poderoso que nos dá o espírito de Fortaleza para que a exemplo de São Sebastião, vosso Glorioso Mártir, possamos aprender com ele a obedecer mais a Deus do que aos homens.

Apraz-me sobremaneira neste momento, por fazer parte deste seleto grupo de destacados Perimirienses que constituem nossa Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense. Sinto-me honrada em estar nesse meio de saudável convivência com todos vocês, confrades e confreiras e assim podermos compartilhar experiências no Largo campo das Letras, ciências e artes interligados nos saberes de nossa gente.

Para quem não sabe, o termo Academia tem sua origem na Grécia em torno do século terceiro antes de Cristo quando Platão passou a reunir pensadores que discutiam questões filosóficas em um local chamado Jardins de Akademus (herói ateniense), o grupo passou a ser conhecido por academia; atualmente quando nos referimos genericamente a academia estamos nos referindo ao sistema educacional e ao meio intelectual como um todo.

A Academia Perimiriense, no artigo primeiro de seu estatuto preconiza o desenvolvimento da Cultura, a defesa do patrimônio cultural do município, intercâmbio com instituições congêneres e funcionará em conformidade com as normas de seu estatuto e Regimento. Espera-se que cada um de nós faça apenas o que a academia propõe que seja feito, que cada um de nós torne-se aquele pequeno Colibri Compreendendo sua parte no mundo, então, a academia produzirá os frutos que se espera dela, que seja um emblema forte, admirado e envaidecedor dos bons Perimirienses.

Há muito a fazer, é preciso ousar, sonhar, crer no talento inabalável, intrínseco dos que nasceram, dos que cresceram neste privilegiado solo. É gratificante sentir a energia do poder místico, contagiante, acrisolado que circunda nossos Verdes Campos e que azuleja o nosso céu de azul anil.

Nessa noite de magia, sinto o frescor da brisa da noite acariciando o meu coração, traduzido nas lembranças da minha doce infância: o cheiro dos jamaris florescendo na beira do  campo, dos passeios de Canoa, o enlevo do toque do Sino da igreja matriz, o sabor dos doces de espécie da tia Babica, o café torrado com erva doce e os filhoses de tapioca assado no azeite de coco na casa da bisavó, (minha patrona Maria Isabel Martins Nunes), do sabor da jabiraca cozida ao leite de coco, o arroz de Jaçanã, o queijo chegando quentinho da Fazenda, o toque de caixa das festas do divino Espírito Santo, o espocar dos foguetes nos festejos de São Sebastião, o tambor de crioula nas noites de São João, o grasnar dos marrecos, japiaçocas e jaçanãs, os banhos de rios, os quitutes da mamãe, a magia e a singeleza da minha terra querida.

Não poderia deixar de citar aqui a minha família na pessoa de meu pai Jair Amorim (in memorian), que foi; Carpinteiro, lavrador, pescador, caçador… Minha mãe Inacia Pereira Amorim que foi costureira, redeira, lavradora, doméstica, vendedora de pastel, de cocada, de bolos, e de suquinhos; os dois juntos exerciam uma multidisciplinaridade de tarefas  para ajudar no sustento da casa e dos seus seis filhos; Meus irmãos: Laurijane, conhecida por Nita, Jair filho (Jacolino-Jacó ou Jacó-bala), Silvia, conhecida por Cici, Cristina Maria e Evandro ( Vanvando). Essa é a minha base, na qual eu aprendi, os primeiros passos para ser quem eu sou, aprendi a ser tolerante, a amar e a perdoar e a perceber o meu lugar no mundo.

Agradeço grandemente ao Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) que desenvolve esse belo projeto denominado “Academias na Baixada”, cujo gestor é o Professor da UFMA, Manoel Barros, e principalmente à Ana Creusa Martins que foi a idealizadora na missão de provocar o despertar para a criação da Academia, que tem como meta a divulgação de todos que contribuem com a cultura e a história do município.

Na oportunidade, lembramos personagens que fizeram e fazem parte da história deste município, como o saudoso professor João Garcia Furtado quem, na memória de muitos, batizou Peri-Mirim como a “Metrópole da cultura brasileira”, além dele, citamos outros personagens: Naisa Amorim ( Patrona da Academia), Venceslau Pereira, Carlos Pique (Aqui presente), Santiago, Padre Gérard Gagnon, Flávio Braga, Antônio João França Pereira, Francisco Viegas, Abacaxé, Vavá Melo, Maria Rosa Gomes, Isabel Martins Nunes e tantos outros que contribuíram e que ainda contribuem com a história do município.

E, para encerrar a minha fala quero declamar um poema da minha autoria, intitulado, Teares.

Teares

 

Os teares que construíram a minha história,

Teceram as tramas do tecido,

Nos moldes dos meus antepassados;

Nesse conjunto biológico de células,

Compostos orgânicos de moléculas,

Mistura genética de meu pai e minha mãe,

Textura dos meus textos;

Contextos;

Engenhosidade rústica,

Uma Trama que me fez única,

Singular;

Entre milhões de DNA’s do planeta;

Doce como mel,

Ou,

Amarga como o Fel.

Às vezes deserto,

outras vezes Oasis,

Às vezes forte,

Às vezes frágil;

Às vezes lenta,

Às vezes ágil;

E,

Nessa arte de tecer:

Em cada ponto,

Em cada conto;

Erros;

Acertos.

Em cada fio entrelaçado,

ora aparente,

Ora escondido,

Dentro de mim,

Vou aprendendo…

Fazer-me,

E refazer-me,

Continuamente….

E assim,

Tecendo os meus caminhos,

Vou aprendendo que:

Nas tessituras da vida,

Apesar dos meus remendos…

… Ainda estou em construção…

Muito Obrigada!

 

O LUGAR ONDE VIVO TEM CRIANÇA POETA

RESENHA DO RELATO DE PRÁTICA DA ESCOLA MUNICIPAL “KEILA ABREU MELO” NA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA – 7ª EDIÇÃO. TÍTULO: O LUGAR ONDE VIVO TEM CRIANÇA POETA

 Por Edna Jara Abreu Santos

A Escola Municipal “Keila Abreu Melo”, localizada na Rua Campo de Pouso, s/nº, Peri-Mirim – MA, atende alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental I, deu início ao ano letivo em doze de março de 2021. Sendo que, há um ano as gestões escolares vêm adotando a modalidade de Ensino Remoto de Emergência (ERE) devido à Pandemia do Covid – 19.

Atendendo à solicitação da Secretaria Municipal de Educação, a escola aderiu ao projeto da Olimpíada de Língua Portuguesa – 7ª Edição, inscrevendo os alunos das três turmas do 5º ano na categoria: Poema.

A professora de Língua Portuguesa, Edna Jara Abreu, desenvolveu o tema proposto “O lugar onde vivo” por meio de Planejamentos quinzenais com atividades impressas, vídeos, áudios, tira-dúvidas com os pais de forma virtual e presencial, oficinas e apresentações em Sarau.

A Olimpíada de Língua Portuguesa teve origem no programa Escrevendo o Futuro desenvolvido pela Fundação Itaú Social entre 2002 e 2006, iniciativa do Ministério da Educação. É um concurso de produção de textos para alunos de escolas públicas do Brasil, que visa estimular o interesse pela leitura e escrita. Nesta edição, todos os Estados  aderiram e se inscreveram, sendo que, em todo Maranhão 2.519 escolas estão participando do concurso em diferentes categorias: Poema, Memórias literárias, Crônica, Artigo de opinião e Documentário.

Nesta escola, cinquenta e três alunos fizeram parte do projeto. Apesar dos obstáculos enfrentados como a falta de recursos tecnológicos em casa: celular/computador, do acesso à internet e do transporte, as aulas remotas seguem com entregas quinzenais de atividades impressas, plantões pedagógicos com professores e também orientação via grupo de WhatsApp com pais e alunos que dispõem desta ferramenta.

As primeiras quinzenas do primeiro semestre foram trabalhadas atividades diagnósticas: elaboração de texto narrativo, leitura, compreensão textual, entrevista, elaboração de cartas, ortografia, sílaba tônica, sinais de pontuação, classificação das palavras e separação silábica.

Nas duas últimas quinzenas antes do início das férias (julho), as aulas foram direcionadas ao conceito e composição do poema: rimas, versos, estrofes, métricas e etc., produção e compreensão textual envoltos pela caracterização histórica de Peri-Mirim. Por meio do site oresgate.net.br obteve-se acesso a materiais de poetas da terra como: Diêgo Nunes, Nasaré Silva, Eni Pereira, Ataniêta Martins, Carlos Oliveira, Santiago e etc., da qual foi adaptado e confeccionado atividades ilustradas para a prática da compreensão textual, leitura, complementando assim, com a elaboração das produções preliminares dos discentes.

Nos dias dois e três de agosto, na retomada das aulas após as férias, aconteceram as duas tão aguardadas oficinas. A escola recebeu números reduzidos de alunos, seguindo os protocolos sanitários, no turno matutino e vespertino. Os alunos que compareceram às oficinas foram: Adrian Vitório P. Barros (5º A), Gabriel G. Santos (5º B), Gilda Sibelly S. Martins (5º B), Jhonata Kauã G. Campos (5º A), Maria Eduarda O. Melo (5º A), Samuel G. Sousa (5º C) e Thayla Kauane França (5º A), residentes da zona urbana e rural deste município.

Em um dado momento das oficinas, foi acolhido o autor do poema: “A história da minha cidade” – Diêgo Nunes, onde recitou sua poesia aos alunos. A aluna do 4º ano, Alice Santos Lopes também declamou o poema “Acorda filha, está na hora” de autoria da professora Edna Jara. Além destes, vários outros poemas de autores nacionais e naturais do município foram expostos e lidos também, demonstrando aos alunos que qualquer pessoa pode ser poeta, que seja professor e/ou estudante, pessoa abastada ou pobre, homem ou mulher, idoso ou criança.

Os poemas inéditos produzidos pelos alunos levaram títulos e foram passados para o papel almaço. Recitaram-nos no pátio da escola em forma de Sarau, onde levou o nome: “Sarau das Crianças Poetas”.

Todo este processo foi descrito caprichosamente em um relato de prática solicitado à professora participante. A comissão escolar ao receber este, e os demais materiais: Linha do tempo e Álbum da turma, selecionou duas produções (poemas) e enviou ao site do concurso dentro do prazo estipulado.

A professora Edna Jara teceu elogios aos seus alunos, como sendo geniosos, determinados, perseverantes e fontes de inspiração. Ela observou durante o processo de aplicação do projeto, que a escola em questão tem muitas crianças com grandes facilidades em poetizar e que só precisam de mais incentivos.

Os objetivos propostos e desenvolvidos neste projeto da Olimpíada de Língua Portuguesa foram finalizados com grande êxtase de trabalho cumprido. Este, bem recebido pela comunidade escolar pelos benefícios da prática da leitura e escrita aos alunados e pela valorização da história cultural antiga e atual do povo perimiriense.

A resenha do Relato de práticas e demais materiais disponibilizados aqui fazem parte do que foi enviado no site do concurso.  O intuito da divulgação é para que toda a rede escolar e a sociedade em geral apreciem a proeza dos alunos da escola Keila Abreu Melo em Peri-Mirim – MA.

Confira os vídeos das apresentações:

REFERÊNCIAS

BECHARA, Evanildo. Dicionário escolar da Academia Brasileira de Letras: língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2011.

MEMÓRIAS ESCRITAS. Disponível em: >https://bloggernapontadalingua.blogspot.com/<. Acesso em: 25 de março de 2021.

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA– 7ª EDIÇÃO. Disponível em: >https://olimpiada.escrevendoofuturo.org.br/mapa/info_uf.php?uf=MA<. Acesso em: 12 de março de 2021.

O RESGATE: DE PERI MIRIM PARA O MUNDO. Disponível em: >http://oresgate.net.br/categoria/alcap/<. Acesso em: 25 de março de 2021.

O LEGADO DE KEILA ABREU MELO EM PERI-MIRIM/MA

Por Diêgo Nunes e Edna Jara

Keila Abreu Melo Diniz nasceu em Peri-Mirim em 18 de junho de 1969. Filha de Manoel Melo (In Memorian) e Javandira Abreu Melo, foi a quarta filha de um total de seis: Manoel (In Memorian), Jeisa, Nilson, Keila, Gisele e Kênnya). Filha muito dedicada, com sua mãe e seus familiares. Casou-se com Alan Fábio Pereira Diniz e tiveram dois filhos: Luiz Eduardo Melo Diniz e Alain Victor Melo Diniz.

Morou quatro anos em São Luís para estudar. Formou-se em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Iniciou sua vida profissional muito cedo. Apaixonada pela educação, Keila já sabia o que queria. Assim, serviu o município de Peri-Mirim como educadora há mais de uma década. O seu primeiro emprego nesta cidade foi por contrato do Estado.

Era uma pessoa que amava muito tudo o que fazia. Pessoa de caráter, sincera, lutadora, colaboradora, esportista, digna, alegre, enérgica, acolhedora, lecionava com dedicação…; Estes são só alguns dos atributos que descrevem quem a conheceu.

Todas estas características chamaram a atenção das autoridades políticas da época, que lhe ofereceram o importante cargo de Secretária Municipal de Educação. Ela, de bom grado, aceitou o desafio.

Sua família testemunhou as muitas noites, madrugadas, dias, fim de semana e até feriados que Keila dedicou a este serviço público. Não foi fácil, mas ela, mesmo com pouca idade que tinha exerceu a sua gestão com muita competência, dedicação e carinho.

Deixou seu legado no município de forma positiva. Pois foi um exemplo de mulher guerreira, justa e transparente em seus relacionamentos e ações, sensível, empática, companheira e fiel em todos os momentos e para tudo. Além de gostar de fazer caridade, foi torcedora do Vasco da Gama, católica ativa e dizimista atuante.

Um problema cardíaco, até então desconhecido, tirou a vida de Keila através de um infarto fulminante aos trinta e dois anos, mais precisamente em: 03 de junho de 2002.

A lição que ela nos deixou foi viver a vida com disposição, alegria, dedicação, cultivar amizades e o amor em família.

Keila partiu muito cedo desta vida. Mas sua missão aqui na terra foi de grande relevância ao nosso município na área da Educação.

Em sua homenagem, o vigésimo quinto prefeito da cidade, José Geraldo Amorim Pereira, no seu segundo ano de administração (2001-2008) nomeou o prédio construído ao lado do antigo prédio da Câmara (atual prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social) como “Keila Abreu Melo”. Ainda no mandato de Afonso Pereira Lopes (2009-2012), assim, como uma parte da gestão do Prefeito João Felipe Lopes (2013-2016) funcionou o curso de informática para alunos da rede pública municipal e estadual ministrados por instrutores contratados.

Por interesse da gestão da época e em concessão com a Câmara Municipal, dezesseis anos após seu falecimento, o nome “Keila Abreu Melo” foi decretado permanentemente como nome oficial da escola municipal localizado no Bairro Campo de Pouso.

Seguindo o histórico da referida escola, o autor perimiriense Francisco Viegas Paz, em seu livro “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim (2014), relata que a Escola Municipal “Tarquínio Viana de Sousa”, localizada no bairro Campo de Pouso, foi construída na administração de Carmem Martins, entre 1989 e 1992. O nome homenageou o ex-prefeito e pai da executante da obra. Funcionava nos turnos matutino e vespertino o ensino fundamental, com a capacidade de abrigar por turno 200 alunos.

Durante seis anos (2003 – 2008) o prédio foi cedido ao Estado para alojar alunos do Centro de Ensino “Artur Teixeira de Carvalho” das séries finais do ensino médio.

Retomado para as atividades da gestão municipal, serviu como primeiro anexo da Escola Municipal “Cecília Botão”. A extensão se deu pelo número crescente de alunos advindos dos mais diversos povoados do município de Peri-Mirim. A escola matriz já necessitava de um espaço mais amplo que pudesse atender a esta nova realidade, porém, dado o aumento da demanda foi necessário adequar este novo espaço de atendimento.

Foi pelo Decreto nº 007/2018 de 11 de julho de 2018 que o nome da Escola Municipal “Cecília Botão” – Anexo I passou a ser oficialmente Escola Municipal “Keila Abreu Melo”. Localizada no Campo de Pouso, s/nº, Peri-Mirim. A escola se tornou uma entidade independente pela criação da sua inserção cadastral na Receita Federal do Brasil e cadastro no Ministério da Educação recebendo código do INEP próprio.

A escola é mantida pela Prefeitura Municipal de Peri-Mirim e administrada pela Secretaria Municipal de Educação – SEMED e PDDE, sob CNPJ nº 30.681.962/0001-14 e INEP nº 21274010 e está baseada na metodologia do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC. O nível de ensino é o Fundamental séries iniciais (1º ao 5º ano), podendo abrigar 240 alunos distribuídos em quatro turmas ativas nos dois turnos. Atualmente, os departamentos estão divididos assim: sala da direção, secretaria, cantina, banheiros, salas de aula e uma pequena biblioteca.

A instituição atende alunos provenientes das Comunidades/Povoados do município. As crianças e adolescentes dos quais constituem o corpo discente desta escola apresentam perfis socioeconômicos e culturais distintos pertencentes a diversas classes sociais, a maioria são de origem de famílias de trabalhadores rurais, pescadores e funcionários públicos. São beneficiados também por programas do Governo Federal como Bolsa Família, além de recursos diretos do FNDE: PDDE (novo Mais Educação), que contribuem diretamente para formação de um ser humano mais digno.

A Escola Municipal Keila Abreu Melo vem sendo administrada desde janeiro de 2021 pelas gestoras Darlene Nunes e Tereza Nunes as quais vêm realizando um trabalho em conjunto com sua equipe escolar voltado para o foco em projetos pedagógicos sincrônicos às competências da BNCC que envolvam alunos, famílias e a escola no processo de ensino-aprendizagem na atual modalidade: ERE – Ensino Remoto de Emergência.

A decisão de nomear a escola como Keila Abreu Melo veio do desejo popular de perdurar seu legado com honras e méritos de educadora excelente nos anos de atuação.  A escola por sua vez, honra a graça de poder cativar essa herdade com resultados satisfatórios de um ensino eficaz e sempre oferecendo uma educação melhor e de qualidade para as crianças e adolescentes do nosso município.

Colaboradores: Família e amigos de Keila A. Melo.

Velho Casarão

Por Eni Amorim

Vendo-te definhar nas sombras das tuas ruínas,
Remonto-me para o período da tua aurora juventude, onde reinavas majestoso na imponência do tempo.
Guardas em tuas ruínas histórias e lendas de personagens que habitaram dentro de ti; Histórias de amores e desamores, esperanças, alegrias, tristezas, angústias, perdas e reencontros, chegadas e partidas…
Nas histórias do senso comum que brotam da imaginação de uma gente humilde surge a lenda da ’’Freira de chamató’’ (tamanco). (Eis que na calada da noite uma freira de chamató passeia pelas varandas do casarão com seu toc, toc irritante.) Lenda essa que fez o casarão tomar uma conotação de ‘’Casarão mal assombrado’’.
Guardastes no teu abrigo: religiosos, trabalhadores, viajantes, vendedores e moribundos…
Abrigas nas tuas entranhas histórias de muitos atores, cada qual com sua singularidade que lhe é peculiar.
Agora que a velhice chegou e que não tens mais o vigor de outrora,
Jazes esquecido ao relento e aos maus tratos, Não passas de escombros e de local para deposição de excrementos humanos e abrigo para os animais que perambulam pelas ruas da cidade.
E você, velho casarão, aguarda que o tempo complete o teu processo de oxidação, enquanto você figurará nos fragmentos de uma história nas névoas do tempo.

Peri-Mirim, 20 de junho de 2015

E ASSIM EU FUI DESCOBRINDO…

Por Eni Amorim

Que o Papai Noel é um velhinho,
Que só serve para ajudar o consumismo no Natal.
Que o coelhinho da páscoa,
serve para ajudar vender chocolate na Páscoa.
Que saci-pererê mãe d’água e Curupira
São seres que povoam o mundo do folclore.
Que o príncipe encantado,
Muitas vezes vira um lobo mau.
Que não se pode agradar a todos,
Sempre terá alguém para te criticar.
Que não dá para ser bonzinho,
Sempre vai ter alguém para te magoar.
Que perdoar não é fácil,
Mas faz um grande bem para nosso ego;
Que não dá para ser igual à outra pessoa,
Porque cada pessoa é única neste universo.
Que por maior que seja a decepção,
Um dia você vai superar.
Que amor de pai, mãe e irmãos,
Vivem dentro de você para sempre.
Que o universo responde,
A mesma energia que você emite.
Que tudo que desejares para os outros,
Volta para você seja o bem ou seja o mal.
Que o meu dedo médio,
Também pode ser uma resposta atrevida.
Por mais plano que seja o caminho,
Sempre aparecerão as pedras.
Que com falha e erros,
Se esculpe a sabedoria.
Que os sorrisos,
Escondem cicatrizes dentro da alma.
Que o que nunca foi nosso,
Se deve deixar partir.
Que dinheiro não é tudo,
Mas ajuda para caramba.
Que o dedo mindinho do pé,
Sempre acerta a quina da mesa.
Que coração quebrado,
Pode ser consertado.
Que a mentira tem perna curta,
E a verdade cedo ou tarde aparecerá.
Como posso querer que alguém me entenda,
Se eu mesma não me entendo muitas vezes? Que sonhar é bom,
Mas melhor é realizar.
Que o tempo é sim,
Senhor de todas as razões.

Peri-Mirim, 13 de julho de 2021

POEMA A PERI-MIRIM

Por Giselia Pinheiro Martins

Peri-Mirim terra querida
De coração fico a admirar
Suas belezas, suas paisagens
Nem dar para acreditar

Por sua gente hospitaleira
Por teu povo acolhedor
E quem chega por aqui
Vê o Santo protetor

Peri-Mirim vem se destacando
Com a ALCAP a abrilhantar
Sua história e sua cultura
Por ela vai se eternizar

Temos muito a dizer
Sobre o que ela nos representa
Nossa Peri-Mirim tem história
Feliz de quem nela se acalenta!

Lugar de pessoas ilustres
Vou começar por meu pai
O nome dele é Walton Barreira
Que na educação foi sagaz

Vou citar mais alguns
Jarinila Campos, educadora
Voz delicada e amorosa
Destacou-se como professora

Continuando com os nomes
Dona Mirian Costa Pereira
Professora mãe de nosso confrade Júnior
Estudou com afinco, mãe guerreira!

Tive a oportunidade de conhecer
Outro nome importante
Heráclito Pinheiro, meu avô
Do Inambu era comerciante.

Sinto saudades de alguém
Que partiu sem dizer adeus
Batista Pinheiro, meu amigo
Está morando com Deus!

Dentre outros tantos…
J. Campos, Doxo, Keila Abreu
Cada um em seu espaço
Sua história escreveu!

Vou citar alguém especial
Para finalizar este poema
Minha adorada mãe Bubu
Amor Incondicional é o seu lema!

CORDEL: SÓCRATES E HANNAH ARENDT

Por Nasaré Silva

Todos vocês que aqui estão

Recebam meus cumprimentos,

É muita honra tê-los conosco,

A prestigiar nosso evento.

Miniolimpíada de filosofia

A primeira da freguesia

Palmas para este momento.

 

Nesta tarde ensolarada

Tivemos dois julgamentos:

O primeiro foi de Eichmann

Que só produziu sofrimento,

Não somente ao povo judeu

Condenou até o filisteu

Seu problema: discernimento.

 

O segundo foi de Sócrates

Que todos já ouviram falar,

Século V a. de Cristo

Ele vivia a perambular,

Questionava todo mundo

Parecia um vagabundo

A Ágora: o seu lugar.

 

Para falar sobre Eichmann

Convém neste momento citar

A cientista política

Hannah Arendt, ouviram falar?

Viajou para Jerusalém,

Não foi para dizer amém

Foi ao julgamento reportar.

 

Eichmann fora julgado

Em 1961.

Por muitos crimes de guerra,

Aqui falamos de um a um.

Ele dizia ser inocente

Não pensava, pois, sua mente,

Não tinha dote nenhum.

 

Mandou para o holocausto

Seis milhões de judeus

Idosos, crianças ou jovens,

Quem tinha religião ou ateus

Seu problema era não pensar

Hannah Arendt fez confirmar,

No livro que escreveu.

 

Eichmann em Jerusalém

É um livro seu, famoso

Nele Arendt conta a história

De julgamento oneroso

De Argentina a Israel

Foi conduzido o réu

Sob um regime rigoroso.

 

Hannah Arendt escreveu

Muitos livros, no entanto.

Praticamente em todos eles

Questionar era seu acalanto

Judaísmo: a religião

Questões políticas: sua missão

A verdade era seu manto.

 

Em 1906 nascera

A Alemanha era seu mundo.

Morou na grande Paris

Num período infecundo.

Vivera em “tempos sombrios”

Sobreviveu às guerras, o vazio,

Conviveu com moribundo.

 

Seu livro de notoriedade

As Origens do Totalitarismo,

Arendt narra como surgiu

O conhecido antissemitismo,

Pois ela queria entender

Por que tanto ódio e Poder

No mais novo regime, o Nazismo.

 

 Em Homens em Tempos Sombrios

Arendt biografa homem e mulher

Walter Bejamin, Karl Jaspers,

Os seus dois amigos de fé.

Rosa, Lessing e reflexões,

Heidegeer, uma de suas paixões,

Arendt, judia e grande mulher.

 

O termo “banalidade do mal”

Por ela, cunhado no julgamento

Amigos judeus de Hannah Arendt

Não sentiram contentamento,

Pensaram que Eichmann defendia

Não entenderam o pensar da judia

Amizade sofre estremecimento.

 

Passaria a tarde inteira

Falando de Hannah Arendt

Todo o tempo ainda é pouco

Quando o poema expressa arte.

Preciso a Sócrates voltar

E sua linda história narrar

A verdade foi seu baluarte.

 

Sócrates fora condenado

Por crimes que não cometeu

Indagar era o seu forte

Aos jovens não corrompeu,

Aos deuses não desrespeitou

Contra a mentira sofística lutou

Deram-lhe cicuta, ele bebeu.

 

Por vezes, o interlocutor

A Sócrates não entendia

Usava método “maiêutico”,

Concomitantemente, à ironia,

Quando da conversa, o fim,

Não visualizava o jardim

Da luz da sabedoria.

 

Isso gerou confusão

Na vida de muita gente,

Em Atenas, na Grécia Antiga,

Nessa parte do Ocidente,

Os cidadãos se reuniam

Na Ágora e decidiam

O melhor ao Continente.

 

Assim narra-se a história

De quem buscava a verdade,

Não mentia, perguntava,

Sobre os temas da cidade

Ele indagava porque queria saber,

Desconhecia a essência do Ser

E não aceitava caridade.

 

 

Um grupo de filósofos

Chamado de sofistas

Ficou muito incomodado

Com sucesso do politeísta.

Armaram uma encenação

Condenaram Sócrates, então,

Por crimes ainda não vistos.

 

A peça que apresentamos

Foi parte de seu julgamento

Escrito no Apologia a Sócrates

De Platão, o pensamento,

O seu discípulo fiel,

A condenação fora o fel

Amargo desse momento.

 

O objetivo deste evento

É mostrar nosso projeto

“Até que ponto nós agimos

Mediante as leis”, fazendo certo?

Vê-se nos dias atuais

Medidas descabidas, fatais,

Que impedem nosso progresso.

 

Mediantes a tantas PECs

Que tiram nossos direitos

Nos calamos, nos omitimos

Aceitamos o desrespeito.

Até onde vão os desmandos?

Nossa honra blasfemando

E tudo sendo desfeito?

 

Vamos unir nossas forças

Nossa coragem, a fé.

Aprendamos a dizer não,

Lutemos contra o lúcifer

Eichmann aceitava tudo,

Até mesmo dos judeus o tributo,

Não pensava, vivia de cliché.

 

Somente nós podemos mudar

O rumo da nossa história.

Nascemos pobres, somos dignos,

Sonhamos com as vitórias

Não fiquemos aprisionados,

Ou seremos condenados,

Sem um momento de glória.

 

Quero registrar, no momento

Meus queridos professores:

Almir e Marly Cutrin,

Ambos são doutores.

Transmitem conhecimento,

E nos dão contentamento,

E assim, perpetuam valores.

 

Deixamos aqui registrado

Os sinceros agradecimentos

A secretária Alda Regina

Dalcione, no engajamento,

Aos amigos da equipe

Vieram a pé ou de jipe

Mas estão neste momento.

 

Eles são Kelisson Melo

Nayara e Walterlino,

Nasaré como já sabem

É a poeta, tem destino.

Agnaldo, grande pastor.

Todos trabalham com amor

Em prol de um bom ensino.

 

A equipe “Esmagai a Infame”

Encerra sua apresentação.

Adquirimos competências

Dotados ou não de inspiração.

Dizemos até breve a todos.

Estes são nossos modos

Agradecemos de coração.

Escritora: Nasaré Silva
Formada em Pedagogia – FAVIX – 2012.
Especialista em Ensino da Educação Básica.
Graduanda em Filosofia – UFMA.
O cordel foi último ato para o encerramento da miniolimpíada de Filosofia sob a orientação do Prof. Dr. Almir Ferreira. Nov./ 2019.

Paródia de Mãe Catirina

Compositora: Nasaré Silva

Mãe Cecília que só quer brincar com a língua do boi

Nunca pensa em comer ela, nem filé e nem costela

Pois seu lema é o amor.

Ai mãe Cecília cuida do boi (bis) que quer crescer (Refrão)

E lá vai meu boi prenda da cidade

 

Nossa comunidade chegou a hora de brilhar.

Homenageando todas suas famílias, gente aguerrida

Que não cansa de lutar.

 

Refrão…

 

E lá vai meu boi no romper da aurora

Nossa escola chora sem alunos pra ensinar.

Mas não nos abatemos, nesta trajetória

Porque temos Deus para nos encorajar.

 

E lá vai meu boi cheio de saudade

Dos nossos alunos que não podemos visitar

Mas cremos em Deus, que em breve estaremos

Todos reunidos, na escola a estudar.

 

E lá vai meu boi arrastando a barra

Cecilia Botão tem garra quando o tema é educação

Levando um recado pro governador

Esta escola humilde tem carinho e tem valor.

 

E lá vai meu povo cantando pra ela

Em nossa aquarela rimando pra São João

Nossa querida escola, mesmo com saudades

Canta para os pais, nossa Cecília Botão.